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Rômulo Gustavo Müeller

25 jul12:00

O adeus de Rômulo Müeller

A luta de Rômulo Gustavo Müeller contra o câncer terminou no sábado, no Hospital Santo Ângelo. Aos 28 anos, Müeller era formado em Direito pelo Instituto Cenecista de Ensino Superior de Santo Ângelo (Iesa).

Em 2007, ingressou na Advocacia-geral da União, como procurador federal, função exercida em Santo Ângelo. Antes, já havia passado em outros quatro concursos públicos, trabalhando no Banco do Brasil, Banrisul, Fórum de Santa Rosa e nos Correios.

Amante do futebol, o santo-angelense mantinha uma coluna de esporte no ClicRBS Santo Ângelo, com grande retorno dos leitores, quando o assunto era a dupla Gre-Nal.

Para a família, fica a certeza de que ele buscou superar a doença com toda a força possível. Deixa, além da mulher, Maira Jappe, pais e dois irmãos. Müeller foi sepultado ontem no Cemitério Parque Jardim da Paz.

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25 jul10:21

TOQUE DE LETRA: Um abraço apertado em um grande amigo

Luís Fernando Belmonte, leitor-repórter*

Todo jornalista sabe que terá de escrever sobre coisas boas e ruins, às vezes tudo no mesmo dia, na mesma hora. Mas nem sempre é simples. Não é fácil preencher uma página com aquilo que te incomoda. Bom seria se todos os textos contassem coisas boas a quem lê. E fossem um prazer a quem escreve.

Em 1996, na oitava série, o futebol nos uniu. Rômulo Gustavo Müeller e eu líamos e ouvíamos sobre futebol em jornais, emissoras de rádio e TV. Ele, gremista. Eu, colorado. E trocávamos ideias sobre este e outros esportes com grande respeito. Ele sempre foi mais metódico e compreendia tudo o que acontecia em campo. Se um jogador estava fora de posição, se o técnico escalava mal um atleta. Um estudioso.

Lembro de ter lido textos dele em A Tribuna Regional e na coluna do Hiltor Mombach ainda nos tempos de escola. Até um jogo ele comentou pela Rádio Sepé AM em 1997, com 15 anos. Grande figura. Eu também gostava disso tudo. Tanto que, com apenas 16 anos, ingressei na mesma emissora e ali permaneci por um ano. Sabíamos os nomes de todos os colunistas de jornais e comentaristas de rádio e TV.

Nosso grande feito ocorreu em março de 1999. Estudantes do terceiro ano do Ensino Médio, ele e eu tivemos a ideia de confeccionar uma faixa contra o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, que havia tirado do time local, o Santo Ângelo, um direito conquistado em 1998 e que, se tudo fosse como combinado, seria usufruído no ano seguinte. Não lembro o que era, acho que vaga para um campeonato. Então, juntamos as moedas e pagamos R$ 15 para que nos fizessem uma faixa com a frase “Fora, Perondi” bem grande. Escolhemos o primeiro jogo do Campeonato Gaúcho de 1999 para apresentar ao público nossa obra de arte. Antes da partida entre Santo Ângelo e Santa Cruz, Rômulo, meu irmão Carlos Henrique e eu, entramos em campo e fizemos a “volta olímpica”, sob aplausos de quase cinco mil pessoas no Estádio da Zona Sul. Que momento!

O tempo seguiu e ele escolheu o curso de Direito. Eu decidi que seria jornalista. Estudamos, nos formamos, cada um em sua área, mas com a amizade sempre bonita e fortalecida pela grande quantidade de amigos que tínhamos em comum. Era fácil estar “em turma”. O tempo só nos uniu. Estávamos juntos em festivais de música, shows, jogos de fins de semana em algum ginásio (“cada um dá dois pilas”) ou em churrascadas de amigos.

Foi em uma festa em Ijuí, em 2007, que ele me contou sobre o câncer. Acreditei na hora. Ele nunca ingeriu bebida alcoólica. Era séria a conversa. Mas ele, como bom amigo, procurou diminuir o valor do problema dizendo que não era de se preocupar. Até doente ele não queria os amigos tristes.

