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Posts de abril 2012

Reprodução assistida em mulheres com idade avançada

29 de abril de 2012 0


O número de mulheres que hoje escolhe postergar a maternidade é cada vez maior. Nos EUA, em 1970, uma a cada 100 mulheres tinha seu primeiro parto após os 35 anos. Em 2006, uma  em cada 12 mulheres ganhava seu filho após os 35 anos.

No momento que a mulher opta por postergar a maternidade para próximo ou além dos 40 anos, ela está forçando os limites do seu próprio sistema reprodutivo, uma vez que a fertilidade diminui com a idade. Desta forma, não surpreende que a procura por técnicas de reprodução assistida venha aumentando. A crescente popularidade destas técnicas tem dado às mulheres a impressão de que a fertilidade pode ser manipulada em qualquer fase da vida, o que é uma ideia errônea.

Na verdade, usando reprodução assistida, a percentagem de ciclos que resultam em gestação em mulheres acima de 42 anos que usam os seus próprios óvulos  tem permanecido inalterada: 9% em 2009, o que é muito inferior àquela obtida por mulheres abaixo de 35 anos: 48%.

Quando consideramos os riscos de infertilidade e abortamento em mulheres com idade avançada, é interessante entender porque estas mulheres fizeram a opção de postergar a maternidade. A grande maioria optou por isto em função da carreira profissional ou por não estar com um parceiro que considerasse adequado para formar uma família. Entretanto, o fator que mais parece contribuir para esta postergação é a desinformação acerca dos limites biológicos de fertilidade, dos riscos de gestação em idade avançada e dos verdadeiros resultados das técnicas de reprodução assistida.

O que fazer então para mudar estes conceitos? A resposta parece ser uma só: educação e divulgação de informações sobre o processo reprodutivo e sobre o declínio da fertilidade com a idade. Também cabe aos profissionais de saúde informar que as técnicas de reprodução assistida podem ajudar mulheres mais velhas a engravidar, mas que muitas vezes isto só será possível através do uso de óvulos doados, de embriões doados ou através dos óvulos congelados quando estas mulheres eram mais jovens para uso em idade mais tardia. Discutir todas estas opções com as pacientes é a melhor forma de desmistificar conceitos e realmente contribuir para uma decisão consciente a respeito da postergação da maternidade.

Postado por Isabel de Almeida

Avaliação da reserva ovariana

22 de abril de 2012 0


É durante a vida intrauterina que a mulher possui o maior número de oócitos, em torno de 6 a 7 milhões. Ao nascimento, este número já se reduziu a 2 milhōes e, na adolescência, há um declínio para 300.000 oócitos.

Se durante toda a sua vida reprodutiva, uma mulher libera em média 400 a 500 oócitos, para onde vão os restantes? Os restantes sofrem um processo de atrofia, que se acelera no final dos 30 anos e se encerra na menopausa.

É muito difícil prever quando uma mulher deixará de ser fértil e quando sua reserva ovariana se esgotará, mas o fato é que existe uma relação direta entre idade e declínio da fertilidade.

Existem vários exames que podem ser utilizados para avaliar a reserva ovariana. Atualmente, os mais utilizados são a dosagem do hormônio FSH, entre o 3º e o 5° dia do ciclo; a contagem por ecografia transvaginal dos folículos ovarianos, também no início do ciclo; e, mais recentemente, a dosagem do hormônio anti-mulleriano (AMH). Este hormônio, que é produzido pelas células da granulosa do ovário, avalia bem a reserva ovariana, pois quanto mais folículos houver no ovário, maior será a produção de AMH.

Todos estes testes nos dão uma ideia da reserva ovariana, mas não são infalíveis e devem ser utilizados em conjunto com o quadro clínico da mulher infértil. Além disto, não devem ser utilizados para prever o futuro reprodutivo, pois existem muitas outras variáveis, como fumo, álcool e fatores genéticos que interferem na reserva ovariana.

Postado por Isabel de Almeida

Fertilização "in vitro" e falhas de implantação

16 de abril de 2012 0

Apesar dos crescentes avanços na reprodução assistida, vários casais experimentam a frustração de não engravidar, mesmo após várias tentativas de fertilização “in vitro”.

A perda embrionária que ocorre repetidamente após a fertilização “in vitro” é chamada de falha de implantação e suas causas não são completamente conhecidas, mas sabemos que a má receptividade endometrial, as alterações no desenvolvimento embrionário e a endometriose podem estar relacionadas.

