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Posts na categoria "Recordações"

O que já te aconteceu durante um orgasmo?

22 de novembro de 2011 178

Foto: sxc.hu

Confesso que não ia repercutir esta notícia. Nem mesmo sei se ela é verdade. Independente disso, surge uma questão interessante a partir da história de uma menina que morreu ao ter um orgasmo ininterrupto de 12 minutos. E o que é mais impressionante: o clímax foi proporcionado por uma amiga — não adianta, amigo: elas sabem onde, quando e como fazer.

O momento de reflexão inicia quando se sabe que mulheres e homens fazem as mais variadas — e por que não dizer divertidas? — poses e caras e bocas. Gritam, gemem alto, prendem a respiração… enfim, tem mulher que até chora quando goza, acredita?

Eu não acredito em um orgasmo de 12 minutos, apesar de haver informações que o sexo tântrico é capaz de proporcionar loucuras. E também não quero saber se você conhece alguém que morreu na cama. Mas vamos aproveitar o assunto para rir e aprender e ensinar e entender o orgasmo? Diz aí nos comentários o que já te aconteceu de diferente durante o orgasmo — de preferência histórias com nexo e verídicas, ok? —, quem sabe descobrimos alguém que já teve 12 minutos de ápice, mesmo…

Hoje é Dia das Bruxas. Como não lembrar dela, a sogra?

31 de outubro de 2011 32

Foto: sxc.hu

Então hoje é o Dia das Bruxas. Pensei muito, juro que tentei lembrar de alguém que fosse tão lembrado neste dia quanto ela. Mesmo. Mas não me veio à memória nenhuma outra palavra a não ser “sogra”! Ela, tão odiada, tão cheia de nomes, tão completa e cheia de si. Tão bruxa.

Capaz de convencer tua mulher de que você está “diferente”. Só porque está quieto, sentado ao sofá, tentando assistir ao seu programa preferido na TV. Mas ela está te enchendo o saco. Quer que você troque para a novela, para o Silvio Santos e seus calouros, o Gugu, Faustão.

E você fica louco da vida porque paga uma exorbitância em televisão por assinatura. Mas tua mulher cai na onda dela e diz “ai, amor, dá uma chance para a mamãe assistir a TV também”. Você sabe que tem de aceitar ou a coisa vai ser ainda pior, afinal, sua mulher entrou na jogada. Clic. Mudou o canal.

Tem aqueles que cometeram a burrada, a infelicidade, a imbecilidade de convidar a velha para morar com o casal. Acabou o silêncio. Se o problema de manter tua mulher quieta por 10 minutos já é enorme — sim, já falamos aqui que têm vezes que queremos ficar quietos — com a sogra, então, é impossível 10 segundos de quietude.

E fala, a megera. Com aquele ar cheia de si, lembra? Quando ela está bordando, séria, você está conversando com sua mulher. Algum assunto polêmico ou importante, ela nem tira os olhos do bordado, mas opina — séria, ainda — com aquela voz de decreto, não de opinião. Na realidade, deveria ser uma opinião, mas tua mulher caiu feito pata e disse “exato”. Danou-se, amigo.

Sexo, então, amigo samba-cancioneiro, é aquele sexo quietinho, com gemidos baixos, respiração contida “para não acordar a mamãe…”. Você está louco para extravasar, ir da sala até o quarto jogando camisa, calça, cueca, meia, calcinha por tudo quanto é lado. Mas não pode. “Mamãe pode ouvir”. “Mamãe ainda não dormiu”. “Mamãe isso”. “Mamãe aquilo”. E o problema da velha ouvir é que ela vai ficar fazendo piadinha no outro dia, tua mulher vai ficar constrangida e vai ficar uma semana sem chegar perto de ti. Beijinho na frente de todo mundo com ela por perto? Bem capaz. Afinal, “não queremos nossa intimidade exposta”, não é mesmo? Com sorte, daqui uma semana você recebe um sexo oral. Básico, mas recebe.

Amigo, parei de escrever. Estou no começo de uma enorme dor no estômago. Lembrar de tudo isso foi complicado. Espero, realmente, que a vida da maioria de vocês não seja assim. Se for, Feliz Dia das Bruxas e coma aquele doce de abóbora por mim. Se não, o parágrafo acima já te dá uma boa dica de o quê fazer hoje à noite.

E quando a mulher se torna a amante e a amante se torna a mulher?

