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Posts de setembro 2009

Vai Encarar?

30 de setembro de 2009 3

Hoje estava mega concentrada editando o programa que vai ao ar domingo, sobre prevenção no trânsito, quando tocou o telefone. Era uma moça que também trabalha na Assembleia e dias atrás tinha cruzado no elevador comigo. Ela queria saber se podia descer até a TV para me dar um presente: o livro Vai encarar? – A nação (quase) invisível de pessoas com deficiência, da jornalista Claudia Matarazzo com consultoria da Mara Gabrilli.

Fiquei tocada com o gesto desta moça, que se chama Adriana Pereira, e também com parte da sua história pessoal. A mãe da Adri teve dois AVCs que a deixaram hemiplégica, além disso tem diabetes. Recentemente, em função da doença teve que amputar as duas pernas. Rapadura é doce mas não é mole! Não adianta, ninguém tem vida fácil! O negócio é ter força na peruca e tocar o barco!

Falando em tocar, vou ler meu novo livro enquanto faço o `toque`, hehehehe. Aproveitar, né? Já que sou obrigada a ficar UMA HORA no banheiro mesmo. Luva, supositório ou minilax. Vai encarar?

Postado por Juliana Carvalho

Convite

29 de setembro de 2009 0

    Galera!

    Blog cansa… Mas tem suas vantagens: Uma delas são os convites, estamos sempre recebendo um convite aqui, outro ali, estou me sentindo uma VIP.

    Outro convite bem legal, é a Festa a Fantasia que vai rolar no Cazon (Centro Abrigado Zona Norte).

    Rua Joaquim Silveira 200, Parque São Sebastião,

    Maiores informações no 3348-1563.

    Vai ser legal, sente só a caracterização da galera ano passado.

 

   

Postado por Tania Speroni

COMPRAR UM IMÓVEL

28 de setembro de 2009 1

 

Quem não quer ter um imóvel, todos sonham, procuram, fazem contas, até que um dia conseguem…ou não.

Para quem é cadeirante(odeio essa palavra), a coisa é bem mais complicada. Tem que ter acesso, de preferência sem escadas, elevador que caiba uma cadeira, uma contrução em terreno plano e por aí vai.

As construtoras cada vez mais diminuem o tamanho dos imóveis, acho que por absoluta ganância, e ninguém fala nada, estes milhares de “conselhos” que tem por aí.

Hoje, procurando em jornais, anúncios ENORMES, lindos, com segundas,terceiras, quintas más intenções, deparo-me com um que só rindo para não chorar.

2 dormitórios, área total 100m2, àrea privativa 68 m² (ap + box), ou seja, 68m do ap – 14 m do box = 54m² o tamanho do ap.

Dos 100 metros iniciais tranformou-se na metade, e pasmem, agora resolveram somar o box em área privativa de gente. Ninguem mora no box ora bolas!

Imaginem a largura do corredor, portas, como entrar no banheiro…uffa!!

 

 Socorro!!!

 

Saudações

    

Postado por Milton

Movimento Superação em Porto Alegre!

28 de setembro de 2009 4

Logo do Movimento Superação

Tchurma, sabe a galera do movimento Superação? É uma ONG paulista, atuante no movimento das pessoas com deficiência. Eles fazem passeata todos os anos na Av. Paulista e agora também no Rio. Até mostraram em Viver a Vida a manifestação que rolou em Copacabana no dia 20 de setembro e reuniu cerca de 40 mil pessoas.

Bueno, estou em contato com o Billy, cadeirante gatíssimo e idealizador do projeto, para fazermos um auê aqui na terrinha. Nosso plano é fazer em novembro (provavelmente dia 15) uma muvuca desgraçada e encher a redenção de cadeiras de rodas, muletas, bengalas e outras ajudas técnicas para pessoas com deficiência. Quem tá dentro?

