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Posts com a tag "Paixões fugazes"

O problema dos homens certinhos demais (ou a lição que vamos tirar dos atos falhos)

21 de outubro de 2011 62

Foto: sxc.hu

UPDATE: com a correria da redação, acabamos não conseguindo liberar os comentários na tarde desta sexta-feira. Por isso liberamos à noite, perto das 23h. Desculpe a quem acompanha o blog e posta comentários.

Chamou-me atenção a repercussão do post do M.R.S e a grande parte dos comentários — masculinos, claro — a respeito do protagonista da carta ser certinho demais. Grande parte dos comentários destacava o fato de o casal não ter feito sexo anal, por exemplo, como um dos defeitos do relacionamento. Segundo os samba-cancioneiros, esta questão serve como um termômetro de que a coisa era um tanto fria entre os dois na cama, e a mulher, talvez, queria algo mais caliente. Não acho que se possa medir a temperatura sexual de um casal por fez ou não fez sexo anal, mas…

O que penso é: não importa o quanto se é bom ou mau, não importa se deu motivo ou não, se a mulher tem caráter, se o amigo não era tão amigo assim, se o casamento estava uma droga, qualquer outra coisa. Não importa. Importa que ele foi correto até mesmo na hora de desvendar que sabia de tudo. Ele foi correto até mesmo na hora em que deveria ser enérgico, forte. Quando devia matar a cobra e mostrar o que você sabe que ele deveria mostrar. Ele foi íntegro. E pessoas íntegras estão em falta no mundo: homens e mulheres.

A lição disso tudo — e espero que você que sempre lê o blog aprenda de uma vez — é que homens e mulheres são falhos. Têm medos. Angústias. Necessidades. São apreensivos. Imaturos. Às vezes homens e mulheres querem simplesmente estar sozinhos. Porque sabem que quando estiverem com alguém não serão capazes de corresponder à expectativa do outro. E fazem bobagem — porque é normal que o ser humano faça bobagem. E com isso machucam outras pessoas.

O texto, a carta do M.R.S, pode ser fictício, invenção do blog — vocês já pararam para pensar que apontam sempre o dedo nos acusando de mentirosos? A lição dos mais de 200 comentários do post é: homens e mulheres, deixem de lado a eterna guerra dos sexos. Homens chamam mulheres de promíscuas e afins porque elas começaram a querer ser homens. Mulheres quiseram ser homens para mostrar que podem as mesmas coisas que eles. Um dá um murro forte na ponta da faca, o outro vê os dedos cheios de sangue mas retruca e dá o soco ou igual ou mais forte que o primeiro. Ambos derramam litros de sangue no chão. E se machucam.

Ou seja: nessa vidinha de agressões mútuas, quem perde somos todos nós.

Fui traído pelo meu melhor amigo

20 de outubro de 2011 218

Foto: sxc.hu

Não costumamos e nem vamos colocar textos de outras pessoas no blog, mas este abaixo chamou-me atenção. Veio por Direct Message no Twitter, em uma página de um blog criado para que o texto chegasse a nós. Pelo que entendi, foi escrito para tocar os samba-cancioneiros. Não sei se é verdade, não conheço a pessoa. Mas se o amigo ou a mulher andarem por aqui, também, estejam preparados para os comentários que virão. Pois acho que serão um tanto que massacrados pelo que percebo nos quase 10 mil comentários que já temos. Leia e tire sua própria conclusão:

“Acompanho o blog desde sua criação, leio praticamente todos os comentários. Resolvi escrever porque as mulheres costumam escrever que homem é tudo igual, que homem não presta, que são cafajestes. Na realidade, sei que elas falam em termos gerais. Mas gostaria apenas de mostrar que uma mulher, uma única mulher, a minha, não soube valorizar a antítese daquilo que as mulheres acreditam ser ruim para a raça humana.

