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Posts com a tag "cabelos"

Não somos nós que te trocamos por menininhas. São elas que vêm nos procurar

04 de outubro de 2011 213

Foto: sxc.hu

Esses tempos ouvi a seguinte frase: “Vocês, homens, têm de pegar as guriazinhas para se acharem mais homens, menos velhos e posarem de garanhões”. Pensei. Mas é claro que não. Vocês, mulheres, é que estão pagando o preço quando, lá atrás, na época da adolescência, preferiam os caras mais velhos aos da sua idade.

Sua mãe, tia, a professora da escola… todas as mulheres mais velhas que achavam o máximo ver em você as conquistas frustradas da adolescência delas, achavam o máximo exclamar que “menina amadurece antes, o que elas vão querer com uns abobadinhos da idade delas, tem mais de ir atrás dos caras já formados”. E elas tinham 15, 16, 17. E gostavam dos caras com 20, 21, 22, 23… Ora, agora você tem a idade da sua tia, de sua mãe, da professora da escola. E as menininhas (obviamente não com 15, 16, 17…) vêm atrás dos homens mais velhos. E você reclama? Ironia, não?

Você, mulher mais velha, não suporta a ideia de que, simplesmente, está velha. E pode tranquilamente perder para uma guriazinha — não gosto deste termo, mas estou usando a palavra que minha colega da redação falou. Estas moças não são “abobadinhas”. Não somos nós que as procuramos. São elas que vêm nos procurar. Elas estão fazendo o que você fez. Estão buscando experiência, romantismo, elegância, estilo, recato — aquele algo mais que os mais mocinhos, muitas vezes, não conseguem dar.

As menininhas descobriram que os homens mais velhos tem estilo, recato, finesse. Sabem conversar. São bons de cama. Não têm frescuras em cima de um bom, cheiroso e macio colchão. Têm cultura e gostam dela. Têm experiências de vida, sofrimentos, vivências que os ensinaram a ser pessoas melhores. Gostam de um bom restaurante, de um bom vinho, teatro… Ser chamado e visto como garanhão é uma mera nomenclatura. Que o homem mais velho nem mesmo procura.

Mas fique tranquila. Para todo pé torto há um sapato velho. Enquanto você, que está velhinha, vê os garanhões procurarem as menininhas, vá conversar com sua mãe, sua tia. Procure sua professora de escola. Juntem todas, façam um chá e conversem sobre o tempo que tinham 15, 16, 17. Não faltarão abobadinhos para servir de assunto.

Descobri uma vizinha que adora ficar se exibindo na janela após o banho

19 de agosto de 2011 118

Foto: sxc.hu

Moro em uma das avenidas mais movimentadas de Porto Alegre. É uma esquina. Olho para a frente, há um prédio alto, do outro lado da rua. Tanto pela proximidade quanto pelo ângulo com que os apartamentos se encontram enxergo praticamente tudo dois andares abaixo. Como eu moro no quinto, e esse outro edifício só tem quatro andares, consigo enxergar até o terceiro. No último apartamento desse prédio mora uma família, digamos, normal. Dois filhos e casal. Embaixo deles, aparentemente, vivem duas mulheres. Digo aparentemente porque nunca vi homens nestas duas semanas em que, diariamente, uma delas passou a “se mostrar” um pouco mais. Também não acredito que as duas sejam um casal — embora não ficaria nem um pouco impressionado se fossem.

Descobri que essa vizinha adora sair do banho de toalha. E ela fica se exibindo na janela. É quase um ritual. Chega do trabalho por volta das 19h30min — e eu sei disso porque tem como ver quando a luz acende no apartamento. Às 21h, ducha tomada. Ela senta em uma cadeira alta, perto da janela, passa creme nas pernas, depois levanta, vai até o outro lado do quarto e passa o creme no rosto e em parte dos ombros. Ela não abre a toalha e a tira em outro cômodo o qual não tenho acesso. Ainda não perguntei para nenhum dos meus vizinhos de andar se já viram o que eu vi — até mesmo para não dar bandeira que já percebi o que ocorre ali em frente.

