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Posts com a tag "Sandy"

Dia do Sexo: aproveite a data sem a mínima moderação, mas escolha bem a parceira

06 de setembro de 2011 24

Foto: sxc.hu

Antes de mais nada, se você não entende o porquê de o dia seis de setembro ser o dia do sexo, pare de ler este post. Como eu tenho certeza de que os leitores do Samba-Canção são seres mais que evoluídos e muito cultos na arte das quatro paredes, sei que todos estão nesta parte do texto. Então fica a maior e mais importante dica: #camisinhasempre.

Hoje é o dia de você extravasar. Soltar tudo o que tem dentro de você. Não ligar para o que ele vai dizer se eu transar na primeira saída. Não ficar nem aí se a única pessoa que sobrou da lista é aquela saída confirmada do caderninho e que você sabe que é preciso apenas dar um toque que ela vai te ligar de volta para vocês irem no mesmo lugar de sempre. Deixe de lado o pudor pelas crianças estarem dormindo no quarto ao lado. Grite, esperneie, grunhe, arranhe, deixe a cama andar dois, três metros para os lados. Hoje, ao menos hoje, é o dia de você liberar qualquer tipo de dogma. Hoje é o Dia do Sexo!

E, claro, você terá de lembrar de nós, do Samba-Canção, naquele momento sublime. Afinal, você está se dando bem, mas amigos são lembrados em todos os momentos — principalmente nos bons. Então, quando você estiver mandando ver hoje à tarde, à noite, no pôr do sol, na madrugada.. enfim, quando você estiver, lembre dos samba-cancioneiros aqui e classifique sua parceira conforme as nomenclaturas abaixo:

Freira: aquela que vai chegar ao clímax não esquecerá de clamar ao Senhor “Ai, meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deeeeeeuuuuuuuuuuussssssssssssssss”
Matemática: além das posições milimétricamente pensadas e já estudadas na geometria, não deixará de jeito algum de lado a fórmula mais antiga da humanidade — a soma: “Mais, mais, mais….”
Mamãe: vai te passar talquinho e óleos de massagem no bumbum para depois mandar: “Vem pra cama, meu filho”
Infantil: a que adora brincar com o pirulito antes do esconde-esconde
Power Point: ideal para ser apresentada em festas, convenções
Proteção de tela: não serve para nada, mas te diverte
Homicida: você vai ser sacana e vai parar bem na hora agá, mas ela vai te ameaçar: “Se você parar agora eu te mato”
Cozinheira: enquanto você prepara o jantar ela está explicando a receita: “Mais, mais, mais…”

Há inúmeros tipo, amigo, mas estas já basta para você ao menos rir um pouco — seja agora ou, como já falamos, na hora do vamos ver. Entretanto, de todas as escolhas, fica o alerta para a mais perigosa: fuja da mulher vírus, aquela que quando você menos espera, se instala em seu apartamento e vai tomando posse de todo o espaço. E o que é pior: se pensar em desinstalá-la, vai perder muitas coisas — ou até mesmo tudo.

Os motivos que levam um homem a assistir a um filme pornô

13 de agosto de 2011 42

Foto: sxc.hu

O mais fácil seria dizer: “homem assiste a filmes pornôs porque dão tesão, ora bolas.” Você verá a seguir que é muito mais que isso. Desde o ato de ir até a locadora ou baixar um filme adulto na internet até o último suspiro do ator há muito ocorrendo. Esqueça masturbação. Esqueça as “coisas de homem”. E pensem no que vou escrever abaixo:

1) Assistimos a um pornô para aprender sobre sexo. Não. Não achamos que os berros, os gemidos e todos os “YES, YES, YES” são verdadeiros. Imagina: na vida real já tem muita mentira na hora do vamos ver, não seríamos idiotas ao ponto de acreditar em um mínimo orgasmo em um vídeo pornô. Mas é possível aprender onde, como, quando, por quê tocar aquele ou outro local qualquer. Como fazer e o quê fazer. Morder, apertar, abraçar, lamber, chupar. É bom lembrar que na hora “H” não teremos câmeras e não será uma profissional. Será uma mulher que ficará completamente louca com tudo o que vamos fazer a partir do que vimos na telinha.