Eu sou (ou era) um homem feliz. Dedicado. Adoro festas. Adoro teatro. Adoro jantares românticos. Faço e levo café na cama. Me dou bem com minha sogra e minhas cunhadas. Nunca flertei na rua, no trabalho, onde quer que seja desde que estou com ela. Me considero um cara normal na cama. Trabalhava feito doido para dar uma vida digna a minha mulher. Até compras em shopping me presto a fazer (hehehehehe). Mas descobri que fui traído. Pelo meu melhor amigo. Ao menos eu acreditava que era meu melhor amigo.

Descobri há duas semanas. Na hora, pensei em me matar. Amo muito minha mulher. Depois, pensei em matar o cara. Mais depois ainda, pensei em matar os dois. Mas, bundão que sou, apenas saí de casa. Ela ficou e deve estar lá, com o outro. Foi fácil descobrir. Como todo mundo escreve aí no blog, a mentira aparece. Um torpedo no celular marcava “uma reunião”, assim, com aspas no texto. Minha mulher chegou tarde. Quando chegou em casa, conversamos como sempre, estávamos falando sobre coisas sem nexo. E perguntei da reunião. “Que reunião?”, ela respondeu. Achei estranho, mas depois ela viu a mancada, desconversou e tudo mais.

Passei a desconfiar de algumas atitudes dela e esse meu amigo sempre presente. Mas não falava nada com ele, homem não gosta de compartilhar essas coisas. Esses tempor encontrei ela por acaso no shopping, no almoço, e estava de cabelo molhado. Perguntei se não tinha ido trabalhar pela manhã e ela desconversou “Ué, não te falei? estão fazendo manutenção nos computadores essa manhã”.

De tanta desculpa esfarrapada, porque não sou tão burro assim, acabei seguindo ela em uma de suas saídas e, para meu espanto, ela desceu do táxi na outra esquina, perto de casa, e entrou no carro deste meu amigo. Fui atrás e vi os dois entrando no motel. No primeiro dia não falei nada, no segundo também não, no terceiro não aguentei mais e escancarei em um almoço, domingo. Convidei ele para ir lá em casa. Ia ter um churras com toda a turma. A turma não veio, lógico. E fiz eles me contarem tudo: tempo de safadezas, onde, quando, porquê. Motivo é o que menos me interessa

O cara transou com minha mulher em meu quarto. Em minha sala. Tomou banho em meu banheiro e secou o corpo com minhas toalhas. Fizeram sexo anal. Eu nunca fiz sexo anal com ela. Transavam duas, três vezes na semana. E eu entendia quando ela dizia que estava cansada. Ouvi tudo, quieto. Imagina, Johnny, como conseguir ficar quieto em uma hora dessas? Mas fiquei. E foi tanta raiva que por isso que disse que queria matar todo mundo. Acho que nunca tive tanto sangue frio na vida. Apenas larguei o material do churrasco, fui até meu quarto, peguei minhas coisas e fui embora. Agora estou em um hotel, escrevendo para vocês.

Não quero ser mártir, nem que me deem uma estátua. Sei que muitos irão tirar onda com minha cara. Outros vão ser solidários. Não estou nem aí. Só escrevi mesmo porque queria desabafar e mostrar para essas mulheres que há homem decente no mundo, sim. E as mulheres, assim como muitos homens, não sabem valorizar.

Abraços. M. R. S”

Conheça Cláudia: 34 anos, casada, mãe de dois filhos e... prostituta

18 de outubro de 2011 313

Foto: sxc.hu

O post de ontem foi uma espécie de “aperitivo” ao que estava por vir nesta terça-feira. Hoje vou contar a história de Cláudia, 34 anos, mãe de dois filhos, casada. Possui casa própria, dois carros, família estruturada. Cláudia trabalha. Muito. Como prostituta em um endereço famoso de Porto Alegre. O marido não sabe. Os filhos não sabem. A família não sabe. O irmão desconfia. Um primo transa com ela toda semana — de graça — porque descobriu seu pequeno segredo. Ela propôs isso, é bom que se deixe claro.