Com o passar dos anos, o tratamento, as incontáveis viagens para o Sírio Libanês, em São Paulo, e Santa Maria, não foram apenas os cabelos que diminuíram. A doença foi lhe tirando, aos poucos, o que lhe fazia viver com vontade. Primeiro, precisou se afastar do trabalho (em 2007, passou em um baita concurso e se tornou procurador federal, função que lhe dava muito orgulho). Depois, teve de parar de jogar futebol, pois não tinha mais a força de antes. Por fim, as festas ficaram cada vez menos frequentes, o contato com os amigos também (nem sempre era possível visitá-lo em função de sua condição) e, em quatro anos, ele percebeu que havia perdido quase tudo aquilo conquistado sem muito esforço nos outros vinte e poucos.

Rômulo ao lado de Maira, em maio de 2010. Dois amores em um mesmo momento: a esposa e o Grêmio

Há alguns anos, em 2008, ele conheceu a Maira e se disse apaixonado. Nunca havia falado isso sobre outra mulher. Tanto que em 2010 eles casaram. E eu fui o fotógrafo do evento. Meu amigo Rômulo, finalmente, casado. Uma cena que poucos imaginavam, até então. Mas o bom é que foi com a pessoa certa. Maira se transformou na grande companheira dele nesta difícil caminhada. Como amigo do Rômulo, agradeço a ela por ter cuidado com tanto amor do nosso brother de todas as horas.

Em 2011 ele teve a chance se ser o colunista de esportes do clicRBS. Buscando articulistas para o clicRBS Santo Ângelo em diversas áreas, lembrei dele para ser o responsável pelo texto de opinião esportiva do site. E ele cumpriu a tarefa toda segunda-feira, com vontade e interesse. Era tão responsável que, há alguns dias, após seu primeiro coma, despertou e pediu à Maira que eu escrevesse por ele a coluna daquela semana para que os leitores não ficassem sem o texto. Com tanta coisa para pensar e se preocupar, mais uma vez o Rômulo lembrou de ser o de sempre. Há um mês, me falou que era interessante o momento que vivíamos. Nós, que sempre lemos e ouvimos os outros, estávamos produzindo, como nossos ídolos do passado. Ele, no clicRBS. Eu, na Rádio Sepé AM.

Na tarde de sábado, eu, o jornalista, não produzi, mas recebi a notícia mais forte do dia. Triste, pesada. Talvez, já esperada. No Hospital Santo Ângelo, meu melhor amigo Rômulo Gustavo Müeller ouviu o apito final. Lá de cima, Deus lhe chamou para voltar aos campos de onde veio, há quase 29 anos.

No time dos bons anjos, agora ele joga em outra dimensão. Veste o branco da paz, flutua entre as nuvens e dribla qualquer tristeza. O sofrimento já passou. Agora é o momento de sentar no gramado e ouvir do Grande Treinador que sua passagem por aqui foi das mais belas.

Que nossas lágrimas, aqui de baixo, não te causem tristeza, grande amigo. Receba como gotas de agradecimento por todos os momentos felizes que tivemos contigo. De nossa parte, a certeza de que Deus recebe em sua equipe mais um craque.

Este texto é dedicado ao Seu Aloysio, Dona Irene, Fábio, Janine, Maira e a todos nós, eternos amigos do Rômulo, Romulário, Kapital, Guguinha…

*Luís Fernando Belmonte é jornalista e fotógrafo profissional.

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25 jul10:12

Definido o vencedor da promoção TOQUE DE LETRA

Na coluna Toque de Letra da semana passada, Rômulo Gustavo Müeller escalou um time de gentílicos:

“Você sabia leitor, que dá, com os jogadores do campeonato brasileiro, para escalar um time só com jogadores que carregam o gentílico (cidade ou estado natal)? Falta encontrar o goleiro. Lá vai a escalação: lateral direito – Maranhão (Coritiba), zagueiro – Edu Dracena (Santos), Zagueiro – China (América Mineiro), lateral esquerdo – Pará (Santos), volante – Marquinhos Paraná (Cruzeiro), volante – Davi Ceará (América Mineiro), Meia – Carlinhos Paraíba (São Paulo), atacante – Wellington Paulista (Palmeiras), atacante – Ronaldinho Gaúcho (Flamengo), atacante – Junior Viçosa (Grêmio). Claro que China é apenas uma coincidência com o nome do país oriental.”

