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Posts de outubro 2011

Hoje é Dia das Bruxas. Como não lembrar dela, a sogra?

31 de outubro de 2011 32

Foto: sxc.hu

Então hoje é o Dia das Bruxas. Pensei muito, juro que tentei lembrar de alguém que fosse tão lembrado neste dia quanto ela. Mesmo. Mas não me veio à memória nenhuma outra palavra a não ser “sogra”! Ela, tão odiada, tão cheia de nomes, tão completa e cheia de si. Tão bruxa.

Capaz de convencer tua mulher de que você está “diferente”. Só porque está quieto, sentado ao sofá, tentando assistir ao seu programa preferido na TV. Mas ela está te enchendo o saco. Quer que você troque para a novela, para o Silvio Santos e seus calouros, o Gugu, Faustão.

E você fica louco da vida porque paga uma exorbitância em televisão por assinatura. Mas tua mulher cai na onda dela e diz “ai, amor, dá uma chance para a mamãe assistir a TV também”. Você sabe que tem de aceitar ou a coisa vai ser ainda pior, afinal, sua mulher entrou na jogada. Clic. Mudou o canal.

Tem aqueles que cometeram a burrada, a infelicidade, a imbecilidade de convidar a velha para morar com o casal. Acabou o silêncio. Se o problema de manter tua mulher quieta por 10 minutos já é enorme — sim, já falamos aqui que têm vezes que queremos ficar quietos — com a sogra, então, é impossível 10 segundos de quietude.

E fala, a megera. Com aquele ar cheia de si, lembra? Quando ela está bordando, séria, você está conversando com sua mulher. Algum assunto polêmico ou importante, ela nem tira os olhos do bordado, mas opina — séria, ainda — com aquela voz de decreto, não de opinião. Na realidade, deveria ser uma opinião, mas tua mulher caiu feito pata e disse “exato”. Danou-se, amigo.

Sexo, então, amigo samba-cancioneiro, é aquele sexo quietinho, com gemidos baixos, respiração contida “para não acordar a mamãe…”. Você está louco para extravasar, ir da sala até o quarto jogando camisa, calça, cueca, meia, calcinha por tudo quanto é lado. Mas não pode. “Mamãe pode ouvir”. “Mamãe ainda não dormiu”. “Mamãe isso”. “Mamãe aquilo”. E o problema da velha ouvir é que ela vai ficar fazendo piadinha no outro dia, tua mulher vai ficar constrangida e vai ficar uma semana sem chegar perto de ti. Beijinho na frente de todo mundo com ela por perto? Bem capaz. Afinal, “não queremos nossa intimidade exposta”, não é mesmo? Com sorte, daqui uma semana você recebe um sexo oral. Básico, mas recebe.

Amigo, parei de escrever. Estou no começo de uma enorme dor no estômago. Lembrar de tudo isso foi complicado. Espero, realmente, que a vida da maioria de vocês não seja assim. Se for, Feliz Dia das Bruxas e coma aquele doce de abóbora por mim. Se não, o parágrafo acima já te dá uma boa dica de o quê fazer hoje à noite.

Está de volta o Pergunte aos Cuecas. Participe!

28 de outubro de 2011 17

Foto: sxc.hu

Após algumas semanas “de molho”, o Pergunte aos Cuecas está de volta. Aproveite o final da semana, sexta-feira, para levantar polêmicas aqui no blog ou trazer algum assunto à tona que esteja te incomodando para os samba-cancioneiros repercutirem. Você tem até o meio-dia de amanhã para deixar sua pergunta. Se não tiver nenhuma, coloca a leitura do blog em dia. Tem muito assunto rendendo essa semana por aqui.

UPDATE, 28 de outubro, 21h45min: Perguntas fechadas. São 17 aprovadas. Fique ligado para as respostas, em breve.

