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Posts na categoria "Mitos e Verdades"

Conheça Cláudia: 34 anos, casada, mãe de dois filhos e... prostituta

18 de outubro de 2011 313

Foto: sxc.hu

O post de ontem foi uma espécie de “aperitivo” ao que estava por vir nesta terça-feira. Hoje vou contar a história de Cláudia, 34 anos, mãe de dois filhos, casada. Possui casa própria, dois carros, família estruturada. Cláudia trabalha. Muito. Como prostituta em um endereço famoso de Porto Alegre. O marido não sabe. Os filhos não sabem. A família não sabe. O irmão desconfia. Um primo transa com ela toda semana — de graça — porque descobriu seu pequeno segredo. Ela propôs isso, é bom que se deixe claro.

Conversei com Cláudia por cerca de duas horas. Cláudia é seu nome fictício, de guerra. Ela aluga um apartamento em um bairro de classe média na cidade. Recebe os clientes com hora marcada, estilo Bruna Surfistinha. Não tem cafetão, nem “ninguém que lhe tire fácil o dinheiro que recebe de forma tão difícil”, como destaca. Cláudia mede cerca de 1,70 metro, pesa 71kg. É uma mulher bonita de rosto e que tem o corpo razoavelmente bonito. Nada exuberante. Mas também nada que se jogue fora. Como dizem por aí, vale o investimento de R$ 80 por uma hora de programa.

— Para quem tem 34 anos e já teve dois filhos está bom, né? — ela pergunta, levantando a blusa para mostrar a barriguinha lisa da lipo que fez no ano passado. A seguir, trechos do bate-papo.

Samba-Canção — Como você começou e há quantos anos faz programa?
Cláudia — Há quatro anos eu trabalhava em um escritório de advocacia como secretária. Um dos advogados que estava por lá vivia me cortejando e me chamava para sair todos os dias. Tomar drinks, jantares. Em um determinado dia, havia brigado com meu marido, estava querendo me separar, não aguentava mais a pressão de trabalhar, chegar em casa, cuidar dos filhos. Minha vida estava um saco. Acabei saindo com o advogado, jantamos, fomos para um motel. E, olha, eu acabei com ele (risos). No final, quando ele me deixou em casa, me disse “Cláudia, Cláudia, você deveria cobrar, meu amor. Êta servicinho bem feito”. Aquilo ficou martelando na minha cabeça por meses. Até que fui demitida porque não quis mais dar para o tal advogado.

Samba-Canção —E então foi logo fazer o que você faz hoje?
Cláudia — Não, claro que não. Curti o seguro-desemprego e fui atrás de emprego. Mas o que ele disse ficava na minha cabeça. Não consegui um emprego que pagasse bem. O tempo do seguro acabou. Fiquei mais dois meses desempregada. E foi aí, sim, que comecei a pensar em virar prostituta.

Samba-Canção — Mas como aconteceu?
Cláudia — Procurei uma que faz exatamente como eu: atende por telefone, família não sabe, tem filhos, marido, papagaio. Ela me explicou como funcionava a coisa.

Samba-Canção — Mas, assim, professor e aluno?
Cláudia — Não. Ela teve receio no início.  Mas daí procurei ela tanto que viu que não era brincadeira o que eu estava querendo.

Samba-Canção — Sim, mas como começou, mesmo?
Cláudia — Eu estava no apartamento desta guria, que hoje é muito minha amiga, pintou um cliente. A gente já conversava bastante. Ela me olhou e apontou para o telefone. Eu balancei a cabeça. E foi só esperar ele chegar.

Samba-Canção — Assim, tão fácil?
Cláudia — Nada fácil, meu amigo. Você acha que a gente curte o que faz? Acha que tocar nele foi fácil? Queria ver essas guriazinhas que vivem por aí aguentar a vida que a gente leva.

Samba-Canção — Sim, mas isso todas vocês devem falar: “não é fácil” e tudo mais… mas continuam na profissão.
Cláudia — Sim, mas como eu vou tirar R$ 3,5 mil por mês? Me diz… Tu tem um emprego com esse salário para me dar?