Diante disso, lançou um desafio aos leitores:

Quem conseguir escalar um goleiro (pode ser da segunda ou terceira divisão) ganha uma camiseta oficial da Seleção Brasileira!

Passada uma semana, vários leitores participaram, mas o vencedor do prêmio foi EDUARDO LUFT DE ALMEIDA.

Em nossa última conversa com o colunista, ele explicava a vitória:

_Eduardo Luft Almeida é o vencedor. Ele cita o goleiro Rodolfo Romano do Ipatinga de Minas na escalação do nosso time_disse.

Parabéns ao Eduardo e o nosso agradecimento a todos os que participaram da promoção!

Eduardo, aguardamos o seu contato para receber a camiseta oficial. Nosso endereço é o participe@clicrbssantoangelo.com.br ou pelo telefone 55 3313- 7022.

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18 jul16:35

TOQUE DE LETRA: Fiasco da Seleção Brasileira

Rômulo Gustavo Müeller*


Não interessa que tenha sido nos pênaltis. Um time das qualidades individuais do Brasil sucumbir ao limitado futebol paraguaio é vexatório para a tradição que carregamos na modalidade. Sobre o jogo não há muito a comentar: ambos os times apáticos esperando o tempo passar e que chegassem logo a prorrogação e os pênaltis. Uma vergonha!

Fiasco nos pênaltis

Nunca na história da Seleção todos os pênaltis tinham sido desperdiçados pelos jogadores. E essa história de colocar a culpa na areia do gramado só aumenta o tamanho do fracasso, afinal os paraguaios bateram e fizeram as cobranças no mesmo lugar e tiveram mais competência.

Carreira em decadência – parte 3: como sair por cima!

Zico e Pelé não foram os melhores da história só dentro de campo. Até na horar de encerrar a carreira foram craques em suas escolhas. Pelé encerrou em 1977, aos 37 anos, jogando no Cosmos dos EUA e ensinando os americanos a jogar futebol. Zico foi desenvolver o futebol no Japão e dava xou aos 42 anos, deixando os japoneses perplexos com jogadas até hoje lembradas. É considerado o Charles Miller do futebol japonês. Toninho Cerezo jogou bem até os 42 e encerrou como campeão do mundo pelo São Paulo. Numa segunda linha Petkovic e Washington encerraram jogando bem e não queimaram seu filme à toa. Fábio Luciano coroou o encerramento da carreira com um título brasileiro pelo Flamengo em 2009;

Time de gentílicos

Você sabia leitor, que dá, com os jogadores do campeonato brasileiro, para escalar um time só com jogadores que carregam o gentílico (cidade ou estado natal)? Falta encontrar o goleiro. Lá vai a escalação: lateral direito – Maranhão (Coritiba), zagueiro – Edu Dracena (Santos), Zagueiro – China (América Mineiro), lateral esquerdo – Pará (Santos), volante – Marquinhos Paraná (Cruzeiro), volante – Davi Ceará (América Mineiro), Meia – Carlinhos Paraíba (São Paulo), atacante – Wellington Paulista (Palmeiras), atacante – Ronaldinho Gaúcho (Flamengo), atacante – Junior Viçosa (Grêmio). Claro que China é apenas uma coincidência com o nome do país oriental.



Desafio ao leitor: quem conseguir escalar um goleiro (pode ser da segunda ou terceira divisão) ganha uma camiseta oficial da Seleção Brasileira. Participe!

O presente é uma gentileza da Pontaria Esporte e Lazer.




Passando…

Lucas Leiva não é jogador de entradas fortes, mas mereceu a expulsão.

A Argentina também ficou de fora da Copa América na derrota por pênaltis.

O uruguaio Diogo Forlá foi o destaque do jogo.

Derrota do Inter para o São Paulo em casa prova que os gaúchos são meros coadjuvantes nesse campeonato.

Irmão do goleiro Renan (Inter) está trabalhando como auxiliar técnico no Grêmio.

