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Posts com a tag "Amor Romântico"

Fica a dica, samba-cancioneiro: as mulheres estão reclamando das abordagens masculinas

04 de agosto de 2011 86

Foto: sxc.hu

Essa eu ouvi pouco depois do meio-dia, enquanto almoçava. Três mulheres, que aparentavam não menos de 30 anos e não mais que 35, saboreavam a sobremesa na mesa ao lado, saciadas após um bom almoço em um bom restaurante do Moinhos de Vento. Me interessei pela conversa delas quando percebi que falavam da última balada em que haviam ido. Provavelmente a do final de semana. Pelo nível das três, acredito que não era qualquer festa em qualquer casa noturna. Falavam assim:

“Eu esperava bem mais do fulano. Ficamos meia hora nos olhando, nos curtindo, na hora em que veio falar comigo…” falou isso e fez aquela cara de decepção, sabe?

Pelo que entendi, a outra das três já tinha ido conversar com o amigo desse primeiro.

“Mas tu também? O meu só sabia falar das viagens que já tinha feito e os países que já tinha conhecido. Depois que ele praticamente me levou para uma volta ao mundo, tentou me beijar, achando que é assim, fácil” e riram, samba-cancioneiro. Riram alto.

Quando ouvi a risada, pensei neste post. Eu não vou generalizar e dizer que todas as mulheres estão achando as investidas masculinas uma droga. Da mesma forma, não penso que todos os homens chegam nas mulheres com esse papinho furado. Algo como um cara passar de carro por uma mulher bonita na rua, buzinar e ela passar a acreditar que ele é o amor da vida dela. Tudo bem, deve ser ótimo para o ego dela saber que está bem fisicamente a ponto de ganhar um buzinaço. Agora: isso deveria ser um elogio? Acho que não, não é mesmo? Se fosse assim, bastaria uma mulher passar do seu lado e você dizer “ô, gostosa” e praticamente ela seria a mãe de seus filhos… Às vezes parecemos homens das cavernas, temos de admitir.

Mas voltando às meninas do almoço: você percebeu, samba-cancioneiro, que por causa desses dois nós, homens bons e que sabemos conversar, estamos fadados a um estereótipo medonho? Elas, talvez, na próxima festa, verão um cara se aproximando e começarão a orar cinco Ave-Marias, oito Pai Nossos, vão pensar no Antônio e todos os outros santos a que são devotas pedindo “por favor, converse bem, seja uma pessoa legal, não seja um imbecil… por favor, meu santinho, só desta vez”. Estou exagerando, claro! Até porque elas poderiam estar fazendo aquela pose de intelectuais e, na verdade, elas que não conseguiram despertar um papo mais cabeça (acho que depois dessa eu vou apanhar aqui).

O que sempre digo nestes casos é: quer arrumar namorado, não vai pra festinha. Não fica esperando teu príncipe encantado em meio às luzes, o neon, o tunti-tunti-tunti. Na balada todos querem curtir, podem inventar quem são, onde foram, onde moram, onde moraram. Mesmo que role uma conversa antes, não dá para levar tão a sério assim um bate-papo na noite. Todos querem impressionar: sejam homens, sejam mulheres. Talvez devido a esse mundo de aparências em que vivemos. Aposto que em um almoço, em um passeio pela Redenção, em um cinema… as coisas seriam bem diferentes. Quase disse para as meninas darem mais uma chance aos rapazes. Falaria apenas uma frase “cabeça”: na noite, todos os gatos são pardos, meninas? Elas não queriam um papo “inteligente”?

Quando os homens precisam aprender a serem mais mulheres e as mulheres mais homens

03 de agosto de 2011 38

Foto: sxc.hu

Veja bem: ninguém aqui está levantando bandeira GLS ou fazendo apologia ao homossexualismo, ok? Quando digo que os homens têm de aprender a ser mulher, quero dizer que faz diferença – principalmente na relação — o fato de entender as conquistas femininas. Tudo isso que salta aos nossos olhos diariamente e fingimos (alguns, claro) não enxergar. Em contrapartida, as mulheres não conseguiram até hoje entender os motivos de terem alcançado todas estas metas e propósitos que levantam, principalmente, com a bandeira da liberação sexual. É muito mais do que isso.

