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TERAPIA DE REPOSIÇÃO DE TESTOSTERONA (TRT)

16 de novembro de 2015 1

Recentemente, o tema de reposição hormonal masculina tem atraido um interesse crescente da comunidade médica e do público em geral. Preocupações com a manutenção da qualidade de vida, bem-estar e sexualidade após a chegada dos 40 anos, fizeram com que o assunto seja corriqueiro entre os homens.

Com os avanços da medicina e a preocupação em geral com o estilo de vida, a expectativa de vida só cresce e, hoje, podemos afirmar que a segunda metade da vida começa aos 40. Com isso, muitos homens tem adotado um estilo de vida mais saudável visando prevenir problemas futuros associados com o envelhecimento.

Um destes problemas associado com o passar dos anos é a chamada DAEM, Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino. Esta síndrome, popularmente conhecida como ANDROPAUSA, é caracterizada pelo declínio progressivo do hormônio masculino ( ANDROS = homem), a testosterona para níveis abaixo da normalidade da faixa etária e associada a sintomas habitualmente relacionados com a falta destes hormônios no homem. Esta deficiência parcial ocorre em cerca de 10-50% dos homens acima dos 60 anos, dependendo da faixa etária considerada.

 

Atualmente, sabemos que o termo correto é DAEM, pois a ANDROPAUSA transmite a falsa idéia que seria um processo biológico semelhante ao o que ocorre na mulher, a menopausa, quando realmente existe uma “pausa ovariana“,  caracterizada quando a mulher para de menstruar. Ao contrário, no homem, não existe uma pausa como na mulher, não existe este momento pontual onde a queda pode ser detectada e a partir daí o homem entra em “andropausa”. Portanto, é um declínio gradual com a idade.

No homem, os níveis da testosterona total declinam cerca de 1% a cada ano após os 30 anos. Este declínio é considerado um processo normal do envelhecimento masculino. Além disso, no jovem, a testosterona encontra-se mais livre na circulação o que facilita sua utilização pelo corpo, já no idoso a testosterona livre fica cada vez menos disponível para atuar.

Vários sintomas estão relacionados com a falta da testosterona. Entretanto, estes sintomas não são exclusivamente relacionados com a DAEM e muitas destas queixas são comuns a outras doenças e condições. Tipicamente, o homem queixa-se de: depressão, irritação, impotência sexual e perda de ereções noturnas e matinais, falta de desejo sexual, enfraquecimento muscular, distúrbios de sono, diminuição da massa muscular, tendência a osteoporose, perda de pêlos, aumento da gordura corporal, etc. Portanto, para diagnosticarmos se um homem tem esta síndrome, além das manifestações clínicas, temos que dosar a testosterona e, apenas se este hormônio estiver abaixo do limite inferior da normalidade, a reposição deve ser recomendada. Caso a testosterona esteja normal, a reposição não trará custo-benefício a este homem.

Portanto, não existe uma idade em que a reposição deva ser indicada. A decisão em conjunto entre o médico e o paciente deve considerar os sintomas sempre em associação com a comprovação com exames laboratoriais demonstrando a queda hormonal.

As evidências atuais confirmam que a reposição hormonal masculina pode ajudar a amenizar e reverter  os efeitos adversos destas alterações hormonais, melhorando todos os domínios da qualidade de vida deste homem, resultando em benefícios sociais, bem-estar, retomada de atividades com amigos, melhora de desempenho no trabalho, recuperação da sexualidade, estabilidade emocional, maior energia. Apesar dos benefícios da terapia de reposição hormonal estarem bem documentados, a reposição ainda é controversa entre os médicos, pois, por outro lado, existem riscos e potenciais efeitos adversos.

Um destes riscos em potencial é a exarcerbação de doenças prostáticas. A reposição pode resultar em um discreto aumento do tamanho da próstata. Se a reposição pode aumentar as chances do aparecimento de câncer de próstata isso ainda não foi totalmente esclarecido nas pesquisas médicas. Porém, a taxa de câncer de próstata parece ser a mesma em usuários de reposição e na população normal e este não parece ser um risco em potencial.

O que deve ser bem destacado é que em homens com suspeita ou portadores de câncer de próstata a reposição hormonal é totalmente contra-indicada. Outra contra-indicação absoluta, apesar de rara, é o câncer de mama masculino. Pacientes com queixas severas de obstrução urinária devido à próstata podem receber suplementação hormonal somente após serem adequadamente tratados por seu urologista. E pacientes em terapia de reposição, o exame do toque retal e do PSA (exame de sangue) deve ser feito obrigatoriamente de forma rotineira.

 Recentemente, a ORGANIZAÇÃO AMERICANA (FDA) alertou para o possível aumento de mortalidade em homens em uso de TRT.

Quanto aos riscos cardíacos e controle do colesterol, as pesquisas, apesar de controverso, apontam para um possível efeito deletério, em homens que já tenham Doença Cardíaca e em homens com mais de 70 anos. Nestes 2 grupos, a TRT tem que ser muito bem esclarecida entre o urologista e o paciente.

Trombose de veias também pode ser uma complicação e exigem um seguimento do seu médico.

 

Atualmente, a reposição pode ser feita com comprimidos, cápsulas, injeções de curta/longa duração (que atuam durante semanas ou meses), adesivos ou gels aplicados na pele. Cada via de administração tem seus prós e contras.

Infelizmente, muitas destas preparações são utilizadas na forma de suplementos, doping e em overdoses por usuários de academias e atletas jovens em busca de massa muscular e ganho de desempenho. O que resulta em infertilidade e diminuição do volume testicular, as vezes, de forma permanente.

Comentários (1)

  • nelsonpoa diz: 16 de novembro de 2015

    Texto muito grande. Ao meu ver, deixou de constar elementos importantes, mas só o alerta da FDA sobre o possível aumento de mortalidade em homens em uso de TRT já deixaria qualquer um no mínimo preocupado quanto ao uso. Primeiro que se o paciente tiver uma próstata considerada acima do tamanho normal, este está fora da reposição, sem falar que este tratamento é caro e o benefício a gente espera que seja aquele mesmo dos tempos de atuação quando então o paciente não espera que a perda cause deficiências no campo sexual.
    Antes da reposição, é necessário dizer, que além do exame de sangue para constatar a baixa da testosterona, deve-se avaliar a vida funcional do paciente durante os últimos tempos, alimentação, fumo, índice de gordura, álcool, etc…para saber se estes outros elementos não interferem na condução dos desejos que deixam de existir na forma de condução da vida sexual e afetiva do Homem, sem falar do coração e das veias que acabam ficando entupidas muitas vezes pelo fator tempo e deixam que o sangue circule como deveria nas artérias das cabeças.
    O que acontece é que o Homem não pode ficar a mercê de uma situação sem controle e completamente abatido por problema físicos oriundos da perda de capacidade seja de qualquer tipo; mas a reposição masculina, poderia ser utilizada, como a última opção, depois que todas as outras alternativas tenham sido tentadas em vão, e olha que são muitas, mesmo com os níveis de testosterona baixos, ainda assim o Homem pode ter uma vida sexual e afetiva ainda durante muito tempo, desde que tenha um estilo de vida e alimentação saudáveis, equilibradas com forma de estimular o cérebro a ver o desejo de outra forma. É necessário evoluir, para que o corpo volte a dar a resposta que a mente necessita.

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