Samba-Canção — OK, mas e teu marido? E teus filhos? Ele não suspeita de nada? Dessa grana toda que tu recebe?
Cláudia — Meu querido, no início eu acho que ele estranhou, sim. Pô, R$ 3,5 mil é dinheiro para uma secretária executiva. Para ele, trabalho em uma grande empresa aqui de Porto Alegre. Falo três línguas. Saio de casa sempre arrumada, impecável. De blazer, saia social ou terninho executivo. Não tem como desconfiar. Até tem, claro. Mas o meu salário e o dele nos proporcionam uma vida muito boa: temos televisão de 52′, dois carros do ano, meus filhos estudam em uma das melhores escolas de Porto Alegre… Eu trabalho apenas de segunda a sexta, o telefone não toca fora do horário comercial. E é exclusivo da profissão. Eu deixo o aparelho no apartamento que alugo.

Samba-Canção — Sim, mas e tua família?
Cláudia — O que tem?

Samba-Canção — Não desconfia?
Cláudia — Meu irmão, sim. Mas eu brinco com ele: “Para tua irmã ter um trabalho melhor, só se virar p**a”. Todos dão risada e a coisa morre por ali. Quem descobriu, mesmo, foi um primo meu. Safado. Me seguiu e acabou aqui no porteiro eletrônico. O segurança caiu no papo dele, deixou entrar e, no dia, eu estava esperando um cliente. Me pegou de calcinha e sutiã atendendo a porta. Ele disse: “eu sabia”. E eu respondi: “Agora que está aqui, entra”. Ele entra toda a semana, de graça, claro. É nosso segredinho.

Samba-Canção — Ele vem toda a semana, mesmo?
Cláudia — Claro. Com ele até é bom. Me trata bem. Transa bem. Ele vem quase sempre na quinta. Fica a horinha dele e vai embora. É diferente porque tem duas safadezas, né? (risos). Ser primo e ser cliente. Mas não pense que é básico, não. Ele recebe serviço completinho. E gosta, meu bem, ah, gosta (gargalhadas).

Samba-Canção — E sexo em casa? Consegue? Na boa?
Cláudia — Mas é claro. Amo meu marido. Amo meus filhos. Meu marido é ótimo na cama. Ninguém me fez gozar como ele. E olha que já transei muito, amigo. E digo: já gozei com cliente. Tem um que me trata tão bem que parece meu namorado. Esse me arrebenta. Só não dou de graça porque não é meu feitio.

Samba-Canção — Tu pretendes parar quando?
Cláudia — Mais um ano, dois, e eu vou parar. Tenho uma poupança gorda me esperando. Já falei com meu marido que seria legal abrirmos uma empresa. Ele é analista de sistemas e está gostando da ideia. Com essa poupança vamos fazer nossa empresa. E eu vou parar com isso. Tu vai me perguntar se eu me arrependo agora, né?

Samba-Canção — Não ia, mas…
Cláudia — Quando chego em casa e vejo meus filhos, bate uma tristeza. Mas eu planejei quando essa vida ia começar. Então eu sei quando ela vai acabar. E está quase acabando. Escreve aí: tem mulher que quer fazer exatamente o que eu faço e não faz porque se acha mais que eu. E têm as outras que me vão me julgar, eu sei disso. Para elas, vou dizer o seguinte: tem cara que te come e vai pra casa e te trata pior que muito cliente meu. Então, não te enche de moral para falar de mim. Ah, e se quiser, passa um dia comigo aqui e tenta aguentar o tranco. Daí, sim, a gente passa a conversar.

Mulher gosta é de dinheiro, de cartão de crédito. O resto é conversa para boi dormir

05 de outubro de 2011 188

Foto: sxc.hu

Sabe o lado bom de posts como o de ontem? Aquele que fala das menininhas, homens mais velhos e tudo mais? A melhor parte destes textos está nos comentários. E na queda das máscaras.

Não vou rotular todas as leitoras do blog, nem mesmo as mulheres em geral, mas me impressiono como existem tipos que adoram exibir-se como bem-resolvidas sexual e pessoalmente, espertas, inteligentes, independentes e tudo mais. Porém, na primeira oportunidade que têm para dialogar com propriedade e mostrar o quanto podem ostentar todos os adjetivos descritos acima, acabam na boa e velha máxima que, a partir de hoje, está instituída como frase-lema do blog: “mulher gosta é de dinheiro, de cartão de crédito”.

Não acredito que o texto do post esteja tão errado assim, principalmente em um universo de mais de 170 comentários grande parte apoia o que ali está escrito. Também tenho certeza de que aquele amontoado de letras não é a verdade absoluta. Mas não é isso que importa, pelo menos neste texto. O de ontem passou, foi, está no limbo da web, fica na história do blog e de todos os que aqui entraram, comentaram, leram.

