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A pílula rosa

23 de agosto de 2015 0

Esta semana o FDA, organismo governamental que regula os medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, liberou para comercialização a chamada “pílula rosa”. De nome comercial Addyi, este medicamento tem como princípio ativo a flibanserina, a qual regula os diversos mecanismos químicos que afetam o desejo sexual. Sua ação se dá no sistema nervoso central, corrigindo os níveis de dopamina e norepinefrina ( responsáveis pela excitação sexual) e diminuindo os níveis de serotonina ( responsável pela inibição sexual). A flibanserina não é uma droga hormonal e não afeta o fluxo sanguíneo como os medicamentos utilizados pelos homens para tratar a disfunção eréctil. O objetivo deste medicamento é aumentar a libido feminina.

Esta medicação foi liberada pelo FDA após duas negativas anteriores e a recomendação é de que a mesma seja usada uma vez ao dia, todos os dias, para mulheres pré-menopáusicas, não devendo ser usada com álcool. Os principais efeitos colaterais são tonturas, queda de pressão arterial, sonolência e náuseas.

Nos EUA, o Addyi será lançado nas farmácias em outubro de 2015, a um custo médio de 350 dólares por mês. Não há previsão de chegada ao Brasil. Os resultados iniciais com este medicamento sobre a libido ainda são modestos, mas talvez a grande vantagem seja a possibilidade de maior investimento em pesquisas nesta área, as quais poderão beneficiar muitas mulheres que há tempo buscam um tratamento para uma condição que traz um grande impacto negativo nas suas vidas.

Postado por Isabel de Almeida

Ovários policísticos e complicações na gestação

16 de agosto de 2015 0

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição que se caracteriza por distúrbios na ovulação, ecografia mostrando ovários com microcistos e manifestações androgênicas, como acne e aumento de pelos. A obesidade está presente em mais da metade dos casos.

A SOP é mais do que uma desordem hormonal; é uma doença metabólica que pode afetar a saúde da mulher durante e após a sua vida reprodutiva. Estudos mostram que as mulheres portadoras de SOP têm um risco aumentado de complicações na gestação, como pré-eclâmpsia, diabete gestacional e parto prematuro. Dados recentes sugerem que os filhos destas mulheres também têm chances maiores de desenvolver complicações metabólicas e disfunções reprodutivas.

Assim, mulheres com SOP devem ser informadas que durante a gestação apresentam um risco aumentado para complicações obstétricas, para que sejam muito atentas durante o pré-natal, a fim de detectar e tratar o mais precocemente possível estas alterações. Além disso, mulheres obesas, independente de terem SOP ou não, devem ser informadas dos benefícios da dieta adequada e da atividade física antes e durante a gravidez.

Postado por Isabel de Almeida

Anticoncepcional oral e câncer

09 de agosto de 2015 0

Em agosto de 1960 foi lançada no mercado a primeira pílula anticoncepcional.
Ao longo destes 55 anos, muitos avanços foram feitos nas combinações e nas doses hormonais, transformando este método como o mais utilizado pelas mulheres.

Além de prevenir gestações, hoje se sabe que a pílula pode ser usada para tratar endometriose, disfunções hormonais, amenizar sintomas de tensão pré-menstrual e também desempenha uma proteção para alguns tipos de tumores ginecológicos, como os de ovário e de endométrio.

Recente publicação em revista médica acompanhou mais de 27000 mulheres com câncer de endométrio e cerca de 115000 mulheres sem este diagnóstico. A conclusão é que as mulheres que usaram anticoncepcionais orais tiveram menor risco de desenvolver este tipo de tumor. A estimativa é que 10 anos de uso de pílula reduz o risco absoluto de ter um câncer endometrial antes dos 75 anos de 2,3 para 1,3 / 100 mulheres.

Postado por Isabel de Almeida

Gestação após ligadura tubária

26 de julho de 2015 0

A ligadura tubária é um dos métodos contraceptivos mais utilizados. Mais de 30% dos casais americanos escolhem este método e estima-se que um terço destas mulheres posteriomente se arrependam desta decisão. A principal razão são as separações e os novos casamentos.

