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Posts com a tag "A Entrega"

Evite problemas: as senhas da internet são tuas. Ela não precisa saber de tudo

17 de agosto de 2011 82

Foto: sxc.hu

A internet pode ser uma praga quando sua mulher “entende” que X na realidade é Y e que focinho de porco deve ser uma tomada. Não tenho nada contra que a companheira saiba senhas bancárias, de e-mail, redes sociais. Mas você, samba-cancioneiro, tem de saber avaliar uma coisinha: até que ponto o ciúme dela é doentio. A regra seria não dar chance para o azar. Você acredita que ela vai ficar vasculhando mensagens enviadas, recebidas, tentando recuperar e-mails deletados, faça sigilo da senha de todos, eu disse todos, seus nomes de tela.

E aqui não estamos falando de homem cachorro, pegador. Estamos falando de ciúme doentio. Vocês mesmo vivem falando nos comentários que quando se quer, se faz. Logo, o foco não é a (possível) traição, mas a incomodação. Não há nada pior que uma mulher (e homem também, claro) que fique o tempo todo mexendo em tuas mensagens, celular, carteira, bolso. Mesmo que nunca se tenha dado motivo para suspeitar do parceiro, ela (ele) fica ali, futricando, instigando, questionando. Sem contar o fato do abuso do companheirismo e a total perda de privacidade da relação. Um exemplo pessoal: não mexo na bolsa de minha parceira nem mesmo que ela permita. Por quê? Simples: é dela.

Como explicar que teu amigo te mandou um e-mail com um Power Point de mulheres peladas? Um vídeo picante? Alguma história que ela não deveria saber? Um endereço escrito a esmo em um papel e posto no bolso? Mais uma vez: não estamos falando de traição. Estamos falando de privacidade. E aí está a questão: não temos de explicar o e-mail, o vídeo, a história, o endereço. Por quê? Porque é algo particular. Algo privado. Algo que nós queremos guardar única e exclusivamente conosco. É possível pensar em privacidade sem achar que temos casos e pensamentos obcenos todo o tempo? Não? Então vai se tratar, amiga. Porque estes relacionamentos em que não há privacidade e o ciúme é doentio estão fadados ao fracasso. O amor pode (e deve) durar anos. A encheção de saco, minutos, segundos.

Fica a dica, samba-cancioneiro: as mulheres estão reclamando das abordagens masculinas

04 de agosto de 2011 86

Foto: sxc.hu

Essa eu ouvi pouco depois do meio-dia, enquanto almoçava. Três mulheres, que aparentavam não menos de 30 anos e não mais que 35, saboreavam a sobremesa na mesa ao lado, saciadas após um bom almoço em um bom restaurante do Moinhos de Vento. Me interessei pela conversa delas quando percebi que falavam da última balada em que haviam ido. Provavelmente a do final de semana. Pelo nível das três, acredito que não era qualquer festa em qualquer casa noturna. Falavam assim:

“Eu esperava bem mais do fulano. Ficamos meia hora nos olhando, nos curtindo, na hora em que veio falar comigo…” falou isso e fez aquela cara de decepção, sabe?

Pelo que entendi, a outra das três já tinha ido conversar com o amigo desse primeiro.

“Mas tu também? O meu só sabia falar das viagens que já tinha feito e os países que já tinha conhecido. Depois que ele praticamente me levou para uma volta ao mundo, tentou me beijar, achando que é assim, fácil” e riram, samba-cancioneiro. Riram alto.

Quando ouvi a risada, pensei neste post. Eu não vou generalizar e dizer que todas as mulheres estão achando as investidas masculinas uma droga. Da mesma forma, não penso que todos os homens chegam nas mulheres com esse papinho furado. Algo como um cara passar de carro por uma mulher bonita na rua, buzinar e ela passar a acreditar que ele é o amor da vida dela. Tudo bem, deve ser ótimo para o ego dela saber que está bem fisicamente a ponto de ganhar um buzinaço. Agora: isso deveria ser um elogio? Acho que não, não é mesmo? Se fosse assim, bastaria uma mulher passar do seu lado e você dizer “ô, gostosa” e praticamente ela seria a mãe de seus filhos… Às vezes parecemos homens das cavernas, temos de admitir.