Conversei com Cláudia por cerca de duas horas. Cláudia é seu nome fictício, de guerra. Ela aluga um apartamento em um bairro de classe média na cidade. Recebe os clientes com hora marcada, estilo Bruna Surfistinha. Não tem cafetão, nem “ninguém que lhe tire fácil o dinheiro que recebe de forma tão difícil”, como destaca. Cláudia mede cerca de 1,70 metro, pesa 71kg. É uma mulher bonita de rosto e que tem o corpo razoavelmente bonito. Nada exuberante. Mas também nada que se jogue fora. Como dizem por aí, vale o investimento de R$ 80 por uma hora de programa.

— Para quem tem 34 anos e já teve dois filhos está bom, né? — ela pergunta, levantando a blusa para mostrar a barriguinha lisa da lipo que fez no ano passado. A seguir, trechos do bate-papo.

Samba-Canção — Como você começou e há quantos anos faz programa?
Cláudia — Há quatro anos eu trabalhava em um escritório de advocacia como secretária. Um dos advogados que estava por lá vivia me cortejando e me chamava para sair todos os dias. Tomar drinks, jantares. Em um determinado dia, havia brigado com meu marido, estava querendo me separar, não aguentava mais a pressão de trabalhar, chegar em casa, cuidar dos filhos. Minha vida estava um saco. Acabei saindo com o advogado, jantamos, fomos para um motel. E, olha, eu acabei com ele (risos). No final, quando ele me deixou em casa, me disse “Cláudia, Cláudia, você deveria cobrar, meu amor. Êta servicinho bem feito”. Aquilo ficou martelando na minha cabeça por meses. Até que fui demitida porque não quis mais dar para o tal advogado.

Samba-Canção —E então foi logo fazer o que você faz hoje?
Cláudia — Não, claro que não. Curti o seguro-desemprego e fui atrás de emprego. Mas o que ele disse ficava na minha cabeça. Não consegui um emprego que pagasse bem. O tempo do seguro acabou. Fiquei mais dois meses desempregada. E foi aí, sim, que comecei a pensar em virar prostituta.

Samba-Canção — Mas como aconteceu?
Cláudia — Procurei uma que faz exatamente como eu: atende por telefone, família não sabe, tem filhos, marido, papagaio. Ela me explicou como funcionava a coisa.

Samba-Canção — Mas, assim, professor e aluno?
Cláudia — Não. Ela teve receio no início.  Mas daí procurei ela tanto que viu que não era brincadeira o que eu estava querendo.

Samba-Canção — Sim, mas como começou, mesmo?
Cláudia — Eu estava no apartamento desta guria, que hoje é muito minha amiga, pintou um cliente. A gente já conversava bastante. Ela me olhou e apontou para o telefone. Eu balancei a cabeça. E foi só esperar ele chegar.

Samba-Canção — Assim, tão fácil?
Cláudia — Nada fácil, meu amigo. Você acha que a gente curte o que faz? Acha que tocar nele foi fácil? Queria ver essas guriazinhas que vivem por aí aguentar a vida que a gente leva.

Samba-Canção — Sim, mas isso todas vocês devem falar: “não é fácil” e tudo mais… mas continuam na profissão.
Cláudia — Sim, mas como eu vou tirar R$ 3,5 mil por mês? Me diz… Tu tem um emprego com esse salário para me dar?

Samba-Canção — OK, mas e teu marido? E teus filhos? Ele não suspeita de nada? Dessa grana toda que tu recebe?
Cláudia — Meu querido, no início eu acho que ele estranhou, sim. Pô, R$ 3,5 mil é dinheiro para uma secretária executiva. Para ele, trabalho em uma grande empresa aqui de Porto Alegre. Falo três línguas. Saio de casa sempre arrumada, impecável. De blazer, saia social ou terninho executivo. Não tem como desconfiar. Até tem, claro. Mas o meu salário e o dele nos proporcionam uma vida muito boa: temos televisão de 52′, dois carros do ano, meus filhos estudam em uma das melhores escolas de Porto Alegre… Eu trabalho apenas de segunda a sexta, o telefone não toca fora do horário comercial. E é exclusivo da profissão. Eu deixo o aparelho no apartamento que alugo.

