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Se eu fosse...

09 de outubro de 2013 1

Se eu fosse cego, me contentaria com dezenas de fantasias que criaria em minha mente durante o dia.
Se eu fosse surdo, de alguma forma seria feliz por ter-me livrado das inconveniências que ouvem os que não são surdos, algumas das quais  acabam por infelicitá-los.
Se eu fosse mudo, não teria de ter cuidados e continências com as coisas que digo e que muitas vezes ferem os meus circunstantes.
Se eu fosse paraplégico, cuidaria de comprar, em algum lugar do mundo, uma cadeira de rodas que fosse mais veloz do que as outras todas e tivesse movimentação milagrosa, principalmente nos recintos das empresas e das repartições públicas, de tal modo que quase não sentiria falta das minhas faculdades automotivas.
Se eu fosse burro, no entanto, tenho certeza que seria mais feliz do que sou. A maior parte das minhas aflições derivam da minha lucidez, embora a felicidade inferior que tenho em razão dela seja um paraíso.
Mas, se eu fosse burro, eu teria a vantagem de ser contra o cercamento do Parque Farroupilha e não ser chamado de burro por ninguém em razão disso.

Comentários (1)

  • Alexandre Caetano Pereira diz: 9 de outubro de 2013

    Simples, objetivo, ao alcance de todos os paladares. Me recordo das lições de minha avó Carmen Vianna, poetisa e professora de dicção nos porões da cruz vermelha. Lembro-me igualmente das lições de meu pai, que acabou por emprestar seu nome ao Ambulatório do Instituto de Cardiologia. Não poderia deixar de mencionar minha mãe, tantas vezes restauradora do nosso Palácio Piratini. Ainda ontem prestigiei o lançamento do livro de meu tio Umberto Sudbrack sobre a chacina da candelária. Com tais bases familiares, e total identidade com tua escrita, ouso aderir a tua opinião.
    Os “sem parques”? se somarão aos “sem pontes”. Quanto custará o cercamento…

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