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Infertilidade sem causa aparente

03 de julho de 2016 0

Muitos casais que não estão conseguindo engravidar, após fazerem a investigação, que inclui avaliação da permeabilidade das trompas, análise do sêmen e da função ovulatória, recebem a informação de que seus exames são todos normais.

Em torno de 10-30% dos casais inférteis recebem o diagnóstico de infertilidade sem causa aparente. Embora, em um primeiro momento, este diagnóstico seja recebido como um grande alívio por parte do casal, uma vez que nada grave apareceu em seus exames, por outro, também gera uma certa insegurança, uma vez que não existe um tratamento propriamente disto para esta condição. As opções de tratamento são bastante variadas e vão desde a conduta expectante até a fertilização “in vitro” , passando pelo controle de ovulação e coito programado, uso de medicações estimuladoras da ovulação e inseminação intrauterina.

Recente trabalho comparou estes diferentes tratamentos e os resultados mostraram que a conduta expectante é comparável ao uso de medicamentos estimuladores da ovulação e inseminação. Além disso, a fertização “in vitro” não é mais efetiva do que o uso de medicamentos injetáveis com inseminação, mas encurta o tempo para atingir a tão esperada gravidez.

Como ainda não existe um consenso sobre qual o melhor tratamento para os casais que recebem o diagnóstico de infertilidade sem causa aparente, a melhor conduta é a individualização de cada caso, levando em conta o tempo que o casal está tentando, o seu desgaste emocional e a sua idade.

Postado por Isabel de Almeida

Clamídia e infertilidade

19 de junho de 2016 0

Recente estudo realizado na Dinamarca acompanhou durante vários anos mulheres que tiveram um ou mais exames positivos para Clamídia, comparando, com base nos registros hospitalares, complicações que estas mulheres tiveram relacionadas a gestação ectópica, doença inflamatória pélvica e infertilidade de causa tubária.

Os resultados mostraram que o risco de qualquer destas complicações aumenta em 30% em mulheres que tiveram um ou mais exames positivos para Clamídia, comparando com mulheres que não tiveram este exame positivo.

Além disso, vale lembrar que, além das complicações analisadas neste trabalho, a Clamídia também está associada com dor pélvica crônica, trabalho de parto prematuro, conjuntivite e pneumonia no recém-nascido e epididimite em homens. Desta forma, em mulheres jovens, são importantes as visitas regulares aos serviços de saúde, bem como o rastreamento desta infecção, para que o tratamento seja instituído o mais cedo possível a fim de prevenir estas complicações.

Postado por Isabel de Almeida

Fertilidade e infecções sexualmente transmissíveis

05 de junho de 2016 0

Tem-se observado o retorno de algumas infecções sexualmente transmissíveis (IST) que estavam adormecidas, como a gonorreia e a sífilis, bem como o aumento das infecções por Clamídia. Isto tem acontecido, sobretudo, entre jovens de 15-24 anos que, além de não se protegerem, sabem pouco a respeito destas infeções e de seus sintomas. Por consequência, muitas vezes o tratamento é postergado ou mesmo não realizado. Este aumento tem sido creditado também ao maior uso das redes sociais e de aplicativos que aumentam o contato sexual entre pessoas desconhecidas entre si, ou melhor, conhecidas virtualmente há pouco tempo. Neste caso, o problema não é o contato sexual, mas sim a falta de proteção.

A infecção por Clamídia em mulheres está associada com doença inflamatória pélvica, infertilidade, gestação nas trompas (gestação ectópica) e dor pélvica crônica. Além disto, a Clamídia não tratada durante a gestação está associada com abortamento, ruptura prematura de membranas, trabalho de parto prematuro e infecção uterina.

Infelizmente, muitas mulheres não apresentam sintomas, o que torna o diagnóstico e o tratamento precoces mais difíceis. Assim, é importante a visita regular aos serviços de saúde e, sobretudo, o uso de preservativos. Para garantir isto, a melhor prevenção primária é a educação sexual, que deve estar presente também na escola, para garantir a todos os jovens o conhecimento sobre os riscos do sexo desprotegido. Além disso, promoção do uso de preservativos e fácil acesso aos mesmos também são a base do controle das infecções sexualmente transmissíveis.

Postado por Isabel de Almeida

Infertilidade e impacto emocional

22 de maio de 2016 0

O impacto social e emocional da infertilidade pode ser muito grande na vida dos casais. Isto pode fazer com que seja adiada a procura por profissionais especializados ou que estes casais não retornem para os tratamentos indicados e, até mesmo, que desistam de voltar quando o diagnóstico não é tão otimista quanto o esperado.