Samba-Canção — Sim, mas e tua família?
Cláudia — O que tem?

Samba-Canção — Não desconfia?
Cláudia — Meu irmão, sim. Mas eu brinco com ele: “Para tua irmã ter um trabalho melhor, só se virar p**a”. Todos dão risada e a coisa morre por ali. Quem descobriu, mesmo, foi um primo meu. Safado. Me seguiu e acabou aqui no porteiro eletrônico. O segurança caiu no papo dele, deixou entrar e, no dia, eu estava esperando um cliente. Me pegou de calcinha e sutiã atendendo a porta. Ele disse: “eu sabia”. E eu respondi: “Agora que está aqui, entra”. Ele entra toda a semana, de graça, claro. É nosso segredinho.

Samba-Canção — Ele vem toda a semana, mesmo?
Cláudia — Claro. Com ele até é bom. Me trata bem. Transa bem. Ele vem quase sempre na quinta. Fica a horinha dele e vai embora. É diferente porque tem duas safadezas, né? (risos). Ser primo e ser cliente. Mas não pense que é básico, não. Ele recebe serviço completinho. E gosta, meu bem, ah, gosta (gargalhadas).

Samba-Canção — E sexo em casa? Consegue? Na boa?
Cláudia — Mas é claro. Amo meu marido. Amo meus filhos. Meu marido é ótimo na cama. Ninguém me fez gozar como ele. E olha que já transei muito, amigo. E digo: já gozei com cliente. Tem um que me trata tão bem que parece meu namorado. Esse me arrebenta. Só não dou de graça porque não é meu feitio.

Samba-Canção — Tu pretendes parar quando?
Cláudia — Mais um ano, dois, e eu vou parar. Tenho uma poupança gorda me esperando. Já falei com meu marido que seria legal abrirmos uma empresa. Ele é analista de sistemas e está gostando da ideia. Com essa poupança vamos fazer nossa empresa. E eu vou parar com isso. Tu vai me perguntar se eu me arrependo agora, né?

Samba-Canção — Não ia, mas…
Cláudia — Quando chego em casa e vejo meus filhos, bate uma tristeza. Mas eu planejei quando essa vida ia começar. Então eu sei quando ela vai acabar. E está quase acabando. Escreve aí: tem mulher que quer fazer exatamente o que eu faço e não faz porque se acha mais que eu. E têm as outras que me vão me julgar, eu sei disso. Para elas, vou dizer o seguinte: tem cara que te come e vai pra casa e te trata pior que muito cliente meu. Então, não te enche de moral para falar de mim. Ah, e se quiser, passa um dia comigo aqui e tenta aguentar o tranco. Daí, sim, a gente passa a conversar.

Não somos nós que te trocamos por menininhas. São elas que vêm nos procurar

04 de outubro de 2011 213

Foto: sxc.hu

Esses tempos ouvi a seguinte frase: “Vocês, homens, têm de pegar as guriazinhas para se acharem mais homens, menos velhos e posarem de garanhões”. Pensei. Mas é claro que não. Vocês, mulheres, é que estão pagando o preço quando, lá atrás, na época da adolescência, preferiam os caras mais velhos aos da sua idade.

Sua mãe, tia, a professora da escola… todas as mulheres mais velhas que achavam o máximo ver em você as conquistas frustradas da adolescência delas, achavam o máximo exclamar que “menina amadurece antes, o que elas vão querer com uns abobadinhos da idade delas, tem mais de ir atrás dos caras já formados”. E elas tinham 15, 16, 17. E gostavam dos caras com 20, 21, 22, 23… Ora, agora você tem a idade da sua tia, de sua mãe, da professora da escola. E as menininhas (obviamente não com 15, 16, 17…) vêm atrás dos homens mais velhos. E você reclama? Ironia, não?

