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Rota Missões

26 set14:01

Missões: o patrimônio imaterial de um povo

Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

Uma região de belezas históricas. Dizem até que por lá há uma energia característica e única. Estamos falando da região das Missões. Os antigos povoados são hoje patrimônios nacionais e também da humanidade. Mas o povo missioneiro revela um patrimônio muito maior do que isso.

Os resquícios das antigas reduções são o patrimônio material que temos aqui na região. Mas existe algo maior do que isso, que não se pode ver, nem mesmo tocar. É o nosso patrimônio imaterial. O orgulho de ser deste chão, a terra sem males. Um sentimento tão sólido quanto as paredes que estão aqui há mais de 300 anos. Um sentimento vivo dentro do coração de cada missioneiro.

_Meu nome é Claudino De Lucca, eu sou poeta, cantador e missioneiro, com muito orgulho. Quero aproveitar essa oportunidade pra falar o que é ser missioneiro. O que é pertencer a esta terra de história tão grande e tão bonita e tão dolorida que é os Sete Povos das Missões.

Este patrimônio material que nós temos é pequeno se comparado com outros países da América do Sul que viveram situações semelhantes às nossas. De qualquer maneira, tem que se destacar uma coisa: essa cultura, esse amor que nós temos, essa paixão em ser missioneiro, basta circular por aí pra gente ver rodovia com nome de Sepé Tiarajú, emissoras de rádio, jornais, lojas, postos de gasolina. Então, nós incorporamos essa história e vemos daqui pra frente cada vez aumentar mais.

Os outros gaúchos nos respeitam e nos admiram porque nós somos missioneiros. Nós temos um comportamento diferente, nós temos uma literatura, nós temos uma música e, posso até exagerar, mas o amor às nossas raízes, às nossas tradições, é mais forte.

Ser Gaúcho é muito mais do que ter nascido no Rio Grande. Ser Gaúcho é um estado de alma_finaliza.

Clique sobre a imagem e confira a matéria que foi ao ar no Bom Dia Rio Grande:


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22 set10:55

Série Rota Missões chega ao Jardim Missioneiro

Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

Rota Missões. A fusão da história missioneira com a cultura alemã. A visita agora é ao centro germânico de São Pedro do Butiá. Sejam bem-vindos a São Pedro do Butiá, o jardim missioneiro.

As flores espalhadas por toda a cidade justificam este título. A manutenção de belos jardins é um costume dos alemães mantido até hoje em São Pedro do Butiá. Característica facilmente percebida também no Centro Germânico Missioneiro. Um espaço sob o olhar de São Pedro, um trabalho recente, concluído em 2009.

Esta estátua é uma das maiores em homenagem a São Pedro. Nos 30 metros de altura foram utilizadas 1,1mil toneladas de concreto. Um grande reconhecimento ao padroeiro do município e também de todo o Rio Grande do Sul.

Dentro, uma cruz missioneira de 10 metros que envolve e sustenta três ambientes. No térreo, os visitantes se deparam com relíquias trazidas de Belém e que remetem ao início da história de São Pedro nas margens do Mar da Galiléia, como apóstolo e seguidor de Jesus.

No segundo piso, esta mesma história é contada em pinturas sacras. E no último andar, o local onde as pessoas escrevem pedidos e agradecimentos.

Mas como Centro Germânico, a cultura alemã é visível na arquitetura. Essas casas eram antigas construções que foram trazidas do interior do município para cá.

_Temos a casa onde é servido o café colonial ou a refeição típica, conforme agendamento. Nós temos a primeira escola-capela, onde agora funciona, oficialmente criado, o curso de língua e cultura alemã. Temos o museu onde a gente tentou criar um ambiente para ficar registrado no tempo como nossos pioneiros viviam. E esta casa, então, onde são expostos e vendidos os produtos confeccionados por nossos artesãos_explica Velida Schneider, recepcionista do Centro Germânico.

Em torno de 2 mil pessoas visitam o local todos os meses. O município está preparado com espaços como esta pousada temática, para receber turistas como esta família de cariocas.

