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Posts com a tag "Literatura Mulherzinha"

Não entendi a polêmica do comercial com Gisele Bündchen: qual mulher não faz exatamente aquilo?

29 de setembro de 2011 63

Foto: Divulgação, Hope

Não entendi a polêmica envolvendo o comercial protagonizado pela sempre bela Gisele Bündchen (para quem não assistiu ainda, basta clicar aqui). Mas, se você não clicou, vou resumir o comercial: a maior top do mundo aparece vestida, contando um fato qualquer para seu marido. Todo aquele blábláblá de “amor isso, amor aquilo”. Um xis marca errado, como se aquela maneira, aquela ação, não fosse a mais indicada para o momento. Surge então o modo correto: Gisele está de calcinha e sutiã (aqui a palavra lingerie não se aplica, amigo, é calcinha e sutiã, mesmo) e fala o mesmo fato para o marido com uma voz dengosa.

Agora, samba-cancioneiro, me diz: onde está o sexismo nos pouco mais de 15 segundos de imagem? A campanha da marca de roupa íntima teve suspensão pedida por um órgão federal. Os homens que se vestem de preto alegam que o conteúdo discrimina o indivíduo — no caso a mulher — por seu gênero. Ora, façam-me o favor. Isso é, simplesmente e sem tirar uma única vírgula, a vida real.

Foto: Divulgação, Hope

Que mulher (que homem) não usa dos mais variados artifícios para resolver algum vacilo, alguma falha, contar algum probleminha ou mancada que tenha feito no dia, na semana, no mês. E a escolha de quando contar depende muito da gravidade do que foi feito — e às vezes a coisa é tão complicada que nem o homem nem a mulher contam bulhufas a seus pares. Sem contar que há fatos que você conta com anos do ocorrido.

Ela, sentada na carona do carro, em uma viagem para alguma das praias que vocês sempre quiseram ir: “Amor, lembra do Marcos, aquele meu amigaço que tu odeia? Sim, eu e ele já tivemos um rolo. Mas foi só um rolinho…”. Sim, ele também mente (ou omite, se você preferir). Vocês estão em um ótimo jantar, naquele ótimo restaurante, daquela que promete ser uma ótima noite: “Querida, ontem não tive reunião alguma. Saí para beber com os amigos e acabamos esticando um tanto mais que devíamos”. Imagina a adolescente gritando do banheiro, após uma escapadinha com o namorado, os pais foram viajar, eles curtiram bastante, a menina está escovando os dentes e lasca: “Benhê, tô grávida”.

Não mesmo, não é? Você vai escolher um momento, vai pensar nas atitudes que vai fazer para “criar o clima” e irá narrar, com todo o dengo do mundo, o problema.

É de uma hipocrisia enorme dizer que as mulheres não usam a sedução, o corpo, a silhueta bem definida para conseguir o que querem. E todos nós sabemos que quando elas querem seduzir, elas conseguem. Um decote sexy, uma saia que valoriza as pernas, uma calça que realça o quadril, penteados, maquiagens, acessórios, cremes, perfumes. Veja bem: não estou dizendo que todas as ações das mulheres são premeditadas e tudo o que foi listado acima serve para os atos ardilosos do sexo feminino. Mas, vamos ser francos: é motivo de clicar no botão delete na ferramenta de administração do blog se isso não tiver o mínimo de verdade.

Sabe o que é pior? Pensar que talvez nós, homens, sejamos previsíveis demais. Por isso elas são assim. Por isso elas fazem o que fazem. E  nós seguimos levando na cabeça. E mais: ainda gostamos.

Evite problemas: as senhas da internet são tuas. Ela não precisa saber de tudo

17 de agosto de 2011 82

Foto: sxc.hu

A internet pode ser uma praga quando sua mulher “entende” que X na realidade é Y e que focinho de porco deve ser uma tomada. Não tenho nada contra que a companheira saiba senhas bancárias, de e-mail, redes sociais. Mas você, samba-cancioneiro, tem de saber avaliar uma coisinha: até que ponto o ciúme dela é doentio. A regra seria não dar chance para o azar. Você acredita que ela vai ficar vasculhando mensagens enviadas, recebidas, tentando recuperar e-mails deletados, faça sigilo da senha de todos, eu disse todos, seus nomes de tela.