Apesar dos grandes avanços na área de reprodução assistida, aproximadamente metade dos casais inférteis nunca procurou um serviço especializado. Da metade que procurou assistência, 20% esperou mais de dois anos para consultar um especialista. Quando se investiga a razão para esta demora, observa-se que as principais causas são a falta de consciência do problema e o medo de não conseguir engravidar.

Quanto mais o casal e os profissionais envolvidos no tratamento da infertilidade entenderem as barreiras emocionais que existem, mais hábeis estarão para lidar com esta situação. O uso de recursos que deem suporte emocional, que diminuam a ansiedade e ajudem o casal a manejar as dificuldades da investigação e dos tratamentos da infertilidade são fundamentais. O sofrimento psíquico determinado pela infertilidade é a principal causa de abandono dos tratamentos. Os casais que conseguem transpor este obstáculo terão grandes chances de sucesso, pois tendem a dar maior continuidade aos tratamentos, aumentando as suas taxas de gestação.

Postado por Isabel de Almeida

Congelamento de óvulos e Zica vírus

08 de maio de 2016 0

O congelamento de óvulos tem se mostrado uma técnica eficiente para preservação da fertilidade. Em um primeiro momento, as mulheres com câncer que iriam se submeter a tratamentos como quimioterapia ou radioterapia, os quais poderiam levar à infertilidade no futuro, foram as primeiras a usarem esta técnica. Após, mulheres que desejam postergar a maternidade, mas que sabem que sua reserva ovariana irá diminuir ao longo do tempo, também começaram a buscar informações acerca deste procedimento.

Recentemente, algumas clínicas no nordeste do país têm relatado que a procura por congelamento de óvulos têm aumentado em função do medo do Zica vírus.O Zica vírus é um membro da família dos flavovírus, que também inclui a dengue e a febre amarela. Seu nome se deve ao fato de ter sido identificado pela primeira vez em 1947 no sangue de um macaco que habitava a Floresta de Zica, em Uganda, na África. O Zica vírus é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue. Os principais sinais e sintomas de infecção pelo Zica vírus são manchas vermelhas na pele, febre, dores nas articulações e no corpo, dores de cabeça e conjuntivite. A infecção pelo Zica vírus pode ser confundida com a dengue. O grande problema na gestação é que ele tem sido associado à microcefalia nos bebês.

Desta forma, mulheres que moram em áreas onde a incidência de Zica vírus é alta e não podem postergar a gestação, podem recorrer às técnicas de congelamento, tanto de óvulos como de embriões, guardando-os até que haja um controle maior da epidemia.

Postado por Isabel de Almeida

Abortamento e infecções

24 de abril de 2016 0

Abortamento é definido como uma perda espontânea da gestação que ocorre até as 24 semanas de gravidez. Para a maioria das mulheres, o abortamento se constitui em um episódio isolado, mas em um pequeno grupo, cerca de 1%, este evento se torna repetitivo, necessitando de investigação.

Abortamento precoce é aquele que ocorre até 12 semanas de gravidez e ocorre em 1 a cada 5 gestações. Abortamento tardio ocorre entre 13-24 semanas, é mais raro, atingindo 1-2% de todas as gestações.

As causas de abortamento não são totalmente conhecidas. Entretanto, em cerca da metade das perdas gestacionais de primeiro trimestre as causas são alterações cromossômicas no embrião. Outros fatores também estão implicados, como idade avançada dos pais, obesidade materna, stress, consumo de álcool e cigarro e infecções.

Dentre as infecções, malária, citomegalovírus, dengue, rubéola, HIV, sífilis, vaginose bacteriana ( Gardnerella vaginalis ) e brucelose estão entre os agentes que podem causar abortamento. Para outros microorganismos como Clamídia, vírus da hepatite B e C e toxoplasma ainda não está bem definido o seu papel nas perdas gestacionais.

Desta forma, consultas médicas regulares antes e durante a gestação, bem como o rastreamento de alguns microorganismos que podem causar abortamento certamente ajudarão a diminuir o número de casos de aborto na população.

Postado por Isabel de Almeida

A melhor idade para engravidar

10 de abril de 2016 0

Do ponto de vista biológico, o melhor momento para uma mulher ter filhos é entre os 18 e os 30 anos. Após os 30 anos, a capacidade reprodutiva começa lentamente a declinar, devido ao envelhecimento e à perda da reserva de óvulos, armazenados no ovário desde a vida intrauterina.

O surgimento da pílula na década de 60 possibilitou à mulher postergar a maternidade, prevenir as gestações não desejadas e planejar o momento de iniciar uma família. Como resultado, desde 1970 a idade média das mulheres na primeira gestação aumentou em 4-5 anos nos países europeus e a proporção de mulheres tendo seu primeiro filho após os 30 anos aumentou em até 40%.