Contudo, essa frase “mulher gosta é de dinheiro, de cartão de crédito” ecoa como uma clave batendo no chão, faz com que me lembre de um bando de homens cabeludos gritando alto para definir na base da força quem é o macho dominante e pode ter a fêmea na caverna. Remete a um tempo em que as mulheres tinham de ficar quietas, não podiam tomar uma cerveja em um bar, usar maquiagem e batom, se colocassem uma bela saia e exibissem suas pernas longas, torneadas e extremamente sensuais eram taxadas como meretrizes, mulheres fúteis, da vida.

Frases como essas destroem tudo o que vocês, meninas-mulheres, conquistaram desde então. E é uma pena, porque a frase foi dita por vocês mesmas. Claro, não vou ser hipócrita e negar que muitos homens pensam dessa forma. Mas a reflexão que fica é: será que esse fato não ocorre porque eles leem coisas desse tipo? Não é o cotidiano que mostra a eles este rótulo? Claro, quando se coloca a palavra “mulheres” na frase, há a generalização. Mas cada cabeça sabe o tamanho do chapéu que pode vestir.

Então, amigo samba-cancioneiro, sempre que você perder a razão nas discussões do blog, escreva isso “Mulher não gosta de (o assunto proposto). Elas gostam é de dinheiro, de cartão de crédito”. Se elas fazem, porque não podemos também. Liberte-se: estamos iniciando a revolução masculina.

Não custa nada decorar uma destas desculpas, não é mesmo?

27 de setembro de 2011 0

Linha cruzada: o dia em que a loira Grande e Gostosa perdeu para a morena baixinha

15 de setembro de 2011 75

Foto: sxc.hu

A Cinara era uma mulher alta, loira, encorpada. Tem implante de silicone nos seios, quadril largo. Aquela mulher que adora gargantear, dizendo-se gostosona, que pode tudo, que é bem-resolvida. É importante deixar claro que ela não é tudo o que pensa que é. Está longe. Em uma de seus devaneios, gosta de dizer que é uma mulher GG: Grande e Gostosa. Cinara tem um noivo. Ou melhor, tinha. E o verbo passou ao passado devido a um telefonema.

GG estava na casa do amado, haviam feito um sexo muito bom — na opinião dela, claro, e como contou aos amigos para explicar o fato. O cara foi tomar um banho. Tinham de voltar ao trabalho. Pelo que entendi, estavam curtindo aquele intervalinho sacana e gostoso a que todo o casal deve ter de vez em quando. O telefone tocou. Cinara atendeu:
— Oi, amor… — disse a voz dengosa no outro lado da linha.
— Como??!! — respondeu a Grande e Gostosa.
— Por favor, tu podes passar para o meu noivo?
— Como assim?
— Meu noivo, querida, o Marcos. Hummmm, a propósito, quem tu és?
— Quem eu sou? Sou a noiva dele, querida…
— Não pode ser a noiva dele, perua, se a noiva dele sou eu.
— Não, tu eu não sei quem és. Mas a noiva dele não será mais eu…

Desligou o telefone, quebrou o pau com o Marcos. Não foi trabalhar. Foi até a casa da mãe de Marcos. Mais alguém, além do safado, deveria pagar e ouvir por tudo o que ela queria falar. Chegou lá e desistiu. Na sala, uma morena, baixinha, mas muito bonita, estava sentada no sofá da Dona Manuela, chorando. A ex-sogra tinha uma xícará de chá na mão esquerda e na direita uma caixa de lenços. A outra chorava, soluçando. Até a irmã de Marcos consolava a baixinha. E parecia muito aflita. Na mão da outra, uma aliança de prata. A dela, ao menos, era de ouro, pensou.

Tirou seu anel do dedo, deixou no armário do corredor e foi embora. Afinal, que homem não gostaria de noivar com uma mulher Grande e Gostosa?

