
Foto: sxc.hu
A Cinara era uma mulher alta, loira, encorpada. Tem implante de silicone nos seios, quadril largo. Aquela mulher que adora gargantear, dizendo-se gostosona, que pode tudo, que é bem-resolvida. É importante deixar claro que ela não é tudo o que pensa que é. Está longe. Em uma de seus devaneios, gosta de dizer que é uma mulher GG: Grande e Gostosa. Cinara tem um noivo. Ou melhor, tinha. E o verbo passou ao passado devido a um telefonema.
GG estava na casa do amado, haviam feito um sexo muito bom — na opinião dela, claro, e como contou aos amigos para explicar o fato. O cara foi tomar um banho. Tinham de voltar ao trabalho. Pelo que entendi, estavam curtindo aquele intervalinho sacana e gostoso a que todo o casal deve ter de vez em quando. O telefone tocou. Cinara atendeu:
— Oi, amor... — disse a voz dengosa no outro lado da linha.
— Como??!! — respondeu a Grande e Gostosa.
— Por favor, tu podes passar para o meu noivo?
— Como assim?
— Meu noivo, querida, o Marcos. Hummmm, a propósito, quem tu és?
— Quem eu sou? Sou a noiva dele, querida...
— Não pode ser a noiva dele, perua, se a noiva dele sou eu.
— Não, tu eu não sei quem és. Mas a noiva dele não será mais eu...
Desligou o telefone, quebrou o pau com o Marcos. Não foi trabalhar. Foi até a casa da mãe de Marcos. Mais alguém, além do safado, deveria pagar e ouvir por tudo o que ela queria falar. Chegou lá e desistiu. Na sala, uma morena, baixinha, mas muito bonita, estava sentada no sofá da Dona Manuela, chorando. A ex-sogra tinha uma xícará de chá na mão esquerda e na direita uma caixa de lenços. A outra chorava, soluçando. Até a irmã de Marcos consolava a baixinha. E parecia muito aflita. Na mão da outra, uma aliança de prata. A dela, ao menos, era de ouro, pensou.
Tirou seu anel do dedo, deixou no armário do corredor e foi embora. Afinal, que homem não gostaria de noivar com uma mulher Grande e Gostosa?
Debates de vocês