Recente trabalho realizado na Holanda fez um modelo de fertilidade simulado em computador para demonstrar até que idade os casais poderiam esperar para iniciar uma família sem comprometer as chances de terem o número de filhos desejados. Os resultados mostraram que casais que desejam ter dois filhos e querem 90% de sucesso, sem o uso de fertilização ” in vitro” , devem iniciar as tentativas até os 27 anos. Se as chances de sucesso em ter estes dois filhos forem de 50%, a idade para iniciar a tentar engravidar deve ser até os 38 anos.

Para os casais que desejam somente um filho, concebido de forma natural e com 90% de chance de sucesso, a idade máxima deve ser de 32 anos para a mulher. Se considerarmos somente 50% de sucesso, a idade máxima passa a ser 41 anos.

Embora este modelo seja preditivo e não possa ser considerado infalível ele mostra que a idade da mulher é um fator importante para a gestação. Desta forma, tentar ter a primeira gestação muito tarde implica em correr o risco de não conseguir gestar ou de não conseguir ter um segundo filho em função da idade.

Postado por Isabel de Almeida

Dia Mundial da Saúde

03 de abril de 2016 0

No dia 07 de abril se celebra o Dia Mundial da Saúde.
Falando de mulheres, sua expectativa de vida é maior do que a dos homens. Entretanto, a principal causa de morte das mulheres em países ocidentais são as doenças cardiovasculares. A perda de proteção hormonal, em especial do estrogênio, após a menopausa, põe as mulheres, sobretudo após os 65 anos, em condições iguais aos homens frente a fatores de risco como hipertensão, sobrepeso e diabete. A prevenção, porém, inicia ainda na juventude, eliminando o cigarro, limitando o consumo de álcool e combatendo o sobrepeso, através de alimentação saudável e exercício físico.

Além disso, na menopausa é importante prevenir a osteoporose, que atinge 1 em cada 3 mulheres com mais de 50 anos. Embora a genética esteja implicada, é possível prevenir ou retardar o seu surgimento. Para isso, é importante uma alimentação rica em cálcio (cerca de 1g por dia), como a encontrada no leite e derivados, na água mineral, na amêndoa, no gergelim e em outros vegetais. Além disso, uma prática desportiva regular. Neste caso, a natação é o esporte menos eficaz. Outro grande auxílio na prevenção da osteoporose é a vitamina D, cuja síntese depende em 80% da luz natural. A exposição solar controlada, alguns tipos de peixe (atum sardinha, anchova, salmão) e alguns laticínios (queijo parmesão e ricota) também auxiliam. Em alguns casos, a suplementação com vitamina D será necessária.

Já o câncer de mama, que é o principal tumor em mulheres, graças ao diagnóstico e ao tratamento mais precoces, tem vitimado cada vez menos mulheres. Hoje, vários estudos apontam que é possível adotar algumas medidas preventivas para este tipo de tumor, como atividade física regular; dormir bem, pois a melatonina da noite tem um papel preventivo, e manter a glicemia sob controle, utilizando pouco açúcar refinado e refrigerantes.

Postado por Isabel de Almeida

Como melhorar os resultados da fertilização "in vitro"

20 de março de 2016 0

A idade da mulher afeta o número e a qualidade dos óvulos disponíveis para a fertilização “in vitro” (FIV). Também no homem, a idade altera a qualidade dos espermatozoides, o que pode diminuir os resultados na reprodução assistida. Considerando que a idade não é um fator que se possa mudar, o que é possível sugerir para que os casais que estão iniciando ciclos de fertilização ” in vitro” possam melhorar seus resultados:

1. Redução do peso: todas as mulheres obesas, especialmente as que apresentam IMC (índice de massa corporal) > 35kg/m2, devem ser estimuladas a perder peso antes de iniciar a FIV, especialmente aquelas que tiverem menos de 38 anos.

2. Cigarro: mulheres fumantes reduzem suas taxas de gestação com FIV à metade e aumentam em 25% suas chances de abortamento. Também homens fumantes reduzem o sucesso das técnicas de reprodução assistida. Um período sem fumo de 3-6 meses antes de iniciar os tratamentos é recomendável.

3. Álcool: reduz as taxas de sucesso da FIV e aumenta as taxas de abortamento. O casal deve ser orientado a se abster de álcool antes e durante os ciclos de FIV.

4. Cafeína: os dados são controversos, mas atualmente a orientação é de a mulher limitar o uso da cafeína nos ciclos de FIV.