2) Assistimos a um pornô para sonhar em um dia fazer aquilo na vida real. Sim! Queremos fazer tudo aquilo. Sabemos que são poucas que aceitam. E temos plena ciência que muitas de vocês — e nós também — não aguentarão o tranco das loucuras que acontecem em um set pornô. Afinal, temos tamanhos diferentes, intenções diferentes, jogos de sedução diferentes. Mas as taras são todas iguais. Aqui fica a dica: seja humilde e avalie-se. Deu negativo? Então não faça isso em casa!

3) Assistimos a um pornô e pensamos “onde existe uma mulher assim?”. Ok. Aqui você, mulher, vai dizer: “siliconadas, falsas, vagabundas…” Ora, não estamos falando apenas da estética. Estamos falando da falta de pudor. De ser totalmente desencanada sexualmente. Sexo anal? Topo. Oral? Chega mais! Na vida real, tem mulher que tem nojo de sexo oral. Anal, então? Tem de rolar uma trova do tamanho dos Lusíadas para acontecer. Sem contar os joguinhos e toda a brincadeira pra lá de gostosa que entre os atores até parece algo escatológico, mas que na intimidade e com um casal bem-resolvido na cama deve ser maravilhoso.

E vocês, samba-cancioneiros: por que assistem a um filme pornô?

Uma singela sugestão de leitura

28 de julho de 2011 14

Reprodução

O mundo virtual está em polvorosa com as declarações da cantora Sandy Leah Lima à revista Playboy que estampa Adriane Galisteu na Capa. Como noticiaram diversos portais de notícias por aí afora e vocês já puderam ler no twitter, a revista traria a seguinte declaração da cantora: “é possível ter prazer anal”. Isso, aliado à recente campanha publicitária da cerveja Devassa que pretendia vender a imagem de Sandy como uma moça mais… bem… devassa do que sua imgem pública angelical, fez a festa dos comentaristas de plantão no tuíter – chamando a atenção primeiro do próprio marido da cantora e depois da Sandy ela mesma, que já escreveu no twitter que sua declaração dada à revista não era exatamente aquela mas que valia a brincadeira.  O que aumenta os rumores de que mesmo essa confusão toda pode ser uma nova investida publicitária da cerveja, bem a calhar.

Este samba-cancioneiro em particular não pôde deixar de lembrar,  ao acompanhar à distância essa polêmica, de um livro que fica aqui como modesta sugestão de leitura às interessadas e aos interessados em explorar zonas literalmente mais profundas de seu próprio prazer. Em 2005, a editora Objetiva publicou por aqui um livro de memórias escrito por uma bailarina americana chamada Toni Bentley. O livro era o singelo relato de como a bailarina, separada aos 44 anos depois de um casamento frustrante, entregou-se a um caso com um rapaz que havia conhecido numa academia – uma relação que evoluiu para a prática contumaz de sexo anal, que a autora foi descobrir na idade madura como uma experiência transcendente às raias do místico.

A Entrega: Memórias Eróticas (Objetiva, 220 páginas, R$ 36,90) narrava a tentativa de Bentley de redescobrir o sexo após tantos anos de casamento. descreve sua perda da virgindade, o matrimônio traumático, relações monogâmicas insatisfatórias. Ainda uma mulher altamente desejável devido aos anos de prática intensa de balé, ela se entregou na maturidade a vários casos de ocasião até descobrir, com o cara que ela chamava de seu “amante alfa”, o “Homem-A”, que o sexo pela via de saída era uma forma de alcançar um orgasmo tão intenso que, para ela, assumia ares de experiência religiosa.

“Bem-aventurada, aprendi, ao ser sodomizada, que esta é uma experiência de eternidade num instante de tempo real. A sodomia é o ato sexual de confiança final. Quero dizer, você realmente pode se machucar – se resistir. Mas se deixar o medo para trás, literalmente ultrapassando-o, ah, que felicidade se encontra do outro lado das convenções. A paz que se encontra além da dor. Ir além da dor é a chave. Uma vez absorvida, ela é neutralizada e permite a transformação. O prazer em si é uma mera absolvição temporária, uma distração sutil, uma anestesia enquanto se está a caminho de algo maior, mais profundo, mais embaixo. A eternidade fica muito, muito além do prazer. E além da dor” – diz ela a determinada passagem.