Sobre as mulheres que têm queda por cirurgias estéticas

27 de outubro de 2011 60

Foto: sxc.hu

Pode me chamar de mentiroso ou o que quer que você pense após ler esse texto, mas nunca tive queda por cirurgias estéticas. Mulheres que tenham colocado silicone, usado botox, tirado costelas para afinar a cintura, puxado um ou outro pezinho de galinha, feito lipoaspiração… Há quem não goste de seu corpo, quer dar uma melhoradinha e apela para a faca, não tem problema algum, respeito. Mas eu, particularmente, não incentivaria minha companheira a aderir a nenhuma destas práticas.

Prefiro mulheres originais, não moldadas. Academia pode resolver diversos problemas estéticos. Claro, requer tempo, algum dinheiro e muita dedicação. Mas, a não ser que a moça seja muito, mas muito insatisfeita com os resultados, as coisas não sejam resolvidas. Qualquer esteirinha, 30 minutos, por uns dois ou três meses já dão outro tipo de silhueta para uma mulher. Mesmo aquelas que estão muito acima do peso.

Aqui na redação havia uma moça muito bonita. Corpo e rosto. Um tremendo avião. Vou chamá-la de Dona Lili. A redação parava quando Dona Lili entrava no recinto. Acredito que muitas das correções de demos no jornal tenham sido ocasionadas pelos pouco mais de 30 passos que ela dava dia após dia — isso é uma brincadeira, claro.

Dona Lili certa vez acabou com os problemas das mulheres da redação com uma única frase. No bar, todas sempre pedem salada de fruta, um mamão ou melão em cubos, algo light, que não vá interferir no peso. Uma barra de cereal, talvez. Refrigerante, nem pensar. Em um almoço, as meninas preocupadas como iriam fazer para encarar o Verão — coisa normal de mulher, sabe? — Dona Lili chega no balcão e tasca a frase que ecoa por nossos corredores até hoje:

— Me dá uma pizza calabresa!

Dona Lili é como eu. Gosta da mulher original, de fábrica. Não sei como mantém o corpo perfeito daqueles. Ela não trabalha mais aqui e eu, certamente, não descobrirei sua tática. Mas uma coisa é certa: as pizzas calabresa nunca mais foram as mesmas.

Descobri o motivo para tantos divórcios: o fracasso das mulheres em dar prazer a seus maridos

26 de outubro de 2011 139

Foto: sxc.hu

Estaria certa uma associação indonésia de esposas muçulmanas? As separações são resultado do fracasso das mulheres em dar prazer a seus maridos? Olha, pelo que li ontem em uma reportagem do G1, sim. Acredita que elas criaram um manual, uma espécie de guia, o Kama Sutra para preservação do casamento? Ah, é bom destacar: não há figuras para ilustrar o livro e mostrar como se faz, mas o texto oferece instruções sobre como entreter, obedecer e dar prazer aos maridos. Pois segundo o texto, “as mulheres só oferecem 10% do desejo de seus cônjuges”.

Tudo bem que essa turma lá de cima é completamente doida e tem mais normas contra o sexo que a favor dele. Mas me chamou atenção essa coisa de as mulheres só oferecerem “10% do desejo de seus cônjuges”. Sabe porquê? Aqui no blog, são constantes os comentários de que as mulheres devem ser desencanadas na cama (não vou usar aquela palavra de quatro letras que inicia com p. Por favor, não use nos comentários também). Ah, sim: o comentário sempre é completo com “… uma donzela na rua”.

Vocês acreditam realmente nisso? Vocês não acham que as pessoas deveriam ser elas mesmas sempre, em todas as situações? Claro, há inúmeros casos de pessoas tímidas, que são totalmente introvertidas e não conseguem se soltar no dia a dia e que na hora do “vamos ver” são totalmente devassas. Mas o que quero dizer é: não está na hora de parar com esse negócio de quem dá prazer para quem? As frases clássicas como “eu fiz ela gozar três, quatro vezes…” ou “eu acabei com ele, amiga”?