Participação do leitor: toqdeletra@gmail.com

* Rômulo Gustavo Müeller tem 28 anos, é advogado, Procurador Federal e colunista de esportes do clicRBS Santo Ângelo

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11 jul11:12

TOQUE DE LETRA: Sucesso no esporte é protagonismo

Rômulo Gustavo Müeller*

Brasil empatou em 2 a 2 com o Paraguai neste sábado

O último final de semana ficou marcado por três fracassos antecipados do esporte brasileiro. Começou no sábado com a seleção canarinho jogando mal e a ausência de alguém para chamar a responsabilidade no jogo. Já no domingo a seleção feminina pressentiu do talento de Marta e foi eliminada pela seleção dos E.U.A. na semifinal da Copa do Mundo Feminina nos pênaltis. Por fim, a seleção masculina de vôlei foi derrotada na final da Liga Mundial pela Rússia, também faltando à partida um protagonista brasileiro.


Carreira em decadência – parte II – é hora de parar?

Prometi ao leitor e estou voltando ao assunto. Grandes jogadores tendem a esticar a carreira o máximo possível às vezes além do necessário. Romário era chamado por alguns cronistas de ex-jogador em atividade. Mesmo com esse rótulo ainda conseguiu emplacar uma artilharia de Brasileiro quando já veterano. Ronaldo aceitou ser motivo de piadas sobre seu peso por quase 2 anos. Edmundo poderia ter saído por cima, com uma ótima temporada que fez no Palmeiras, mas preferiu jogar mais um ano e amargou um rebaixamento no Vasco, manchando sua história vitoriosa no clube. Paulo Nunes, vendo que não dava mais, encerrou a carreira aos 32 anos quando só conseguia vaga em clubes sem expressão. Jardel ainda insiste, gordo e sem condições nenhuma de ser chamado de atleta. Túlio Maravilha é outro que alongou a carreira com o propósito de chegar aos mil gols. E tem um contrato com o Botafogo do Rio de Janeiro para jogar apenas a partida em que pode chegar à marca (o que, num futebol tratado com seriedade, jamais seria admitido pela legislação). Viola é outro que, fora de forma, aceitou rodar por times pequenos antes de parar.


Saída de Renato

Desde o episódio Kajuru ficou claro que projeto de Renato Portaluppi no Grêmio era tão somente um trabalho em prol da Libertadores. Na ocasião o treinador já deixou implícito na fatídica entrevista que não ficaria muito tempo no tricolor gaúcho. Maior ironia do destino acaba sendo o seu substituto, Julinho Camargo, ex-assessor de Falcão, logo oriundo do maior rival.


Futebol de salão movimenta a região

A partir de agosto começa a Taça RBS de futebol de salão e o torcedor apaixonado por essa modalidade volta a ter a opção de apreciar embates na quadra e com a bola pesada.


Passando…

Gilberto Silva foi muito bem ao estrear com gol diante do torcedor. Mostrou se encaixar como jogador cascudo.

No entanto, a vitória do Grêmio foi sobre o fraco Coritiba e não deve ser motivo de oba-oba.

A derrota do Inter para o Vasco prova que o campeonato está muito nivelado.

Desafio ao leitor: quem é melhor Oscar do Inter ou Leandro do Grêmio?

Corinthians vai se desgarrando dos demais na briga pelo título.

Participação do leitor: toqdeletra@gmail.com

*Rômulo Gustavo Müeller tem 28 anos, é advogado, Procurador Federal e colunista de esportes do clicRBS Santo Ângelo

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27 jun14:34

TOQUE DE LETRA: Decadência, esperanças e investimentos no futebol

Rômulo Gustavo Müeller*


Santo Ângelo lançou fundo de investimentos para viabilizar a participação na Copa RS

O plano lançado na última quarta-feira visa à captação de recursos junto à comunidade e empresariado local. Parece se tratar de excelente oportunidade para quem pretende começar a investir no mercado do futebol com valores módicos. O retorno ao investidor será basicamente sua participação na venda de atletas da categoria de base do clube. Mais informações podem ser obtidas com o vice presidente do clube Dari Zanuzo.