Você, mulher mais velha, não suporta a ideia de que, simplesmente, está velha. E pode tranquilamente perder para uma guriazinha — não gosto deste termo, mas estou usando a palavra que minha colega da redação falou. Estas moças não são “abobadinhas”. Não somos nós que as procuramos. São elas que vêm nos procurar. Elas estão fazendo o que você fez. Estão buscando experiência, romantismo, elegância, estilo, recato — aquele algo mais que os mais mocinhos, muitas vezes, não conseguem dar.

As menininhas descobriram que os homens mais velhos tem estilo, recato, finesse. Sabem conversar. São bons de cama. Não têm frescuras em cima de um bom, cheiroso e macio colchão. Têm cultura e gostam dela. Têm experiências de vida, sofrimentos, vivências que os ensinaram a ser pessoas melhores. Gostam de um bom restaurante, de um bom vinho, teatro… Ser chamado e visto como garanhão é uma mera nomenclatura. Que o homem mais velho nem mesmo procura.

Mas fique tranquila. Para todo pé torto há um sapato velho. Enquanto você, que está velhinha, vê os garanhões procurarem as menininhas, vá conversar com sua mãe, sua tia. Procure sua professora de escola. Juntem todas, façam um chá e conversem sobre o tempo que tinham 15, 16, 17. Não faltarão abobadinhos para servir de assunto.

Vera, a prima mais levada das estações

23 de setembro de 2011 30

Foto: sxc.hu

De todas as minhas primas, a Vera é a mais safada. Recebeu esse nome porque nasceu no dia 23 de setembro. Dia das flores, dizia minha tia. Prima Vera cresceu em meio aos primos boêmios, saía para a balada sem medo algum desde os 13, 14 anos. Como via os meninos passando o rodo na mulherada, sempre pensou: “Ora, por quê não posso fazer o mesmo?” Eram dois, três, quatro… seu recorde foi oito em uma noite. Quando só beijava na boca, claro. Depois que aprendeu outros tipos de curtição, passou a selecionar mais e nunca passou de dois.

Bem, não vou ficar aqui falando e falando de minha prima — até porque dá uma saudade da nossa época de adolescentes. Mas o debate que quero propor é que mulheres deprimidas, sem vontade de viver bem, de curtir a vida, de amar sem pudor. Mulheres que se deixam levar pelo que uma sociedade machista define como recato. Mulheres que se preocupam com o que os homens vão pensar, que não transam na primeira vez. E tantas outras definições bestas lá da época das cavernas. Estas mulheres não tiveram primos como a prima Vera teve.

Porque a prima Vera mostra as pernas quando veste uma saia sem parecer vulgar. A prima Vera conversa com os homens à noite, em uma balada, com o olhar fixo, no fundo do olho, deixando o vivente completamente atordoado, sem parecer uma prostituta oferecendo-se em alguma avenida da Capital.

A prima Vera não fica bêbada pelos bares, não sai gritando pela rua falando palavras sem sentido, carregada pelos ombros por alguma amiga. A prima Vera sabe beber, sabe até onde pode ir. A prima Vera sai para a noite para caçar, claro que sai. Mas a prima Vera seleciona seu alimento. Busca sempre um mamute e não um porco do mato. Com isso, a prima Vera não se lastima da comida que tem à mesa. Ela saboreia seu banquete como ninguém.

A prima Vera é bem-sucedida no trabalho. Está sempre sorrindo, mas a prima Vera sorri com gosto e de verdade, não porque tem de agradar alguém que está a seu lado ou manter uma vida de aparências. Resumindo: a prima Vera é muito feliz. Mas a mulherada, amiga da prima Vera, gosta de chamá-la de bem-resolvida. Ela ri. Prima Vera não gosta de rótulos bobos.

E quando a mulher se torna a amante e a amante se torna a mulher?