Não seja besta de acreditar que a TPM existe

09 de agosto de 2011 155

Foto: sxc.hu

Existe uma palavrinha de três letras que me irrita muito: TPM. É uma doença? Mania? Problema psicológico? Não sei. As mulheres dizem que existe. E eu aprendi a aceitar. Mas você não acha estranho que tudo seja ligado à maldita TPM? Que qualquer coisa que aconteça no dia, não importa a época do mês, se está fazendo calor ou frio, se o sistema da empresa está no ar ou não, se teu chefe vai ter dar um aumento (bom, se TPM não existe, imagina aumento, né?) seja culpa desta maldita sigla? Não me venha com esse papo de hormônios, ovulação, dor no quadril, calor. A partir de hoje, faço um pacto com você, samba-cancioneiro: não acreditaremos mais nesta tal de Tensão Pré-Menstrual e elas terão de ter desculpas melhores — ou inventar novas siglas.

Quem sabe o CCAAFM, igualmente famoso e conhecido como Choro Compulsivo Após Assistir ao Filme Mulherzinha. De repente a CRPGA30, a Crise das Rugas e Pés de Galinha Após os 30, que elas insistem em retardar usando aqueles cremes gordurosos e fedorentos. O homem chega perto e ela mais parece uma vela acesa de tanto óleo. Ou ainda ESNCCC — Estar no Shopping e Não Conseguir Comprar com meu Cartão (o problema desta é que vai sobrar para ti, né? Haja limite que resolva, hein?).

Essa tal de TPM complica nossa vida, você não acha? Porque há mulheres que supervalorizam esse período no mês. Eu diria que existem cinco fases na lua: crescente, minguante, nova, cheia e TPM. Nesta última é a mulher que está “de lua” e nem mesmo acabou a minguante e ela já está dizendo “deve ser a TPM chegando!”. Pô, ainda faltam três fases, amiga. Desencana. Se ainda é a tua companheira, a mulher que tu escolheu para viver a vida toda do lado, ainda dá para aturar. Agora, temos de aturar a TPM das colegas de trabalho. Daí não dá. Malditos direitos iguais. Se eu fosse chefe e minha funcionária comprovasse cientificamente que está nesta fase eu liberava ela para ficar em casa. Folga remunerada, ainda por cima.

Fica o desafio para os samba-cancioneiros: vamos achar a nossa TPM e vamos enganá-las com o mesmo vigor, com a mesma dedicação, com a mesma força com que elas vêm nos enganando desde os primórdios da humanidade. Só, meninas, não venham dizer que nossa TPM é o futebol das quartas-feiras ou o controle remoto da TV porque há certas coisas que vocês nunca vão entender. O futebol e o controle remoto da TV são sagrados. Seres de outro mundo que nos dão um prazer incondicional. Algo difícil de explicar. Assim como a TPM.

Como Levar um Homem à Loucura na Cama (ou desencana e vai viver, pô)

13 de julho de 2011 77

Foto: sxc.hu

Recebo um release no e-mail @zerohora.com.br com o seguinte título: “Como Levar um Homem à Loucura na Cama”. É um livro de um psicanalista que chega a quarta edição e que promete, como o nome diz, “as dicas mais quentes para as mulheres realizarem com seus parceiros na intimidade”. Li até esta parte o release. E não continuei porque, na hora, veio-me na cabeça a seguinte questão: como tem gente (picaretas?) que fatura dinheiro em cima da frigidez das pessoas. Ou ainda: em cima da insegurança das pessoas. Acredito que, salvo problemas que necessitam de auxílio médico, o fato de uma mulher e um homem não se resolverem na cama deve-se mais a problemas pessoais — a insegurança dele e entre eles — do que qualquer outra coisa.

Outro fator interessante: é a quarta edição de um livro que serve para satisfazer o homem. Ora, não estamos mais no século do guaraná com rolha para que o sexo (bom) tenha de ser algo exclusivamente masculino. O livro que deveria ser vendido é “Vai transar hoje? Faça sem medo de ser feliz”. Me impressiona, inclusive, que a publicação esteja na quarta edição. As mulheres estão preocupadas em agradar seus maridos (ou apenas seus parceiros sexuais)? Seria um modo de “aprender” para elas melhorarem e “inibir” a concorrência? Com tanta informação hoje em dia, acho difícil que seja apenas para isso. Elas seguem tentando desvendar o sexo. Provavelmente porque não deixamos muito claro o quê significa o sexo para nós, homens. É a mea culpa que temos de fazer, não adianta.