A partir do momento em que vocês, mulheres, passaram a trabalhar, ter seu dinheiro e sua independência em relação ao homem, desde que suas vozes foram ouvidas na sociedade para os mais diversos assuntos, o momento em que vocês puderam sentar em um bar, sozinhas, para tomar um chop sem serem chamadas de mulheres da vida ou promíscuas ou prostitutas. Vocês roubaram nossos empregos e passaram a mandar na gente. Onde já se viu? Hoje vocês até gozam, meninas! Depois disso, vocês causaram um redemoinho na cabeça masculina. Acabou a segurança do homem machão, aquele que acha que tem de sentar na mesa e esperar o prato de comida quente servido pela mulher. Que recebe sua roupinha passada e engomadinha porque é uma das obrigações da minha mulher. Até mesmo o pronome possessivo “minha” deixou de ser empregado depreciativamente. Não há mais posse (graças a Deus, não?).

Assim como o homem enlouqueceu, vocês, meninas, estão cada vez mais fora da casa. Literalmente. Algumas, por essa bandeira exacerbada do feminismo, buscam viver como o protocolo deste clubinho manda e se dão mal. Vivem as mais diversas loucuras da vida, o aproveitar e curtir, como gostam de chamar, o tempo vai passando, vocês vão aprendendo que a vida dá muita porrada e que isso tudo é muito pior do que viver com e para um marido, e começam a colocar na cabeça que está na hora de casar. Ter filhos. Construir uma vida a dois. Ou seja, voltam para onde começaram. Ou onde vieram. A única diferença é que estão tão rodadas quanto seu futuro marido. O “como antigamente” não existe mais: estão todos iguais. E algumas são e ficam superfelizes de terem transado muito ou até mais que o homem que têm em casa. Por que essa loucura toda? Simplesmente porque não aprendemos a curtir de verdade as conquistas de (sermos) homens e mulheres.

O trabalho dela faz com que as contas da casa diminuam, eu posso trabalhar menos, chego em casa mais cedo que ela, faço a janta para esperá-la. E por quê não um jantar à luz de velas? Celebrar o fato de ela ser chefe na empresa em que trabalha mesmo enquanto você ainda é um peão de  fábrica? É difícil para alguns, eu sei. Dói no ego. Filhos: a única exclusividade da mulher é amamentar. Sensacional, não? Poder curtir todos os passos e aprendizados que o crescimento de uma criança traz para uma pessoa e não esperar que a mulher faça tudo, cuide de tudo, limpe tudo, oriente tudo. E depois quando algo dá errado, a culpa é dela ou “desse teu filho”. E o que é pior: ela faz tudo isso e depois você ainda quer que ela tenha disposição para você transar.

Da mesma forma ela passa a querer humilhar o homem a partir da liberdade que esse mundo sem medidas passou a dar. Cumplicidade? O que é isso? Pelo artigo dois do manual das feministas eu tenho de ser eu mesma. Não posso dar bola para o que ele pensa e me ajuda a ser ou fazer. É o meu jeito. Afinal, não preciso dele para nada. Eu tenho amigas: a Val, a Malu, a Cacau… se eu precisar, elas estarão prontas para me ajudar, me levantar, me indicar o caminho a seguir. A cartilha continua ensinando, ensinando, ensinando. E muitas seguem em uma vida de aparências achando que isso realmente é uma vida.

Abram seus olhos, homens e mulheres. Peguei apenas fatos bobos do cotidiano. Poderia ter ido a fundo em questões sentimentais, mas como são exclusivas, não o fiz. A vida a dois é muito mais que sexo, curtição e viver experiências fora (do que realmente é) a realidade. Vai chegar a hora do acerto de contas e talvez você não tenha um centavo para oferecer, sequer, ao manobrista da vida.

Aos que acreditam que não precisam mais investir na relação

01 de agosto de 2011 58

Foto: sxc.hu

Post sugerido por @_mauriane

Desde pequeno ouço minha mãe dizendo: “Homem que é homem conquista a mesma mulher dia após dia. Não várias a cada dia que passa.” Não vamos entrar no mérito do “está certo” ou “está errado”. Mas vamos pensar que há sentido na frase. Principalmente se levarmos em conta que é exatamente isso que ocorre quando se está muito tempo com alguém. Como citei minha mãe, se não citar meu pai dá problema em casa: “Se não atende bem, abre chance para a concorrência”, dizia ele. Frase machista, eu sei. Mas considere que ele não está mais entre nós antes de xingá-lo. Que Deus o tenha.