19 de setembro de 2011 51

Foto: sxc.hu

Pense na seguinte ocasião: você está casado e tem uma amante. Acabou com sua mulher por este relacionamento não-convencional. Foi morar com a nova mulher. Passou a ter um relacionamento mais que estável. Ou seja: praticamente casou novamente. Porém, após alguns meses, cruzou com a ex em algum shopping da cidade, percebeu algumas coisas diferentes nela. Ela estava muito mais gostosa. Sedutora. Exalava sexo. Desejou-a novamente. Saíram. Transaram. Foi bom para caramba. E agora vocês se encontram seguidamente em fugidinhas (igualmente como certa vez foi com a outra) nada convencionais.

Bem diferente daquela vida que você levava antes da amante virar mulher e da mulher virar amante, não? Pode até ser. Duvido que esta ocasião narrada acima não seja mais que normal. Teu dia a dia era ruim, a pressão da vida gerava brigas todos os dias, as contas, o trabalho, os amigos, família dela, a tua família. Nem o sexo que vocês faziam com tanto gosto e que causava inveja no vizinho de baixo — e dos lados e de cima — estava igual. Era aquela rapidinha, quando rolava. Gozou. Dormiu.

Com a outra, não. Você ligava para ela. Conversava sobre os mais diversos e diferentes assuntos. Aqueles que você não conversava mais com sua mulher e que fazia você se sentir “vivo”, “diferente”, “fora da rotina do dia a dia”. Não havia cobranças. Não havia pressão. Era o melhor do que você poderia imaginar. Transavam forte e firme. Uma, duas, três… Suavam como doidos. Banho, beijo, casa. E a vida real vinha como um despertador fulminante sem botão de soneca. Você cansou e resolveu sair de cima do muro.

A questão é que você é o problema. Não ela. Não a outra. Você. Uma pessoa que preferiu ir atrás de outra mulher ao resolver teus problemas particulares. A outra mulher estava em casa como a primeira, mas você nunca estava satisfeito. Queria algo mais. Uma aventura, talvez. Um fato que fizesse te sentir homem, dominador, garanhão. Você poderia fazer tudo isso em casa, mas preferiu ir na rua. Agora, o que você tem na rua é o que tinha em casa. E a rua virou casa e você não gosta mais. Ou gosta, mas vai deixar tudo te dominar de novo: a pressão da vida, as contas, o trabalho, os amigos, família dela, a tua família.

A grosso modo, tenho certeza de que é isso o que acontece. Você pode mentir e dizer que não. Mas é exatamente por isso — e outros motivos muito piores — que a mulher se torna a amante e a amante se torna a mulher.

Quem nunca brincou de um jeito diferente com a prima que atire a primeira pedra

30 de agosto de 2011 127

Foto: sxc.hu

Costumo dizer que prima é como a melhor amiga que tu tens plena noção de que se algo mais acontecer entre vocês vai dar muito, mas muito problema para o resto da vida. Se essa tua amiga — no caso prima — for linda e gostosa, o problema aumenta consideravelmente de tamanho.

Tenho muitas primas, algumas mais velhas, outras mais novas. Duas, apenas, com a mesma idade que eu — algo como não menos que 30 e não mais que 40. Uma delas mora nos EUA. Doida varrida. Mora fora do país pois encasquetou que iria conhecer pessoalmente o Eddie Vedder, do Pearl Jam. Conseguiu, inclusive. Casou com um canadense e planeja o primeiro filho para 2012. Vai nascer, claro, na terra dos Obama.

E tem a Sabrina. A espetacular Sabrina. Todos meus amigos eram apaixonados por Sabrina. Nossas mães, irmãs, sempre foram muito amigas e estavam sempre juntas, principalmente nas festas da família. Iam ao shopping. Viajavam. Todo o domingo, tomavam chimarrão em um parque lá perto de casa. Eu ficava brincando com Sabrina. Escorregador, balanço, gangorra. Corre, corre, corre.

Só que a Sabrina cresceu. Eu cresci. Sabrina jogava handebol desde os 11 anos. E era o destaque do time, se é que você me entende. Eu praticava judô e até hoje acredito que muitos dos ippons que consegui em minha “carreira” se deu pelos gritos desconcertantes da Sabrina nas arquibancadas nos torneios em que participava. “Vai, Johnnyyyyyyyyyyyyyyyy”. Brincadeira. Eu sou bom no judô.

O problema é que depois da primavera vem o verão. As férias. A praia. O sol. O mar. Os biquínis. As saídas noturnas. A Sabrina tinha muitas amigas — mais ou menos como as meninas aí da foto acima. Fiquei com quase todas. Dois, três dias depois a Sabrina sempre deixava escapar alguma coisa que a amiga teria dito sobre mim. Depois da frase, pulava em meu pescoço como só as primas sabem fazer, me dava um beijo na bochecha e dizia “Aí, Johnny, hein?”.