E aqui não estamos falando de homem cachorro, pegador. Estamos falando de ciúme doentio. Vocês mesmo vivem falando nos comentários que quando se quer, se faz. Logo, o foco não é a (possível) traição, mas a incomodação. Não há nada pior que uma mulher (e homem também, claro) que fique o tempo todo mexendo em tuas mensagens, celular, carteira, bolso. Mesmo que nunca se tenha dado motivo para suspeitar do parceiro, ela (ele) fica ali, futricando, instigando, questionando. Sem contar o fato do abuso do companheirismo e a total perda de privacidade da relação. Um exemplo pessoal: não mexo na bolsa de minha parceira nem mesmo que ela permita. Por quê? Simples: é dela.

Como explicar que teu amigo te mandou um e-mail com um Power Point de mulheres peladas? Um vídeo picante? Alguma história que ela não deveria saber? Um endereço escrito a esmo em um papel e posto no bolso? Mais uma vez: não estamos falando de traição. Estamos falando de privacidade. E aí está a questão: não temos de explicar o e-mail, o vídeo, a história, o endereço. Por quê? Porque é algo particular. Algo privado. Algo que nós queremos guardar única e exclusivamente conosco. É possível pensar em privacidade sem achar que temos casos e pensamentos obcenos todo o tempo? Não? Então vai se tratar, amiga. Porque estes relacionamentos em que não há privacidade e o ciúme é doentio estão fadados ao fracasso. O amor pode (e deve) durar anos. A encheção de saco, minutos, segundos.

As feministas que me desculpem, mas é a futilidade que estraga as mulheres

15 de agosto de 2011 112

Foto: sxc.hu

Veja bem: vaidade, beleza, acessórios, cabelo bem feito, belos e curvilíneos corpos… nada disso é ruim. Pelo contrário. Nós, homens, adoramos tudo isso em vocês, mulheres. E digo mais: sabemos valorizar cada esforço de vocês na tentativa de ficarem mais e mais belas. De chamarem mais e mais atenção por sua inteligência e posição social. O que vou defender aqui é que a luta de vocês não é contra os homens, o adversário não é o machismo que todos nós temos enraizado em nossas mentes. A briga, meninas, é contra a futilidade.

As mulheres fúteis correspondem a uma parte pequena da esfera terrestre, confesso. Mas elas acabam com a chamada igualdade sexual. Primeiro, elas são gostosas. Demais! Mas, também, só nasceram para ser isso, gostosas, não é mesmo? Ficam o dia na academia, têm dietas exclusivas, fazem lipo, drenagens e todo tipo de correção estética para ficarem daquele jeito. Logo, nada mais justo que sejam isso mesmo. Gostosas. A partir daí, colocam um biquíni fio dental, uma blusinha que deixa aparecer aquela barriguinha bem trabalhada e passam a se balançar de um lado para outro em palcos de programas de auditório. As câmeras focam seus melhores atributos, a audiência sobe, todos ficam felizes.

Você, mulher, vai achar este texto machista. Eu sei que vai. Porque pensará que as mulheres fúteis, essas de auditório, só existem porque existem os homens babões. Aí está seu grande engano. As mulheres fúteis — e até mesmo as de auditório — existem porque querem existir. Nenhum homem disse para elas: “A partir de hoje, você vai rebolar em um auditório”. Ou ainda: “Vá para a academia e malhe, malhe, malhe. Você precisa ser gostosa”. Não, amiga. Você quer ficar gostosa. E é aí que me refiro. Você, mulher, coloca nos homens tudo aquilo que quer ser. Tem uma barriguinha, deve perdê-la. Coxas finas, tenho de malhá-las. Seios pequenos. Colocarei silicone. Usa a desculpa de que os homens cobram demais. Que se você não for assim será uma encalhada. Que se você não for assim será traída. O problema é que faz tudo isso, vira uma deusa, um avião. E acaba na mão do primeiro bom vivant barrigudo que aparece. Ou seja: você não se deu o valor. Futilidades!

Pare e pense: quem é mais mulher? Essa de auditório, a fútil, a gostosa? Ou você, que acorda todo dia cedo, para trabalhar, fazer o café da manhã, arrumar os filhos, cuidar do marido? Que lava roupa, limpa casa, paga contas? A segunda, certo? Não! Errado. As duas são mulheres. Porém, uma vive de maneira fácil. A outra de maneira difícil. Escolhas. Você fez a sua. Assim como nós, homens, fizemos a nossa. E, quase sempre, escolhemos você, que faz tudo isso, em vez da que rebola no auditório. Claro, sem hipocrisia, adoramos as de auditório. Mas, no fim, corremos para vocês. Que transformaram a futilidade de algumas ocasiões e personalidades em lutas praticamente diárias. E isso que faz a diferença: vocês são muito mais reais.