_A gente tá vendo agora todas as casas. A casinha do colono, a gente foi ver tudo pra poder aprender um pouco porque lá no Rio a gente não tem_comenta a bancária Renata de Abranches. Mas o Centro Germânico ainda não está totalmente pronto.

_A Casa da Cultura é o projeto que está sendo trabalhado no momento. Terá um auditório, biblioteca pública, espaço para ensaio de música_diz Velida.

O município fica às margens da BR-392 e também tem a igreja para visitação, os inúmeros jardins e até as árvores de butiá que embelezam as ruas da cidade. Mas além disso, um povo receptivo a quem vier.

Para conferir a matéria que foi ao ar no Jornal do Almoço clique aqui

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12 set17:43

Catedral Angelopolitana: a história das Missões em uma construção

Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo


A Rota Missões apresenta agora uma das mais belas imagens do Estado. A nossa parada hoje é na capital missioneira, Santo Ângelo. O destaque é a Catedral Angelopolitana.

Uma verdadeira obra de arte. Um detalhe mais bonito que o outro.

Tudo segue uma perfeição que conta a história missioneira. Os santos mártires em alto relevo, a oratória dedicada à Nossa Senhora de Guadalupe. A capelinha ao lado do altar. Estamos na Catedral Angelopolitana, considerada uma das mais belas igrejas do Rio Grande do Sul. Um espaço onde a arte revela os fatos e o povo, a fé.

Grandiosidade. Essa palavra define muito bem este lugar. A Catedral Angelopolitana tem hoje espaço para acomodar 800 pessoas aqui. Pra isso, as dimensões chegam a 50 metros de comprimento. Mas esta já é a terceira igreja construída neste local. A antiga era ainda maior. O altar, por exemplo, ficava 31 metros além de onde está hoje.

Dentro, a riqueza e o detalhamento são o maior destaque. Nas colunas, nas paredes, as pinturas e os ornamentos. Dom Estanislau Kreutz, bispo emérito da Diocese de Santo Ângelo conhece os 30 povos e diz que esta é a mais bela igreja de todas.

_Artisticamente e também pela simbologia das reduções, ela traz pro presente a riqueza histórica do passado. E tendo estes símbolos na fachada, com os padroeiros dos Sete povos aqui, mais a Cruz Missioneira e a parte interna tão linda, de maneira que não temos outra igual_explica Dom Estanislau.

Como janelas, vitrais com desenhos e símbolos. Ao todo são 86. Em cima do altar, representam cada um dos padroeiros dos Sete Povos. Pela igreja, também as 12 lamparinas que nunca se apagam, representando os 12 apóstolos. E um dos maiores símbolos, a escultura em madeira do Cristo morto, confecionada por índios na época da antiga redução de san angel custódio.

_Esta imagem é preservada aqui e é levada na sexta-feira santa pelas ruas, e aí vem tanta gente para acompanhar o Cristo Morto, para depois celebrar a Páscoa do Ressuscitado. De maneira que é a única relíquia que sobrou aqui em Santo Ângelo_diz Kreutz.

Com quase 90 anos de idade, seu Rudá é um dos responsáveis pela bela fachada da catedral. Ele conta que do projeto à construção, o trabalho levou em torno de sete anos para ficar pronto.

Dom Estanislau explica que o espaço católico é aberto a qualquer pessoa, idependente a religião. Todos são bem -vindos à casa de Deus. Um acolhimento também retratado nesta escultura. Uma peça inteira de madeira que pesa em torno de 800 quilos. Representa o anjo da guarda protegendo brancos, indios e negros, sem discriminação.

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31 ago15:24

Santuário do Caaró - o coração das Missões

Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

O Rota Missões desta quarta-feira vai até o coração da região missionera. Nossa parada é em Caibaté, onde teve uma redução jesuítico-guarani, mas não fez parte dos Sete Povos porque era da primeira fase da história. Vamos agora, ao Santuário de Caaró.

