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18 nov14:46

NÃO É CÉU: O progresso da permanência

Eduardo Matzembacher Frizzo*

A estrutura fundiária brasileira pouco se modificou no decorrer de toda história do país. Informações do Censo Agropecuário de 2006 realizado pelo IBGE, demonstram que no Brasil existem cerca de 329 941 393 propriedades rurais, sendo que deste total 7 798 607 tem menos de 10 hectares, 62 893 091 tem entre 10 e 100 hectares, 112 696 478 tem entre 100 e 1000 hectares e 146 553 218 tem mais de 1000 hectares, de onde se vê que propriedades com grandes extensões de terra ocupam mais de 43% da área cultivável do país, restando às pequenas propriedades 2,7% do total. Comparando-se esses dados de 2006 com o Censo Agropecuário realizado em 1985, nota-se que naquele ano havia no Brasil cerca de 374 924 421 propriedades rurais, das quais 9 986 637 tinham menos de 10 hectares, 69 595 161 entre 10 e 100 hectares, 131 432 667 entre 100 e 1000 hectares e 163 940 667 mais de 1000 hectares, do que se percebe que entre 1985 e 2006, as propriedades rurais de grandes extensões reduziram sua área em pouco mais de 10%.


Parece inevitável pensar que diante desses dados o Brasil necessita de uma política séria de Reforma Agrária. Apesar da grande imprensa nacional alardear as ocupações do MST como atos de terrorismo, de maneira alguma, no meu entendimento, essas ações podem ser classificadas como tais. Se o Art. 186 da Constituição fala que a propriedade rural deve velar pela sua função social e o Art. 3°, inciso I, diz que a sociedade brasileira deve ser pautada pela liberdade, pela justiça e pela solidariedade, as ações do MST por meio de ocupações e demais manifestações são plenamente legítimas, isto porque traduzem o apelo a transformações sociais necessárias por meio de reivindicações de um movimento popular.


Mas não se pode negar que muitas vezes existem excessos por parte de alguns integrantes do MST, os quais merecem punição. Também não se pode esquecer do fato de que certas pessoas se agregam ao movimento simplesmente por terem interesse em terras sem jamais ter trabalhado no campo. Mas em um país onde a própria estrutura fundiária é conseqüência de séculos de opressão ao pequeno trabalhador rural, o MST se mostra como um movimento democrático e justo pela distribuição de terras e consequente possibilidade de trabalho àqueles que estão à parte da estrutura social brasileira. Se hoje existe um “inchaço” urbano nas médias e grandes cidades do país, o qual encontra a falta de estrutura como uma das suas principais razões devido ao déficit habitacional, a falta de saneamento básico, a insuficiência de vagas de trabalho bem como ao analfabetismo, muito disso é efeito reflexo do fato de que durante o Regime Militar, por exemplo, centenas de famílias foram expropriadas de suas terras em razão de ações unilaterais do Estado, tendo de se dirigir para os grandes centros em busca de trabalho e sobrevivência. Uma das consequências sociais disso está na crescente criminalidade nas cidades brasileiras.


Quando todo esse cenário brevemente traçado é somado ao fato de que o Censo Agropecuário de 2006 também revelou que mesmo ocupando um total de 24,35% da área cultivável do país, a agricultura familiar responde por 38% do valor bruto da produção brasileira – o que significa que nessas terras são cultivados 1/3 de tudo o que é produzido no Brasil, mesmo que elas ocupem menos de 1/4 da área destinada para a produção agrícola do país –, a necessidade da Reforma Agrária parece ser ainda mais urgente, já que demonstra o importante papel das pequenas propriedades no cenário nacional, o qual certamente contribuiu para os recordes de produção no campo atingidos nos últimos anos pelo Brasil. Com certeza um movimento de massa como o MST traz consigo problemas que se encontram também em todas as camadas sociais brasileiras, como a violência irracional e o apadrinhamento de certos partidos e políticos em busca de votos nas eleições. Mas sonegar sua vital importância democrática é sacrificar a própria possibilidade de transformação social em prol de uma ideologia secular que faz toda lei sucumbir diante de interesses privados.