Mas voltando às meninas do almoço: você percebeu, samba-cancioneiro, que por causa desses dois nós, homens bons e que sabemos conversar, estamos fadados a um estereótipo medonho? Elas, talvez, na próxima festa, verão um cara se aproximando e começarão a orar cinco Ave-Marias, oito Pai Nossos, vão pensar no Antônio e todos os outros santos a que são devotas pedindo “por favor, converse bem, seja uma pessoa legal, não seja um imbecil… por favor, meu santinho, só desta vez”. Estou exagerando, claro! Até porque elas poderiam estar fazendo aquela pose de intelectuais e, na verdade, elas que não conseguiram despertar um papo mais cabeça (acho que depois dessa eu vou apanhar aqui).

O que sempre digo nestes casos é: quer arrumar namorado, não vai pra festinha. Não fica esperando teu príncipe encantado em meio às luzes, o neon, o tunti-tunti-tunti. Na balada todos querem curtir, podem inventar quem são, onde foram, onde moram, onde moraram. Mesmo que role uma conversa antes, não dá para levar tão a sério assim um bate-papo na noite. Todos querem impressionar: sejam homens, sejam mulheres. Talvez devido a esse mundo de aparências em que vivemos. Aposto que em um almoço, em um passeio pela Redenção, em um cinema… as coisas seriam bem diferentes. Quase disse para as meninas darem mais uma chance aos rapazes. Falaria apenas uma frase “cabeça”: na noite, todos os gatos são pardos, meninas? Elas não queriam um papo “inteligente”?

Uma singela sugestão de leitura

28 de julho de 2011 14

Reprodução

O mundo virtual está em polvorosa com as declarações da cantora Sandy Leah Lima à revista Playboy que estampa Adriane Galisteu na Capa. Como noticiaram diversos portais de notícias por aí afora e vocês já puderam ler no twitter, a revista traria a seguinte declaração da cantora: “é possível ter prazer anal”. Isso, aliado à recente campanha publicitária da cerveja Devassa que pretendia vender a imagem de Sandy como uma moça mais… bem… devassa do que sua imgem pública angelical, fez a festa dos comentaristas de plantão no tuíter – chamando a atenção primeiro do próprio marido da cantora e depois da Sandy ela mesma, que já escreveu no twitter que sua declaração dada à revista não era exatamente aquela mas que valia a brincadeira.  O que aumenta os rumores de que mesmo essa confusão toda pode ser uma nova investida publicitária da cerveja, bem a calhar.

Este samba-cancioneiro em particular não pôde deixar de lembrar,  ao acompanhar à distância essa polêmica, de um livro que fica aqui como modesta sugestão de leitura às interessadas e aos interessados em explorar zonas literalmente mais profundas de seu próprio prazer. Em 2005, a editora Objetiva publicou por aqui um livro de memórias escrito por uma bailarina americana chamada Toni Bentley. O livro era o singelo relato de como a bailarina, separada aos 44 anos depois de um casamento frustrante, entregou-se a um caso com um rapaz que havia conhecido numa academia – uma relação que evoluiu para a prática contumaz de sexo anal, que a autora foi descobrir na idade madura como uma experiência transcendente às raias do místico.

A Entrega: Memórias Eróticas (Objetiva, 220 páginas, R$ 36,90) narrava a tentativa de Bentley de redescobrir o sexo após tantos anos de casamento. descreve sua perda da virgindade, o matrimônio traumático, relações monogâmicas insatisfatórias. Ainda uma mulher altamente desejável devido aos anos de prática intensa de balé, ela se entregou na maturidade a vários casos de ocasião até descobrir, com o cara que ela chamava de seu “amante alfa”, o “Homem-A”, que o sexo pela via de saída era uma forma de alcançar um orgasmo tão intenso que, para ela, assumia ares de experiência religiosa.

“Bem-aventurada, aprendi, ao ser sodomizada, que esta é uma experiência de eternidade num instante de tempo real. A sodomia é o ato sexual de confiança final. Quero dizer, você realmente pode se machucar – se resistir. Mas se deixar o medo para trás, literalmente ultrapassando-o, ah, que felicidade se encontra do outro lado das convenções. A paz que se encontra além da dor. Ir além da dor é a chave. Uma vez absorvida, ela é neutralizada e permite a transformação. O prazer em si é uma mera absolvição temporária, uma distração sutil, uma anestesia enquanto se está a caminho de algo maior, mais profundo, mais embaixo. A eternidade fica muito, muito além do prazer. E além da dor” – diz ela a determinada passagem.