19 de setembro de 2011 51

Foto: sxc.hu

Pense na seguinte ocasião: você está casado e tem uma amante. Acabou com sua mulher por este relacionamento não-convencional. Foi morar com a nova mulher. Passou a ter um relacionamento mais que estável. Ou seja: praticamente casou novamente. Porém, após alguns meses, cruzou com a ex em algum shopping da cidade, percebeu algumas coisas diferentes nela. Ela estava muito mais gostosa. Sedutora. Exalava sexo. Desejou-a novamente. Saíram. Transaram. Foi bom para caramba. E agora vocês se encontram seguidamente em fugidinhas (igualmente como certa vez foi com a outra) nada convencionais.

Bem diferente daquela vida que você levava antes da amante virar mulher e da mulher virar amante, não? Pode até ser. Duvido que esta ocasião narrada acima não seja mais que normal. Teu dia a dia era ruim, a pressão da vida gerava brigas todos os dias, as contas, o trabalho, os amigos, família dela, a tua família. Nem o sexo que vocês faziam com tanto gosto e que causava inveja no vizinho de baixo — e dos lados e de cima — estava igual. Era aquela rapidinha, quando rolava. Gozou. Dormiu.

Com a outra, não. Você ligava para ela. Conversava sobre os mais diversos e diferentes assuntos. Aqueles que você não conversava mais com sua mulher e que fazia você se sentir “vivo”, “diferente”, “fora da rotina do dia a dia”. Não havia cobranças. Não havia pressão. Era o melhor do que você poderia imaginar. Transavam forte e firme. Uma, duas, três… Suavam como doidos. Banho, beijo, casa. E a vida real vinha como um despertador fulminante sem botão de soneca. Você cansou e resolveu sair de cima do muro.

A questão é que você é o problema. Não ela. Não a outra. Você. Uma pessoa que preferiu ir atrás de outra mulher ao resolver teus problemas particulares. A outra mulher estava em casa como a primeira, mas você nunca estava satisfeito. Queria algo mais. Uma aventura, talvez. Um fato que fizesse te sentir homem, dominador, garanhão. Você poderia fazer tudo isso em casa, mas preferiu ir na rua. Agora, o que você tem na rua é o que tinha em casa. E a rua virou casa e você não gosta mais. Ou gosta, mas vai deixar tudo te dominar de novo: a pressão da vida, as contas, o trabalho, os amigos, família dela, a tua família.

A grosso modo, tenho certeza de que é isso o que acontece. Você pode mentir e dizer que não. Mas é exatamente por isso — e outros motivos muito piores — que a mulher se torna a amante e a amante se torna a mulher.

Quem nunca brincou de um jeito diferente com a prima que atire a primeira pedra

30 de agosto de 2011 127

Foto: sxc.hu

Costumo dizer que prima é como a melhor amiga que tu tens plena noção de que se algo mais acontecer entre vocês vai dar muito, mas muito problema para o resto da vida. Se essa tua amiga — no caso prima — for linda e gostosa, o problema aumenta consideravelmente de tamanho.

Tenho muitas primas, algumas mais velhas, outras mais novas. Duas, apenas, com a mesma idade que eu — algo como não menos que 30 e não mais que 40. Uma delas mora nos EUA. Doida varrida. Mora fora do país pois encasquetou que iria conhecer pessoalmente o Eddie Vedder, do Pearl Jam. Conseguiu, inclusive. Casou com um canadense e planeja o primeiro filho para 2012. Vai nascer, claro, na terra dos Obama.

E tem a Sabrina. A espetacular Sabrina. Todos meus amigos eram apaixonados por Sabrina. Nossas mães, irmãs, sempre foram muito amigas e estavam sempre juntas, principalmente nas festas da família. Iam ao shopping. Viajavam. Todo o domingo, tomavam chimarrão em um parque lá perto de casa. Eu ficava brincando com Sabrina. Escorregador, balanço, gangorra. Corre, corre, corre.

