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05 set14:35

A gratidão de quem recebeu uma segunda chance de viver

Maristani Weiand, RBS TV Santa Rosa

Há exatos dois anos a região recebia o serviço de atendimento móvel de urgência, o Samu. Moradores de Santa Rosa, Santo Cristo, Tuparendi, Cândido Godói, Três de Maio, Giruá e Horizontina garantiram atendimento especial, palavras amigas, conforto e possibilidades de ter suas vidas salvas.

Neste período apenas em Santa Rosa já foram feitos 2.956 atendimentos, uma média de seis por dia. Um trabalho que exige profissionalismo e um emocional forte.

Uma ligação e a corrida contra o tempo. A busca do endereço no mapa e a angústia do inesperado. Médicos, enfermeiros e auxiliares, quando entram na ambulância e partem para o socorro dificilmente sabem o que realmente vão encontrar. Sabem apenas que uma ou mais vidas dependem do profissionalismo deles.

A cena de um jovem estendido após se acidentar de moto é recorrente. O primeiro atendimento é feito ali mesmo, na rua, e como uma verdadeira equipe cada um faz sua parte. Em poucos minutos em uma ambulância equipada com tudo o que é preciso, o paciente é conduzido ao hospital. O caminho pode ser curto, mas alguns momentos parece uma eternidade.

Para isso é necessário transmitir tranquilidade e confiança ao paciente.

“Como estava consciente do que estava acontecendo, que eu tinha perdido a perna e a Ariane, que estava comigo, o braço e a perna, estava muito tenso. O pessoal conversou e nos tranquilizou. Isso foi muito importante” –  comenta o estudante Eduardo Bartz.

A serenidade e o profissionalismo são essenciais na diferença entre a vida e a morte.

“Os pacientes necessitam de atendimento especial na chamada ‘hora de ouro’, que é aquele primeiro momento em que vai se definir entre salvar aquela vida ou prevenir o máximo de sequelas e complicações no futuro”, destaca o médico Giovani Kopacek.

Muitas vezes as ambulâncias se cruzam. Enquanto um paciente é entregue à equipe do hospital, outro aguarda pelo atendimento. O hospital muitas vezes é improvisado no quarto ou na sala de casa.

São feitos avaliação e alguns exames e quando o médico não acompanha, a equipe tem suporte por telefone. Um médico da central, que fica em Porto Alegre, orienta o que deve ser feito. Estabilizado, o paciente é encaminhado ao socorro especializado.

O pequeno Apolo abraça a médica que lhe devolveu a vida

Como presente de aniversário, alguns reencontros entre profissionais e pessoas que tiveram uma segunda chance de viver.

“Para mim, eles foram meus salvadores. Não tenho muito a falar. Só agradecer”, afirma emocionado o estudante Luís Fernando Andrades, ao reencontrar aqueles que lhe salvaram da morte em um acidente.

Esses profissionais trabalham apenas com a urgência e por isso enfrentam a morte diariamente. A recompensa vem em momentos como o reencontro do brilho dos olhos de uma criança e a consequente certeza de que venceram a batalha.

Apolo tinha um ano e um mês quando se afogou em um balde de água. Foi socorrido por uma equipe do Samu. Um momento inesquecível para a mãe, que por alguns instantes achou que perderia o filho.

“Eu vi o que eles fazem para salvar. Eles passam por cima de tudo para salvar uma vida”, conta a dona-de-casa Susana de Miranda, mãe do pequeno.

Momento inesquecível também para a médica Fernanda Guidolin, que hoje se emociona ao reencontrar o menino.

“Quando você ouve a mãe dizendo que o filho tem duas datas de nascimento e saber que você fez parte desse novo nascimento é incrível. Algumas vezes a gente não dá importância para algumas coisas que a gente faz, mas aquilo se torna tão significativo na vida das pessoas”, comenta a médica, com as lágrimas à vista, na presença da família reunida.

A recompensa do trabalho? O abraço apertado daquele que hoje sorri, graças à segunda chance possibilitada.

Pacientes e profissionais se encontraram em homenagem no Jornal do Almoço

Total de atendimentos em dois anos

Santa Rosa – 2,956

Três de Maio – 653

Horizontina – 771

Giruá – 573

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