Como disse Luis Fernando Veríssimo, desde a saída da primeira missa do Brasil todos são a favor da Reforma Agrária, só que dentro da lei. O que acontece é que apesar da Constituição Federal proporcionar vislumbres do Paraíso com “justiça”, “liberdade”, “solidariedade” e “função social”, não diz dos meios de alcançá-lo, papel este que deveria ser assumido pela legislação infraconstitucional. Mas quando essa legislação se perde em labirintos legais que proporcionam reducionismos canhestros por parte do Judiciário, o que permanece é uma interpretação hegemonicamente hipócrita da sociedade brasileira diante desse assunto. Se Canudos foi destruída legalmente no início do século passado pelas tropas federais, sendo que hoje essa ação é vista com repudia, é possível que as próximas gerações enxerguem com a mesma repudia o atual pensamento brasileiro dominante sobre a Reforma Agrária. O que fica é uma apatia cômoda fundada em uma cultura plena de um individualismo patrimonialista que favorece sempre os detentores do poder econômico e político. Se a única Reforma Agrária efetiva que ocorreu no país foram as Capitanias Hereditárias distribuídas entre os invasores europeus, pouco importa. Se prevalecem as grandes propriedades de terra nas mãos de poucas pessoas e empresas, mais interessante é esquecer disso.

No Brasil o que vale é o progresso da permanência.

* Eduardo Matzembacher Frizzo é estudante, professor universitário, advogado e Mestre em Desenvolvimento pela UNIJUÍ


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16 nov14:01

VIDA ÚTIL: Da esteira para as ruas!

Kelly Meller*

Crescendo intensamente aqui no Brasil, a corrida de rua já entrou no ranking como 2ª modalidade de maior crescimento, perdendo é claro para o futebol, nosso esporte preferido entre os brasileiros.

Os benéficos de se praticar a corrida de rua são inúmeros, alguns fazem sua preparação física para competições, mas, o que mais se vê é o fato de, como é uma das modalidades que mais se previne contra a maioria das patologias, entre elas a prevenção e controle da hipertensão, controle da diabetes, entre outras. Como disse uma parceira minha de corrida ontem no treino “ as pessoas têm que entender que não corremos somente se temos alguma doença, mas sim porque queremos manter-nos saudáveis”. Isso é fato, na minha opinião ela tem o poder de tirar as pessoas de casa, dos maus hábitos, que são os principais causadores de doenças e do sedentarismo.

Começar a correr não é uma atividade fácil, precisa de muita determinação e dedicação. Por isso que é tão importante ter um profissional qualificado para ajudá-lo a ganhar resistência e vencer seus limites sem lesões ou frustações. Depois que se adquire este hábito, ele muda e salva vidas. “ Um dia bom é o que saímos para correr. O dia perfeito é o que conseguimos inspirar alguém para correr. KEEP RUNING… já estou começando achar isso”. Por um longo período costumava correr sozinha em alguns lugares da cidade, como no Clube Gaúcho e Colégio Santo Ângelo, onde existem pistas ótimas e a tranquilidade da corrida ao ar livre sempre me fascinou. Até que conheci o Grupo de Corrida DAY RUN e comecei a participar da corrida de rua em grupo.

O grupo DAY RUN, é um projeto de corrida de rua, com objetivos belíssimos, se você entrar e começar a participar, acho difícil que queira desistir, fica encantada com a alegria e disposição dos treinadores. O DAY RUN, iniciou suas atividades em agosto de 2010, é um projeto pioneiro na região, idealizado por um grupo de professores de educação física. Esses professores foram instigados à esse projeto após participarem dessas experiências de corridas em grandes centros. Eram atividades orientadas ao ar livre, uma grande opção para quem não gosta de exercícios em locais fechados. O DAY RUN, tem a corrida como prática, visando esta atividade para contribuir com a qualidade de vida da comunidade que dela participa.

Está organizada em três grupos: Iniciantes, Intermediário e Avançado. As três modalidades são orientadas por treinadores capacitados e extremamente competentes, entre estes uma das idealizadoras desse projeto é a profissional de educação física Vanusa Alves, que deixa o convite à comunidade: Durante o mês de dezembro nossas corridas acontecem com saída da praça da catedral, todas as terças-feiras e sábados, às 7 h e às 19 h.