Só que a Sabrina cresceu. Eu cresci. Sabrina jogava handebol desde os 11 anos. E era o destaque do time, se é que você me entende. Eu praticava judô e até hoje acredito que muitos dos ippons que consegui em minha “carreira” se deu pelos gritos desconcertantes da Sabrina nas arquibancadas nos torneios em que participava. “Vai, Johnnyyyyyyyyyyyyyyyy”. Brincadeira. Eu sou bom no judô.

O problema é que depois da primavera vem o verão. As férias. A praia. O sol. O mar. Os biquínis. As saídas noturnas. A Sabrina tinha muitas amigas — mais ou menos como as meninas aí da foto acima. Fiquei com quase todas. Dois, três dias depois a Sabrina sempre deixava escapar alguma coisa que a amiga teria dito sobre mim. Depois da frase, pulava em meu pescoço como só as primas sabem fazer, me dava um beijo na bochecha e dizia “Aí, Johnny, hein?”.

Em uma das poucas noites em que eu e ela não nos demos bem em uma das tantas saídas em Tramandaí, voltávamos para casa, e ela resolveu me dar a mão. Já havia estranhado o beijo, safado, no cantinho da boca, quando nos encontramos, lá pelas 2h, com a turma toda no fervo, já. Pensei que poderia ter sido acaso. Mas o resto da noite mostraria que não.

Com a desculpa de que estava cansada, pulou em minha garupa dizendo “Ai, primoooo, me leva”. Foi quando toquei pela primeira vez nas coxas de minha prima de um jeito diferente — segurando firme, sabe? Para que ela não caísse de minhas costas. Ficamos quietos durante uma quadra. Ela agarrada em meu pescoço. Cravou a mão em meu peito. Começou a morder minha orelha. Perguntava se alguma das amigas já havia mordido daquele jeito. Continuei quieto. Em determinado momento, até pedi para parar, mas quem se importava? Virei o rosto. Ela me olhou daquela maneira sugestiva, pedindo um beijo. Eu atendi: smack.

Acabamos ficando mais de uma vez. Muitos beijos gostosos. Muita coisa boa. Sempre um final de noite diferente e divertido. Hoje, quando nos vemos, é visível o constrangimento e a vergonha da pergunta adolescente “o que foi que fizemos?”. Mas, depois, vem sempre a gargalhada que absolve: “Ah, e quem nunca fez?”

E se fosse ao contrário? Você, mulher, fosse trocada por outro homem?

26 de agosto de 2011 18

Foto: sxc.hu

Confesso que é difícil para mim entender os motivos que fariam um homem deixar sua mulher por outro homem. Não tenho amigos que fizeram isso, nem mesmo consigo imaginar tal fato ocorrendo comigo.

Conheço uma pessoa que “descobriu-se” gay. Estava com uma menina em momentos pra lá de íntimos e simplesmente travou. Percebeu que não era aquilo que queria para sua vida, hoje é homossexual assumido e lembra que desde pequeno se viu “diferente”: todos os amigos gostavam das meninas e ele tinha muito mais apreço pelos iguais.

Claro, o post não fala sobre isso, mas é apenas uma ilustração para exemplificar o contexto e uma das várias respostas para que fatos como a pergunta do post ocorram. Mas, então, lá vai: pela manhã, perguntamos o que os homens fariam se fossem trocados por uma mulher. E se fosse ao contrário? Você, mulher, fosse trocada por outro homem?

As vantagens de ser amante são muitas. Mas às vezes você quer algo mais do prato principal

23 de agosto de 2011 131

Foto: sxc.hu

Edgar comia tranquilamente seu bife. Era um bife de picanha ao ponto, com uma saudável capa de gordura da espessura de um dedo. Olhava para o bife e pensava em Marta, que acabara de deixar em casa. Daqui uma hora, calculou, ela estará de banho tomado à espera do marido, enquanto ele, Edgar, estaria a caminho de casa para terminar um relatório e assistir ao VT da Copa do Rei.

Mastigou mais um pouco e imaginou aquela suculência toda de bife sem o naco de gordura que o acompanhava. O toco de graxa era responsável direto por deixar a carne saborosa e, quando ingerido junto com ela, ampliava ainda mais essa sensação. Ela prolongava a razão de existir daquele pedaço de carne.