A verdade é que existe uma seta, uma balança, uma medida que faz o casal chegar cada vez mais perto do que chamam de rotina. O lado de lá pesa, pesa, pesa. E a medida do lado de cá não compensa para igualar os pratos para que tudo volte ao normal. Se pensarmos melhor essa rotina também pode ser chamada de comodismo. O comodismo se junta à falta de coragem de e para tomar-se atitudes e vai-se ficando, ficando, ficando. Mas isso é assunto para outro post.

É um tanto impressionante que você tenha investido tanto — ok, às vezes nem tanto — para ter uma pessoa do seu lado e, aos poucos, passe a não mostrar mais interesse na relação. É um piloto automático para tudo: acordar, tomar café, almoçar, jantar, dormir. No meio de tudo isso você trabalha, se cansa, volta para casa e quer dormir. Você a ouve como se ouvisse seu colega de trabalho chato que você não aguenta mais. Qualquer assunto é motivo para uma briga ou uma discussão desnecessária. Abraços e beijos são cada vez mais inconstantes e raros. Você não a surpreende mais. Não manda mais flores sem haver uma data especial. Nunca mandou flores? Elas gostam, viu?

Eu sei, samba-cancioneiro. O corre-corre do dia a dia faz com que isso tudo aconteça. Mas faça a mea culpa e deixe de usá-lo como desculpa. Por que você tem tempo para satisfazer seus caprichos e não sobra mais uns minutinhos que sejam para um carinho, uma jantinha, um vinhozinho? Onde está aquela pessoa que movia montanhas para satisfazer os caprichos da pessoa amada? Será que o problema é realmente ele (a)? Perguntas aqui seriam milhares. Mas estas já te fazem pensar…

Se isso tudo acima não te faz (re)pensar teu relacionamento, acredito que é hora de sentar com seu (sua) amada e (re)definir as prioridades da vida a dois. O amor acabou? Então vale mais a pena você deixar seu relacionamento de lado e buscar outro mundo para você. Não prenda-se ao “pelo menos”. Ele não vai durar 30 anos. Lembre-se dos ensinamentos de mamãe: “Homem mesmo conquista a mulher dia após dia.” Para alguns, talvez, ela não tenha razão. O problema será vivenciar a sabedoria do papai.

Da necessidade masculina de abreviar a primeira vez (ou foi com uma profissional)

28 de julho de 2011 59

Foto: sxc.hu

Não peço que vocês, mulheres, entendam os motivos que levam um homem a procurar uma profissional do sexo. Ao mesmo tempo, agora que estou mais velho — maduro, como os homens gostam de dizer por aí —, questiono com um pouco mais de veemência a necessidade masculina de ter sua primeira vez antecipada com uma mulher da vida. Mulheres se guardam. Homens têm de transar. Com o tempo, mulheres querem transar. Homens transam. Na realidade, homens sempre transam. Mulheres aprendem a transar (que bom, não?).

Enfim, sem questões sociológicas ou que possam vir a causar debates calorosos. Me apego, mesmo, à questão do ato sexual com uma mulher que você nunca viu na vida, que cheira a um perfume barato e grita e geme como louca sem ao menos você ter iniciado alguma ação para que seja válido esse tipo de cena performática. Você lá, pelado, cheio de expectativas, mal sabe o caminho para o gol. Chega perto da mulher e ouve “uh, ah, oh”. O interessante é que você recém colocou um joelho e uma das mãos na cama. Sorte que a inexperiência ilude e é possível pensar que estamos matando a pau. Orgasmo, então, nossa! Tem mulher que finge que goza hoje em dia e a gente acredita. Imagina com 15, 16 anos.

