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Vacinas na gestação

06 de abril de 2014 0

A FEBRASGO  (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) acaba de lançar um manual atualizado sobre vacinações na mulher. O capítulo sobre gestação está descrito abaixo.

O ideal é que todas as mulheres tenham completado o calendário de vacinação da mulher adulta antes de engravidar. Desta forma, o feto e o recém-nascido poderão usufruir plenamente de toda a imunização. Os anticorpos contra as doenças atarvessam a placenta e também são transmitidos pelo leite materno, conferindo proteção passiva à criança até, aproximadamente, os 15 meses de vida.

As vacinas que estão indicadas na gestação são:

 1. vacina contra a gripe: é segura em qualquer idade gestacional. Sua aplicação deve ser feita antes ou durante o inverno e sua proteção dura em torno de 6-12 meses. É importante saber que esta vacina pode falsear alguns exames laboratoriais, como os testes para HIV, hepatite C e HTLV. Assim, caso um destes exames der positivo após a  vacinação, a gestante deverá realizar exames mais específicos.

 2. vacina para hepatite B: o esquema completo de vacinação é de três doses (0, 1 e 6 meses) e pode ser iniciado em qualquer trimestre.

 3. vacina contra difteria, tétano e coqueluche: para prevenir estas três doenças  é necessário fazer a vacina tríplice bacteriana acelular do tipo adulto (dTpa) nas gestantes após 20 semanas de gravidez. Esta vacina tipo adulto tem formulação especial com redução de 1/3 dos componentes da coqueluche e do toxoide diftérico da vacina da çriança.

As vacinas que estão contraindicadas na gestação são:

1. BCG (tuberculose)
2. tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)
3. varicela
4. febre amarela

Uma boa estratégia é fazer estas vacinas que são contraindicadas na gestação no período pós-parto, com exceção da vacina da febre amarela. Esta vacina, se for feita no puerpério, deverá ter a amamentação suspensa por 15 dias se a criança tiver até seis meses de idade.
Uma observação que deve ser feita é que em casos onde o risco de contrair febre amarela for muito elevado, após avaliação médica, esta vacina poderá ser administrada na gestação.

Postado por Isabel de Almeida

Conhecimentos sobre saúde reprodutiva

31 de março de 2014 0

Recente pesquisa nos Estados Unidos entrevistou 1000 mulheres entre 18-40 anos, de vários grupos étnicos, buscando identificar seus conhecimentos e práticas acerca de assuntos como gestação e saúde reprodutiva. Deste grupo, 80% tinha ensino médio completo ou mais.

Os resultados mostraram que a maioria das mulheres não relaciona menstruações muito dolorosas com endometriose e possível infertilidade. Cerca de 1/3 das entrevistadas desconhece a influência das doenças sexualmente transmissíveis sobre a fertilidade e 1/4 desconhece as implicações negativas da obesidade sobre a gravidez.

Além disso,  70% das mulheres entrevistadas entre 18-24 anos desconhece o risco da idade materna avançada sobre anormalidades cromossômicas no feto. Aproximadamente 40% das mulheres entrevistadas acreditavam que os ovários produzem novos óvulos durante a vida reprodutiva, o que não é verdade, pois os óvulos estão prontos desde a vida embrionária e vão sendo reduzidos durante a vida. Também, cerca de metade das entrevistadas acreditava, erroneamente, que algumas posições durante o ato sexual favoreciam a gestação, bem como ter relações sexuais mais de uma vez por dia aumentava as chances de concepção.

Em resumo, este estudo mostrou que existe um conhecimento limitados das mulheres acerca de suas questões reprodutivas e que existe uma carência de estratégias e informações por parte das equipes de saúde. Embora este estudo seja americano, é bem provável que os resultados no Brasil também apontem neste sentido, reforçando a necessidade de informações consistentes e confiáveis para as mulheres jovens.