No momento, as opções para engravidar após ligadura tubária são a cirurgia de reversão e a fertilização ” in vitro”. Recente trabalho realizado nos EUA comparou a relação custo-benefício de realizar cirurgia de recanalização tubária ou fertilização em mulheres que, no passado, foram submetidas à ligadura tubária.

Os resultados mostram que, para mulheres abaixo de 41 anos, a cirurgia de reversão é uma boa alternativa, desde que não haja outros fatores de infertilidade associados. Acima de 41 anos, a fertilização “in vitro” é a alternativa que produz a melhor relação custo-benefício.

Postado por Isabel de Almeida

Avaliação da infertilidade feminina

12 de julho de 2015 0

A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva elaborou este ano um protocolo para investigação de infertilidade. Segue abaixo o resumo dos tópicos mais importantes:

1. A avaliação da infertilidade feminina deve ser acompanhada da investigação do parceiro

2. Mulheres abaixo de 35 anos devem investigar infertilidade se não engravidarem após 12 meses de tentativa

3. Mulheres acima de 35 anos devem investigar infertilidade se não engravidarem após seis meses de tentativa

4. Os exames devem incluir dosagens hormonais, avaliação das tubas uterinas e análise do sêmen

5. Testes de reserva ovariana, como hormônio anti-mülleriano, não devem ser feitos de rotina, mas podem ser utilizados em casos selecionados e em mulheres que irão utilizar medicações para estimular a ovulação

6. A laparoscopia não deve ser feita rotineiramente, mas está indicada quando há suspeita de endometriose grave ou alterações nas tubas uterinas

7. Testes pós-coitais e biópsia de endométrio não fazem parte da investigação diagnóstica de infertilidade.

Postado por Isabel de Almeida

Células NK e reprodução assistida

28 de junho de 2015 0

Muitos casais que experimentam falhas repetidas de implantação em ciclos de fertilização “in vitro” certamente já ouviram falar de células NK ( “natural killer”).

Identificadas há mais de 20 anos, estas células granulosas receberam o nome de “natural killer” porque tinham a habilidade de inibir o crescimento de outras linhagens de células em cultivos laboratoriais. Posteriormente, criou-se um mito de que estas células seriam responsáveis pela “morte” do embrião, sendo assim a causa das falhas de implantação em mulheres com repetidas fertilizações sem sucesso. Estudos posteriores mostraram que o papel das células NK nas falhas de implantação ainda não está bem estabelecido e que não existem evidências suficientes de que elas realmente “matem” as células trofoblásticas.

Os exames disponíveis atualmente para avaliar as células NK são realizados com sangue e com biópsia de endométrio, mas não existe ainda uma padronização de resultados, o que deixa a interpretação destes exames difícil de ser realizada. Embora se saiba que o sistema imunológico materno desempenha um papel mais ativo do que passivo no estabelecimento da gestação, mais pesquisas nas áreas clínica e laboratorial são necessários. Talvez exista uma desordem imunológica cuja única manifestação seja impedir a implantação embrionária. Esta hipótese deve ser mais explorada, mas, até lá, é necessário cautela ao prescrever tratamentos caros e de benefícios controversos aos pacientes, como vacinas feitas com sangue do esposo, imunoglobulinas, corticoides, entre outros.

Postado por Isabel de Almeida

Idade paterna e gestação

21 de junho de 2015 0

A idade da primeira gestação tem aumentado nos países ocidentais e os estudos focam basicamente na idade da mulher, uma vez que a idade materna elevada está associada com infertilidade e desordens cromossômicas.

Entretanto, hoje os estudos apontam também para a importância da idade paterna. Embora os homens não parem de produzir espermatozoides, como ocorre com a mulher quando entra na menopausa, estes espermatozoides podem sofrer mutações com o avançar da idade. As evidências científicas têm mostrado que filhos de homens com mais de 45 anos têm pelo menos três vezes mais chance de apresentar desordens psiquiátricas como esquizofrenia, bipolaridade (doença maníaco-depressiva), autismo e diminuição da capacidade de aprendizado.