Há dois quilômetros da BR-285, em Caibaté, fica o Santuário de Caaró. Em guarani, erva amarga. No local, foi uma redução missioneira fundada na primeira fase da evangelização dos índios, em 1628 pelo padre Roque Gonzales de Santa Cruz, acompanhado do padre Afonso Rodrigues, que foram mortos pelos índios 15 dias depois, uma ordem do Cacique Nheçú, o principal feiticeiro da região.


_Inicialmente, houve uma relação amistosa de Nheçu com os jesuítas. Tanto é que os índios, a mando de Nheçu, ajudaram a construir a capela lá em Assunção do Ijuí. Mais tarde, por desavença entre os guarani e os padres, talvez pela pregação contra a poligamia ou pelo ato de batizar o índio guarani,  os índios achavam que estava sendo colocado o espírito do branco na alma desses índios, houve a revolta_diz o professor de História Sérgio Venturini.



No local, um monumento foi erguido para lembrar os padres, inclusive o padre João de Castilho, também morto pelos índios, mas na redução de Assunção de Ijuí, hoje município de Roque Gonzales. Juntos, os três foram declarados santos da Igreja Católica no fim do século passado. As imagens estão na capela do santuário bem como uma representação do coração do Padre Roque, que até hoje é preservado no Colégio dos Jesuítas em Assunção, no Paraguai.

_Quem descobriu que a antiga redução era neste lugar foi o padre Luís Ieguert, que também tinha conhecimentos de arqueologia. Mas foi só com relatos de antigos moradores, isso lá na primeira metade do século 20, que se revelou essa parte da história. É que na redução de todos os santos de caaró, as construções não tinham pedras e nem ferro. Era tudo de madeira. Por isso, não sobrou nenhum resquício.

Os índios colocaram fogo na redução em 1637, antes que os bandeirantes destruíssem o local, como fizeram com os outros 17 povoados da primeira fase da história.

O professor Venturini conta que um cacique também foi morto por contestar a brutalidade da morte de Roque Gonzales. E para a Igreja Católica, quem morre defendendo a religião tem o caminho do céu e é santo.

_Então, hoje, nós temos alguns padres, destacando-se, Dom Estanislau Kreutz, bispo emérito de Santo Ângelo, que estão lutando pela causa da santificação deste índio guarani que morreu exatamente aqui na nossa região_explica o professor.

O santuário foi criado em homenagem aos santos mártires. Tem uma ampla área verde e um espaço para missas ao ar livre. Milhares de pessoas vem em romarias e peregrinações. Buscam a água reconhecida como milagrosa.

_Aqui, no Caaró, em termos de religião católica, é o ponto mais significativo em todo o processo missioneiro, porque aqui está o sangue de dois santos da igreja católica: Roque Gonzales de Santa Cruz e Afonso Rodrigues_conclui o professor.

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26 ago15:48

São Nicolau: A primeira querência do Rio Grande

Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo


Na série Rota Missões, você confere agora a primeira Querência do Rio Grande. São Nicolau é a parada da vez. Por lá, a gente visitou um lugar que para muitos ainda é um mistério. E descobrimos também uma presença feminina marcante na antiga redução.

Entre os 5727 moradores de São Nicolau, os homens somam 2906, já elas são um pouco menos: 2821. Hoje, as mulheres podem estar em desvantagem, mas no passado o sexo feminino era destaque na antiga redução jesuítico-guarani.

De acordo com estudos do historiador Aurélio Porto, aqui as índias tiveram destaque por serem fiéis ao catolicismo. Mas, além disso, os poucos registros históricos revelam uma presença feminina marcante. Cada redução tinha em média 20 caciques e aqui em São Nicolau entre eles havia uma mulher.

Este fato ainda é desconhecido para muita gente. Uma curiosidade importante na trajetória da antiga redução que se desenvolveu em duas fases. Lorí schiavo é mais um apaixonado pela nossa história. Ele conta que tudo começou em 1626, quando o padre Roque Gonzales fundou a redução de São Nicolau, a primeira em território gaúcho. O povoado durou 12 anos até que foi transferido para o outro lado do rio Uruguai por sofrer ataques de bandeirantes. E em 1682 começou a segunda fase, por onde iniciaram os Sete Povos das Missões.