Eu não sei se vocês já passaram por isso, mas me chamou atenção que ela parece gostar do que está fazendo. É como se dissesse para nós, os vizinhos do edifício em frente: “hora do show, rapazes”. Infelizmente, se esse é o pensamento dela, está completamente equivocada. É interessante uma rápida olhadela, mas não faz o menor sentido chamarmos o fato de show. Talvez se um dia ela for além e a toalha, sem querer, cair, valha algum couvert. Por enquanto, fico com o futebol, o controle remoto e a cervejinha gelada. Vamos aguardar os próximos capítulos.

As feministas que me desculpem, mas é a futilidade que estraga as mulheres

15 de agosto de 2011 112

Foto: sxc.hu

Veja bem: vaidade, beleza, acessórios, cabelo bem feito, belos e curvilíneos corpos… nada disso é ruim. Pelo contrário. Nós, homens, adoramos tudo isso em vocês, mulheres. E digo mais: sabemos valorizar cada esforço de vocês na tentativa de ficarem mais e mais belas. De chamarem mais e mais atenção por sua inteligência e posição social. O que vou defender aqui é que a luta de vocês não é contra os homens, o adversário não é o machismo que todos nós temos enraizado em nossas mentes. A briga, meninas, é contra a futilidade.

As mulheres fúteis correspondem a uma parte pequena da esfera terrestre, confesso. Mas elas acabam com a chamada igualdade sexual. Primeiro, elas são gostosas. Demais! Mas, também, só nasceram para ser isso, gostosas, não é mesmo? Ficam o dia na academia, têm dietas exclusivas, fazem lipo, drenagens e todo tipo de correção estética para ficarem daquele jeito. Logo, nada mais justo que sejam isso mesmo. Gostosas. A partir daí, colocam um biquíni fio dental, uma blusinha que deixa aparecer aquela barriguinha bem trabalhada e passam a se balançar de um lado para outro em palcos de programas de auditório. As câmeras focam seus melhores atributos, a audiência sobe, todos ficam felizes.

Você, mulher, vai achar este texto machista. Eu sei que vai. Porque pensará que as mulheres fúteis, essas de auditório, só existem porque existem os homens babões. Aí está seu grande engano. As mulheres fúteis — e até mesmo as de auditório — existem porque querem existir. Nenhum homem disse para elas: “A partir de hoje, você vai rebolar em um auditório”. Ou ainda: “Vá para a academia e malhe, malhe, malhe. Você precisa ser gostosa”. Não, amiga. Você quer ficar gostosa. E é aí que me refiro. Você, mulher, coloca nos homens tudo aquilo que quer ser. Tem uma barriguinha, deve perdê-la. Coxas finas, tenho de malhá-las. Seios pequenos. Colocarei silicone. Usa a desculpa de que os homens cobram demais. Que se você não for assim será uma encalhada. Que se você não for assim será traída. O problema é que faz tudo isso, vira uma deusa, um avião. E acaba na mão do primeiro bom vivant barrigudo que aparece. Ou seja: você não se deu o valor. Futilidades!

Pare e pense: quem é mais mulher? Essa de auditório, a fútil, a gostosa? Ou você, que acorda todo dia cedo, para trabalhar, fazer o café da manhã, arrumar os filhos, cuidar do marido? Que lava roupa, limpa casa, paga contas? A segunda, certo? Não! Errado. As duas são mulheres. Porém, uma vive de maneira fácil. A outra de maneira difícil. Escolhas. Você fez a sua. Assim como nós, homens, fizemos a nossa. E, quase sempre, escolhemos você, que faz tudo isso, em vez da que rebola no auditório. Claro, sem hipocrisia, adoramos as de auditório. Mas, no fim, corremos para vocês. Que transformaram a futilidade de algumas ocasiões e personalidades em lutas praticamente diárias. E isso que faz a diferença: vocês são muito mais reais.

Ele encontrou a mulher do amigo na balada ficando com outro. E agora?