Não seja besta de acreditar que a TPM existe

09 de agosto de 2011 155

Foto: sxc.hu

Existe uma palavrinha de três letras que me irrita muito: TPM. É uma doença? Mania? Problema psicológico? Não sei. As mulheres dizem que existe. E eu aprendi a aceitar. Mas você não acha estranho que tudo seja ligado à maldita TPM? Que qualquer coisa que aconteça no dia, não importa a época do mês, se está fazendo calor ou frio, se o sistema da empresa está no ar ou não, se teu chefe vai ter dar um aumento (bom, se TPM não existe, imagina aumento, né?) seja culpa desta maldita sigla? Não me venha com esse papo de hormônios, ovulação, dor no quadril, calor. A partir de hoje, faço um pacto com você, samba-cancioneiro: não acreditaremos mais nesta tal de Tensão Pré-Menstrual e elas terão de ter desculpas melhores — ou inventar novas siglas.

Quem sabe o CCAAFM, igualmente famoso e conhecido como Choro Compulsivo Após Assistir ao Filme Mulherzinha. De repente a CRPGA30, a Crise das Rugas e Pés de Galinha Após os 30, que elas insistem em retardar usando aqueles cremes gordurosos e fedorentos. O homem chega perto e ela mais parece uma vela acesa de tanto óleo. Ou ainda ESNCCC — Estar no Shopping e Não Conseguir Comprar com meu Cartão (o problema desta é que vai sobrar para ti, né? Haja limite que resolva, hein?).

Essa tal de TPM complica nossa vida, você não acha? Porque há mulheres que supervalorizam esse período no mês. Eu diria que existem cinco fases na lua: crescente, minguante, nova, cheia e TPM. Nesta última é a mulher que está “de lua” e nem mesmo acabou a minguante e ela já está dizendo “deve ser a TPM chegando!”. Pô, ainda faltam três fases, amiga. Desencana. Se ainda é a tua companheira, a mulher que tu escolheu para viver a vida toda do lado, ainda dá para aturar. Agora, temos de aturar a TPM das colegas de trabalho. Daí não dá. Malditos direitos iguais. Se eu fosse chefe e minha funcionária comprovasse cientificamente que está nesta fase eu liberava ela para ficar em casa. Folga remunerada, ainda por cima.

Fica o desafio para os samba-cancioneiros: vamos achar a nossa TPM e vamos enganá-las com o mesmo vigor, com a mesma dedicação, com a mesma força com que elas vêm nos enganando desde os primórdios da humanidade. Só, meninas, não venham dizer que nossa TPM é o futebol das quartas-feiras ou o controle remoto da TV porque há certas coisas que vocês nunca vão entender. O futebol e o controle remoto da TV são sagrados. Seres de outro mundo que nos dão um prazer incondicional. Algo difícil de explicar. Assim como a TPM.

O amor como cultura

20 de maio de 2011 5

Tá achando a imagem fofinha? Então vai ler o texto

Vamos falar claro: desde a Antiguidade há uma imposição social em nome da família e em detrimento do indivíduo. Na Roma Antiga, o imperador Augusto chegou a criar um imposto para ser pago pelos celibatários a partir de uma determinada idade, porque aquele cara, em tese, deveria compensar com dinheiro o fato de que não estava gerando cidadãos para a defesa do Estado. Da necessidade de família, mas não necessariamente de escolha, passamos para o atual momento, em que tornou-se meio regra receber um pouco daquele olhar torto de pena de quem ouve que não estamos “com alguém”.Há uma exigência social tácita de que em algum momento o sujeito “se estabeleça” e case, ou arranje alguém que o ature — uma urgência cuja histeria parece ser a mola-mestra de todo um gênero dedicado às moças, que já ouvi ser denominado “produto-tal-coisa mulherzinha”: Bridget Jones começou como um livro-mulherzinha, passou depois a um filme-mulherzinha, etc… O discurso de toda essa vertente pop dirigida às mulheres é que hoje elas são independentes, poderosas, cultas, inteligentes, tecétera, tecétera e que justamente por isso estão sem namorado firme. O corolário dessa tese, às vezes enunciado claramente e às vezes não, é que os homens de modo geral são imaturos e “se assustam” com uma mulher verdadeiramente interessante e desafiadora — “não querem compromisso”, para nos reduzir à fórmula mais batida.