Mas um fato é quase inquestionável: satisfazer um homem na cama é muito, mas muito mais fácil do que satisfazer uma mulher. E não, mulheres. Isso não é um fato porque ele simplesmente “deita em cima, vira para o lado e dorme”. Deve-se a questões simples. Homem, por exemplo, não pensa “ela vai me achar gordinho, vai ficar reparando nas dobrinhas que estão sobrando do lado da cintura, não vou ficar pelado na frente dela. Ai, por favor apaga a luz…”. Ou ainda: “ai, a depilação não está em dia”. Quem sabe: “nossa, é a primeira vez que saio com ela e estou aqui neste motel em plena segunda-feira”…

A maioria das mulheres é mais detalhista no sexo e valoriza todo um contexto. Quando o homem curte o momento e, hã, digamos… transa. Esses detalhes encucam as mulheres e fazem com que algo que deveria ser extremamente relaxante e prazeroso vire uma consulta ao analista.

Entende, amigo (a) samba-cancioneiro (a)? Teria muito mais coisas para falar mas o texto está enorme e já estou imaginando as críticas nos comentários: somos veados, bichonas, são mulheres que escrevem este blog… No fundo, são só constatações e bate-papos que tentamos iniciar para entender vocês, mulheres. Essa raça que nós adoramos. Mas um tópico que ainda não dominamos totalmente — e acho que nunca vamos.

Ela foi direto ao ponto: "Vamos para sua casa?"

12 de julho de 2011 170

Foto: sxc.hu

Vocês já imaginaram se todas as mulheres fossem direto ao ponto? Tigresas? Hard core? Na balada, elas chegariam agitando, prenderiam o cara na parede e diriam, sussurrando nos nossos ouvidos: “Vamos para a sua casa?”. Vocês já imaginaram isso? Algum samba-cancioneiro já teve o privilégio de passar por esta situação? Pois bem: eu tive! Ontem!

Estava sentando em um bar, tinha acabado de deixar a redação, por volta das 19h. Mesmo sozinho, decidi tomar uma cervejinha. Afinal, era meu plantão no final de semana e precisava relaxar. Juro: meu choop não durou 10 minutos! Uma morena, cerca de 1,70 metro, uns 60kg a 65kg, com tudo no lugar — sem muita voluptuosidade, sabe? — olhos castanhos, cabelo comprido até a cintura. Básica no vestir: uma calça jeans e uma blusa com belo um casaco de couro. Lindas mãos. Ótimas mãos.

Ela entrou no bar, passou pela minha mesa e sentou no balcão. Já me conquistou. Fiquei observando o que ela tomaria. Pediu um keep cooler. Pensei: “ih, tá… cheia de nhém-nhém-nhém”. Doce ilusão. Ela viu que eu estava olhando. Tomou um gole do keep e seguiu me olhando. Tão forte que tive de mudar a direção do meu olhar. Olhei de novo. Ela continuava a olhar. Pegou a garrafa, levantou do balcão, caminhou por entre as mesas do bar. Estava bem perto: “Oi!”. Um “oi” rouco, mas suave. Um “oi” que te derruba como um cruzado de direita, um chute do Anderson Silva. Cambaleei.

Conversamos sobre todo o tipo de assunto em menos de meia hora. Outra coisa que me conquistou. Adoro mulher inteligente. Parecia que eu estava conversando com o Google e, a cada assunto, uma nova janela ia se abrindo diante dos meus olhos. Erro de página? Jamais! Conexão mais que segura e em alta velocidade. Passada a meia hora, uma pergunta para cambalear mais uma vez: “Vamos sair daqui? Não tenho nenhum lugar em mente, estava pensando… Vamos para sua casa?”

Enfim. A continuação da história não vou narrar. Fica na imaginação de vocês. Óbvio que, pelo inusitado da situação, não dormi direito depois. Pensei não na facilidade que foi conquistar aquela mulher, mas sim na maneira totalmente sem pudor com que ela veio até mim. Algum samba-cancioneiro pode pensar que se todas fossem assim mataríamos a “arte da conquista masculina”. Mas, por quê elas não podem usufruir desta arte? Se falamos tanto em igualdade entre os sexos, nada mais natural que elas também sintam-se na berlinda. Acuadas. Tensionadas.

A mulher inteligente sabe como conquistar um homem. Dispensar, então, nem se fala. Eu bem sei (risos). A mulher inteligente sabe que o homem quer ser conquistado. Ele vai entranhar no início, provável, mas ele quer. Aposte nisso! Pode ser com um “vamos para sua casa?”, pode ser simplesmente com um olhar, um gole no keep cooler. Tudo bem. Não interessa quem chega em quem e quem ganha quem. O importante é não desperdiçar as chances que uma noite despretensiosa te dá.

