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Já fui aguateiro

07 de outubro de 2013 0

Ocorreu-me hoje uma lembrança de infância. Como fui criança em torno do Morro da Polícia, em cujas fraldas está situado hoje  o Presídio Central, nas minhas andanças pelos matos descobri um dia uma cancha de jogo de osso escondida na mata.

Estavam sempre pela tarde reunidos naquele local cerca de 40 homens, uns eram aposentados, outros desempregados, alguns soldados da reserva da Brigada Militar.

***

Fui um dia furtivo juntar-me a eles e, como faltou naquela data o bocha, que é como se chama a pessoa que busca água para os outros, deram-me um barril comprido e me fizeram de aguateiro naquele dia.

Meu trabalho consistia em subir mais ainda uns 150 metros no morro e trazer de uma cacimba água pura e límpida para os apostadores do jogo de osso beber.

Eu fazia umas quatro ou cinco viagens por tarde de busca de água morro acima e abaixo, ganhava por cada uma cinco cruzeiros (que era a moeda da época).

Era sacrificante subir o morro e também carregar nas costas o barril de água. Mas adquiri estabilidade no improvisado emprego. Todos os dias, debaixo do sol, lá estava eu carregando água.

Lembro-me que, um dia, um soldado da Brigada Militar chamado de

Cassemiro perdeu nas apostas e me convenceu a emprestar a ele cinco cruzeiros, o que eu ganhava por uma viagem cansativa à cacimba. Emprestei-os e ele nunca me pagou, um dia fui cobrar-lhe na casa dele e fui enxotado, com ameaça de relho.

Como eu já fiz cada coisa em minha vida! Até aguateiro de cancha de jogo de osso.

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