Carreira em decadência – parte I : Ronaldinho

O que está acontecendo com o Ronaldinho? Aos 31 anos, está caindo no ostracismo e enganando a si próprio com um futebol reticente e melancólico. Nem um golaço como o da última rodada consegue reabilitar a sua imagem perante o torcedor. Vaiado pelo torcedor do Flamengo, ignorado como revelação do Grêmio em uma campanha de marketing do tricolor sobre o assunto, relegado da Copa do Mundo, odiado pelo torcedor gremista, sempre envolvido em notícias de noitadas e desinteressado em campo. O assunto rende. Na próxima semana continuo, com menções a craques que pararam na hora certa e na hora errada. Você, leitor, pode ajudar, enviando exemplos de encerramentos de carreira.


Santos

Quando vejo um time como o Santos jogar, é que renovo minhas esperanças de que a Seleção Brasileira volte a causar medo nos adversários. Por enquanto, a seleção canarinho tem sido apática e não desperta temor em ninguém. Mas, essa reestruturação obrigatoriamente terá de passar pelas convocações de Arouca, Elano, Ganso e Neymar.


Eventos futebolísticos no mês de junho

Copa América, Mundial Sub-17 e Copa do Mundo de Futebol Feminino estão sendo realizados nesse meio de ano, sempre com transmissão pelas TVs abertas. Você que gosta muito de futebol deve agendar-se.


Passando…

Não entendi porque Arouca não foi convocado por Mano Menezes até hoje.

Na primeira coluna, listei seis favoritos para voltar à elite do Gauchão. Dentre eles duas equipes que estão no quadrangular final: Brasil de Farroupilha e Avenida de Santa Cruz do Sul.

Juventus é a única equipe que se complicou e não tem mais chances de classificação.

Grêmio continua apresentando um futebol pífio fora de casa, principalmente quando o técnico Renato improvisa na escalação.

Já o Inter continua com a ilusão de que golear times menores é um sinal de bom rendimento do elenco colorado.

Participação do leitor: toqdeletra@gmail.com

* Rômulo Gustavo Müeller tem 28 anos, é advogado, Procurador Federal e colunista de esportes do clicRBS Santo Ângelo


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20 jun10:26

TOQUE DE LETRA: Estádios no Brasil? Por enquanto, para manés, jacarés e chimpanzés

Rômulo Gustavo Müeller*


Hoje vamos falar um pouco de construção civil e infraestrutura dos estádios de futebol brasileiros. Não, caro leitor, você não se enganou; não está na vizinha coluna da designer Tatiana Pinheiro. É sobre futebol mesmo. Sinto-me desrespeitado cada vez que vou a um campo esportivo, seja grande ou pequeno. Você já reparou que no nosso país todo estádio tem meios de contenção do torcedor (alambrados, fossos), dando a impressão de que aqueles que sentam na arquibancada a qualquer momento vão pular no gramado ou jogar bananas nos jogadores como se fossem macacos que fugiram da jaula? Tenho a impressão de que os engenheiros que projetaram tais obras o fizeram pensando em chimpanzés colocados como espectadores! É bem verdade que há um por cento de manés que não sabem se comportar como plateia. Mas não é justo que as construções sejam concebidas com base em condutas inadequadas de uma minoria, cuja responsabilidade de coibir é da polícia e não dos projetistas do templo esportivo.

Estádios grandes

Nos grandes estádios brasileiros, o que separa o torcedor do campo é normalmente um fosso. Para a Copa do Mundo, a Fifa não permite sequer que haja pista de atletismo entre o campo de jogo e as cadeiras, pois o torcedor tem que estar sentado o mais próximo possível do espetáculo, separado apenas pelas placas de publicidade e em nenhum lugar pode ter a visão atrapalhada por pilares, cercas, placas, telões ou qualquer outra barreira física. Quem quer entender melhor, deve prestar atenção nos jogos do Campeonato Inglês e ver que os técnicos sentam na mesma primeira fileira destinada ao público que assiste o mais perto possível e que os jogadores, ao bater o escanteio, ficam a menos de meio metro dos torcedores sentados. Assim deverão estar o Beira-Rio e todos os outros locais que sediarão a Copa em 2014.