A maioria dos meus amigos perdeu a virgindade com uma prostituta. Eita palavra feia: prostituta. Há uns 15 anos, não era tão fácil como hoje. Ou talvez não procurávamos direito. Ou o que é pior: escolhíamos as meninas erradas. Poucos eram os que ficavam e transavam. Tinha de rolar um namorinho antes. Mais romântico, claro. Menos prático. Atucanados com a possibilidade de serem os últimos da turma a conhecer o bem bom, se jogavam de corpo e alma para a noite das mulheres mal-faladas. Outro equívoco: valorizar o pensamento das amizades em vez da consciência do que se quer para si mesmo.

Me diz com sinceridade: se você pudesse voltar no tempo, aposto que escolheria não ter tido a primeira vez com uma garota de programa, não? Você poderia ter transado com a namoradinha, a vizinha, a filha da empregada, a própria empregada, a prima — opa, bom tema para post… Mas você escolheu uma profissional. E hoje, com a experiência de mercado, percebe que a funcionária não estaria em sua equipe de trabalho. Ou, o que é pior, nem teria deixado currículo na empresa.

É a vida sexual, amigo. Algumas coisas são passíveis de serem apagadas. Para outras, o perfume barato de maçã está lá. Sempre pronto para te fazer lembrar.

Pense muito bem no que fazer quando a segunda chance bater a sua porta

22 de julho de 2011 117

Foto: sxc.hu

Muitas pessoas não têm uma segunda chance. E às vezes nem faz bobagem. Apenas falha. Se bem que, se olharmos os comentários deste post aqui, para alguns de nossos samba-cancioneiros falhar pode ser considerado “fazer bobagem”. O Rodrigo conheceu o gosto da falha esta semana. Mas não fez bobagem. Para quem não acompanhou o caso, resumindo: o Rodrigo, finalmente, ficou com a Camila, uma deusa que há tempos ele estava flertando, trocando olhares, mensagens. Mulher linda, inteligente. Simplesmente fantástica! Após uma boa noite de vinho, conversas e um bife à parmeggiana, foram para a casa dela. Passaram a conversar utilizando os suspiros e gemidos. E ele broxou.

Contei para o Rodrigo que ia escrever sobre ele para levantar o debate sobre negar fogo. Ele aceitou, claro. Passou aqui para ler os comentários — achou grande parte deles bizarros. A segunda chance do Rodrigo veio com um bom jantar. Desta vez, na casa dele. O Rodrigo é muito romântico: meia-luz, velas, música certa no volume certo, recebeu a Camila de sapato, camisa, calça, como manda o figurino. Teve vinho, novamente. E teve uma boa conversa, também.

Segundo o Rodrigo, a Camila disse a ele que “foi a primeira vez que aconteceu” com ela de alguém não conseguir consumar o ato. O problema da noite anterior não foi visto como um problema. Pelo contrário: a Camila entendeu aquilo como uma espécie de declaração de amor. E o Rodrigo entendeu que não era apenas de um lado que havia sentimento. Se soltou: disse que simplesmente a venerava. Não a queria por ser linda. Mas porque estava apaixonado. Tremeu, realmente. Mas, isso sempre segundo o Rodrigo, queria que tudo fosse perfeito. Por isso, organizou aquele jantar como se estivesse recebendo o Papa.

Ela disse que ainda era cedo para definir aquilo como um namoro, mas que possivelmente as coisas iriam se encaminhar para isso. Gostava do jeito do Rodrigo. E a maneira como tudo ocorreu dava a entender que ele não era um qualquer. Ah, as coisas funcionaram perfeitamente — se é que você me entende.

Reproduzo abaixo um e-mail do Rodrigo, de ontem:

Samba-cancioneiros, jamais poderia ter tomado pílula azul. Jamais poderia ter tratado esta mulher como uma qualquer. Jamais imaginei que houvesse uma mulher assim na minha vida: inteligente, querida, amiga, sensível. Não quero mais ficar de galho em galho. Acho que chega há uma hora na vida que o cara quer isso. Sou o legítimo cara que pensei que nunca iria me casar. Namoros, até tive. Mas estou pensando em me aquietar. E quero me aquietar com a Camila. É engraçado ser personagem de um post de blog. E mais engraçado ainda as pessoas opinando sobre sua vida. Não quero dizer que não ouvi vocês, mas tomei as decisões por meus impulsos. Não pelo que vocês escreveram. Tudo correu bem. E vai continuar correndo. Abraços.