Crescendo intensamente aqui no Brasil, a corrida de rua já entrou no ranking como 2ª modalidade de maior crescimento, perdendo é claro para o futebol, nosso esporte preferido entre os brasileiros.

Os benéficos de se praticar a corrida de rua são inúmeros, alguns fazem sua preparação física para competições, mas, o que mais se vê é o fato de, como é uma das modalidades que mais se previne contra a maioria das patologias, entre elas a prevenção e controle da hipertensão, controle da diabetes, entre outras. Como disse uma parceira minha de corrida ontem no treino “ as pessoas têm que entender que não corremos somente se temos alguma doença, mas sim porque queremos manter-nos saudáveis”. Isso é fato, na minha opinião ela tem o poder de tirar as pessoas de casa, dos maus hábitos, que são os principais causadores de doenças e do sedentarismo. Começar a correr não é uma atividade fácil, precisa de muita determinação e dedicação. Por isso que é tão importante ter um profissional qualificado para ajudá-lo a ganhar resistência e vencer seus limites sem lesões ou frustações. Depois que se adquire este hábito, ele muda e salva vidas. “ Um dia bom é o que saímos para correr. O dia perfeito é o que conseguimos inspirar alguém para correr. KEEP RUNING… já estou começando achar isso”. Por um longo período costumava correr sozinha em alguns lugares da cidade, como no Clube Gaúcho e Colégio Santo Ângelo, onde existem pistas ótimas e a tranquilidade da corrida ao ar livre sempre me fascinou. Até que conheci o Grupo de Corrida DAY RUN e comecei a participar da corrida de rua em grupo.


O QUÊ? GRUPO DE CORRIDA DAY RUN

ONDE? PRAÇA DA CATEDRAL

QUANDO? TERÇAS E SÁBADOS, ÀS 7 HORAS E ÀS 19 HORAS.


* Kelly Cristina Meller,é enfermeira, Especialista em UTI e Oncologia, Mestre em Ciências da Saúde PUC/RS e repórter do clicrbssantoangelo.


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16 nov13:49

Laboratório Unimed qualifica profissionais

O Laboratório Unimed Missões realizou durante três dias treinamento e qualificação profissional com os seus bioquímicos sobre microbiologia.

O treinamento envolveu uma grande programação com a revisão e discussão dos controles internos/externos, novos antibióticos, fluxograma, realização de práticas entre outras atividades.

A qualificação foi realizada pela consultora e mestre em microbiologia Beatriz Schlatter Hasenack, de Porto Alegre.

“A importância deste treinamento se dá pela atualização que estamos realizando no setor de microbiologia, tanto na parte de identificação de bactérias quanto na parte de utilização de antibióticos mais adequados”, salienta o responsável técnico do Laboratório Unimed Missões, Diogo Morari.

As experiências adquiridas também auxiliarão o serviço no controle de qualidade. “A partir disso, iremos reestruturar nossas rotinas e padronizar com a utilização do que há de mais correto nessa área, oferecendo qualidade e excelência a todos os nossos clientes”, acrescenta.

Os treinamentos realizados pela cooperativa têm o objetivo de incentivar o colaborador a se auto-desenvolver buscando aprendizado contínuo, oferecendo novos conhecimentos e o desenvolvimento de comportamentos necessários para o bom andamento do trabalho visando o atendimento dos clientes.

O Laboratório Unimed está localizado na sede da Unimed Missões, com acesso pela Getúlio Vargas e horário de atendimento das 07h. às 12h. e das 13h30min às 17h30min.


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14 nov14:06

ESPAÇO SUA CASA: Organizando óculos de sol

Tatiana Hochheim Pinheiro*

O calor não deixa dúvidas, o verão está chegando e com ele a venda dos óculos de sol. São tantos, um mais lindo que o outro, que chega a um ponto que nossas gavetas ficam cheias.

Mas por que esconder acessórios tão lindos dentro de uma gaveta pegando pó?

Ai vai uma idéia para você que adora seus óculos de sol e acha que eles merecem um pouco mais de destaque dentro de sua casa:

Você vai precisar de:

- Arame fino

- Parafusos com ponta arredondada

- Trena ou régua

- Chave de fenda com ponta fina

- Tesoura

- Lápis

- Uma moldura de quadro ou porta retrato grande.


