Esta semana, não posso deixar de falar de inclusão e cotas, digo isso, porque li ótimos artigos, um no Zero Hora, da bibliotecária Karin kreismann Carteri, no mesmo dia, recebo do Andrei Bastos, http://blog.andrei.bastos.nom.br/ , outro artigo por ele escrito e por último no http://oglobo.globo.com/blogs/maonaroda/ , outro texto, da Cris Costa, todos coerentemente escritos por pessoas com deficiência, que vivem a realidade das cotas.
Pra completar, há um tempo atrás, acompanhei pelo ZH, a saga de uma mãe de trigêmeos em idade escolar, com paralisia cerebral, ela relatava como estava sendo árduo matricular seus filhos no colégio (público ou privado) nenhum deles aceitavam as crianças, uns colégios, chegaram ao requinte de crueldade de convidá-la a levar o trio, pra avaliá-los pessoalmente, embora, como ela mesmo citava no texto, ela já havia descrito as necessidades de cada um, acompanhadas inclusive, de relatórios médicos e ao chegar ao colégio, a resposta era sempre a mesma: Não!
Como "incluir", se você nem consegue matricular? Como arranjar um emprego, se você não teve nem oportunidade de estudar? Como trabalhar, se o ônibus ou táxi não é adaptado? Como entrar na empresa, se ela só tem escadas? Como fazer xixi, se você não entra no banheiro?
Cotas? Por que cotas? Não seria mais sensato, começar do zero?
Pára tudo: A partir de agora, todas as escolas estarão aptas a receber uma criança com deficiência ou não. Seu filho, que estuda no colégio municipal, vai aprender a mesma coisa, que o filho do seu patrão, que estuda no colégio particular. No mercado de trabalho? Você será inserido por sua competência e terá promoções iguais ao do seu colega, chegando, quem sabe ao cargo máximo da empresa.
Como nada disso existe e uma mãe que luta pra poder ter seus filhos estudando, também é merecedora de ver seus filhos inseridos, com toda dignidade, no mercado de trabalho, só a lei das cotas poderá fazê-lo.(?)
Não bastasse tudo isso, Sua Excelência Sarney tem um projeto de lei, que dentre várias coisas, quer incluir o terceirizado nas cotas, pra quem não sabe, terceirizar é cooperativar e cooperativar é subtrair por completo as leis trabalhistas, (nada de carteira assinada, férias e todos os direitos até hoje conquistados pelos trabalhadores).
A lei de cotas, é a transferência da responsabilidade, mas um mal necessário, como coloca o Andrei, defenderei com unhas, dentes e Constituição na mão, o direito fundamental de trabalhar, e isto, abrange a todos nós.
Eu acredito num Brasil melhor, sem cotas e completamente inclusivo.E luto por ele.
Postado por Tania Speroni