Mulheres adoram mostrar que são "seres superiores". Por isso, se dão mal

21 de julho de 2011 190

Foto: sxc.hu

Me espanta como mulheres e homens perdem-se em seus relacionamentos pela mais pura soberba. Há um casal que conheço que está tendo problemas básicos da vida a dois. Viveram alguns 10 anos juntos, tem liberdade para fazer de tudo sozinhos (e isto não inclui promiscuidades e traição, ok?), são inteligentes e bem-sucedidos.

Mas estão tendo problemas básicos da vida a dois: acham que estão sufocados. Que são, na verdade, diferentes. Precisam de uma certa liberdade que a vida a dois não lhes proporciona — eu entendo isso como “querem transar com outras pessoas”, me desculpe. Argumentam que têm planos diferentes para o futuro. Sabe aqueles problemas básicos da vida a dois? Então, eles estão sofrendo destes problemas.

Acontece que depois de um mês e meio morando sozinhos novamente — ela resolveu voltar para a casa dos pais por um tempo —, ele não para de ligar. Todo dia. Quer saber o que ela fez ou está fazendo. Diz que sente saudade. Convida para jantar, ir ao teatro, cinema, uma caminhada na Redenção (eles adoravam fazer isso). Quando ele liga, vejo no olho dela que há amor. E vejo, ainda mais, que ela quer aceitar o convite para jantar, para ir ao teatro, cinema ou a simples caminhada na Redenção.

Mas por quê ela não faz isso? Porque assim como os homens têm a mania estúpida de contar vantagens sobre as mulheres que transam, as mulheres adoram mostrar às amigas que são “seres superiores”. Duas vezes já vi ela desligar o telefone e chamar a colega do lado e dizer, com peito estufado: “Fulana, ele ligou de novo”. As duas soltam uma risada forte e alta e voltam para o trabalho. A questão não está nestas duas vezes, mas nas outras cinco ou seis em que ela disse “estou dando um gelo nele, quando voltarmos, vai dar muito mais valor ao que tinha em casa”.

Veja bem: até onde sei — e acredito fielmente nisso — não houve traição de ambas as partes. Enquanto separados, ela não se envolveu com outra pessoa. Ele não sei. Também suponho que não, pois se tivesse, não ligaria todo o dia para a “ex”. Percebe que quando o cara não liga é um canalha, deve estar transando com meia cidade, ela pega um pote de sorvete e senta no sofá para chorar e engordar (estou sendo irônico, amigos, não custa explicar). Quando o cara liga, ela nega qualquer convite para “dar um gelo” nele. Ah, que superioridade. Daqui a pouco, ele encontra um “forno” na rua e o calor da máquina derrete o gelo — e vai tudo por água abaixo.

Soberba. Devido à soberba, esta mulher pode estar perdendo o amor de sua vida. Para quê? Para ter a maldita boca cheia e falar que é uma “mulher moderna”, que “pode tudo”, que ele está “mansinho”. Esses adjetivos bestas que as mulheres teimam em achar que, quando proferidos, são virtudes para a feminilidade mundial. Olha, eu respeito perfeitamente as conquistas femininas. São sensacionais. Mas acredito que o Dia Internacional da Mulher não foi criado a partir disso e para isso.

Depois se comenta que a vida a dois é complicada. Na realidade, a vida a um é. Principalmente quando um dos dois acredita que o um vale mais que o dois. Pena.

Ela foi embora e deixou apenas um bilhete: "Não consigo viver em uma jaula"

16 de julho de 2011 50

Foto: sxc.hu

Há tanto tempo não via o Felipe que quando o encontrei esses tempos na rua me espantei com sua magreza. O Felipe sempre foi um cara forte, peitoral grande e definido, barriga de tanquinho, braços gordos, fortes. Ele é loiro de olho azul. Cabelos cheios, volumosos. Pernas grossas. Enfim, o Felipe tinha todos os predicados para agradar as mulheres. Logo, você pode imaginar que estar acompanhado, para o Felipe, não era problema, certo?

