clicRBS
Nova busca - outros
19 nov15:04

Presídios adaptam-se para receber detentas

Juliana Gomes, Zero Hora

A Penitenciária Modulada de Ijuí passará a contar com uma unidade feminina. Hoje, 26 presas em regime fechado ocupam galerias especiais reservadas do convívio com os 370 homens do local.

As dificuldades no uso do espaço comum limitam as mulheres a atividades como artesanato dentro das celas ereforçam a necessidade de um ambiente exclusivo.

Até o final do ano, um prédio anexo à penitenciária, hoje usado pela Brigada Militar para cursos, treinamentos e alojamento dos policiais que atuam na guarda, será adaptado para ser a primeira unidade feminina no Noroeste. O anexo deve abrigar presas de Ijuí e, conforme a necessidade, das cidades de Santo Ângelo, Cruz Alta, Santa Rosa, Santo Cristo, Cerro Largo, Três Passos e São Luiz Gonzaga.

Separado dos demais módulos por muro e com acesso independente, o prédio deve dispor de salas de aula, de trabalho e pátio só para elas.

_ A área de 549 metros quadrados é semelhante ao presídio de Charqueadas. Lá há 76 vagas, a nossa expectativa é de que em Ijuí possamos receber o mesmo público _explica o delegado penitenciário Irineu Koch.

Assim que a Brigada Militar deixar o local, a Susepe deve fazer o levantamento necessário para definir número de salas, celas, banheiros e refeitório a serem construídos. A partir daí será conhecida a dimensão do investimento.

Atualmente, na região Noroeste-Missões, são 160 detentas. Diante desse número, discute-se a adaptação de um presídio também em Santo Cristo.

Municípios como Charqueadas e Montenegro já tiveram penitenciárias adaptadas para atender o público feminino.


O projeto faz parte de um projeto de reestruturação da Susepe

O crescimento da população carcerária feminina é a razão dessas adequações. De 1995 a 2010, houve um aumento de 654,4% no Rio Grande do Sul.

A criação desses espaços faz parte de um projeto de reestruturação da Susepe e a expectativa é de que se tornem presídios com direção independente. Torres e Guaíba já têm penitenciárias destinadas especialmente para as mulheres.

Atualmente, as dificuldades não se limitam ao espaço físico. Quando uma presidiária do interior do Estado engravida, no oitavo mês, é transferida para Porto Alegre, para Penitenciária Madre Pelletier onde uma área materno-infantil possibilita a convivência entre mães e bebês.

_ Com isso, tiramos essas mulheres da sua região de origem, levando-as para longe das famílias, o que é um problema _ preocupa-se o delegado da 3ª Delegacia Penitenciária Regional Irineu Koch.

Por enquanto, só a Penitenciária Madre Pelletier e a Casa Albergue, ambas em Porto Alegre, dispõem de unidades materno-infantis no Rio Grande do Sul.

Até o fim deste mês, será inaugurada em Guaíba uma unidade como estas, um espaço lúdico, distinto das demais presas, para que a mãe conviva com a criança, tendo apoio médico e psicológico.

_ Com o tempo, queremos dispor dessas unidades em todas as nossas regionais. Essa é uma forma de oportunizar às mulheres permanecerem próximas às famílias e se reconstruírem como cidadãs _ afirma a delegada responsável pelas penitenciárias da mulher no Estado Maria José Diniz.


Bookmark and Share

Por

Comentários