Em uma das poucas noites em que eu e ela não nos demos bem em uma das tantas saídas em Tramandaí, voltávamos para casa, e ela resolveu me dar a mão. Já havia estranhado o beijo, safado, no cantinho da boca, quando nos encontramos, lá pelas 2h, com a turma toda no fervo, já. Pensei que poderia ter sido acaso. Mas o resto da noite mostraria que não.

Com a desculpa de que estava cansada, pulou em minha garupa dizendo “Ai, primoooo, me leva”. Foi quando toquei pela primeira vez nas coxas de minha prima de um jeito diferente — segurando firme, sabe? Para que ela não caísse de minhas costas. Ficamos quietos durante uma quadra. Ela agarrada em meu pescoço. Cravou a mão em meu peito. Começou a morder minha orelha. Perguntava se alguma das amigas já havia mordido daquele jeito. Continuei quieto. Em determinado momento, até pedi para parar, mas quem se importava? Virei o rosto. Ela me olhou daquela maneira sugestiva, pedindo um beijo. Eu atendi: smack.

Acabamos ficando mais de uma vez. Muitos beijos gostosos. Muita coisa boa. Sempre um final de noite diferente e divertido. Hoje, quando nos vemos, é visível o constrangimento e a vergonha da pergunta adolescente “o que foi que fizemos?”. Mas, depois, vem sempre a gargalhada que absolve: “Ah, e quem nunca fez?”

As vantagens de ser amante são muitas. Mas às vezes você quer algo mais do prato principal

23 de agosto de 2011 131

Foto: sxc.hu

Edgar comia tranquilamente seu bife. Era um bife de picanha ao ponto, com uma saudável capa de gordura da espessura de um dedo. Olhava para o bife e pensava em Marta, que acabara de deixar em casa. Daqui uma hora, calculou, ela estará de banho tomado à espera do marido, enquanto ele, Edgar, estaria a caminho de casa para terminar um relatório e assistir ao VT da Copa do Rei.

Mastigou mais um pouco e imaginou aquela suculência toda de bife sem o naco de gordura que o acompanhava. O toco de graxa era responsável direto por deixar a carne saborosa e, quando ingerido junto com ela, ampliava ainda mais essa sensação. Ela prolongava a razão de existir daquele pedaço de carne.

Óbvio que se ingerida em demasia, a carne com gordura lhe causaria uma série de problemas, mas com moderação, deus, como viver sem? Como seria possível gostar de um bife de picanha sem gordura? Ainda seria o mesmo bife de picanha? Tecnicamente sim, mas em se tratando de sabor, não chegaria nem perto.

Pensou na brigas que Marta relatava no trabalho com o marido e que a levaram para os motéis com Edgar. Ela era casada há pelo menos uma década e só agora decidira se entregar a outro. No entanto, deixou claro que não largaria do marido por nada. Edgar seria uma válvula de escape para uma fase conturbada e ele estava tranquilo com isso. Até aquela noite na churrascaria…

Sua relação com Marta era como um bife de picanha sem gordura. Era gostoso, tinha seu valor e seu sabor, mas nem de longe o mesmo que teria se fosse sua mulher. A gordura que tempera e dá razão ao dia a dia ele nunca teria.

Ser amante tinha todas as vantagens que ele já conhecia de outros casos que tivera, mas estava longe de conhecer um relacionamento verdadeiro. Até aquele momento, só comera carne sem gordura. Mantinha-se saudável, era verdade, mas sentia que seu paladar nunca havia sido explorado em todo o potencial. Não sabia o que eram as brigas por ciúmes bobos, a luta por equilibrar o orçamento de uma casa, o aconchego depois de um dia difícil, a doação abnegada de tempo e sentimento, um pedido de desculpas sincero, a grandeza de oferecer uma segunda (ou terceira…) chance, a esperança pelo sol depois de uma tormenta, uma reconciliação tórrida, flores enviadas sem motivo algum…

Edgar saboreou o resto do bife como nunca havia antes. E estava decidido a saborear a vida de outra forma também.