_E no ano de 1687, São Nicolau foi reocupada sendo a única redução que ocupou a mesma localização da primeira fase. Por isso, São Nicolau é a 1ª Querência do Rio Grande, porque o povo foi reerguido no mesmo local da antiga redução_explica o esttudioso da história missioneira Lori Schiavo.

No sítio arqueológico há resquícios de algumas construções como a igreja e o piso original preservado desde a época em que este lugar tinha mais de 7,5 mil habitantes. Parte dessa história está preservada nesta sala de exposições do município. O espaço guarda relíquias como cerâmicas, lápides e até as chaves das portas. Fragmentos de uma civilização descobertos nas primeiras escavações no fim dos anos 70.

_São Nicolau tinha os melhores artesãos dos 30 povos, inclusive que faziam obras de arte pras outras reduções_ diz Schiavo.

Em São Nicolau tem um espaço preservado que pra muitos ainda é um mistério. Muita gente acreditava que existiam túneis subterrâneos que ligavam uma redução à outra. Só que na verdade eram espaços conhecidos como adega onde o povo guardava alimentos e bebidas. Por questão de conservação, embaixo da terra.

Mas São Nicolau também pensa no futuro dessa história. Na cidade, está sendo montada uma biblioteca de estudos missioneiros. Mais de 650 livros temáticos sobre a região das Missões. Uma forma de manter aceso o orgulho de tudo o que este chão presenciou.

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17 ago11:56

Caminho das Missões: Uma peregrinação pela história

Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo


Uma forma de resgate da história missioneira é refazer os caminhos percorridos por índios e jesuítas. Na série Rota Missões desta quarta-feira, vamos conhecer o Caminho das Missões. Um percurso de quase duas semanas seguindo a pé pelas sete reduções jesuítico-guarani.

Ao redor da catedral de Santo Ângelo, um museu a céu aberto. São oito janelas arqueológicas expostas desde 2006, quando o município criou um departamento específico para isso. Em parceria com a Uri, foi desenterrada a história construída há 305 anos.

_Todo este trabalho que se vê aqui, que está agora nestas janelas arqueológicas, está impregnado do trabalho do índio guarani. É claro que com a orientação do jesuíta, mas aqui tem a mão do índio guarani, o remanescente deste povo, aquele que foi a primeira raça que se miscigenou com as demais que aqui chegaram_comenta a coordenadora do Museu Municipal de Santo Ângelo Clotilde Mousquer Farias.

E é junto das janelas arqueológicas e da Catedral Angelopolitana que termina o Caminho das Missões. Um percurso de 325 quilômetros que começa em São Borja, a primeira redução jesuítico-guarani. 13 dias depois, tudo termina aqui em Santo Ângelo, o último dos Sete Povos das Missões no Rio Grande do Sul.

Desde 2001, em torno de duas mil pessoas já percorreram o caminho. São trajetos pelas antigas estradas que ligavam os Sete Povos das Missões. Um dos idealizadores da atividade, Romaldo conta que além da história, esta é uma forma de valorizar o povo missioneiro. As comunidades abrem as casas para receber os peregrinos, como são conhecidos os que percorrem o caminho.

_Valorizando a gastronomia do local, valorizando a cultura das pessoas, como elas vivem, o seu cotidiano, a sua vestimenta. Então, o visitante tem uma informação vasta da região das Missões_ diz o guia Romaldo Santos.

Também há atividades paralelas, como a tradicional caminhada em comemoração ao aniversário da redução de Santo Ângelo. No último sábado em torno de 120 pessoas percorreram seis quilômetros. Lugares por onde, possivelmente, jesuítas e índios passaram quando fundaram a redução de San Angel Custódio. No trajeto, intervenções cênicas para entender a história que também passou por estes caminhos.

Para os peregrinos que refazem os caminhos missioneiros, a experiência vai muito além da história. Uma oportunidade de auto-conhecimento e reflexão.

_Ela começa a fazer uma caminhada interior. Ela esquece que dia é da semana, esquece o horário e começa a refletir sobre a vida_comenta Santos.