Foi um milagre emocional e anatômico”, escreve em outra parte, recordando a primeira experiência anal. “Se eu tivesse andado sobre a água não poderia ter ficado mais maravilhada“.

No início, a autora aventou usar um pseudônimo, Madeleine Le-Clerc, uma adolescente que foi amante de Marquês de Sade de 1810 a 1814, quando o escritor morreu. Depois, optou por se identificar com a própria identidade. As descrições detalhadas de suas experiências – num vocabulário que mescla palavras de baixo calão com eufemismos – oscilam entre a prática e a teoria. Em um capítulo, a autora disserta sobre higiene íntima, modelos de lingerie e marcas de camisinhas e lubrificantes; noutro, filosofa sobre como o sexo anal a iniciou na espiritualidade. Criada em família ateísta, a pequena Toni sentia inveja das protestantes coleguinhas de balé. A busca por uma crença só teve fim quando preencheu seu “vazio interior”. Para ela sim o prazer anal não só é “possível” como é místico:

“Encontrei por acaso a grande piada cósmica, a suprema ironia de Deus. Entre pela saída. O paraíso está esperando.”

Ao todo, Toni conta detalhadamente as 298 vezes em que foi sodomizada pelo Homem- A. Ao fim do caso de três anos, rompido por iniciativa dela, um baú lacrado
passou a guardar os resquícios da história: em meio a bilhetes e fotos, “relíquias” como pêlos púbicos e preservativos usados. E, claro, as páginas do diário que mais tarde virariam livro:

“Além do mais, se eu não escrevesse aquilo tudo, ninguém jamais iria acreditar – muito menos eu. Não acreditava naquilo duas horas depois que ele deixava a minha cama. Então escrevi tudo, para fazer com que durasse mais. Para tornar aquilo real. As palavras pareciam a única forma de demarcar o terreno, de preservar minha  experiência transitória de eternidade. Este é um documento testamentário. Não percam a mensagem, distraídos pela profanação do ato. Sou, como você pode ver, uma mulher que andou buscando a submissão a vida inteira – para encontrar alguma coisa, encontrar alguém a quem pudesse submeter meu ego, meu desejo, minha desprezível mortalidade. Tentei várias religiões e vários homens. Tentei até um homem religioso. E aí ele me encontrou, o agnóstico que exigiu minha submissão.”

“Submissão” é, inclusive, o nome do título original em inglês: “The surrender”, o que também pode querer dizer “a rendição”. Dois conceitos aos quais ela se atém com particular insistência ao longo do livro, e que não deixa de ser o que motiva também os adeptos de práticas pouco usuais de sexualidade como o bondage e o sado-masoquismo fetichista: o prazer vêm da falta de controle, da ideia sempre presente de que o parceiro detém, ainda que em condições controladas e negociadas, o poder sobre o que vai acontecer com o outro.

“Uma vez, amei tanto um homem que eu mesma não existia mais – tudo Ele, não Eu. Agora amo tanto a mim mesma que nenhum homem existe – tudo Eu, não Eles. Todos eram Deus, e eu, uma invenção da minha própria imaginação. O mesmo jogo, posições trocadas. Não sei jogar de outra maneira. Alguém precisa estar por cima e alguém, por baixo. Lado a lado é um tédio. Tentei fazer isso uma vez durante alguns instantes loucamente confusos. A igualdade nega o progresso e evita a ação. Mas um alto e um baixo, bem, eles podem ir à Lua e voltar antes que os iguais consigam negociar quem paga, quem fica deitado e quem leva a culpa.

Minha transformação, entretanto, não foi de baixo para cima, mas de baixo para baixo: de minha desprezível submissão emocional a minha abençoada submissão sexual. Esta é a história da minha mudança – e do preço que paguei. Muito caro. Impossível de calcular.”

Já que se só se fala nisso – e para evitar as acusações reiteradas de futilidade que nos são atiradas ocasionalmente –, fica aqui, dado o mote, a sugestão do livro como o momento sacanístico-cultural de nosso blog.