Claro que um papo de bar, por exemplo, se presta para isso. Mas estou falando da pessoa que fica se gabando, se vangloriando, mesmo. Ou também dessa turma aí de cima — são mulheres que criaram isso, infelizmente.

Não descarto o sexo como um ponto importantíssimo na relação e sei que ele influencia talvez mais de 50% do dia a dia. Mas garanto que essas mulheres não viveram o sexo como deve ser vivido. Garanto que quem pensa que a culpa é de um ou de outro na hora de um divórcio — ou até mesmo o fim de um namoro — não descobriu a pessoa que realmente é. Ou não conheceu a pessoa que tinha em casa. Esses, sim, mereceriam um manual, um livro para aprender tudo o que deveriam ter buscado entender do outro. A primeira lição poderia ser: “entenda o que seu parceiro quer”. O problema é que todos leem: “seu parceiro quer”. E daí você mais obedece que se doa. E o relacionamento é doação.

A tara por transar em lugares públicos (ou quero simplesmente ser flagrado)

25 de outubro de 2011 108

Foto: sxc.hu

Acredita que tem histórias a valer a respeito de sexo em lugares públicos neste mundo paralelo chamado internet? Em uma busca rápida, peguei notícias de alunos transando na universidade, um casal fazendo sexo em uma sacada de hotel, outro em meio à torcida de um jogo de futebol e, pasmem, até de um homem e uma mulher mantendo relações enquanto faziam uma rápida descida de paraquedas. Paraquedas, amigo! A sei lá quantos mil metros de altitude — perdão pela piada infame, mas isso que é levar a mulher às nuvens.

Entendo, sinceramente, entendo, essa tara por transar em lugares públicos: há aquela sensação de fazer o proibido, a adrenalina de pensar que a qualquer momento alguém vai aparecer, a fuga do habitual, do costume. Transgredir normas.

Já falamos disso uma vez, lembra? Surgiram vários comentários interessantes a respeito de experiências e realizações e como isso poderia apimentar a relação. Mas observando a foto de uma das notícias que encontrei tive certeza: além do inusitado, da situação de risco, sair do padrão e da rotina, esses casais querem — mesmo que inconscientemente — ser flagrados.

Dois estudantes (de sexo oposto) foram monitorados pelas câmeras de um hospital enquanto ela fazia sexo oral nele. Ganharam “bilhete para a casa”. O casal da sacada foi multado. Mas quando a mulher viu que os dois eram filmados, virou para a câmera e fez gestos obcenos. Tudo bem, aqui você pode me dizer que ela ficou com raiva de ter de parar bem na hora do bem bom, mas tenho minhas dúvidas…

Como nunca fiz nada em público ou passei pela possibilidade de ser visto, não posso opinar. Se alguém que passa por aqui tem uma opinião melhor sobre o tema, por favor. É só escrever nos comentários.

"Amor, estou grávida. O que a gente vai fazer?"

24 de outubro de 2011 119

Foto: sxc.hu

Fato que programar uma gravidez, pensar e organizar a vida a dois, alinhar todas as questões relevantes para dar um futuro bom à criança é primordial e porque não dizer essencial na vida de um casal. Mas e quando isso não é possível? Quando ela simplesmente para na tua frente com aquela cara de apavorada e diz “Amor, estou grávida”?

Um casal de amigos passou por isso. Em uma madrugada, acabaram transando, não se precaveram e vieram gêmeos. Gêmeos, amigo. E o marido, hoje feliz da vida com os dois guris, ficou apavorado. Ele, recém-formado na faculdade de Direito. Ela, professora de Educação Física. Passaram um grande aperto logo no início. Ela também ficou apreensiva, claro, mas os dois lembram — hoje rindo, claro — que ele ficou bem mais nervoso e preocupado do que ela, que só sabia olhar e alisar a barriga.

E vocês? Alguém aqui já passou por isso? O que fizeram? Como foi para superar a barra e dar algo bom para o bebê? Conte para nós, samba-cancioneiro.