5. Alimentação: estudos mostram que o consumo de alimentos cozidos em altas temperaturas (churrasco, grelhados) pode ser nocivo para o processo reprodutivo. Desta forma, sugere-se o consumo de alimentos cozidos, bem como uma dieta com pouca carne vermelha e mais rica em peixes, frutas e verduras.

6. Bisfenol A: mulheres que apresentam altos índices circulantes de bisfenol A têm piores resultados na FIV. Recomenda- se evitar o contato frequente com as principais fontes de bisfenol que são as embalagens plásticas, alimentos enlatados e recibos de cartão de crédito.

7. Exercício: o exercício moderado para o casal melhora as qualidades dos gametas e os resultados da FIV. Por outro lado, exercício vigoroso para as mulheres está associado com piores resultados na fertilização. Em homens, mais de cinco horas de ciclismo/ semana reduzem a qualidade do sêmen, mais pelo aquecimento da zona testicular do que pela atividade física em si.

8. Antioxidantes e suplementos vitamínicos: uma dieta rica em antioxidantes, como a dieta mediterrânea, é sugerida. Chocolate amargo, romã, chá verde, mirtilo, vegetais, frutas, especiarias como cominho, gengibre e orégano também são fontes. Numerosos suplementos antioxidantes estão disponíveis, sendo que a vitamina C é a mais conhecida. O uso de outros suplementos, como ômega-3 e ácido fólico, também deve ser discutido com o médico assistente.

9. Stress: para a mulher, o stress da infertilidade pode ser comparável a ter um diagnóstico de câncer. Vários estudos têm correlacionado o impacto negativo da ansiedade, da depressão e da irritabilidade com o sucesso das técnicas de FIV. Por outro lado, intervenções psicológicas têm mostrado resultados positivos nas taxas de gestação, como técnicas de relaxamento e estratégias para manejar o stress utilizando técnicas individuais, para casais ou em grupos.

Concluindo, acima foram descritas algumas medidas que podem ser adotadas para aumentar a chance de gestação em casais inférteis que estão realizando FIV. Para os homens, o uso de ômega-3 e antioxidantes está indicado em alguns casos. Para as mulheres, redução do stress e da resposta do corpo ao stress, bem como exercício e perda de peso em mulheres obesas também são medidas importantes. Para o casal, é recomendável evitar o consumo de álcool, parar de fumar pelo menos 3-6 meses antes de iniciar o ciclo de FIV, bem como adotar uma dieta saudável e a prática de exercícios físicos moderados.
Devido à associação do stress oxidativo com idade, obesidade, má qualidade do sêmen, dos óvulos e dos embriões, aumentar a ingesta de antioxidantes é uma boa medida para os casais inférteis, especialmente aqueles acima dos 40 anos.
Recentemente, alguns trabalhos em animais demonstraram que o uso da coenzima Q10 pode melhorar as taxas de embriões viáveis na FIV, mas ainda mais estudos são necessários para adotar esta medicação para as mulheres que irão à FIV.

Postado por Isabel de Almeida

Congelamento de óvulos

13 de março de 2016 0

O congelamento de óvulos tem se mostrado uma técnica eficiente para preservação da fertilidade. Em um primeiro momento, as mulheres com câncer que iriam se submeter a tratamentos como quimioterapia ou radioterapia, os quais poderiam levar à infertilidade no futuro, foram as primeiras a usarem esta técnica. Após, mulheres que desejam postergar a maternidade, mas que sabem que sua reserva ovariana irá diminuir ao longo do tempo, também começaram a buscar informações acerca deste procedimento.

Nos últimos anos, a procura por técnicas de reprodução assistida tem aumentado entre mulheres com mais de 40 anos. Entretanto, há que se registrar que a idade ideal para congelamento de óvulos é até 35 anos, embora se observe que a idade média de primeira consulta para discutir este assunto esteja ao redor dos 37 anos. Este dado é importante para não gerar falsas expectativas nas pacientes, uma vez que se sabe que as taxas de sucesso da fertilização ” in vitro” caem a partir dos 35 anos e, mais acentuadamente, após os 40 anos. De acordo com o Registro Europeu de Reprodução Assisitida, as taxas de gestação para mulheres entre35-39 anos são de 27% e de 14% para o grupo acima de 40 anos. Desta forma, quanto mais tarde os óvulos forem congelados, menores serão as taxas de sucesso quando forem utilizados anos mais tarde.

Concluindo, o congelamento de óvulos com o objetivo de postergar a maternidade é uma técnica com muito bons resultados, mas não é uma garantia de sucesso absoluto em termos de gestação. É importante que este assunto comece a ser tratado mais cedo, para que as mulheres optem por este procedimento quando têm uma reserva ovariana maior e com qualidade melhor, o que irá se refletir nos resultados de gestação no futuro.

Postado por Isabel de Almeida