As células-troncos, são hoje a grande esperança da medicina pra muita coisa, inclusive nas lesões neurológicas.
No Brasil, mais precisamente na USP, há 5 anos, houve um "experimento" envolvendo 30 pacientes brasileiros com lesão medular. Essa experiência foi coordenada pelo Dr. Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho, professor doutor da USP.
O Sem Barreiras, conhece uma gaúcha que fez parte dessa pesquisa, confiram agora um bate-papo que rolou entre a gente. Vale lembrar que a gente tá à caça de alguém que foi pra China e que queira relatar um pouco do tratamento por lá.
Sem Barreiras: Seu nome ?
Adriane Tessmann Amaral, Addy.
Sem Barreiras: Qual a altura da sua lesão, tempo e tipo de lesão?
Addy: Sofri um acidente de carro em 1999, com 30 anos, tava de carona com um "amigo" que em alta velocidade perdeu o controle da direção, saímos da estrada, caímos num acostamento e quando voltamos à pista, batemos num paredão, aliás, o lado onde eu estava é que bateu no paredão, na hora já não senti mais as pernas, havia lesionado a T5.
Sem Barreiras: Como você chegou até à pesquisa?
Addy: Pesquisando na internet, encontrei um amigo que me falou do Dr. Tarcísio em São Paulo, descobri o telefone, liguei e marquei uma consulta particular, fui lá e ele me falou da pesquisa, disse que não havia garantias, eu me enquadrava no perfil das pessoas que eles buscavam (a seleção da equipe era baseada nisso), tempo e tipo de lesão, atrofias, etc.
Sem Barreiras: Qual o método de aplicação?
Addy: Tomei uma medicação caríssima, que faz com que as células-troncos, passem pra corrente sanguínea, depois fiquei numa máquina tipo de hemodiálise, onde fez-se uma filtração do meu sangue pra separar as células-troncos, elas então foram injetadas em mim, até mais ou menos a altura da minha lesão( numa única aplicação), através de um catéter na virilha.
O medicamento, 5 anos atrás custou em torno de R$3.000,00.
Sem Barreiras: Você pagou pelo tratamento?
Addy: O procedimento foi coberto pelo SUS, mas tive que pagar as consultas, viagens ate SP e o medicamento que separava as células-troncos do sangue.
Sem Barreiras: Há um acompanhamento desta equipe depois do procedimento?
Addy: Sim, a equipe dele sempre mantém contato e sou chamada a cada seis meses pra fazer novos exames, testes de sensibilidade. Sei que estão esperando também, o término do prazo dos cinco anos de aplicação pra chamar o 30 pacintes novamente e fazerem uma reavaliação com todos.
Sem Barreiras: Notou algum progresso?
Addy: Logo nos seis primeiros meses, minha sensibilidade melhorou muito, mas depois estacionou.
Sem Barreiras: Como é essa sensibilidade que você sente?
Addy: A bexiga e os intestinos quando cheios, eu já sinto, se há infecção urinária eu sinto ardência, na quesito sexual também houve melhoras significativas e importantes, nas pernas e principalmente na altura dos joelhos, a sensação de frio, calor, dor é maior também.
Sem Barreiras: Dos 30 voluntários, você tem contato com algum e sabe dizer se houve gente que repondeu melhor que você?
Addy: Com pouca gente, mas sei que todos tiveram respostas mais ou menos equivalentes às minhas.
O Sem Barreiras agradece muito a atenção da Addy, desejando muito sucesso pra ela.
A Addy, mora em Erechim-RS, é pós-graduada em contabilidade, vasto conhecimento em informática e acreditem: Não consegue trabalhar em Erechim.
Erechim não sabe a grande profissional que tá perdendo, uma pena.

A Addy e seu filho Edinho.
Postado por Tania Speroni