Descobri uma vizinha que adora ficar se exibindo na janela após o banho

19 de agosto de 2011 118

Foto: sxc.hu

Moro em uma das avenidas mais movimentadas de Porto Alegre. É uma esquina. Olho para a frente, há um prédio alto, do outro lado da rua. Tanto pela proximidade quanto pelo ângulo com que os apartamentos se encontram enxergo praticamente tudo dois andares abaixo. Como eu moro no quinto, e esse outro edifício só tem quatro andares, consigo enxergar até o terceiro. No último apartamento desse prédio mora uma família, digamos, normal. Dois filhos e casal. Embaixo deles, aparentemente, vivem duas mulheres. Digo aparentemente porque nunca vi homens nestas duas semanas em que, diariamente, uma delas passou a “se mostrar” um pouco mais. Também não acredito que as duas sejam um casal — embora não ficaria nem um pouco impressionado se fossem.

Descobri que essa vizinha adora sair do banho de toalha. E ela fica se exibindo na janela. É quase um ritual. Chega do trabalho por volta das 19h30min — e eu sei disso porque tem como ver quando a luz acende no apartamento. Às 21h, ducha tomada. Ela senta em uma cadeira alta, perto da janela, passa creme nas pernas, depois levanta, vai até o outro lado do quarto e passa o creme no rosto e em parte dos ombros. Ela não abre a toalha e a tira em outro cômodo o qual não tenho acesso. Ainda não perguntei para nenhum dos meus vizinhos de andar se já viram o que eu vi — até mesmo para não dar bandeira que já percebi o que ocorre ali em frente.

Eu não sei se vocês já passaram por isso, mas me chamou atenção que ela parece gostar do que está fazendo. É como se dissesse para nós, os vizinhos do edifício em frente: “hora do show, rapazes”. Infelizmente, se esse é o pensamento dela, está completamente equivocada. É interessante uma rápida olhadela, mas não faz o menor sentido chamarmos o fato de show. Talvez se um dia ela for além e a toalha, sem querer, cair, valha algum couvert. Por enquanto, fico com o futebol, o controle remoto e a cervejinha gelada. Vamos aguardar os próximos capítulos.

Não sabe para onde mandar as lembranças da antiga relação? Nós damos duas dicas

18 de agosto de 2011 34

Foto: sxc.hu

O que você faz com as coisas que sobraram da relação? Aquele ursinho de pelúcia que você não quer mais ver, os mimos que te fazem lembrar a todo momento que um dia ela (ou ele) esteve presente na tua vida, fotos, vídeos (quem sabe até eróticos)… Pois na Croácia, o Museum of Broken Relationships, tem um lugar reservado para qualquer  um destes malditos recuerdos.

Comentei com a turma aqui na redação sobre esse museu e o pessoal riu demais. As mulheres, exaltadas mas em tom de brincadeira, logo disseram que só homem faria doação de peças e outras lembranças porque o sexo feminino queima em uma fogueira todo tipo de recordação. Segundo elas, é feito um ritual, com a presença de todas as amigas, e cada presente ou assemelhado que possa fazer com que o ex seja lembrado fica ardendo nas chamas enquanto as mulheres bebem um bom Cosmopolitan.

As mulheres são maquiavélicas quando querem, não?

Quer gravar vídeos ou fazer fotos eróticas? Esteja preparado para o pior

18 de agosto de 2011 60

Foto: sxc.hu

Seria até engraçado se a questão não ficasse muito, mas muito constrangedora. Você e tua companheira se dão bem na cama, são satisfeitos sexualmente, algo que o casal nunca teve com nenhum outro parceiro. Já fizeram de tudo, curtiram o sexo como loucos, mas ainda assim querem apimentar ainda mais a relação. Decidem registrar momentos íntimos.

Primeiro, fotinhos dos pés, mãos, barriguinha. Mais alguns dias, imagens sem blusa. A coisa esquenta, o pudor diminui. O clima faz com que as fotos sejam com roupas íntimas. Não satisfeitos, passam para a última fase: os vídeos eróticos.

Acontece que o presente pode se tornar um inferno quando o futuro a Deus pertence. Você, hoje, está muito bem acompanhado, ama sua parceira(o) e tem plena certeza de que irá continuar com ela(e) para o resto de sua vida. Um pequeno deslize, uma discussão mais séria, uma crise daquelas que todo o casal passa. O relacionamento acaba.

E o ser humano é um dos piores animais entre os seres vivos. Ele é mau. Ele é vingativo. Ele não se presta apenas em ver o outro na pior — e aqui o termo pior tem vários significados, escolha o seu. O ser humano tem de pisar e estraçalhar com o próximo. Mas você não se contentou com as lembranças de forma abstrata, aquele pensamento gostoso que causa o riso safado de canto de boca. Teve de registrar tudo em fotos, vídeos. Em um momento de “lucidez”, ela(e) abre um dos tantos blogs gratuitos da web e publica tudo. Eu disse tudo!

