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27 mai10:10

HSC realiza primeira cirurgia cardíaca na região

O primeiro passo para que o Hospital Santa Cruz (HSC) se torne referência em cirurgias cardíacas foi dado na tarde de sexta-feira, dia 20 maio. Uma equipe composta por médicos, anestesistas, enfermeiros e fisioterapeutas, coordenada pelo cirurgião Romeu Bertoia, realizou a primeira cirurgia cardíaca da história de Santa Cruz do Sul. O feito permitirá ao hospital, por meio da Associação Pró-Ensino em Santa Cruz do Sul (Apesc), dar início ao seu processo de credenciamento para cirurgias cardíacas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A paciente, a santa-cruzense Maria Inês Penteado Bachmann, 68 anos, foi diagnosticada pelo cardiologista Abdala Hamid com uma doença chamada estenose aórtica, que só pode ser curada com a cirurgia no coração, quando normalmente se substitui a valva cardíaca por uma prótese valvar. Orientada pelo médico, que também é o responsável pela implantação da cardiologia no HSC, ela optou por realizar a cirurgia em Santa Cruz do Sul. O procedimento foi custeado pela Apesc/HSC.

Segundo o cirurgião Romeu Bertoia, a estruturação do HSC visando à complexidade SUS em cirurgia cardíaca teve início há 10 meses. Para isso foram investidos R$ 1,2 milhão em equipamentos e material, além de capacitação da equipe multidisciplinar. O objetivo é obter o credenciamento para cirurgia cardíaca, cirurgia vascular periférica, procedimentos endovasculares, cardiologia intervencionista e eletrofisiologia, beneficiando a 8ª e a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, que representam cerca de 550 mil habitantes dos vales do Jacuí e do Rio Pardo.

- Estamos negociando com a Secretaria Municipal de Saúde a possibilidade de estabelecer um teto mensal de cirurgias enquanto o processo de credenciamento estiver em andamento – adiantou Bertoia. – Com a efetivação do processo, o HSC completará um ciclo, atingindo a todos os níveis de atendimento na área da cardiologia – complementou o gerente assistencial do HSC, Fernando Wegner.

Cirurgia

Antes da cirurgia, Maria fez apenas um pedido ao cirurgião Romeu Bertoia. – Ela disse que queria viver para completar 50 anos de casamento – contou o médico. Casada há 48 anos com Aurélio José Bachmann, Maria tem 15 filhos. O marido elogiou o atendimento e o acolhimento à família durante e após a cirurgia.

- Deu tudo certo, perfeito, não há o que reclamar – afirmou Bachmann. – De hora em hora recebíamos informações da equipe de enfermagem sobre o andamento da cirurgia – completou a filha Adriana, 40 anos.

A recuperação da paciente, conforme o cirurgião está transcorrendo dentro da normalidade. Maria já recebeu alta da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), onde realizou o pós-operatório imediato, e neste final de semana já deve receber alta do hospital. – Quero sair e voltar a trabalhar – disse a paciente.

Sobre a doença, Bertoia alertou que os pacientes podem não ter nenhum sintoma até um estágio mais avançado, quando costumam desenvolver falta de ar, dor no peito, palpitações e desmaios. – A aorta é a maior artéria do corpo humano e se origina diretamente do coração – acrescentou. – Quando o sangue é bombeado pelo ventrículo esquerdo, ele passa pela válvula aórtica para ser ejetado para toda a circulação sistêmica -

Na estenose aórtica, explicou o médico, a válvula não se abre completamente, o que restringe o fluxo de sangue, podendo acarretar em má perfusão cerebral, das artérias cardíacas (coronárias) e de outros órgãos do corpo humano. Para realizar a cirurgia da paciente Maria, foi necessário, após a abertura do osso esternal e da cavidade pericárdica, a instalação de uma máquina de circulação extracorpórea, responsável por assumir a função do coração e do pulmão durante a cirurgia. Após, com o coração parado e sob uma temperatura corporal de 32 graus, a válvula aórtica foi ressecada e implantada uma prótese constituída de pericárdio bovino.

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