Acontece que o Felipe estava magro. Seco. Raquítico. Não consegui me conter e tive de perguntar o motivo de ele ter emagrecido tanto. Logo ele que sempre se cuidou, malhava pesado, gostava de ter aquele corpo venerado pelas mulheres. Felipe explicou que havia largado a vida boêmia pois tinha encontrado a mulher de sua vida em uma das tantas festas que adorava frequentar. Mais velha. Oito anos. E ele tendo 25 esses oito anos fazia toda a diferença. Principalmente no sexo — mas sexo não é o tema deste post. O tema deste post é amor.

O Felipe estava magricela porque a mulher da vida dele o deixou. E ele sabia que não tinha mais volta. Ela não atendia o telefone. Não respondia e-mails. Apagava os recados no Facebook. Bloqueou Felipe no Twitter. MSN sempre Offline. Foi embora com os seguintes dizeres — em um bilhete: “Você, com certeza, seria o amor de minha vida. Mas sou boêmia como você. E não consigo mudar e viver em uma jaula. Você conseguiu. Eu não. Para não te magoar, vou embora. Me desculpe”.

Primeiro, o Felipe não quis mais sair de casa. Aproveitou a coincidência das férias e ficou no quarto, dormindo. Persiana fechada. Não falava com ninguém. A secretária eletrônica ecoava bips infinitos para as pessoas que o procuravam. Olhava o número no bina, via que não era de sua amada e deixava tocar. Parou de fazer a barba. Não se perfumava mais. Vestia qualquer roupa. Caiu em depressão. Emagreceu. Emagreceu. Emagraceu.

Não tive coragem de dar qualquer conselho. Apenas apertei os lábios de minha boca e balancei a cabeça. Sempre quis ser como o Felipe. Mas agora estava tudo claro para mim: ele, lindo e referência para as mulheres, estava magro e sofrendo. Eu, o menino que sempre era convidado por último para os programas da turma, partia para casa, abraçar, beijar e sentir o quanto era feliz com minha mulher.

Homem também sofre por amor. E, às vezes, até os bonitos.

Sobre as mulheres que nunca tiveram um orgasmo

15 de julho de 2011 82

Foto: sxc.hu

Alguns amigos brincavam que o orgasmo feminino não existe. É um mito. Papo de homem para zoar com o sexo oposto, claro. Algo como a mulher que fala da masculinidade daquele cara metido a machão só para provocar. Mas sabe que conheci uma menina, na época da faculdade, ainda, que disse aos quatro ventos que nunca havia tipo um orgasmo? Jamais gritou — suada, saciada, eufórica, esbaforida — após atingir o ápice na sequência de bons minutos de sexo.

Mesmo conhecedor dos problemas que as mulheres podem ter nesse sentido, fiquei com pena da menina. Sempre que ela chegava no bar da faculdade, dava para ver na cara de todos os homens um certo lamento e aquele ar piedoso. “Coitada”, diziam todos com os olhos. E esse sentimento não tinha nada a ver com machismo ou convencimento (“eu faço ela ter um”) ou qualquer depreciativo que você possa imaginar. Muito pelo contrário. Nós nos entristecíamos com ela e por ela. Uma guria bonita, morena, cerca de 1,60m, corpo bem definido. Barriga, coxa, bumbum. Na época, 22 anos — isso foi em 2006.

Enfim, contei tudo isso porque um dos amigos da turma ficou com ela. Ele morava sozinho. Estudava Direito. Era bonito, boa pinta — daqueles que pega quem quer, sabe? Tinha dinheiro, muito dinheiro. Estacionava sua Toyota Hylux todo dia, de segunda a sexta, arrancando suspiros da mulherada da universidade. A menina que nunca teve um orgasmo era apaixonada por ele. Paixão antiga. Desde os tempos de Ensino Médio — logo, deixe de bobeira e pare de pensar que ela era mais uma da lista das gurias da faculdade. Não. Não era.

Certa vez, também no bar da faculdade, descobrimos que, mesmo após alguns meses de relacionamento com o estudante de Direito, ela ainda não havia conhecido o clímax, o auge do sexo. E, pelo que contou, eles já tinham tentado diversas vezes. Foi por terra minha ideia de que ela não tinha encontrado o “amor de sua vida” e iria desencanar quando, com esse menino, tivesse o primeiro orgasmo. Depois do primeiro, as explosões seriam constantes, definitivas, como uma locomotiva.

