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Posts do dia 18 outubro 2011

Conheça Cláudia: 34 anos, casada, mãe de dois filhos e... prostituta

18 de outubro de 2011 313

Foto: sxc.hu

O post de ontem foi uma espécie de “aperitivo” ao que estava por vir nesta terça-feira. Hoje vou contar a história de Cláudia, 34 anos, mãe de dois filhos, casada. Possui casa própria, dois carros, família estruturada. Cláudia trabalha. Muito. Como prostituta em um endereço famoso de Porto Alegre. O marido não sabe. Os filhos não sabem. A família não sabe. O irmão desconfia. Um primo transa com ela toda semana — de graça — porque descobriu seu pequeno segredo. Ela propôs isso, é bom que se deixe claro.

Conversei com Cláudia por cerca de duas horas. Cláudia é seu nome fictício, de guerra. Ela aluga um apartamento em um bairro de classe média na cidade. Recebe os clientes com hora marcada, estilo Bruna Surfistinha. Não tem cafetão, nem “ninguém que lhe tire fácil o dinheiro que recebe de forma tão difícil”, como destaca. Cláudia mede cerca de 1,70 metro, pesa 71kg. É uma mulher bonita de rosto e que tem o corpo razoavelmente bonito. Nada exuberante. Mas também nada que se jogue fora. Como dizem por aí, vale o investimento de R$ 80 por uma hora de programa.

— Para quem tem 34 anos e já teve dois filhos está bom, né? — ela pergunta, levantando a blusa para mostrar a barriguinha lisa da lipo que fez no ano passado. A seguir, trechos do bate-papo.

Samba-Canção — Como você começou e há quantos anos faz programa?
Cláudia — Há quatro anos eu trabalhava em um escritório de advocacia como secretária. Um dos advogados que estava por lá vivia me cortejando e me chamava para sair todos os dias. Tomar drinks, jantares. Em um determinado dia, havia brigado com meu marido, estava querendo me separar, não aguentava mais a pressão de trabalhar, chegar em casa, cuidar dos filhos. Minha vida estava um saco. Acabei saindo com o advogado, jantamos, fomos para um motel. E, olha, eu acabei com ele (risos). No final, quando ele me deixou em casa, me disse “Cláudia, Cláudia, você deveria cobrar, meu amor. Êta servicinho bem feito”. Aquilo ficou martelando na minha cabeça por meses. Até que fui demitida porque não quis mais dar para o tal advogado.

Samba-Canção —E então foi logo fazer o que você faz hoje?
Cláudia — Não, claro que não. Curti o seguro-desemprego e fui atrás de emprego. Mas o que ele disse ficava na minha cabeça. Não consegui um emprego que pagasse bem. O tempo do seguro acabou. Fiquei mais dois meses desempregada. E foi aí, sim, que comecei a pensar em virar prostituta.

Samba-Canção — Mas como aconteceu?
Cláudia — Procurei uma que faz exatamente como eu: atende por telefone, família não sabe, tem filhos, marido, papagaio. Ela me explicou como funcionava a coisa.

Samba-Canção — Mas, assim, professor e aluno?
Cláudia — Não. Ela teve receio no início.  Mas daí procurei ela tanto que viu que não era brincadeira o que eu estava querendo.

Samba-Canção — Sim, mas como começou, mesmo?
Cláudia — Eu estava no apartamento desta guria, que hoje é muito minha amiga, pintou um cliente. A gente já conversava bastante. Ela me olhou e apontou para o telefone. Eu balancei a cabeça. E foi só esperar ele chegar.

Samba-Canção — Assim, tão fácil?
Cláudia — Nada fácil, meu amigo. Você acha que a gente curte o que faz? Acha que tocar nele foi fácil? Queria ver essas guriazinhas que vivem por aí aguentar a vida que a gente leva.

Samba-Canção — Sim, mas isso todas vocês devem falar: “não é fácil” e tudo mais… mas continuam na profissão.
Cláudia — Sim, mas como eu vou tirar R$ 3,5 mil por mês? Me diz… Tu tem um emprego com esse salário para me dar?

Samba-Canção — OK, mas e teu marido? E teus filhos? Ele não suspeita de nada? Dessa grana toda que tu recebe?
Cláudia — Meu querido, no início eu acho que ele estranhou, sim. Pô, R$ 3,5 mil é dinheiro para uma secretária executiva. Para ele, trabalho em uma grande empresa aqui de Porto Alegre. Falo três línguas. Saio de casa sempre arrumada, impecável. De blazer, saia social ou terninho executivo. Não tem como desconfiar. Até tem, claro. Mas o meu salário e o dele nos proporcionam uma vida muito boa: temos televisão de 52′, dois carros do ano, meus filhos estudam em uma das melhores escolas de Porto Alegre… Eu trabalho apenas de segunda a sexta, o telefone não toca fora do horário comercial. E é exclusivo da profissão. Eu deixo o aparelho no apartamento que alugo.

Samba-Canção — Sim, mas e tua família?
Cláudia — O que tem?

Samba-Canção — Não desconfia?
Cláudia — Meu irmão, sim. Mas eu brinco com ele: “Para tua irmã ter um trabalho melhor, só se virar p**a”. Todos dão risada e a coisa morre por ali. Quem descobriu, mesmo, foi um primo meu. Safado. Me seguiu e acabou aqui no porteiro eletrônico. O segurança caiu no papo dele, deixou entrar e, no dia, eu estava esperando um cliente. Me pegou de calcinha e sutiã atendendo a porta. Ele disse: “eu sabia”. E eu respondi: “Agora que está aqui, entra”. Ele entra toda a semana, de graça, claro. É nosso segredinho.

Samba-Canção — Ele vem toda a semana, mesmo?
Cláudia — Claro. Com ele até é bom. Me trata bem. Transa bem. Ele vem quase sempre na quinta. Fica a horinha dele e vai embora. É diferente porque tem duas safadezas, né? (risos). Ser primo e ser cliente. Mas não pense que é básico, não. Ele recebe serviço completinho. E gosta, meu bem, ah, gosta (gargalhadas).

Samba-Canção — E sexo em casa? Consegue? Na boa?
Cláudia — Mas é claro. Amo meu marido. Amo meus filhos. Meu marido é ótimo na cama. Ninguém me fez gozar como ele. E olha que já transei muito, amigo. E digo: já gozei com cliente. Tem um que me trata tão bem que parece meu namorado. Esse me arrebenta. Só não dou de graça porque não é meu feitio.

Samba-Canção — Tu pretendes parar quando?
Cláudia — Mais um ano, dois, e eu vou parar. Tenho uma poupança gorda me esperando. Já falei com meu marido que seria legal abrirmos uma empresa. Ele é analista de sistemas e está gostando da ideia. Com essa poupança vamos fazer nossa empresa. E eu vou parar com isso. Tu vai me perguntar se eu me arrependo agora, né?

Samba-Canção — Não ia, mas…
Cláudia — Quando chego em casa e vejo meus filhos, bate uma tristeza. Mas eu planejei quando essa vida ia começar. Então eu sei quando ela vai acabar. E está quase acabando. Escreve aí: tem mulher que quer fazer exatamente o que eu faço e não faz porque se acha mais que eu. E têm as outras que me vão me julgar, eu sei disso. Para elas, vou dizer o seguinte: tem cara que te come e vai pra casa e te trata pior que muito cliente meu. Então, não te enche de moral para falar de mim. Ah, e se quiser, passa um dia comigo aqui e tenta aguentar o tranco. Daí, sim, a gente passa a conversar.