Foi um milagre emocional e anatômico”, escreve em outra parte, recordando a primeira experiência anal. “Se eu tivesse andado sobre a água não poderia ter ficado mais maravilhada“.

No início, a autora aventou usar um pseudônimo, Madeleine Le-Clerc, uma adolescente que foi amante de Marquês de Sade de 1810 a 1814, quando o escritor morreu. Depois, optou por se identificar com a própria identidade. As descrições detalhadas de suas experiências – num vocabulário que mescla palavras de baixo calão com eufemismos – oscilam entre a prática e a teoria. Em um capítulo, a autora disserta sobre higiene íntima, modelos de lingerie e marcas de camisinhas e lubrificantes; noutro, filosofa sobre como o sexo anal a iniciou na espiritualidade. Criada em família ateísta, a pequena Toni sentia inveja das protestantes coleguinhas de balé. A busca por uma crença só teve fim quando preencheu seu “vazio interior”. Para ela sim o prazer anal não só é “possível” como é místico:

“Encontrei por acaso a grande piada cósmica, a suprema ironia de Deus. Entre pela saída. O paraíso está esperando.”

Ao todo, Toni conta detalhadamente as 298 vezes em que foi sodomizada pelo Homem- A. Ao fim do caso de três anos, rompido por iniciativa dela, um baú lacrado
passou a guardar os resquícios da história: em meio a bilhetes e fotos, “relíquias” como pêlos púbicos e preservativos usados. E, claro, as páginas do diário que mais tarde virariam livro:

“Além do mais, se eu não escrevesse aquilo tudo, ninguém jamais iria acreditar – muito menos eu. Não acreditava naquilo duas horas depois que ele deixava a minha cama. Então escrevi tudo, para fazer com que durasse mais. Para tornar aquilo real. As palavras pareciam a única forma de demarcar o terreno, de preservar minha  experiência transitória de eternidade. Este é um documento testamentário. Não percam a mensagem, distraídos pela profanação do ato. Sou, como você pode ver, uma mulher que andou buscando a submissão a vida inteira – para encontrar alguma coisa, encontrar alguém a quem pudesse submeter meu ego, meu desejo, minha desprezível mortalidade. Tentei várias religiões e vários homens. Tentei até um homem religioso. E aí ele me encontrou, o agnóstico que exigiu minha submissão.”

“Submissão” é, inclusive, o nome do título original em inglês: “The surrender”, o que também pode querer dizer “a rendição”. Dois conceitos aos quais ela se atém com particular insistência ao longo do livro, e que não deixa de ser o que motiva também os adeptos de práticas pouco usuais de sexualidade como o bondage e o sado-masoquismo fetichista: o prazer vêm da falta de controle, da ideia sempre presente de que o parceiro detém, ainda que em condições controladas e negociadas, o poder sobre o que vai acontecer com o outro.

“Uma vez, amei tanto um homem que eu mesma não existia mais – tudo Ele, não Eu. Agora amo tanto a mim mesma que nenhum homem existe – tudo Eu, não Eles. Todos eram Deus, e eu, uma invenção da minha própria imaginação. O mesmo jogo, posições trocadas. Não sei jogar de outra maneira. Alguém precisa estar por cima e alguém, por baixo. Lado a lado é um tédio. Tentei fazer isso uma vez durante alguns instantes loucamente confusos. A igualdade nega o progresso e evita a ação. Mas um alto e um baixo, bem, eles podem ir à Lua e voltar antes que os iguais consigam negociar quem paga, quem fica deitado e quem leva a culpa.

Minha transformação, entretanto, não foi de baixo para cima, mas de baixo para baixo: de minha desprezível submissão emocional a minha abençoada submissão sexual. Esta é a história da minha mudança – e do preço que paguei. Muito caro. Impossível de calcular.”

Já que se só se fala nisso – e para evitar as acusações reiteradas de futilidade que nos são atiradas ocasionalmente –, fica aqui, dado o mote, a sugestão do livro como o momento sacanístico-cultural de nosso blog.