Postado por Isabel de Almeida

Estilo de vida e complicações na gestação

23 de março de 2014 0

Antes de engravidar, é comum que as mulheres procurem o ginecologista para receberem orientações. Para otimizar o aconselhamento preconcepcional, é importante conhecer o estilo de vida do casal e identificar quais hábitos estão associados com risco aumentado de complicações na gestação.

Recente estudo realizado na Holanda entrevistou cerca de 2300 casais sobre seus hábitos de vida, dados da gestação, do parto e do recém-nascido. As conclusões mostraram que mulheres obesas apresentaram maior risco de hipertensão e diabete na gestação e um risco menor de terem bebês com baixo peso. Mulheres que fumaram durante a gestação tiveram maior risco de ter bebês com peso menor do que o esperado.

Já os hábitos de vida paternos não mostraram relação direta com riscos na gestação. Entretanto, o estudo mostrou que, quando as mulheres eram obesas ou fumantes, usualmente o esposo também era. Como se sabe, é difícil para a mulher mudar seus hábitos de vida se o marido permanecer com hábitos não saudáveis. Desta forma, pode-se dizer que o homem pode causar um dano indireto para o futuro bebê. Por isto, o aconselhamento antes da gestação deve envolver o casal e não somente a mulher, pois comprovadamente um estilo de vida saudável, sem cigarro e obesidade, com alimentação equilibrada, diminui a chance de complicações na gestação como diabete, hipertensão e retardo de crescimento intrauterino.

Postado por Isabel de Almeida

Declínio da fertilidade

16 de março de 2014 2

A fecundidade das mulheres diminui ao longo da vida. Durante a vida intrauterina, existem 6-7  milhões de óvulos no feto feminino. Já ao nascimento, são somente 1-2 milhões de óvulos e este número segue declinando de forma que na adolescência restam entre 300.00-500.000 óvulos e apenas 1000 na época da menopausa.

Desta forma, a fecundidade das mulheres inicia lentamente seu declínio em torno dos 32 anos e de forma mais rápida após os 37 anos. Este declínio também aparece nos resultados da fertilização “in vitro” (FIV). Em mulheres abaixo de 35 anos, a taxa de nascimento na FIV é de 41%, mas somente 12% em mulheres entre 41-42 anos e apenas 1% para mulheres acima de 44 anos.

À medida que a idade aumenta, o risco de outras doenças que também causam infertilidade, como miomas, obstrução tubária e endometriose, também aumenta. Da mesma forma, mulheres que são fumantes, tiveram cirurgia em ovário, fizeram quimioterapia ou têm história familiar de menopausa precoce, também têm maior risco de infertilidade.

Assim, fica o alerta para que as mulheres estejam atentas sobre o efeito negativo da idade sobre a fecundidade e também para que as mulheres acima de 35 anos que estão tentando engravidar não esperem mais do que seis meses de tentativa para iniciar a investigação de infertilidade.

Postado por Isabel de Almeida

Idade materna e alterações embrionárias

23 de fevereiro de 2014 0

Nos últimos 20 anos, houve grandes avanços na reprodução assistida. Entretanto, embora as taxas de gestação tenham aumentado, ainda existem muitos casais  que não conseguem engravidar com o auxílio destas técnicas.

A ineficiência da fertilização “in vitro” resulta de muitos fatores, mas, sem dúvida, uma das principais causas é a presença de alterações cromossômicas nos  embriões relacionadas à idade materna. Recente trabalho publicado em revista médica especializada em reprodução humana realizou biópsia de embriões antes de serem transferidos para o útero materno. O material foi analisado com o objetivo de identificar anormalidades cromossômicas. No total, foram avaliados mais de 15.000 embriões provenientes de 2701  pacientes.

Os resultados mostraram que as menores taxas de alterações cromossômicas se dão em mulheres que têm entre 26-30 anos. Após os 31 anos, a prevalência de embriões alterados vai aumentando até chegar a uma estabilização em torno dos 43 anos. A partir desta idade, o número de embriões com alterações cromossômicas pode chegar a 85%.