Os tratamentos propostos para as falhas de implantação  são vários, mas muitos ainda carecem de comprovação, como é o caso das vacinas e das imunoglobulinas. Vários estudos têm demonstrado  que o uso de vacinas feitas com leucócitos do esposo, bem como o uso de imunoglobulina injetável, não aumentam as taxas de gestação, não sendo a sua aplicação recomedável até que haja evidência científica que apoie o seu uso.

Postado por Isabel de Almeida


Gestação gemelar

08 de abril de 2012 0


A infertilidade  já é conhecida desde a antiguidade. Os egípcios, há mais de 2000 anos AC, já descreviam este problema. Entretanto, somente a partir do Reneascimento, com os estudos mais aprofundados da anatomia humana é que os conhecimentos na área da reprodução começaram a evoluir.


O século XX foi marcado por grandes descobertas nesta área, como o papel  dos hormônios sobre o ciclo menstrual, o desenvolvimento de medicaçōes hormonais para estimular a ovulação, os meios de cultura para cultivo de embriōes e as técnicas de fertilização “in vitro” que hoje utilizamos. Junto com isto, entretanto, houve, em decorrência das drogas indutoras da ovulação, um aumento nas taxas de gestação gemelar.

As gestaçōes múltiplas de dois ou mais fetos trazem mais complicaçōes obstétricas e perinatais do que as gestaçōes  únicas, pois aumentam o risco de diabete gestacional, pré-eclâmpsia e trabalho de parto prematuro. Com o nascimento antecipado, os recém-nascidos apresentam maior risco de terem baixo peso, sofrimento respiratório, problemas neurológicos e morte.

Hoje, um dos objetivos da reprodução assistida é reduzir o número de gestaçōes gemelares. Embora a redução do número de fetos dentro do útero seja uma solução bastante utilizada nos Estados Unidos, no nosso meio ela não é permitida. Transferir menos embriōes nos ciclos de fertilização “in vitro” tem ajudado a diminuir as taxas de gestação múltipla, embora não seja uma solução que se aplique a todas as pacientes. O que esperamos é que num futuro próximo a melhoria das técnicas de cultivo embrionário e os conhecimentos acerca da genética do embrião nos permitam transferir um único embrião , permitindo uma gestação única e saudável de cada vez.


Postado por Isabel de Almeida

Gestação gemelar e reprodução assistida

02 de abril de 2012 0

Frequentemente, casais com problemas de infertilidade perguntam acerca dos riscos e das possibilidades de terem gêmeos. Antes de entrar neste tópico, é interessante esclarecer os tipos de gestação múltipla que existem.

Na natureza, existem os gêmeos dizigóticos, que são aqueles que nascem de óvulos e espermatozoides diferentes e, portanto, apresentam características físicas diferentes, podendo ser do mesmo sexo ou não. Já os gêmeos monozigóticos  provêm de um mesmo óvulo e de um mesmo espermatozoide, apresentando características físicas idênticas e sendo sempre do mesmo sexo.

Em ciclos espontâneos, a prevalência de gêmeos dizigóticos varia de acordo com a etnia. Por exemplo, entre japoneses, a incidência é de 1,3/1000 nascimentos;  8/1000 em europeus e chega até 50/1000 entre nigerianos. Além disso, gêmeos dizigóticos também são mais comuns em mulheres que engravidam com idade avançada, entre mulheres que já têm outros filhos e naquelas que têm história familiar de gemelaridade.

Em contraste, a taxa de gêmeos monozigóticos é relativamente estável na população:  4/1000 nascimentos, e independe da idade materna, raça e número prévio de filhos, embora a predisposição genética possa ter alguma influência.

Nos tratamentos de reprodução assistida, o principal fator de risco para gêmeos dizigóticos é a transferência de mais de um embrião. O risco de gêmeos idênticos, ou monozigóticos, também está  aumentado nos procedimentos de ICSI. Embora o objetivo dos tratamentos de infertilidade seja o de proporcionar ao casal uma criança saudável de cada vez, os riscos de gestação múltipla existem , mas, hoje, com a melhoria crescente das técnicas de seleção embrionária, congelamento de embriões e protocolos de estimulação ovariana, tem sido mais  fácil prevenir esta complicação.


Postado por Isabel de Almeida