O problema dos homens certinhos demais (ou a lição que vamos tirar dos atos falhos)

21 de outubro de 2011 62

Foto: sxc.hu

UPDATE: com a correria da redação, acabamos não conseguindo liberar os comentários na tarde desta sexta-feira. Por isso liberamos à noite, perto das 23h. Desculpe a quem acompanha o blog e posta comentários.

Chamou-me atenção a repercussão do post do M.R.S e a grande parte dos comentários — masculinos, claro — a respeito do protagonista da carta ser certinho demais. Grande parte dos comentários destacava o fato de o casal não ter feito sexo anal, por exemplo, como um dos defeitos do relacionamento. Segundo os samba-cancioneiros, esta questão serve como um termômetro de que a coisa era um tanto fria entre os dois na cama, e a mulher, talvez, queria algo mais caliente. Não acho que se possa medir a temperatura sexual de um casal por fez ou não fez sexo anal, mas…

O que penso é: não importa o quanto se é bom ou mau, não importa se deu motivo ou não, se a mulher tem caráter, se o amigo não era tão amigo assim, se o casamento estava uma droga, qualquer outra coisa. Não importa. Importa que ele foi correto até mesmo na hora de desvendar que sabia de tudo. Ele foi correto até mesmo na hora em que deveria ser enérgico, forte. Quando devia matar a cobra e mostrar o que você sabe que ele deveria mostrar. Ele foi íntegro. E pessoas íntegras estão em falta no mundo: homens e mulheres.

A lição disso tudo — e espero que você que sempre lê o blog aprenda de uma vez — é que homens e mulheres são falhos. Têm medos. Angústias. Necessidades. São apreensivos. Imaturos. Às vezes homens e mulheres querem simplesmente estar sozinhos. Porque sabem que quando estiverem com alguém não serão capazes de corresponder à expectativa do outro. E fazem bobagem — porque é normal que o ser humano faça bobagem. E com isso machucam outras pessoas.

O texto, a carta do M.R.S, pode ser fictício, invenção do blog — vocês já pararam para pensar que apontam sempre o dedo nos acusando de mentirosos? A lição dos mais de 200 comentários do post é: homens e mulheres, deixem de lado a eterna guerra dos sexos. Homens chamam mulheres de promíscuas e afins porque elas começaram a querer ser homens. Mulheres quiseram ser homens para mostrar que podem as mesmas coisas que eles. Um dá um murro forte na ponta da faca, o outro vê os dedos cheios de sangue mas retruca e dá o soco ou igual ou mais forte que o primeiro. Ambos derramam litros de sangue no chão. E se machucam.

Ou seja: nessa vidinha de agressões mútuas, quem perde somos todos nós.

Fui traído pelo meu melhor amigo

20 de outubro de 2011 218

Foto: sxc.hu

Não costumamos e nem vamos colocar textos de outras pessoas no blog, mas este abaixo chamou-me atenção. Veio por Direct Message no Twitter, em uma página de um blog criado para que o texto chegasse a nós. Pelo que entendi, foi escrito para tocar os samba-cancioneiros. Não sei se é verdade, não conheço a pessoa. Mas se o amigo ou a mulher andarem por aqui, também, estejam preparados para os comentários que virão. Pois acho que serão um tanto que massacrados pelo que percebo nos quase 10 mil comentários que já temos. Leia e tire sua própria conclusão:

“Acompanho o blog desde sua criação, leio praticamente todos os comentários. Resolvi escrever porque as mulheres costumam escrever que homem é tudo igual, que homem não presta, que são cafajestes. Na realidade, sei que elas falam em termos gerais. Mas gostaria apenas de mostrar que uma mulher, uma única mulher, a minha, não soube valorizar a antítese daquilo que as mulheres acreditam ser ruim para a raça humana.