02 de agosto de 2011 133

Foto: sxc.hu

É notória a fidelidade masculina para com os amigos. Não sei o que acontece, nunca li pesquisa alguma sobre isso, mas é fato que dois homens possuem muito mais lealdade e fidelidade entre si do que duas mulheres. Talvez a vaidade e o ciúme, neste caso, falem mais alto.

É difícil você ver um homem analisando outro como as mulheres fazem: “como você está magra”, “ai, que lindo teu cabelo”, “menina, onde tu comprou essa bolsa??”… E a partir destas frases se percebe um certo veneno, uma troca de raios (in?)conscientes. Vem aquele pensamento da inveja e no outro dia lá vem inscrição em academia, cabelo, mãos e pés feitos e uma bolsa que faz o tempo parar em qualquer lugar que a “amiga” venha a chegar.

O problema é que o Eduardo estava na balada, festa boa, gostosa de se curtir. Mulherada a mil. Cerveja gelada. Som da melhor qualidade. Aquela festa que você tem certeza de que fez a escolha certa quando decidiu entrar. Errado. O Eduardo acabou vendo algo que não queria.

Em um cantinho, ao lado da chapelaria, estava a Rafaela, namorada de anos, muitos anos, do Léo. Estava feliz, sorrindo sem parar. Dançando sem parar. Copo em uma mão. Braço sobre os ombros de um cara qualquer que não era o Léo. E beijando muito. Eduardo soltou um palavrão. Pensou na possibilidade de ir até lá acabar “com aquela palhaçada”. Não foi. Ficou mais um tempo observando. E foi embora. Havia acabado a festa.

A história e os nomes são fictícios desta vez. Mas duvido que algum dos samba-cancioneiros não tenha passado pela situação ou ouvido uma história parecida a esta. A questão de hoje é: você contaria para o Léo que sua namorada estava em uma festa dando o maior amasso em um cara qualquer? A mulherada pode opinar também e usar o exemplo ao contrário, sem problemas — até porque tenho 99% de certeza de que as meninas contariam para a amiga sem pestanejar. Mas o debate gira em torno do tema fidelidade entre amigos. Vamos ver se haverá surpresa na conversa.

Nós somos gaviões? Então responda: o que você, mulher, mais valoriza no corpo masculino?

11 de julho de 2011 136

Foto: sxc.hu

As mulheres vivem falando que os homens são grandes “gaviões”. Não podem ver um rabo de saia que passam a fazer caras e bocas e arregalam os olhos, deslumbrados com a beleza da menina: as coxas torneadas, o bumbum redondinho, seios, barriguinha. Há quem curta até mãos e pés (como já escrevemos por aqui).

Mas, e as mulheres? Como temos certeza de que o sexo oposto também olha para as mais variadas partes masculinas — e elas são presença constante neste espaço —, lançamos aqui o início de um bate-papo para um próximo — e revelador — post: qual o principal local do homem que você, mulher, não deixa de olhar? Responda aqui, nos comentários, e/ou acesse nossa página no Facebook para votar na enquete. Vamos ver até onde vai a sinceridade da mulherada.

Piercings, tatuagens e outras belas miudezas

28 de maio de 2011 6

Foto de Adriana Franciosi/ZH

Já falamos sobre o quanto gostamos de detalhes, gostamos de prestar atenção aos detalhes delas, provavelmente porque para nós o universo delas é tão pleno de pequenas coisas que nos escapam que ficamos olhando, admirados e perplexos, achando tudo um tanto misterioso e ao mesmo tempo muito bonito. Meu colega Johnny Saint-Claire já até manifestou neste post sua podolatria explícita. Mas não ficamos só neles, os pés. São um bom ponto de partida (não é vergonha começar por baixo), mas há mais. Detalhes tão múltiplos que é difícil estabelecer uma estrutura que a tudo resuma. Há garotas que repetem os mesmos tiques de outras, e numas o gesto será detestável, e em outras, adorável. Mas vou tentar resumir uma teoria geral das belas miudezas:

Inteligência — A própria noção de inteligência será variável de pessoa a pessoa, mas de modo geral meu conceito dela é uma capacidade de discernimento intuitivo das informações e das situações que o acaso colocam à disposição. Sem isso, não há rabo glorioso que se sustente sozinho.