Sabe o que você faz? Aguenta, samba-cancioneiro(a). Não adianta vir com a conversa de que “não conhecia teu parceiro(a) de verdade” ou que “confiava nele(a)” ou qualquer uma destas desculpas esfarrapadas as quais todo mundo que acaba na imensidão do www dá. Quer gravar vídeos ou fazer fotos eróticas? Esteja preparado para o pior.

Da necessidade masculina de abreviar a primeira vez (ou foi com uma profissional)

28 de julho de 2011 59

Foto: sxc.hu

Não peço que vocês, mulheres, entendam os motivos que levam um homem a procurar uma profissional do sexo. Ao mesmo tempo, agora que estou mais velho — maduro, como os homens gostam de dizer por aí —, questiono com um pouco mais de veemência a necessidade masculina de ter sua primeira vez antecipada com uma mulher da vida. Mulheres se guardam. Homens têm de transar. Com o tempo, mulheres querem transar. Homens transam. Na realidade, homens sempre transam. Mulheres aprendem a transar (que bom, não?).

Enfim, sem questões sociológicas ou que possam vir a causar debates calorosos. Me apego, mesmo, à questão do ato sexual com uma mulher que você nunca viu na vida, que cheira a um perfume barato e grita e geme como louca sem ao menos você ter iniciado alguma ação para que seja válido esse tipo de cena performática. Você lá, pelado, cheio de expectativas, mal sabe o caminho para o gol. Chega perto da mulher e ouve “uh, ah, oh”. O interessante é que você recém colocou um joelho e uma das mãos na cama. Sorte que a inexperiência ilude e é possível pensar que estamos matando a pau. Orgasmo, então, nossa! Tem mulher que finge que goza hoje em dia e a gente acredita. Imagina com 15, 16 anos.

A maioria dos meus amigos perdeu a virgindade com uma prostituta. Eita palavra feia: prostituta. Há uns 15 anos, não era tão fácil como hoje. Ou talvez não procurávamos direito. Ou o que é pior: escolhíamos as meninas erradas. Poucos eram os que ficavam e transavam. Tinha de rolar um namorinho antes. Mais romântico, claro. Menos prático. Atucanados com a possibilidade de serem os últimos da turma a conhecer o bem bom, se jogavam de corpo e alma para a noite das mulheres mal-faladas. Outro equívoco: valorizar o pensamento das amizades em vez da consciência do que se quer para si mesmo.

Me diz com sinceridade: se você pudesse voltar no tempo, aposto que escolheria não ter tido a primeira vez com uma garota de programa, não? Você poderia ter transado com a namoradinha, a vizinha, a filha da empregada, a própria empregada, a prima — opa, bom tema para post… Mas você escolheu uma profissional. E hoje, com a experiência de mercado, percebe que a funcionária não estaria em sua equipe de trabalho. Ou, o que é pior, nem teria deixado currículo na empresa.

É a vida sexual, amigo. Algumas coisas são passíveis de serem apagadas. Para outras, o perfume barato de maçã está lá. Sempre pronto para te fazer lembrar.

Ela e as canções

27 de julho de 2011 25

Foto: sxc.hu

Ela me lembrava da letra de That’s no way to say goodbye, e na intimidade do tratamento carinhoso de todos os dias profanava Bowie me chamando de Major Tom. Hoje eu desdenho a memória dela inutilmente como se vivesse na letra de Chelsea Hotel.

Ah, eu sei, tivemos pouco tempo, eu e ela. Muito pouco. Uma ruptura numa situação dessas deveria ser um corte de papel no dedo. Algo que ardesse por dois dias antes de desaparecer pra sempre nos processos regenerativos epiteliais a que nosso organismo já nos acostumou.

Mas o corte foi mais fundo, e lá ficou a cicatriz. E como um verme abaixo da pele, parece pulsar às vezes, funda como facada. Scar Tissue.

O tempo passou, a vida seguiu, a vida não tem tuíter, mas sempre segue. E de vez em quando, no meio de um dia ensolarado passando pelas ruas que foram nossas pelo pouco tempo em que nelas trafegamos, ainda me pego pensando o que ela pensaria de determinados pensamentos que tenho.

Tá certo, o caminho seguiu e abriu surpresas, melhores e mais felizes do que eu esperava. Às vezes mais felizes do que eu merecia. E hoje finalmente as coisas são felizes, às vezes.

Mas ocasionalmente, muito lá de quando em quando, olho pra trás, para ela e as canções na minha memória e penso. E às vezes isso é o estopim para que, além de pensar, eu imagine.

E é aí que as canções parecem desafinar.