Eu sou (ou era) um homem feliz. Dedicado. Adoro festas. Adoro teatro. Adoro jantares românticos. Faço e levo café na cama. Me dou bem com minha sogra e minhas cunhadas. Nunca flertei na rua, no trabalho, onde quer que seja desde que estou com ela. Me considero um cara normal na cama. Trabalhava feito doido para dar uma vida digna a minha mulher. Até compras em shopping me presto a fazer (hehehehehe). Mas descobri que fui traído. Pelo meu melhor amigo. Ao menos eu acreditava que era meu melhor amigo.

Descobri há duas semanas. Na hora, pensei em me matar. Amo muito minha mulher. Depois, pensei em matar o cara. Mais depois ainda, pensei em matar os dois. Mas, bundão que sou, apenas saí de casa. Ela ficou e deve estar lá, com o outro. Foi fácil descobrir. Como todo mundo escreve aí no blog, a mentira aparece. Um torpedo no celular marcava “uma reunião”, assim, com aspas no texto. Minha mulher chegou tarde. Quando chegou em casa, conversamos como sempre, estávamos falando sobre coisas sem nexo. E perguntei da reunião. “Que reunião?”, ela respondeu. Achei estranho, mas depois ela viu a mancada, desconversou e tudo mais.

Passei a desconfiar de algumas atitudes dela e esse meu amigo sempre presente. Mas não falava nada com ele, homem não gosta de compartilhar essas coisas. Esses tempor encontrei ela por acaso no shopping, no almoço, e estava de cabelo molhado. Perguntei se não tinha ido trabalhar pela manhã e ela desconversou “Ué, não te falei? estão fazendo manutenção nos computadores essa manhã”.

De tanta desculpa esfarrapada, porque não sou tão burro assim, acabei seguindo ela em uma de suas saídas e, para meu espanto, ela desceu do táxi na outra esquina, perto de casa, e entrou no carro deste meu amigo. Fui atrás e vi os dois entrando no motel. No primeiro dia não falei nada, no segundo também não, no terceiro não aguentei mais e escancarei em um almoço, domingo. Convidei ele para ir lá em casa. Ia ter um churras com toda a turma. A turma não veio, lógico. E fiz eles me contarem tudo: tempo de safadezas, onde, quando, porquê. Motivo é o que menos me interessa

O cara transou com minha mulher em meu quarto. Em minha sala. Tomou banho em meu banheiro e secou o corpo com minhas toalhas. Fizeram sexo anal. Eu nunca fiz sexo anal com ela. Transavam duas, três vezes na semana. E eu entendia quando ela dizia que estava cansada. Ouvi tudo, quieto. Imagina, Johnny, como conseguir ficar quieto em uma hora dessas? Mas fiquei. E foi tanta raiva que por isso que disse que queria matar todo mundo. Acho que nunca tive tanto sangue frio na vida. Apenas larguei o material do churrasco, fui até meu quarto, peguei minhas coisas e fui embora. Agora estou em um hotel, escrevendo para vocês.

Não quero ser mártir, nem que me deem uma estátua. Sei que muitos irão tirar onda com minha cara. Outros vão ser solidários. Não estou nem aí. Só escrevi mesmo porque queria desabafar e mostrar para essas mulheres que há homem decente no mundo, sim. E as mulheres, assim como muitos homens, não sabem valorizar.

Abraços. M. R. S”

Mulher valoriza o passado masculino ou um homem galinha também tem vez?

19 de outubro de 2011 109

Foto: sxc.hu

Na segunda-feira comentamos por aqui sobre o passado das mulheres. O post falava sobre ser rodada, ter trabalhado como prostituta e os problemas que isso poderia ocasionar caso o namorado/marido descobrisse tal fato. Muitos comentários foram julgados como machistas. Eu acredito que são apenas a realidade. Parafraseando um comentário do Everton, “se você conhecer a cozinha do restaurante ou o passado de uma mulher, você não come”.