Estádios pequenos

Nas cadeiras do estádio da Zona Sul, do Santo Ângelo, a cerca e os postes fazem parte da visão do jogo

Já nos estádios pequenos, o exagero fica por conta das cercas e telas que separam a arquibancada do gramado. Vejamos na foto acima a visão das cadeiras da Zona Sul. Você acha que seria necessário um alambrado de quase três metros de altura atrapalhando a vista para separar aquela arquibancada do campo de jogo? Claro que não! Há mais de dois metros de distância entre a arquibancada e o campo, sendo totalmente possível a colocação de uma cerca com um metro e meio de altura apenas para proteger o torcedor de quedas e evitar que a visão ficasse prejudicada pelo aramado. O problema é que se isso for feito, as autoridades não liberam a realização do evento alegando falta de segurança.

Será esse o legado da Copa?

A realidade obrigatoriamente será diferente nos estádios que sediarão jogos da Copa do Mundo. Mas o que precisa mudar, além da mentalidade de quem desenha e constrói estádios, é a visão das autoridades, para que torcedores sejam respeitados e tratados com o conforto indispensável ao consumidor, sejam os palcos grandes ou pequenos. Se depois da Copa de 2014, continuarmos construindo estádios a prova de chimpanzés, então que encham os fossos de jacarés, como era nos castelos medievais. E já que é para o torcedor ficar atrás do cercado, os times pequenos que passem a mandar seus jogos no zoológico! Ou no campo da penitenciária! Lá, pelo menos, dificilmente algum mané vai conseguir ultrapassar o alambrado.

Passando…

Por ter pista de atletismo, estádios olímpicos como o Engenhão e o Mangueirão não poderão ser usados na Copa do Mundo.

O descaso com o torcedor não é só nos estádios. Os grandes ginásios brasileiros também tem espaço demasiado separando a torcida da quadra.

Na NBA, os jogadores caem no colo da torcida e os times faturam alto com a venda das primeiras fileiras do ginásio. Isso é visão negocial.

Juventus está no quadrangular final da Segundona e provou que, com competência administrativa, é possível montar um bom time e fazer futebol competitivo na região.

Quinta rodada e a dupla Gre-Nal continua apresentando um fraco futebol no Brasileiro.

Participação do leitor: toqdeletra@gmail.com

* Rômulo Gustavo Müeller tem 28 anos, é advogado, Procurador Federal e colunista de esportes do clicRBS Santo Ângelo

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13 jun11:04

TOQUE DE LETRA: Santo Ângelo pretende disputar a Copa RS

Rômulo Gustavo Müeller*

Vem sendo noticiado na imprensa local que a Associação Esportiva Santo Ângelo (novo nome da SER para se adequar à legislação e poder pleitear verbas públicas) pretende manter o departamento de futebol em atividade no segundo semestre e disputar a Copa RS. É necessário que tal situação seja muito bem estudada e planejada pela diretoria, pois em outros tempos a manutenção de elenco para participação na Copinha deixou prejuízo nas contas da agremiação. No entanto, se há como fazer isso sem prejudicar o clube, que a torcida valorize e a comunidade empresarial regional apoie e patrocine.


Seleção Brasileira

Na coluna passada defendi uma Seleção comandada por Ganso, Neymar e Pato para a Copa de 2014. Um amigo lança o desafio: e os outros jogadores, quem seriam? Hoje projetaria a seguinte equipe: Victor, Daniel Alves, David Luiz, Thiago Silva e Marcelo, Anderson, Lucas Leiva, Lucas Silva e Ganso, Neymar e Pato. Alguns poderão ter decaído até o Mundial no Brasil, mas ainda sobram excelentes opções como Sandro, Elias, Casemiro e Jadson para o meio-campo, por exemplo. A maioria terá entre 23 e 28 anos em 2014, idade em que o jogador de futebol normalmente atinge seu ápice técnico. Veteranos? Só vejo lugar para Júlio César e Kaká, ambos no banco e só se estiverem jogando bem em seus clubes.

Viçosa e Douglas foram os únicos jogadores do Grêmio que marcaram gols no Brasileirão

Resultados ruins na rodada do Brasileirão

A receita principal do Brasileiro é tirar pontos de times grandes e não perder pontos para times pequenos. Na última rodada, nem Grêmio nem Inter tiveram sucesso no objetivo, pois o jogo em casa exigiria três pontos do colorado e o tricolor precisava ter conquistado pelo menos o empate no Morumbi. A campanha da dupla Gre-Nal continua deixando a desejar para quem almeja as três primeiras colocações e a vaga na Libertadores.