Para conferir a matéria completa que foi ao ar no Jornal do Almoço clique aqui.

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10 ago16:44

Santo Ângelo Custódio comemora 305 anos de fundação

Rafael Ristow, RBSTV Santo Ângelo

A antiga redução de Santo Ângelo comemora no próximo sábado 305 anos de fundação.

A localização justifica o nome. O Centro Histórico de Santo Ângelo ocupa uma área de aproximadamente 15 mil metros quadrados bem no meio da cidade. É aqui que tudo começou, há mais de 300 anos.

A professora Nadir Damiani conta que a redução de San Angel Custódio foi fundada em 1706 próximo ao encontro dos Rios Ijuizinho e Ijuí grande, hoje município de Entre-Ijuís.

Em 1707, por questões de enchentes dos rios, dificuldades no transporte da erva-mate, o padre Diogo Hainze transferiu o reduto, o povoado de San Angel Custódio para cá, onde hoje está estruturado o atual município de Santo Ângelo.

A redução de Santo Ângelo se diferenciou dos outros povoados. O cemitério, por exemplo, ficava à direita da igreja. Lugar hoje ocupado pela prefeitura municipal. E diferentemente dos outros, o templo religioso tinha a frente voltada para o sul, como está a Catedral Angelopolitana. E se o povo santo-angelense é conhecido por ser acolhedor, pode haver uma explicação.

_Na região, havia muitas viúvas da etnia charrua. Essas viúvas foram agregadas à população guarani do reduto de San Angel Custódio_explica a professora de História Nadir Damiani.

Aqui chegaram a viver cerca de 3,5 mil habitantes e a redução era uma das mais ricas por cultivar erva-mate e e algodão e exportar para a Europa. Com o passar dos anos, o município de Santo Ângelo se formou a partir do traçado guarani. Por isso, muitas rochas das antigas construções foram reutilizadas, como nas paredes do Museu Municipal. Outra lembrança fica na Catedral Angelopolitana. A imagem do Cristo morto, datada de 1740.

A catedral hoje tem 50 metros de comprimento. Mas na época da redução, a igreja tinha 31 metros a mais. Isso se descobriu depois que a comunidade se mobilizou, pesquisou e escavou. Os moradores próximos do Centro Histórico abriram as casas para descobrir a história. E não é que descobriram?

Ao redor da Catedral, são oito janelas arqueológicas abertas em 2006, quando foi criado um departamento específico para isso no município.

_Em todo este material que está agora nestas janelas arqueológicas, nós estamos vendo o trabalho do índio guarani. É claro que com a orientação do jesuíta, mas aqui tem a mão do índio guarani, o remanescente deste povo, aquele que foi a primeira raça que chegou aqui_explica a coordenadora do departamento Clotilde Mouquer Farias.

Mas para os estudiosos, o que temos é um alfinete em um oceano. Ainda há muito a ser descoberto.Do antigo povoado, pouco sobrou. Mas os resquícios da última redução jesuítico-guarani continuam vivos, principalmente no povo missioneiro santo-angelense.

Para ver a matéria completa como foi ao ar no Jornal do Almoço, clique aqui.

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03 ago17:44

O futuro do Rota Missões

Rafael Ristow, RBS TV

O mapa mostra a Rota Missões. Os trajetos por onde passa a nossa história. Formado numa iniciativa de 15 municípios e entidades empresariais da região, o produto turístico da Fundação Missões agora completa 10 anos. Sempre atraindo turistas aos lugares que refletem a riqueza histórica da colonização do Rio Grande.

A Rota Missões chegou a ter 25 municípios participantes. Hoje são 19. Por diferentes motivos, alguns deixaram de integrar o produto turístico missioneiro. O que inclui cidades com grandes monumentos e importantes fatos da história que se passou por aqui. Mas por outro lado, há aqueles que acreditam neste potencial da região, mesmo sem ter atrativos imponentes.

Mato Queimado é um exemplo. Não tem grandes monumentos como outros municípios próximos, mas vê no turismo regional uma oportunidade de se desenvolver. Mesmo tendo só 1800 habitantes, sempre integrou a Rota Missões, desde a emancipação há 11 anos.