Todo esse romantismo prêt-à-porter não pode ser outra coisa senão nocivo — principalmente quando, com seu habitual talento para patrolar completamente qualquer diferença histórica e conceitual, a industria cultural reduz mesmo dilemas de outras épocas a simplórias “histórias de amor”, de O Vento Levou a Titanic. A questão é que 1) estamos em um momento histórico de redifinição da estrautura social e familiar, e o o casamento-para-constituir-família não deveria mais ser a finalidade básica para ninguém que não o queira, e 2) o amor romântico vendido por essas produções tatibitate (mesmo aquelas dirigidas a mulheres de maior discernimento, como Sex & The City) é uma construção também ele histórica.

Em seu ótimo livro Sem Fraude nem Favor (publicado em 1999 pela Record, procurem no sebo), Jurandir Freire Costa desenvolve, em linhas gerais, o seguinte conceito: o amor na antigüidade nao era o que hoje chamamos de amor, e o amor romântico a que os romances açucarados e mais tarde os filmes melosos nos acostumaram nao é de forma alguma um sentimento universal na História da humanidade, como nos acostumamos a encarar. É uma invençao da sociedade burguesa florescente após a revoluçao francesa, e seus antecedentes históricos e geográficos podem ser mapeados com absoluta exatidao. Claro que o mito das almas repartidas por um poder celestial e condenadas a se procurarem eternamente é bem mais antigo do que isso, e no Banquete do Platão há um personagem chamado Pausânias que defende exatamente essa idéia. Mas foi nosso tempo que atrelou a idéia de felicidade ao sucesso da procura amorosa.

A própria noção de felicidade pessoal é bem recente, produto do ganho de terreno obtido pelo individualismo ao longo do tempo. Em sociedades tecnologicamente evoluídas, a cidade, a pólis, a comunidade e o todo vão gradativamente cedendo espaço à noçao de realizaçao pessoal, e os “cidadaos” tornam-se “indivíduos”. A cidade parece bem, entao eu começo a tratar do meu bem, minha segurança. E na nossa sociedade capitalista, é exigida a eficiência, a eficácia, o sucesso — daí a pressão social para que eu seja realizado e nao apenas bem sucedido. Isso implica uma condição imprescindível: eu não preciso só ter um puta emprego, um bom carro e uma gorda conta bancária, eu preciso ser feliz.

E esta sociedade atual mantém umbilicalmente ligada a idéia de “ser feliz” com a de “encontrar alguém”, achar “a outra metade”. O interessante é que essa procura assume uma feição meio mística, meio Paulo Coelho, porque o sujeito procura, procura, mas na verdade precisa procurar como se não estivesse procurando, se desligando do objetivo, e quando não se está mais pensando naquilo que se devia achar, é nesse momento, e normalmente no lugar mais perto de onde eu estava no princípio, é que se acha aquilo porque tanto se buscou. Tudo muito bom, muito legal, mas temos um problema lógico que se transforma no paradoxo torturante do mundo moderno: para ser alguém e aliviar o vazio tedioso da existência, eu preciso ser feliz. Uma das condições indispensáveis para isso é encontrar alguém. Para encontrar alguém… não se faz nada, o “amor chega até você”, como dizia uma música tenebrosa da década de 80 — se bem que dizer música tenebrosa da década de 80 é um pleonasmo. A crueldade do raciocínio é opressiva e perfeita, ao mesmo tempo. Se eu preciso de uma coisa que assume ares místicos, uma coisa que “acontece com a gente”, no fim eu não tenho a menor garantia de que essa condição para a completitude do meu ser será alcançada, mesmo com toda a angústia, toda a dúvida, toda a busca. Isso fragmenta o universo em duas castas. Se eu preciso de amor para ser feliz, mas não há fórmula para alcançá-lo, eu sou favorecido por algo como “o destino”, “o acaso”, “os astros”, o “plano eterno superior” e mesmo “a graça de Deus” (nao riam, tem muita gente que acha que um/uma parceiro/a é um presente do Todo-Poderoso. Onde será que ele enfia o laço do embrulho?). A contraparte é que, se estou sozinho, não encontrei ninguém, não recebi o sorriso da fortuna e logo nao posso ser ou estar feliz.

E se ninguém ainda me descobriu, eu estou condenado a ser infeliz até ser tocado pela redenção do amor de outro. Daí os olhares que pretenderiam ser de pena, coitadinho, mas na verdade são do mais profundo desrespeito*

* Em tempo: não, isto não é uma diatribe de um solteiro recalcado, sou casado. É apenas o olhar perplexo de alguém que acha que deveria haver até direito à infelicidade.