A beleza e a inteligência

22 de junho de 2011 28

Hefesto, a pedido de Tétis, forja as armas de Aquiles. Reprodução www.theoi.com

Somos, nós, os homens, muitas vezes criticados por preferirmos a beleza à inteligência. Ao menos um grande número de mulheres que eu conheço reclamam que “de-alguma-forma-intimidam-os-homens-por-sua-inteligência”. Acho essas generalizações algo forçadas, porque ninguém tem uma noção objetiva de sua própria inteligência, e algumas delas não eram tão inteligentes assim para assustar tanta gente, e ao mesmo tempo, há muito que casos contrários também são realidade: mulheres que preferem, ao menos em certa fase de sua vida, o belo saradão em vez do intelectual desastrado.

Não deixa de haver uma certa antiguidade nessa discussão, quando se pensa que algo parecido já estava explícito em um dos mitos gregos mais famosos: a história de Hefesto e Afrodite.

Hefesto era um ferreiro e artífice na morada dos deuses gregos antigos, o factótum do Olimpo, o deus que trabalhava em uma forja, produzindo os raios de Zeus. Era também o que de mais longe poderia haver de um “deus grego”, como dizem na expressão. Era corcunda, coxo de uma perna, vagamente deformado.  E um dia foi dado em casamento a Afrodite, a deusa do amor, essa sim uma deusa no sentido real e metafórico, mas algo volúvel. Enquanto ele estava na forja, ela passava as tarde em um tórrido caso com Ares, o deus da Guerra, até que um dia Hefesto, desconfiado, armou uma rede mágica em cima do leito matrimonial de sua casa. Quando Ares e Afrodite refocilavam-se no rala e rola, a rede se fechou e a casa caiu. Hefesto chegou e pegou ambos no flagra, e, antes de libertar os dois, desfilou com eles aprisionados por todo o Olimpo (ou seja, corno com orgulho). Depois desse pequeno escândalo sexual, Hefesto repudiou Afrodite.

Algum tempo depois, apaixonou-se por Atena, a deusa da sabedoria, deusa também ela guerreira e voluntariosa. E aí ele “tenteou mas não levou”, como dizia meu velho tio Setembrino, tão tchê quanto o João esse nosso amigo dos comentários.

O que isso tem a ver com o assunto inicial do post? É que sempre achei bastante simbólico o rumo dessa história: o talento técnico — alma nobre num corpo grotesco — casou-se com a beleza — alma fútil em um corpo fantástico — foi traído por ela, que preferiu a violência. Quando, entretanto, o talento se enamorou da inteligência, ela não quis saber dele. E depois ainda dizem que o problema é com a gente…

P.S.: No último post que escrevi, alguns chutaram que eu fosse o Carpinejar. Desta vez, escrevi este post com a intenção deliberada de que alguém chutasse que eu sou o Cláudio Moreno.

Da toalha molhada na cama às pontas recém-cortadas no cabeleireiro

16 de junho de 2011 30

Foto: sxc.hu

Ele é igual ao teu pai. Quantas vezes você ouviu essa frase após iniciar um relacionamento com um novo namorado? Você só quer que tua família simplesmente diga “gostei, minha filha”. Mas os teus entes queridos têm a mania de rotular todas as pessoas que tu levas pra casa. Bingo! Danou-se.

Sabe por quê? Além de todas as inúmeras coisas erradas que o teu novo amor fará — e ele vai fazer muitas, pode ter certeza — ele terá de enfrentar o teu problema “inconsciente” em compará-lo com teu progenitor. Ou seja: não basta ele apenas esquecer a toalha molhada na cama depois do banho de domingo. A luta será, também, contra toda a novela mexicana que as mulheres fazem — sempre — com o famigerado enredo “toalha na cama depois do banho de domingo”:

Descrição da cena: “Luz baixa, sol entrando pela janela da sala. Todos estão satisfeitos em um domingo em casa. Todos menos você. Sobe o som”: Nossa, papai esquecia a toalha na cama, ficava deitado no sofá esperando o Globo Esporte depois de cantar todas as músicas do Galpão Crioulo. Almoçava com gosto. Tomava três ou quatro cervejinhas. O arroto de boca fechada estronda na cozinha tal qual um bumbo-leguero — sim, porque arrotar como um leão tua mãe não permitia de jeito algum.