O município tem na praça central a beleza da arquitetura típica européia. Junto fica a igreja com um altar em estilo gótico, com um projeto europeu da década de 40. Para o prefeito, aí que entra toda a criatividade dos municípios para mostrar as potencialidades.

_Não temos algo enorme, grande, e que possa mostrar e que possa chamar o turista de forma individual, nós temos que aproveitar aquilo que a região nos oferece e trabalhar ações conjuntas pra que o turista possa aproveitar as ocasiões em que está na região, visitando a região, visitar também os municípios pequenos_explica o prefeito de Mato Queimado Orcelei Dalla Barba.

Com isso, se pensa agora no futuro da Rota Missões. O secretário executivo da Fundação Missões explica que a intenção é trazer de volta os municípios que deixaram de participar e atrair novos integrantes. Mas pra isso, é preciso melhorar os acessos portuário e aeroportuário e eliminar a burocracia no Mercosul.

_É o trâmite fronteiriço pra passarmos principalmente ônibus e vans. Nós temos hoje nosso principal parceiro que dá nome a outro produto turístico nosso, que é o Iguassu Missiones, 800 mil turistas estrangeiros chegam em Foz do Iguaçu. E pra essas pessoas passarem pelo Paraguai, pela Argentina e novamente entrar aqui no Brasil na Rota Missões é muito complicado, chegando até a uma espera de 3 a 4 horas em cada porto_comenta o secretário executivo da Fundação Missões Geovani Gisler.

Em média, 100 mil pessoas vem conhecer os atrativos missioneiros a cada ano. História que está impressa em mobiliário, no artesanato, nos caminhos, no povo missioneiro e, principalmente, nas antigas reduções jesuítico-guarani.

Para conferir a matéria que foi ao ar pela RBS TV clique aqui.

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27 jul14:58

Rota Missões: Sítio Arqueológico de São Lourenço das Missões mais uma página da história da região

Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo

As ovelhas que correm soltas pelo Sítio Arquelógico de São Lourenço das Missões também ajudam a contar a história que se passou no lugar. São em torno de 30 animais da raça conhecida como missioneira, criada na época da antiga redução jesuítico-guarani.

As ovelhas estão aqui há 14 anos através de um projeto criado numa parceria entre a prefeitura de São Luiz Gonzaga e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Elas nasceram a partir de materiais genéticos armazenados na Embrapa de Pelotas e hoje fazem parte da paisagem junto com o que restou das construções. A história de um povo preservada há mais de 300 anos.

Era 1690 quando o Padre Bernardo De La Veja fundou a Redução de São Lourenço Mártir. Da Redução de Santa Maria Maior, lá na Argentina, ele trouxe 3512 índios. Já no começo, 823 famílias formaram o quinto povoado missioneiro no Rio Grande do Sul.

A redução tinha a praça ao centro e a igreja como principal construção. As poucas paredes ainda intactas dão a dimensão da grandiosidade do templo religioso. Um prédio com aproximadamente 80 metros de comprimento e 40 de largura. Tão grande quanto o tamanho, era a riqueza do local. No livro “Bens e Riquezas das Missões”, foram traduzidos os inventários dos sete povos. A obra relata que a igreja tinha cinco altares dourados e inúmeros objetos de ouro, prata e bronze. Aqui, mais uma vez, o que chama a atenção é a perfeição das pedras. Esculpidas de forma artesanal, grande parte intacta desde a época em que os índios habitaram esta terra.

O local chegou a ter quase 7 mil índios, uma das maiores reduções. Tudo numa série de construções tão bem planejadas que hoje ainda deixam dúvidas entre a população. Histórias como as de túneis subterrâneos que ligavam uma redução à outra. O que nada mais eram do que espaços embaixo da terra para guardar vinhos e alimentos.

_As pessoas até vem aqui e procuram, na nossa região, os túneis que ligavam… isso é lenda que as pessoas foram criando_comenta a professora de História Janete Melo de Souza.