Fui pesquisar: segundo a Folha, uma pesquisa apontou que mais de 70% das mulheres nunca tiveram um orgasmo com seu parceiro. Sete em 10, samba-cancioneiro! SETE! A lista vai além: 40% destas — quatro nestas sete, parceiro — nunca atingirão o clímax do sexo com penetração. Meu amigo, é muita mulher e pouco orgasmo!

Teorias para que isso não ocorra não vão faltar. Ambos terem problemas e o cara não saber fazer a coisa seriam as mais óbvias, então nem vou listar. A minha: 70% é psicológico, afinal já vimos aqui que o pensamento feminino vai longe, longe, longe e é bem mais sonhador que o masculino. Os outros 30% podem ser divididos na mulher não estar tão pronta para o momento e transar por transar (e isso deve ter aos montes, infelizmente), o homem estar pensando muito mais em acabar e virar para o lado e dormir do que na satisfação da parceira (e isso tem aos montes, infelizmente, também).

Então? Neste “Dia do Homem“, vamos dar uma força para a mulherada e — tentar — entender os motivos que levam minha amiga da faculdade e os outros 70% a nunca terem soltado um “ah” com aquela força que nós, homens, conhecemos tão bem? Está aberto o debate.

Quando elas nos subestimam e acham que pensamos sempre com a parte errada do corpo

10 de julho de 2011 39

Foto: sxc.hu

Vou generalizar para os dois lados para que cada um use o chapéu que lhe servir: mulheres têm o costume de acreditar que homens apenas transam e se importam única e exclusivamente com seu pinto. Particularmente, acredito que isso é um estereótipo batido e o rótulo se faz única e exclusivamente por preconceito delas, que reclamam, por exemplo, que as comparamos às profissionais do sexo pelo simples fato de quererem, assim como os homens, transar bastante. Pois os dois rótulos estão errados.

No caso masculino, pensamos, sim, com a “cabeça de cima”, como diz o popularesco. Queremos amar e ser amados. Pensamos em um relacionamento franco, sincero, sem amarras (no sentido de ser sufocante, não estamos falando de promiscuidade). Gostamos de falar ao telefone por horas e horas com a escolhida para ser a mulher de nossa vida. Sofremos com a dor da perda, com o estar longe. Quando as coisas saem do controle. Quando ela diz que confundimos as coisas e o amor é uma amizade um pouco mais que gostosa. Dói no momento em que levamos um fora ou ela acabou notando o cara do lado e o cara do lado é um idiota que não a merece nem um pouco.

Sabe qual é a diferença? É que antes de passar por tudo isso, nós, homens, deixamos muito mais claro que queremos levar vocês, mulheres, para a cama. E vocês, mulheres, mostram muito, mas muito menos o quanto estão com vontade de estar nas quatro linhas de nosso quarto. Por quê? Porque vocês são preconceituosas com vocês mesmas. Acham que se transarem no primeiro encontro o cara não vai querer mais casar com vocês — quando falo casar me refiro a um relacionamento mais sério. Avaliam todas as variáveis possíveis do ato de ir para a cama com o cara. Vocês devem ter uma fórmula, uma conta fictícia, uma Báskara, para definir se vão até o ponto que querem ou não. O que é pior. O resultado desta fórmula, quase sempre, dá zero. Zero a Zero. Agora, uma pergunta: você usa a Báskara verdadeira no seu dia a dia? Não, né? Então, perceba o quão inútil é sua maneira de ver o sexo.

Se você avaliar o segundo parágrafo, vai ver que são momentos e fatos extremamente femininos. Não estou querendo provar que homens não pensam em sexo. Eles pensam. Muito! Só quero que você, mulher, pare para pensar no rótulo, no carimbo que você nos dá. E antes que diga que esse texto é machista, pense: quantas vezes eu, mulher

— não quis amar e ser amada
— pensei em ter um relacionamento franco, sincero, sem ser sufocante
— falei ao telefone por horas e horas com a pessoa amada
— sofri com a dor da perda, com o estar longe, quando as coisas saíram do controle, quando ele disse que você confundiu as coisas e o amor é uma amizade um pouco mais que gostosa.