Concluindo, os estudos atuais correlacionam idade paterna avançada com doença mental na prole. Embora a maioria das crianças nascidas de pais mais velhos não apresente este tipo de doença, o risco não pode ser esquecido e deve ser colocado para os casais que desejam postergar suas gestações.

Postado por Isabel de Almeida

Stress e infertilidade

08 de junho de 2015 0

Frequentemente, os casais perguntam se estão demorando para engravidar devido ao stress. O papel do stress na infertilidade permanece controverso, mas já está bem estabelecida cientificamente a ligação entre o sistema nervoso central e a produção hormonal, sabendo-se hoje que agentes estressantes podem alterar o ciclo menstrual da mulher.

Recente trabalho publicado em revista especializada acompanhou cerca de 500 casais que haviam parado de usar métodos contraceptivos para engravidar. Visando quantificar o nível de stress, amostras de saliva das mulheres foram coletadas em várias ocasiões e dosadas substâncias como cortisol e alfa-amilase.

Os resultados mostraram que o stress, medido pela elevação da enzima alfa-amilase na saliva, estava associado com fecundidade menor. Assim, embora mais estudos sejam necessários, parece prudente considerar o stress como um fator negativo entre casais que estão tentando engravidar há mais de 6 meses. A recomendação de adotar medidas que possam reduzi-lo, como psicoterapia, yoga e meditação, pode ser útil. Embora não se possa atribuir a infertilidade conjugal somente ao stress, diminuí-lo sempre irá melhorar a qualidade de vida dos casais.

Postado por Isabel de Almeida

Pesticidas e infertilidade

31 de maio de 2015 0

A infertilidade afeta em torno de 15% dos casais e o fator masculino contribui com aproximadamente 40% dos casos.

Na década de 70, um número grande de casos de infertilidade foi observado em uma fábrica americana de pesticidas e os efeitos observados, incluindo baixa contagem ou mesmo ausência de espermatozoides, estavam relacionados à exposição a compostos químicos usados na fabricação de pesticidas.

Sabe-se que o consumo de frutas e vegetais é a maior fonte não ocupacional de exposição a pesticidas. Com base nisto, recente trabalho científico realizado nos Estados Unidos analisou amostras de sêmen de 155 homens que estavam em acompanhamento em um Centro de Fertilidade. Após, estes dados foram correlacionados com a dieta e com o nível residual de pesticidas nos alimentos, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

Os resultados mostraram que altos níveis de pesticidas em frutas e vegetais estão associados com taxas menores de espermatozoides, assim como com menores volumes de ejaculado e com maior índice de espermatozoides com morfologia alterada. Por outro lado, a ingesta de alimentos com baixo índice residual de pesticidas está associada com espermatozoides com morfologia normal.

Postado por Isabel de Almeida

Infertilidade masculina

17 de maio de 2015 0

Aproximadamente 15% dos casais  não conseguem engravidar após um ano de tentativa e  recebem a orientação de investigar infertilidade. Durante muito tempo, os exames eram solicitados somente para as mulheres, mas hoje já se sabe que os fatores masculinos contribuem para 40% das causas de infertilidade.

Os espermatozoides têm a vantagem de serem renovados a cada três meses, mas são células móveis, com metabolismo ativo e muito sensíveis ao ambiente, à presença de metais pesados e aos poluentes ambientais, como as dioxinas. Também o ambiente interno, como o fumo e a obesidade, desempenham um papel importante na produção dos espermatozoides.

Recente estudo americano publicado em revista científica estudou amostras de sêmen de 456 homens que estavam, juntamente com suas esposas, investigando infertilidade. Os resultados mostraram que os homens que apresentavam pressão alta, trabalhavam com atividades que requeriam muito esforço físico e usavam várias medicações ( para tratar hipertensão, problemas de colesterol, diabetes, etc ) apresentavam sêmen com qualidade inferior aos demais.

Estes fatores, que podem ser alterados com algumas mudanças no estilo de vida, podem ser revertidos e melhorar a condição de fertilidade masculina. É importante que sejam avaliados nos  homens que estão investigando infertilidade e apresentam sêmen com alterações.

Postado por Isabel de Almeida