Mas, e vocês, mulheres, valorizam o passado masculino? Vocês pensam duas vezes antes de sair com um cara “galinha”? Existe para vocês a máxima “homem para casar”? Vamos ver a opinião de vocês. Porque uma coisa tenho certeza: jogar pedra no telhado do vizinho é muito fácil. Sejam sinceras nos comentários que tenho certeza de que hoje passaremos dos 100, mais uma vez. Querem mentir? Não esqueçam: a banca paga, mas também cobra.

Conheça Cláudia: 34 anos, casada, mãe de dois filhos e... prostituta

18 de outubro de 2011 313

Foto: sxc.hu

O post de ontem foi uma espécie de “aperitivo” ao que estava por vir nesta terça-feira. Hoje vou contar a história de Cláudia, 34 anos, mãe de dois filhos, casada. Possui casa própria, dois carros, família estruturada. Cláudia trabalha. Muito. Como prostituta em um endereço famoso de Porto Alegre. O marido não sabe. Os filhos não sabem. A família não sabe. O irmão desconfia. Um primo transa com ela toda semana — de graça — porque descobriu seu pequeno segredo. Ela propôs isso, é bom que se deixe claro.

Conversei com Cláudia por cerca de duas horas. Cláudia é seu nome fictício, de guerra. Ela aluga um apartamento em um bairro de classe média na cidade. Recebe os clientes com hora marcada, estilo Bruna Surfistinha. Não tem cafetão, nem “ninguém que lhe tire fácil o dinheiro que recebe de forma tão difícil”, como destaca. Cláudia mede cerca de 1,70 metro, pesa 71kg. É uma mulher bonita de rosto e que tem o corpo razoavelmente bonito. Nada exuberante. Mas também nada que se jogue fora. Como dizem por aí, vale o investimento de R$ 80 por uma hora de programa.

— Para quem tem 34 anos e já teve dois filhos está bom, né? — ela pergunta, levantando a blusa para mostrar a barriguinha lisa da lipo que fez no ano passado. A seguir, trechos do bate-papo.

Samba-Canção — Como você começou e há quantos anos faz programa?
Cláudia — Há quatro anos eu trabalhava em um escritório de advocacia como secretária. Um dos advogados que estava por lá vivia me cortejando e me chamava para sair todos os dias. Tomar drinks, jantares. Em um determinado dia, havia brigado com meu marido, estava querendo me separar, não aguentava mais a pressão de trabalhar, chegar em casa, cuidar dos filhos. Minha vida estava um saco. Acabei saindo com o advogado, jantamos, fomos para um motel. E, olha, eu acabei com ele (risos). No final, quando ele me deixou em casa, me disse “Cláudia, Cláudia, você deveria cobrar, meu amor. Êta servicinho bem feito”. Aquilo ficou martelando na minha cabeça por meses. Até que fui demitida porque não quis mais dar para o tal advogado.

Samba-Canção —E então foi logo fazer o que você faz hoje?
Cláudia — Não, claro que não. Curti o seguro-desemprego e fui atrás de emprego. Mas o que ele disse ficava na minha cabeça. Não consegui um emprego que pagasse bem. O tempo do seguro acabou. Fiquei mais dois meses desempregada. E foi aí, sim, que comecei a pensar em virar prostituta.

Samba-Canção — Mas como aconteceu?
Cláudia — Procurei uma que faz exatamente como eu: atende por telefone, família não sabe, tem filhos, marido, papagaio. Ela me explicou como funcionava a coisa.

Samba-Canção — Mas, assim, professor e aluno?
Cláudia — Não. Ela teve receio no início.  Mas daí procurei ela tanto que viu que não era brincadeira o que eu estava querendo.

Samba-Canção — Sim, mas como começou, mesmo?
Cláudia — Eu estava no apartamento desta guria, que hoje é muito minha amiga, pintou um cliente. A gente já conversava bastante. Ela me olhou e apontou para o telefone. Eu balancei a cabeça. E foi só esperar ele chegar.

Samba-Canção — Assim, tão fácil?
Cláudia — Nada fácil, meu amigo. Você acha que a gente curte o que faz? Acha que tocar nele foi fácil? Queria ver essas guriazinhas que vivem por aí aguentar a vida que a gente leva.