Entendeu agora? Não? Eu explico: se nós pensamos “apenas” com a cabeça de baixo, vocês são, literalmente, mulas sem cabeça.

Quer mentir sobre com quantas já transou? Minta sóbrio, ao menos

08 de julho de 2011 74

Foto: sxc.hu

Um dos grandes erros de homens e mulheres em um relacionamento é dizer coisas sem pensar. O Miguel, um amigaço desde os tempos do colégio, jantou com a mulher — uma loira linda que sempre acreditamos ser muita areia pro caminhão dele — tomou alguns vinhos com a menina e quis fazer o papel de garanhão. Antes tivesse apenas feito sexo com a esposa e, após ambos satisfeitos (sempre importante), virasse para o lado e dormisse de conchinha com ela. Mas o Miguel, coitado, tinha um péssimo hábito: falava demais quando bebia. Babia pouco, na verdade. Poucas vezes vi o Miguel bêbado. Mas, naquele dia, ele bebeu. E enumerou para a Cíntia algumas mulheres além das três que ele havia transado sem pagar. Danou-se.

A Cíntia ouviu tudo, calada. Não fez retaliação alguma. Pelo contrário. Sagaz, arteira, esperta que só a Cíntia, deu corda para o Miguel falar. E o Miguel falou. Falou da Marcela, da Melissa, da Milena, da Roberta, da Xandinha (aquele diminutivo para mostrar que a guria é querida, que rolou algo especial, que marcou, sabe?). E a Cíntia tranquila, tomando seu Merlot com calma, sabendo que tudo o que Miguel estava falando seria usado contra ele no tribunal da vida.

No outro dia, batata! Cíntia brincou com o Miguel sobre a Marcela, a Melissa, a Milena, a Roberta e a Xandinha… Miguel achou graça do que havia feito na noite anterior, mas seguiu afirmando que houve a Marcela, a Melissa, a Milena, a Roberta e a Xandinha. Cíntia passou a brincar menos e quis saber detalhes da Marcela, da Melissa, da Milena, da Roberta e da Xandinha — sabe como são as mulheres, estas detalhista, não é mesmo? Miguel começou a se enrolar. Cíntia passou a brincar menos com a situação. O espaço para as risadas da conversa ficou cada vez mais apertado. E rolou aquela briga clássica em uma manhã de sábado que tinha tudo para ser o início de um ótimo final de semana.

Perdoe-me por dizer o óbvio, mas a Cíntia, claro, não acreditou quando, lá pelas tantas, Miguel disse que jamais existiu uma Marcela, uma Melissa, uma Milena, uma Roberta e uma Xandinha. A Cíntia não queria saber e, para revidar, falou do Marcos, do Tiago, do Tiago (o outro Tiago), do Felipe, do Marcelo, do Werner, do Alexandre, do Rafael… Miguel ficou com os nomes na cabeça, martelando o número de pessoas que já havia jantado naquele restaurante. Nunca mais beberia perto de Cíntia, isso já estava decidido, mas agora sabia de todos os ex da mulher e isso o perturbava demais. Dia após dia.

Meses depois, o Miguel aproveitou a calmaria de outro sábado pela manhã e colocou a história da Marcela, da Melissa, da Milena, da Roberta e da Xandinha em dia. Disse que, realmente, estava se gabando e que estas mulheres eram fruto da imaginação. Esperava ouvir da Cíntia a mesma coisa, mas não. Ela apenas olhou para ele, os olhos fixos e sérios. Miguel entendeu o recado e, antes de finalizar, outro erro: abriu para a mulher sobre as únicas três que havia transado sem pagar.

Mais uma DR. Mais uma briga clássica em uma manhã de sábado que tinha tudo para ser o início de um ótimo final de semana. O que o Miguel não me contou foi se a lista com o Marcos, o Tiago, o outro Tiago, o Felipe, o Marcelo, o Werner, o Alexandre e o Rafael aumentou. Eu aproveitei o momento e disse: “quem vive de passado é museu, Miguel. Aproveita a tua mulher e larga a mão de ser besta”. Eles estão juntos até hoje. Mas saber de todos os ex da mulher continua perturbando demais. Dia após dia. Conheço o Miguel…