Este trabalho mostra, com um número grande de casos, que a idade materna avançada tem um impacto negativo sobre as taxas de gestação. Isto serve como um alerta para que os casais investiguem a infertilidade mais cedo e também para que as mulheres comecem a pensar nas questões reprodutivas mais precocemente.

Postado por Isabel de Almeida

Consumo de gordura e qualidade do sêmen

16 de fevereiro de 2014 0

A contagem de espermatozoides em homens que vivem em países desenvolvidos vem diminuindo ao longo do tempo. Muitos estudos sugerem que a dieta e o estilo de vida têm um impacto na qualidade do sêmen e que o consumo de gordura “trans” piora as características dos espermatozoides.

Recente trabalho realizado na Espanha com mais de 200  universitários correlacionou o tipo de alimentação que estes jovens consumiam com a avaliação de suas amostras de sêmen.  Os resultados mostraram que os homens que consumiam dietas ricas em colesterol e gorduras “trans” apresentavam menor contagem de espermatozoides e com menor motilidade.

O quanto estas alterações no sêmen vão determinar infertilidade ainda não se sabe, mas fica o alerta para a população jovem para que procure manter uma dieta balanceada, baseada em fibras, frutas e verduras. Com uma alimentação mais saudável, o risco de obesidade, diabete e doenças cardiovasculares irá diminuir e, provavelmente, a fertilidade no futuro será mais preservada.

Postado por Isabel de Almeida

Obesidade e produção de espermatozoides

09 de fevereiro de 2014 0

A obesidade é hoje um problema de saúde pública e pesquisas recentes mostram que o aumento de peso traz problemas para a saúde geral do indivíduo e também para a sua saúde reprodutiva.

Recente trabalho nos Estados Unidos acompanhou 500 casais que estavam tentando engravidar. Neste estudo, foram avaliados o índice de massa corporal e o grau de obesidade nos homens, além da avaliação de uma amostra de sêmen. A conclusão deste estudo é de que homens com sobrepeso ou obesidade têm uma maior incidência de alterações no sêmen, como volume reduzido e menor contagem de espermatozoides.

A explicação para a obesidade diminuir a produção de sêmen não é bem conhecida, mas sabe-se que os  fatores hormonais e o aumento da temperatura na bolsa escrotal, causada pelo excesso de gordura abdominal, podem estar implicados.

Este trabalho reforça a importância de implementar medidas que reduzam a obesidade como forma de prevenir problemas clínicos como diabete e doenças cardiovasculares, mas também como forma de proteger a fertilidade masculina.

Postado por Isabel de Almeida

Novela e reprodução assistida

02 de fevereiro de 2014 0

A novela da noite acabou esta semana e, para quem trabalha com infertilidade, chamou atenção as fantasiosas questōes da reprodução assistida, onde médicos misturavam amostras de sêmen, trocavam óvulos de doadoras, enfim, uma grande mistura de material biológico, sem nenhum respaldo ético ou legal.

Embora acredite que a maioria dos telespectadores veja isto apenas como uma maneira do autor da novela ter assunto para mantê-la no ar por tanto tempo, espero que os casais inférteis que realizam procedimentos de reprodução assistida não acreditem que isto possa ser verdade, porque não é. As normas para reprodução assistida são claras, definidas pelo Conselho Federal de Medicina e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e não dão margem para situações como as descritas na novela.

Mas além disto, o que mais me chamou atenção foi o fato do personagem Bruno, que encontrou um bebê recém-nascido em uma caçamba, ter forjado documentos e ter ficado com a criança. Embora ele estivesse mobilizado por um sofrimento extremo, o que fez pode ser considerado crime. Por mais louvável que tenha sido ele ter salvado o bebê, atitude que imagino a maioria das pessoas teria, o correto seria comunicar às autoridades, entregar a criança e, muito provavelmente, através dos registros de entrada de mulheres nos hospitais da cidade naquele dia, a verdadeira mãe biológica seria encontrada. Caso não fosse, haveria uma lista de espera repleta de casais ansiosos por um bebê aguardando há anos na fila da adoção.