Primeiramente marque onde serão os furos, use a régua ou a trena para deixar reto.

Faça os furos com a chave de fenda, cuidado com as mãos.


Logo após prenda os parafusos com a ponta arredondada e passe o arame prendendo com algumas voltinhas.


Você pode pintar a moltura da cor que preferir e após colocar seus óculos de sol.

Não parece que estão voando?

Uma idéia simples que pode simplificar seu dia-a-dia.


*Tatiana Hochheim Pinheiro é Designer de Produto e Interiores formada pela UFSM

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13 nov14:27

Santo Ângelo realiza Semana Municipal de Alimentação

Uma cerimônia realizada na manhã de quinta-feira, 10, no auditório do Centro Municipal de Cultura marcou oficialmente a abertura da Semana Municipal da Alimentação, que tem como tema este ano “A Alta dos Preços dos Alimentos: Da Crise a Estabilidade”.

Durante o encontro, o prefeito em exercício, Adolar Queiroz chmou a atenção de que “A fome e o desperdício de alimentos são dois dos mais relevantes problemas enfrentados atualmente, e as ações alusivas ao Dia Mundial da Alimentação, comemorado no dia 16 de outubro são importantes para o enfrentamento do problema”, comentou. Na solenidade de abertura na manhã de quinta-feira, aconteceram pronunciamentos da Senhora Moema Becker, do Secretário de Agricultura Diomar Formenton, do Secretário de Assistência Social André Marques, e do prefeito no exercício Adolar Queiroz. Logo após os pronunciamentos, palestras foram realizadas por integrante da Emater e Nutricionistas do Município de Santo Ângelo.

Em Santo Ângelo, o “Dia D” acontece em 18 de novembro, com uma caminhada que terá início no Centro Histórico, às 8h30min, e seguirá pela Marqueês do Herval e Avenida Brasil culminando na Praça Leonidas Ribas onde acontecerá intensa programação durante o resto do dia. No local, comunidade poderá participar de ações como avaliação nutricional e orientações de cardápio de acordo com as safras, informações sobre o aproveitamento integral de alimentos e dicas de como selecionar produtos e preparar alimentos de forma mais saudável.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Brasil produz 25,7% a mais de alimentos do que necessita para alimentar a sua população e, mesmo assim, conta com milhares de excluídos sem acesso ao alimento. “Diante dos dados, percebemos a importância de conscientizar e informar a comunidade sobre formas de reaproveitamento de alimentos. Nosso objetivo é chamar a atenção da comunidade quanto à importância do combate ao desperdício de alimentos”, explica a nutricionista e coordenadora do PAA, Vera Scherbaun.

O evento é uma realização da Prefeitura de Santo Ângelo através das secretarias municipais de Assistência Social, Educação, Agricultura, Saúde, Cultura, Lazer e Juventude, e Turismo e Esportes e tem como entidades parceiras a Emater, Arad, Brigada Militar, Corsan, Iesa, Uri e Unimed/Missões.

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13 nov12:53

LEO's Clubes em expansão

Os santo-angelenses Daniel Braga Nascimento (Coordenador de Extensão e Preparação de Lideranças do Distrito LEO LD-4), Bruna Nascimento (Coordenadora Distrital de Campanhas), Laís Andrade (Diretora de Comunicação do LEO Clube Santo Ângelo Centro) e Isabel Cristina Câmara (Presidente da Região C de LIONS Clubes do Distrito LD-4) realizaram palestra motivacional e de tratativas para fundação do LEO Clube Cruz Alta. A ação aconteceu na sede do Lions Clube Cruz Alta com a participação dos companheiros daquela entidade.

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13 nov12:43

Exposição mostra acervo dos 50 Anos da Legalidade

Uma exposição itinerante do museu da Brigada Militar do Estado do Rio Grande pode ser apreciada pelo público até a próxima segunda-feira, no Museu Municipal Olavo José Machado.

Nesta semana, o prefeito em exercício Adolar Queiroz, o secretário de Turismo e Esportes Vinicius Makvitz, o subsecretário Luiz Carlos Benitez, visitaram as dependências do Museu para acompanhar a exposição.