Segundona

Juventus de Santa Rosa venceu o Riograndense em Santa Maria e deixou muito bem encaminhada a classificação para a fase final do Gauchão Série B. Já o belo time do União de Frederico Westphalen fez ótima campanha, mas só um milagre matemático o faria classificar (vitória do Brasil de Farroupilha sobre o Brasil de Pelotas por 3 gols de diferença combinado com derrota do Avenida, em Santa Cruz, para o São Paulo, de Rio Grande, já eliminado). O União não tem mais jogos a disputar.


Passando…

Juventus goleou o Glória com autoridade e venceu o Riograndense em Santa Maria, mostrando-se forte candidato à vaga na elite.

União de Frederico também merecia a classificação, mas sai de parabéns pela excelente campanha no primeiro ano de disputa da competição.

São Paulo, com quatro vitórias seguidas, já desponta como favorito do Brasileirão.

Ainda é cedo, mas ouso arriscar Palmeiras, Corinthians e Santos como os outros postulantes ao título. Todos paulistas.

Para quem ainda está estranhando o horário, o jogo das 21h no sábado pelo Brasileirão é para atender ao mercado televisivo japonês.

Participação do leitor: toqdeletra@gmail.com

* Rômulo Gustavo Müeller tem 28 anos, é advogado, Procurador Federal e colunista de esportes do clicRBS Santo Ângelo

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06 jun11:31

TOQUE DE LETRA: Falcão e os reforços, Renato e os cascudos

Rômulo Gustavo Müeller*

No Gre-Nal dos reforços o Grêmio vem vencendo o Internacional. Enquanto o tricolor trouxe os experientes Gilberto Silva, Miralles e Marquinhos, o colorado apresentou os inexpressivos Gilberto e Siloé. Para piorar esse panorama, a diretoria ainda contestou publicamente o técnico Falcão, que cobrou reforços no elenco do Beira-Rio. Enquanto Falcão clamando por melhorias no plantel quase teve o cargo ameaçado, Renato foi atendido pela direção gremista e já fala em lutar pelo título. Para sorte do treinador colorado, a goleada sobre o América amenizou o clima azedo da semana. O futebol é muito dinâmico!

Amistosos da Seleção Brasileira

Acho preocupante a Seleção Brasileira não disputar as Eliminatórias. A última vez que foi assim o Brasil até foi bem na Copa de 1998, chegando à final, mas isso não significa muito. Viver só de amistosos não prepara o time para competições oficiais como a Copa América que se aproxima. Acredito numa Seleção comandada por Ganso, Neymar e Pato na Copa de 2014, mas para isso é necessário que esses jogadores sejam testados em partidas de mais empenho e movimentação do adversário do que em sonolentos amistosos como o de sábado.

A rodada do final de semana

A tabela das três primeiras rodadas foi generosa com os gaúchos. Jogos para somar no mínimo 7 pontos. O Grêmio até chegou perto disso. Já o Inter só conseguiu desencantar contra o América e soma 4. Não é um início promissor da dupla, mas há 35 rodadas pela frente para recuperar.

Tênis

Quem gosta de tênis se deleita com a qualidade do espetáculo cada vez que Rafael Nadal e Roger Federer se enfrentam. Mas o que mais chama atenção é como o espanhol tem facilidade em impor seu jogo de força e imposição física sobre o suíço de estilo clássico e habilidoso. No último domingo, mais uma vez Nadal bateu Federer e conquistou pela sexta vez o torneio de Roland Garros.

Regulamento da Fórmula-1

Na coluna passada, critiquei a autorização da troca de pneus em bandeira vermelha na Fórmula-1 em Mônaco. Durante a semana foi esclarecido por Reginaldo Leme (comentarista de F-1 da Globo) que o regulamento desse ano prevê tal possibilidade, embora até algumas equipes da competição desconhecessem a regra. Quanto à questão de paralisar a corrida em vez de terminá-la em bandeira amarela, é feito assim para evitar trapaças como aquela protagonizada por Alonso e Nelsinho Piquet em Cingapura (2008), no qual o primeiro venceu a corrida porque o segundo forjou um acidente e provocou o final da corrida em bandeira amarela. Em tempo: é normal a mudança do regulamento ano a ano na categoria.