O que fez o personagem Bruno foi uma adoção “selvagem”, tirando da mãe biológica o direito de reencontrar seu filho e passando por cima de uma lista de espera de casais para adoção que passaram por um longo processo de entrevistas com assistentes sociais e psicólogos e que foram considerados aptos para adotarem uma criança. Em nenhum momento isto foi questionado e a ideia de bom moço vigorou. Mas será que é realmente assim?

Postado por Isabel de Almeida

Transferência de embriões

12 de janeiro de 2014 0

Na fertilização “in vitro”, é comum que se tenha mais de um embrião para ser transferido. Dependendo da legislação, da idade da mulher, do desejo do casal e do número de embriões, os serviços de reprodução assistida terão de selecionar os melhores embriões para transferência imediata. Se houver embriões restantes, dependendo de seu desenvolvimento, eles poderão  ser congelados e guardados para serem transferidos em outro momento. Se o casal engravidar, poderá voltar tempos depois para tentar uma nova gestação. Caso não engravide neste ciclo, já terão embriões prontos e a mulher não precisará usar toda a medicação hormonal necessária para estimular a ovulação.

Os critérios de seleção embrionária utlizados pela maioria dos laboratórios de reprodução assistida utilizam a avaliação visual do embrião à microscopia. Desta forma, eles recebem uma nota com base no número e tamanho de suas células, na percentagem de fragmentação, na velocidade com que fazem a sua divisão celular, entre outros critérios. Os que apresentarem melhor  nota serão os selecionados para a transferência embrionária.

O que tem de ficar claro é que este critério não garante que um embrião que recebeu uma nota ótima irá certamente implantar, pois os estudos mostram que a principal causa de falha de implantação é a alteração na contagem cromossômica dos embriões, o que não pode ser avaliado somente olhando o embrião ao microscópio. Desta forma, o que se observa é que , mesmo embriões com boas notas também podem ter problemas cromossômicos e  síndromes que, na maioria das vezes , pararão seu desenvolvimento no início da gravidez , levando ao abortamento.

Desta forma, como garantir que os embriões que estão sendo transferidos são realmente saudáveis? Existem vários testes invasivos, como o diagnóstico genético pré-implantacional, que pode analisar células do embrião antes de serem transferidos e diagnosticar doenças gênicas e desordens cromossômicas. Existem também vários estudos em andamento visando avaliar o desenvolvimento embrionário ainda em fase precoce de maneira a selecioná- lo de forma melhor e menos invasiva. Entretanto, até o momento, os critérios de seleção embrionária disponíveis ainda não garantem que os embriões transferidos, independente da nota que recebem, são normais do ponto de vista cromossômico.

Postado por Isabel de Almeida

Fertilização "in vitro" e câncer de mama

05 de janeiro de 2014 0

O câncer de mama está relacionado a fatores de risco como:

      - idade precoce da primeira menstruação,
      - menopausa tardia,
      - obesidade pós-menopáusica,
      - mulheres que nunca tiveram filhos,
      - mulheres que tiveram seu primeiro filho com idade avançada.
Também níveis elevados do hormônio estrogènio estão associados com risco maior de câncer de mama.
Por outro lado, a remoção cirúrgica dos ovários exerce um efeito protetor contra o câncer de mama.

Recente publicação em revista médica revisou artigos que abordavam o risco das medicações estimuladoras da ovulação para fertilização “in vitro” e câncer de mama. Os resultados mostraram que, até o momento, as medicações hormonais utilizadas para fertilização não aumentam o risco de mama e , embora mais estudos estejam sendo realizados, o seu uso tem se mostrado seguro para as mulheres.

Postado por Isabel de Almeida