Segundo informações da diretora do Museu, Clotilde Farias, o acervo estará à disposição da comunidade, até o domingo, dia 13.

A mostra relembra fatos marcantes da luta travada para garantir a posse de João Goulart na Presidência, em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros. Com a renúncia do então presidente da República, Jânio Quadros, os militares queriam impedir que o vice-presidente, João Goulart, que estava em visita à China, assumisse o cargo. Surgiu, assim, um movimento de resistência, em favor da democracia, para garantir que se cumprisse a lei e que a posse de Jango se concretizasse. No local podem ser vistos armamentos, objetos e cartazes que retratam o período.

Fonte: Assessoria de Imprensa PMSA

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13 nov12:39

Brique da Praça comemora 20 anos

Os 20 anos do Brique da Praça estão sendo comemorados neste domingo em Santo Ângelo. Nesta manhã, foram homenageados imprensa, expositores e autoridades com um grande evento.

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11 nov20:24

Não é Céu: 34334897

Eduardo Matzembacher Frizzo*


O lado bom da vida só se revela de ladinho. Todo o resto é conversa de ópio. Talvez devêssemos dar crédito a quem vira amigo das traças. Mas se bibliotecas fossem importantes, o mundo não estaria abarrotado de arquivos que contém pastas que por sua vez trazem consigo todos os nossos dados. Chegará o dia em que traremos um chip implantado nas nádegas logo após o nascimento. Quando precisarmos entrar em uma repartição pública, por exemplo, mostraremos nosso traseiro a um scanner vermelho ou roxo que dirá da veracidade ou não das informações contidas no solitário pedaço de silício encravado em nosso adiposo tecido detrás.


Mas acho que esse tempo já chegou. Não da maneira como afirmo, certamente, mas que chegou, chegou. A comprovação é a quantidade de vezes que o indivíduo tem de fornecer o CPF no decorrer da vida. Se contabilizarmos, falamos mais aqueles onze números da carteirinha azul que nossa própria alcunha de batismo. Quem sabe, para o bem do sistema que é a vara de marmelo da coletividade, não deveríamos mais ser identificados por letras, mas por números. Toda identidade existe para os outros, jamais para nós. Se é assim, o que chamamos de nome seria nosso apelido e o que chamamos de CPF seria nosso nome. Não ficaria mais prático? Quem disser “não”, jamais ligou para um 0800 ou foi a um guichê de banco.


Apesar disso, não há motivo para dramas. De mexicanas, bastam as novelas. Se dramas valessem alguma coisa, alguém lembraria da Maria do Bairro. Mas ninguém lembra. No máximo ela virou oito minutos de vídeo besta-cult no YouTube. E todos aqueles nomes compostos, como Alfredo Guilherme, Olavo Gustavo, Pedro Rodrigo e Renata Fabíola, passaram a ser motivo de piada entre os funcionários dos cartórios desse Brasil. Como se percebe, isso apenas atesta minha tese de que se nos chamássemos por números ao invés de caracteres abecedários, seríamos muito mais racionais, concisos e menos idiotas pelos cantos da existência.


Acontece que a moda não pegaria. Mesmo que estatísticas embasadas pelos mais rigorosos métodos de pesquisa digam quais serão os rumos das eleições, essas pesquisas nada seriam se não houvesse o nome dos candidatos por baixo das porcentagens. Se o nome do candidato fosse um número e você tivesse que digitar outros tantos números para votar no sujeito, imagine o banzé. Haveria protestos mundo afora defendendo o direito ao prenome e ao sobrenome, dizendo que os numerais, no máximo, poderiam servir para identificar os miseráveis, isto com a única intenção de que as políticas sociais, bondosas por natureza, pudessem atingir um montante cada vez maior de pobres coitados. E convenhamos que esse argumento poderia ser implantado como lei hoje mesmo, caso o Congresso Nacional não fosse a casa da hipocrisia brasileira – e portanto reflexo de todos nós, comprometidos com a petrificação da miséria do nascimento à morte, o que move carreteiros dançantes e descontos no Imposto de Renda.