Samba-Canção — Sim, mas isso todas vocês devem falar: “não é fácil” e tudo mais… mas continuam na profissão.
Cláudia — Sim, mas como eu vou tirar R$ 3,5 mil por mês? Me diz… Tu tem um emprego com esse salário para me dar?

Samba-Canção — OK, mas e teu marido? E teus filhos? Ele não suspeita de nada? Dessa grana toda que tu recebe?
Cláudia — Meu querido, no início eu acho que ele estranhou, sim. Pô, R$ 3,5 mil é dinheiro para uma secretária executiva. Para ele, trabalho em uma grande empresa aqui de Porto Alegre. Falo três línguas. Saio de casa sempre arrumada, impecável. De blazer, saia social ou terninho executivo. Não tem como desconfiar. Até tem, claro. Mas o meu salário e o dele nos proporcionam uma vida muito boa: temos televisão de 52′, dois carros do ano, meus filhos estudam em uma das melhores escolas de Porto Alegre… Eu trabalho apenas de segunda a sexta, o telefone não toca fora do horário comercial. E é exclusivo da profissão. Eu deixo o aparelho no apartamento que alugo.

Samba-Canção — Sim, mas e tua família?
Cláudia — O que tem?

Samba-Canção — Não desconfia?
Cláudia — Meu irmão, sim. Mas eu brinco com ele: “Para tua irmã ter um trabalho melhor, só se virar p**a”. Todos dão risada e a coisa morre por ali. Quem descobriu, mesmo, foi um primo meu. Safado. Me seguiu e acabou aqui no porteiro eletrônico. O segurança caiu no papo dele, deixou entrar e, no dia, eu estava esperando um cliente. Me pegou de calcinha e sutiã atendendo a porta. Ele disse: “eu sabia”. E eu respondi: “Agora que está aqui, entra”. Ele entra toda a semana, de graça, claro. É nosso segredinho.

Samba-Canção — Ele vem toda a semana, mesmo?
Cláudia — Claro. Com ele até é bom. Me trata bem. Transa bem. Ele vem quase sempre na quinta. Fica a horinha dele e vai embora. É diferente porque tem duas safadezas, né? (risos). Ser primo e ser cliente. Mas não pense que é básico, não. Ele recebe serviço completinho. E gosta, meu bem, ah, gosta (gargalhadas).

Samba-Canção — E sexo em casa? Consegue? Na boa?
Cláudia — Mas é claro. Amo meu marido. Amo meus filhos. Meu marido é ótimo na cama. Ninguém me fez gozar como ele. E olha que já transei muito, amigo. E digo: já gozei com cliente. Tem um que me trata tão bem que parece meu namorado. Esse me arrebenta. Só não dou de graça porque não é meu feitio.

Samba-Canção — Tu pretendes parar quando?
Cláudia — Mais um ano, dois, e eu vou parar. Tenho uma poupança gorda me esperando. Já falei com meu marido que seria legal abrirmos uma empresa. Ele é analista de sistemas e está gostando da ideia. Com essa poupança vamos fazer nossa empresa. E eu vou parar com isso. Tu vai me perguntar se eu me arrependo agora, né?

Samba-Canção — Não ia, mas…
Cláudia — Quando chego em casa e vejo meus filhos, bate uma tristeza. Mas eu planejei quando essa vida ia começar. Então eu sei quando ela vai acabar. E está quase acabando. Escreve aí: tem mulher que quer fazer exatamente o que eu faço e não faz porque se acha mais que eu. E têm as outras que me vão me julgar, eu sei disso. Para elas, vou dizer o seguinte: tem cara que te come e vai pra casa e te trata pior que muito cliente meu. Então, não te enche de moral para falar de mim. Ah, e se quiser, passa um dia comigo aqui e tenta aguentar o tranco. Daí, sim, a gente passa a conversar.