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08 fev12:57

Justiça gaúcha demite pela primeira vez um juiz

Everson Dornelles, RBS TV de Santa Rosa

foto: arquivo RBS TV Erechim

A decisão dos desembargadores do órgão especial do Tribunal de Justiça do Estado em demitir o juiz foi unânime, em sessão pública realizada na segunda-feira, dia 7. O juiz Marcelo Colombelli Mezzomo atuava na 1ª Vara Criminal no fórum de Três Passos. É a primeira vez que um magistrado do Judiciário gaúcho é demitido.

A acusação refere-se à conduta profissional. Na manhã do dia 29 de maio do ano passado, o magistrado foi até uma sorveteria de Três Passos e na hora de pagar fez comentários e elogios impróprios para a atendente Daniela Neuhaus, 22 anos. A atendente é nora da dona do estabelecimento.

A dona da sorveteria testemunhou a situação e confirma que o juiz não apresentava um comportamento normal, parecendo estar sob efeito de drogas.

Mezzomo só teria ido embora depois de muita insistência dos proprietários.

Ao saber de que se tratava de um juiz e com medo de perseguições, a família resolveu registrar ocorrência policial. Pouco mais de dois meses depois, foi instaurado um processo administrativo disciplinar para apurar as atitudes do magistrado.

O juiz já havia sofrido pena de censura por envolvimento em um acidente de trânsito e respondia vários processos por conduta inconveniente. Por esses motivos, ele estava afastado das funções. No local onde trabalhava, hoje pela manhã ninguém quis falar sobre o assunto.

Mezzomo era juiz desde 2007.

Sobre a acusação

O magistrado negou os fatos, afirmando ter dito apenas que a moça era muito bonita.

Para o relator do processo, Desembargador Luiz Ari Azambuja Ramos, a certeza dos fatos noticiados está alicerçada na firme versão das proprietárias da sorveteria. Salientou que não parece razoável a possibilidade de que as ofendidas fossem fantasiar uma situação inexistente, mesmo sabendo posteriormente que estavam acusando um Juiz de Direito da Comarca.

O relator também enfatizou que o Juiz já havia sofrido pena de censura em processo administrativo por envolvimento em acidente de trânsito e respondia a diversos outros processos por conduta inconveniente.

Concluiu que a conduta pessoal do Juiz foi incompatível com o exercício da magistratura, votando pela pena de demissão.

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