O que dá para perceber da impossibilidade efetiva do que defendo, é que não somos um povo prático. Gostamos de carimbos, formulários, filas, funcionários mal-humorados, protocolos, senhas e tudo aquilo que acompanha essa coisa que tanto criticamos e amamos chamada “burocracia”. Até mesmo minha proposta é um sintoma dos miolos burocráticos que trago comigo, os quais servem, ao menos na teoria, para racionalizar as operações estatais, de modo que nenhum cidadão seja privado do braço forte e da mão amiga que essa entidade invisível que denominados “Estado” crava em nós.


O fator complicador se refletiria principalmente nas músicas. Mais precisamente no que insistem em chamar de “sertanejo”, seja “colegial”, “maternal” ou “universitário”. Como falar “eu te amo” para um número? Como mandar um número catar coquinhos nas margens do Arroio Dilúvio? Seria o cúmulo da higiene. Mas se os campos de concentração nazistas foram tão eficazes em suas pretensões de extermínio ao nominar os prisioneiros com algumas siglas numéricas, certamente acharíamos uma saída para o dilema. Bastaria alterar umas rimas daqui, umas rimas dali, elencar o número 7 ou o 19 (que rima com “love”) como símbolo da paixão, que tudo estaria resolvido. Os numerólogos perderiam seus empregos, mas poderiam ser contratados como técnicos de uma nova ordem baseada unicamente na matemática. Se ninguém entende o sistema tributário desse país, há algum motivo para não contratar os sábios da metafísica dos números para elencar as novas espécies de impostos que recairiam sobre os cidadãos brasileiros? É claro que nada impediria essa prática.


Se as coisas estão do jeito que estão, se ao invés de buscar alternativas para salvar o planeta vasculhamos o espaço para achar outro planeta que consumir, melhor mesmo é aceitar nossa condição de civilização suicida que permanecer na enganação sadia de uma happy hour e achar que esse é o auge da felicidade, desde que somado a um foundie com queijo uma vez por ano em Gramado. Eu gostaria de me chamar 34334897 pelo simples motivo de que não tenho a menor idéia do que significam esses números. Se houvesse algum sentido nessa sequência, desconfiaria da coesão dos próprios numerais e tudo se tornaria tão sem graça quanto frases pós-coito. O lado bom da vida é que, para ela ter um lado bom, sempre podemos variar de posição. Ou, se não seguirmos o conselho de qualquer sexóloga e mesmo daquele guia para ginastas que é o Kama Sutra, inventar algumas outras que nos dariam mais prazer que dor. Tudo codificado numericamente, óbvio, ainda que os geômetras, afeitos a conceitos que nunca entendi, como “triângulo retângulo”, perdessem completamente sua escassa sanidade, terminando seus dias em um manicômio denominado “Pitágoras”.

* Eduardo Matzembacher Frizzo é estudante, professor universitário, advogado e Mestre em Desenvolvimento pela UNIJUÍ


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09 nov23:14

IESA realiza Seminário de Direito Previdenciário nesta sexta

O IESA realiza nesta sexta, dia 11, um Seminário de Direito Previdenciário.

O público alvo são advogados, servidores públicos, acadêmicos e demais interessados na área.

O evento inicia às 15h30, com o credenciamento. Às 16h acontece a abertura. A primeira oficina será sobre o tema “Segurados especiais – particularidades e comprovações”, com Jane Berwanger. Ela é mestre em Direito, doutoranda em Direito Previdenciário PUC – SP, professora universitária e advogada previdenciarista.

A segunda oficina será sobre “Perícia Médica Previdenciária: aspectos judiciais”, com Jorge Vidal dos Santos, especialista em Direito Previdenciário e Responsabilidade Civil e advogado previdenciarista.

Já a palestra magna está agendada para às 20h, com o reconhecido advogado Wagner Balera. Ele falará sobre “Reforma Previdenciária – desafios e perspectivas”. Balera é advogado, professor da PUC – SP, mestre em Direito Tributário, doutor em Direito das Relações Sociais, professor de Direito Previdenciário e de Direitos Humanos.

O evento acontece no auditório Vermelho do IESA. As inscrições devem ser feitas no site do IESA. O investimento é de R$ 30,00 para profissionais em geral e R$ 20,00 para acadêmicos. Será fornecido certificado de 10 horas.


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