Depois, sofá. Ronco, ronco, ronco. Ele acordava no final da tarde. Queria café. Tua mãe fazia. Ele tomava o café, vinha a janta, a hora de dormir. Sexo? Danou-se. O mais simples seria tu comentar com teu menino que seria legal ele lembrar de estender a toalha. Mas você sempre gostou de folhetins, logo…  De repente até no signo do magrão tu pensou para definir o porquê de ele ter deixado a maldita toalha na cama.

Pois quer saber? Ele esqueceu a toalha na cama porque homem esquece a toalha na cama. E provavelmente também esqueceu o aparelho de barbear na pia. Ou não fechou o xampu depois de lavar o cabelo. Ou ainda: não levantou a tampa da privada (essa é mortal, não?). Você também deixa a calcinha no box do chuveiro, sua esquecida!

Há exceções, claro, mas os homens não se apegam a detalhes corriqueiros como uma toalha largada na cama, aparelho de barbear, xampu. Sim, nós sabemos: isso enche o teu saco. Mas são ônus que vêm com o bônus. Pacote completo, parceira. É como querer que seu namorado repare nas pontinhas que você acabou de tirar no cabeleireiro. Claro, se você fizer uma escova e ele não falar nada váláné? Mas pontinhas não tem como ver.

De volta para o passado - II

13 de junho de 2011 55

Foto: sxc.hu

Dentre as muitas coisas que os homens gostam de dizer para si mesmos está a de que são poços de segurança quanto ao passado de suas companheiras. É um exercício constante esse, algo como “quanto mais alto eu gritar por dentro, mais verdade vai parecer”. Nada mais falso, claro. É verdade que um homem quase nunca vai ficar especulando sobre ex-namorados e vai fazer de tudo para não prolongar o assunto quando este, mesmo sem querer, pintar numa mesa de bar. Mas no fundo, acredite, ele vai estar fritando o HD para cruzar todo tipo de informação que vem coletando desde que conheceu sua garota — memória seletiva é isso, tem menos a ver com descarte e mais com reserva estratégica.

Daí vem o mito de que os homens preferem as virgens. Sejamos francos, qualquer homem que já teve algum tipo de experiência com uma virgem sabe da mão de obra que é e o quanto chata é a função toda — até as então donzelas vão concordar. Virgindade é um negócio feito para ser superado — mas não é assunto para agora. A ideia de que homens preferem virgens  é porque uma mulher que nunca teve uma experiência sexual não poderá fazer comparações.

E homens, desde que se conhecem por homens, vivem por e para comparações. Uma virgem é, por definição, uma mulher sem passado no que mais interessa/importa/dói para um homem nesse ponto: sexo.

Para um sujeito grosseiro, ruim de serviço, preguiçoso — ou apenas inexperiente também, vai saber… — nada melhor que alguém que não tenha condições de “cobrar” nada dele. Alguém que não possa dar uma cotovelada nas suas costelas quando ele, após uns beijinhos, já mandar ela ficar de quatro, por exemplo. O cara vai lá, faz de qualquer jeito e é isso. Resultado: a coitada vai achar que sexo é um troço horrível e pobre do próximo que vier, que vai precisar suar em dobro pra “consertar” o estrago.

Virgens são o paraíso dos covardes, dos que acreditam que sexo é uma via de mão única e onde podem fazer o que quiserem sem dar, literalmente, qualquer satisfação. Qualquer homem experimentado sabe que poucas coisas no sexo são tão boas quanto uma mulher igualmente experimentada, que sabe o que quer na cama (não estamos falando de controle ou dominação, ok?), que diz o que e como gosta que seja feito. E que, por isso, vai saber também agradar ao seu parceiro.

Evidentemente que, em se tratando de mulheres experientes, uma certa insegurança sempre vai bater de início. “Será que o cara anterior era melhor do que eu? Será que quando ela diz que nunca gozou tanto, está falando a verdade? Será que fiz realmente a coisa certa ou ela só fingiu? Será que, DEUZOLIVRE, o calibre dele era maior que o meu?” são algumas das questões. Mas são questões que devem servir para que você, meu caro amigo, se empenhe ainda mais. E não o contrário.