Passando…

Júnior Viçosa parece ter potencial para se afirmar como centroavante tricolor.

Oscar, justo na semana em que foi criticado por Falcão, jogou muito e deu ao treinador uma bela opção no meio-campo.

Considero o Santos favorito para a conquista da Libertadores, mas o centroavante Zé Eduardo não está à altura dos titulares santistas.

No Brasileiro, Borges, que saiu do Grêmio e reforçou o Peixe, deverá ser o titular e resolver o problema da camisa 9. Já fez gol.

Homenagem merecida a Ronaldo, por tudo que fez pelo futebol brasileiro, no amistoso contra a Romênia.

Participação do leitor: toqdeletra@gmail.com

* Rômulo Gustavo Müeller tem 28 anos, é advogado, Procurador Federal e colunista de esportes do clicRBS Santo Ângelo

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30 mai13:23

TOQUE DE LETRA - Quem é que garimpa os gringos para o futebol gaúcho?

Rômulo Gustavo Müeller*

O Grêmio comemorou muito a contratação do atacante Miralles, junto ao Colo Colo e agora lamenta sua lesão. Cá entre nós, argentino bom não joga no Chile. Joga na Argentina, no Brasil ou na Europa. Ou você já viu algum brasileiro que joga em outro país do Mercosul convocado? O último gringo a dar certo no tricolor remonta ao século passado e jogava na defesa: Arce. Tento montar um time de decepções estrangeiras: Tavarelli, Bustos, Schiavi, Escalona, Gavilán, Julio Santos, Escudero, Perea, Herrera e Máxi Lopez. Foi o que lembrei. Falta um zagueiro. O leitor pode ajudar a completar, melhorar ou piorar essa escalação. Envie seu time.

Internacional é mais competente

Já o Inter não errou tanto em suas contratações pelo mercado latino. Bolatti é muito bom jogador eCavenaghi promete. O grupo campeão da Libertadores em 2006 tinha Renteria e o do mundial Hidalgo e Vargas. O elenco que venceu a edição de 2010 contava com Pato Abbondanzieri, Sorondo, Guiñazu e D’alessandro. Os dois últimos já marcaram sua presença na história do clube.

Barcelona

Nem precisava, mas não há como não falar do Barcelona. Em tempos de futebol moderno, nunca foi vista uma final de Liga de Campeões com tanta superioridade de uma equipe sobre a outra. O futebol apresentado pela equipe espanhola é baseado na posse de bola e nos passes curtos, sem forçar, para não dar margem ao erro. Uma verdadeira aula de futebol para qualquer técnico do mundo.

Fórmula-1

Dificilmente assistir a uma corrida de Fórmula-1 tem graça. Esse ano não é diferente. Sebastian Vettel, merecidamente, está sempre à frente. Mas a corrida de Mônaco sempre é especial e diferente. Paro para conferir e até a equipe da televisão que transmite o evento ficou surpresa com a troca de pneus enquanto o circuito estava em bandeira vermelha, manobra supostamente não prevista em regulamento. A autorização da providência absurda estragou a briga que haveria entre três pilotos pela liderança a oito voltas do final e mais uma vez manchou a imagem da categoria. Um esporte de decisões obscuras que só tem surpreendido no aspecto antidesportivo.

Passando…

O objetivo da dupla Gre-Nal deve se resumir a quem chega na frente do rival neste Brasileirão.

Se um dos dois chegar em posição que garanta vaga na Libertadores já será uma façanha.

Se os dois chegarem, é proeza merecedora de desfile em carro de bombeiros.

Na era dos pontos corridos (desde 2003)o Grêmio chegou à frente do arquirrival em 2007, 2008 e 2010.

Já o Internacional chegou na frente do tradicional adversário em 2003, 2004, 2006 e 2009.

Em 2005 não ocorreu essa disputa porque o tricolor estava na segunda divisão.

Os melhores resultados de ambas as equipes são os vice-campeonatos do Internacional em 2005, 2006 e 2009 e do Grêmio em 2008.

Participação do leitor: toqdeletra@gmail.com

* Rômulo Gustavo Müeller tem 28 anos, é advogado, Procurador Federal e colunista de esportes do clicRBS Santo Ângelo

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