Salto alto — Talvez o som mais associado à feminilidade seja o ritmado e melódico toque-toque de um par de saltos altos sobre piso ou calçada. São todos tão absolutamente banais, simples tiras que cingem o peito do pé ou uma armação de feltro ou couro a circundar a borda, quem viu um já viu todos, e, no entanto, é sempre comovente, em um sentido vagamente cômico, observar como elas conseguem enxergar beleza e transcendência a cada novo par adquirido, um par que, tirando a cor, parece muito com qualquer outro que ela tem no armário. Mas esse par terá o som. Aquele som. O som que é uma sirene de alerta para uma mulher a caminho. É sempre uma boa notícia uma mulher a caminho, mesmo que não se saiba de onde.

Cabelos - Elas sorriem e o cabelo cai no rosto, tapando parcialmente um olho e obrigando-as a fazer um gesto elegante para levá-lo ao lugar novamente. Elas caminham ao vento e o cabelo é um véu natural a esconder suas faces da curiosidade da rua. Elas se inclinam e o cabelo é uma cortina elizabetana fechando-se para o espetáculo dos olhos lânguidos que se escondem sob eles. Cabelos. O mundo deveria ser um lugar sem tesouras…

Umbigos — Com o verão, elas armam mil e uma sutilezas para que ao mesmo tempo os vejamos mas nos comportemos como se não os tivéssemos visto. Camisetas que são curtas demais para tapá-los o tempo todo e compridas demais para deixá-los à mostra. E ainda há aquele momento em que elas estiram o corpo para trás na cadeira e se espreguiçam alongando os braços, e aquela camisa ou blusa que é exígua demais para permanecer no lugar sobe, desvelando o umbigo, “como uma taça redonda, a que não falta bebida“, posicionado no centro do elegante ventre, “como um monte de trigo, cercado de lírios“.* E quando o gesto chega ao fim, a camisa volta com crueldade ao ponto inicial, exilando-nos da paisagem. Pior ainda quando há piercings, pequenos sóis orbitando o centro daquela promissora galáxia.

Acessórios — Elas usam acessórios. Acessórios, o próprio nome já diz, não são o principal. Mas elas se esmeram neles. Mais de um brinco em cada orelha, em tamanho decrescente. Uma argola pequena no arco ogival da orelha, lá em cima, só perceptível quando os cabelos estão para o lado ou presos. Tatuagens minúsculas em lugares estratégicos: fragmentos de desenhos estranhos que sobem do cós da calça ou descem da barra da calça no tornozelo. Tribais ou detalhes como flores e borboletas e pássaros a se insinuar no papiro da pele. Tornozelos, omoplatas, a linha fina da cintura, o umbigo, os pulsos, tudo parece válido, nada parece interdito para a decoração que transforma a pele, papel branco, em esboço artístico, em tela valiosa em exposição cotidiana. Correntinhas sutis formando pulseiras luminosas a cintilar à medida que a luz passeia pelo braço. Tornozeleiras.

Elas são detalhes, milhares de pequenos detalhes, nas quais investem tanto que por vezes a parte se sobrepõe ao todo, como um fantasmagórico zahir (pelamordedeus, isto é uma referência a um conto do Jorge Luís Borges incluído no Aleph, e NÃO, de modo algum, nem por decreto, uma menção ao romance do Paulo Coelho).

Tem mais, sempre tem. O problema é esse. A cada detalhe fixado, temos um detalhe perdido, porque são coisas que só tem sentido em movimento, pulsantes na vida. Não fixados em palavras.

*As citações são retiradas do Cântico dos Cânticos de Salomão, provavelmente um dos mais belos poemas eróticos já escritos em qualquer idioma, tempo e lugar — provando que não é só da bem-aventurança espiritual que fala a Bíblia.