Óbvio que se ingerida em demasia, a carne com gordura lhe causaria uma série de problemas, mas com moderação, deus, como viver sem? Como seria possível gostar de um bife de picanha sem gordura? Ainda seria o mesmo bife de picanha? Tecnicamente sim, mas em se tratando de sabor, não chegaria nem perto.

Pensou na brigas que Marta relatava no trabalho com o marido e que a levaram para os motéis com Edgar. Ela era casada há pelo menos uma década e só agora decidira se entregar a outro. No entanto, deixou claro que não largaria do marido por nada. Edgar seria uma válvula de escape para uma fase conturbada e ele estava tranquilo com isso. Até aquela noite na churrascaria…

Sua relação com Marta era como um bife de picanha sem gordura. Era gostoso, tinha seu valor e seu sabor, mas nem de longe o mesmo que teria se fosse sua mulher. A gordura que tempera e dá razão ao dia a dia ele nunca teria.

Ser amante tinha todas as vantagens que ele já conhecia de outros casos que tivera, mas estava longe de conhecer um relacionamento verdadeiro. Até aquele momento, só comera carne sem gordura. Mantinha-se saudável, era verdade, mas sentia que seu paladar nunca havia sido explorado em todo o potencial. Não sabia o que eram as brigas por ciúmes bobos, a luta por equilibrar o orçamento de uma casa, o aconchego depois de um dia difícil, a doação abnegada de tempo e sentimento, um pedido de desculpas sincero, a grandeza de oferecer uma segunda (ou terceira…) chance, a esperança pelo sol depois de uma tormenta, uma reconciliação tórrida, flores enviadas sem motivo algum…

Edgar saboreou o resto do bife como nunca havia antes. E estava decidido a saborear a vida de outra forma também.

Quer gravar vídeos ou fazer fotos eróticas? Esteja preparado para o pior

18 de agosto de 2011 60

Foto: sxc.hu

Seria até engraçado se a questão não ficasse muito, mas muito constrangedora. Você e tua companheira se dão bem na cama, são satisfeitos sexualmente, algo que o casal nunca teve com nenhum outro parceiro. Já fizeram de tudo, curtiram o sexo como loucos, mas ainda assim querem apimentar ainda mais a relação. Decidem registrar momentos íntimos.

Primeiro, fotinhos dos pés, mãos, barriguinha. Mais alguns dias, imagens sem blusa. A coisa esquenta, o pudor diminui. O clima faz com que as fotos sejam com roupas íntimas. Não satisfeitos, passam para a última fase: os vídeos eróticos.

Acontece que o presente pode se tornar um inferno quando o futuro a Deus pertence. Você, hoje, está muito bem acompanhado, ama sua parceira(o) e tem plena certeza de que irá continuar com ela(e) para o resto de sua vida. Um pequeno deslize, uma discussão mais séria, uma crise daquelas que todo o casal passa. O relacionamento acaba.

E o ser humano é um dos piores animais entre os seres vivos. Ele é mau. Ele é vingativo. Ele não se presta apenas em ver o outro na pior — e aqui o termo pior tem vários significados, escolha o seu. O ser humano tem de pisar e estraçalhar com o próximo. Mas você não se contentou com as lembranças de forma abstrata, aquele pensamento gostoso que causa o riso safado de canto de boca. Teve de registrar tudo em fotos, vídeos. Em um momento de “lucidez”, ela(e) abre um dos tantos blogs gratuitos da web e publica tudo. Eu disse tudo!

Sabe o que você faz? Aguenta, samba-cancioneiro(a). Não adianta vir com a conversa de que “não conhecia teu parceiro(a) de verdade” ou que “confiava nele(a)” ou qualquer uma destas desculpas esfarrapadas as quais todo mundo que acaba na imensidão do www dá. Quer gravar vídeos ou fazer fotos eróticas? Esteja preparado para o pior.