Com o passar dos anos, novos elementos se revelaram para contar a história. A professora Janete conta que há poucos anos foram encontradas espécies de cisternas atrás da igreja. Espaços onde era armazenada a água da chuva.

_Hoje, nós estamos ainda resgatando a parte da preservação da água. Naquela época, eles já tinham a preocupação com o meio ambiente_explica.

Hoje, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional é responsável pelo sítio arqueológico. O instituto preservou o cemitério que foi ocupado pelas comunidades recentes da localidade.

O Sítio Arqueológico de São Lourenço das Missões fica acerca de 30km da cidade de São Luiz Gonzaga. É o legado de um povo valorizado como patrimônio nacional. Mesmo com muitos mistérios históricos a serem desvendados, aqui a trajetória missioneira também resiste ao tempo.

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20 jul15:45

Série "Rota Missões" mostra São Luiz Gonzaga

Rafael Ristow, RBS TV Santo Ângelo


As colunas e bases em pedra são alguns dos poucos resquícios da Redução de São Luiz Gonzaga. Tudo com uma perfeição intrigante. Como os índios conseguiam talhar nas pedras formas tão perfeitas?

Estas são as poucas lembranças concretas da importante história que se passou neste lugar.

_A Redução de São Luiz Gonzaga foi fundada pelo Padre Miguel Fernandes em 1678, mesmo ano da fundação da redução de São Nicolau e de São Miguel. Então, os índios já catequizados retornavam às suas antigas terras depois da destruição causada pelos bandeirantes, mais ou menos 50 anos antes_explica o professor de História Sérgio Venturini.

Da antiga redução, hoje se tem poucas imagens. Mas, São Luiz Gonzaga era considerado o centro das Missões, por ficar entre São Miguel e São Nicolau, lugar escolhido pelos jesuítas por ser alto, com bastante água e madeira, o que possivelmente foi a matéria-prima para as mais de 10 imagens de santos que hoje estão na igreja matriz da cidade.

As imagens sacras são o testemunho da grandiosidade da Redução de São Luiz Gonzaga. De tamanhos variados, eram recursos para catequizar os índios, assim como a música e o teatro. Não há datas específicas de criação e nem os autores para mostrar que era um trabalho coletivo. E ainda há curiosidades que chamam a atenção.

_As imagens de madeira eram escavadas o dorso, internamente, pra evitar que com a diferença de temperatura, a madeira dilatasse. No inverno, encolhendo e no verão se dilatando. E não como o pessoal diz aí, para torná-la mais leve ou para facilitar o contrabando dentro dessas imagens, ou também para colocar alguém falando nas imagens pra criar um clima de assombro junto aos guaranis_diz Venturini.

Onde hoje é o centro da cidade, era a redução de São Luiz Gonzaga. Onde está a prefeitura ficava o cemitério. Na sequência havia um pátio e ao lado a igreja, que tinha capacidade pra acomodar toda a população de 1613 pessoas. Eram 574 famílias, de acordo com um inventário do povo de São Luiz do ano de 1768.

Imagem da antiga igreja da redução, integra o acervo Histórico e Geográfico de São Luiz Gonzaga

Mas mesmo com toda a importância histórica, o município de São Luiz Gonzaga não integra mais o produto turístico Rota Missões. Para o vice-prefeito do município, uma rota turística é formada pela geografia e atrativos de cada região, independente da contribuição financeira dos municípios para um fundo em específico.

_Esse fundo, às vezes direciona muito uma região, um município e não o outro. É preciso harmonizar, entrar num entendimento pra que se divulgue todas as atrações turísticas de cada município. Se todos investem no fundo, todos tem que ter proveito_argumenta Mário Meira, vice-prefeito de São Luiz Gonzaga.

A Rota Missões é um produto turístico da Fundação Missões. Conforme o secretário executivo da fundação, Geovane Gisler, são respeitadas e obedecidas a história e a geografia da região missioneira e as ações são dirigidas para o fortalecimento da marca e da identidade regional. Os municípios integrantes tem as demandas acatadas ao participarem efetivamente das reuniões e ações do grupo.

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