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Posts com a tag "Mitologia grega"

A beleza e a inteligência

22 de junho de 2011 28

Hefesto, a pedido de Tétis, forja as armas de Aquiles. Reprodução www.theoi.com

Somos, nós, os homens, muitas vezes criticados por preferirmos a beleza à inteligência. Ao menos um grande número de mulheres que eu conheço reclamam que “de-alguma-forma-intimidam-os-homens-por-sua-inteligência”. Acho essas generalizações algo forçadas, porque ninguém tem uma noção objetiva de sua própria inteligência, e algumas delas não eram tão inteligentes assim para assustar tanta gente, e ao mesmo tempo, há muito que casos contrários também são realidade: mulheres que preferem, ao menos em certa fase de sua vida, o belo saradão em vez do intelectual desastrado.

Não deixa de haver uma certa antiguidade nessa discussão, quando se pensa que algo parecido já estava explícito em um dos mitos gregos mais famosos: a história de Hefesto e Afrodite.

Hefesto era um ferreiro e artífice na morada dos deuses gregos antigos, o factótum do Olimpo, o deus que trabalhava em uma forja, produzindo os raios de Zeus. Era também o que de mais longe poderia haver de um “deus grego”, como dizem na expressão. Era corcunda, coxo de uma perna, vagamente deformado.  E um dia foi dado em casamento a Afrodite, a deusa do amor, essa sim uma deusa no sentido real e metafórico, mas algo volúvel. Enquanto ele estava na forja, ela passava as tarde em um tórrido caso com Ares, o deus da Guerra, até que um dia Hefesto, desconfiado, armou uma rede mágica em cima do leito matrimonial de sua casa. Quando Ares e Afrodite refocilavam-se no rala e rola, a rede se fechou e a casa caiu. Hefesto chegou e pegou ambos no flagra, e, antes de libertar os dois, desfilou com eles aprisionados por todo o Olimpo (ou seja, corno com orgulho). Depois desse pequeno escândalo sexual, Hefesto repudiou Afrodite.

Algum tempo depois, apaixonou-se por Atena, a deusa da sabedoria, deusa também ela guerreira e voluntariosa. E aí ele “tenteou mas não levou”, como dizia meu velho tio Setembrino, tão tchê quanto o João esse nosso amigo dos comentários.

O que isso tem a ver com o assunto inicial do post? É que sempre achei bastante simbólico o rumo dessa história: o talento técnico — alma nobre num corpo grotesco — casou-se com a beleza — alma fútil em um corpo fantástico — foi traído por ela, que preferiu a violência. Quando, entretanto, o talento se enamorou da inteligência, ela não quis saber dele. E depois ainda dizem que o problema é com a gente…

P.S.: No último post que escrevi, alguns chutaram que eu fosse o Carpinejar. Desta vez, escrevi este post com a intenção deliberada de que alguém chutasse que eu sou o Cláudio Moreno.