Para conhecer mais sobre o movimento superação: movimentosuperacao.ning.com 

Postado por Juliana Carvalho

Como sair da deprê?

27 de setembro de 2009 2

Perigo, Depressão na Pista - google images

Calma, eu sei que rapadura é doce mas não é mole. Eu sei que a grande maioria das pessoas acaba caindo na deprê quando tem uma lesão medular ou qualquer outra deficiência que mude o modo como ela leva a vida, como se vê as coisas(exceto no caso dos cegos, hehehe) e é preciso aprender tudo de novo. É `soda`, mas tem solução! Deixa eu contar como fiz pra sair da maior deprê que já tive.

Já fazia quatro anos que eu estava na cadeira e estranhamente ainda não tinha deixado cair a peteca, quando tive três trombos na perna esquerda. Quase empacotei com microembolias pulmonares e tive que fazer um pitstop no hospital. Lembro de chorar desesperadamente no chuveiro. Eu pensava, pra quê mais isso, meu Deus?

Somada a nova patologia e por consequência mais remédios, eu já andava, ou melhor, rodava meia boca. A trombose foi a gota d`água. Eu pensava em não existir, queria apagar a luz. Pensei em forca, tiro, tomar remédios (mais!), pular da janela (como?) e assim vai. Só que nenhuma forma de suicídio parecia segura e eficaz. Daí, se desse errado, eu ficaria com mais sequelas e iria piorar minha situação. Afinal, era justamente minha limitação física que estava me entristecendo.

Bueno, o jeito foi sair da deprê. Como as cousas estavam, não dava mais. Agora, vai a dica que dá nome a este post. Pra mim funcionou, espero que surta resultados em quem não tá numa boa. O primeiro passo (pra quem anda) é descobrir porque raios tu tá triste. Pára, pensa, analisa tua vida. O que que tá rolando que tá deixando os dias cinzas? Porque nada tem graça? Porque quero dormir e não acordar?

 Feita esta descoberta, é preciso traçar um plano para mudar a `zorra` de situação. Deve ser uma meta de médio ou curto prazo e tu tem que te empenhar em realizá-la. Imaginar a coisa acontecendo antes de dormir, pedir pro papai do céu dar uma força, essas coias. 

No meu caso, o plano foi ir para o Sarah, buscar autonomia, independência. Eu deitava e me imaginava desembarcando do avião em Brasília. E aconteceu. Fui pra lá assim que a trombose estava tratada. Minha primeira internação durou 3 meses. Aprendi muuuuitas coisas, melhorou demais minha qualidade de vida.

Se a lesão mudou minha vida, ir pro sarah também mudou. Conheci várias pessoas, vi que meu pobleminha era beeeem pequenininho e dei tchau pra nuvem negra. Tu aí, que tá meia-boca, tenta. Vale a pena.

Postado por Juliana Carvalho

ABOUT FAMILY

26 de setembro de 2009 3

Coisa boa estar com meus irmãos!

Acho que foi Aristóteles quem disse que a família é uma instituição nefasta, e que para que o indivíduo fosse perfeito ele teria que ser tirado do seio familiar ainda criança. Sorry grande filósofo, discordo. Família, por mais torta que seja, é fundamental. E se a criatura tem a sorte de ter uma lesão medular, a família é super importante na hora do choque e também no processo de reabilitação.

Bah, minha mãe e meus irmãos foram fundamentais para que eu continuasse viva na hora do pega pra capá. Eles cuidaram de mim na hora que eu mais precisei, quando virei um bebezão de 1,70 com mais de 60kg. Vixi, eu precisava de cuidados 24 horas por dia: troca fralda, dá comidinha na boca, escova os dentes, vira na cama, troca fralda de novo, banho de gato (só com paninhos e na cama)… Dei sorte de ter uma família grande, somos cinco irmãos! Na real, foi bom pra eles também porque era mais gente pra fazer a escala de quem ficaria comigo em cada horário.

Mami me transmitia muita paz e segurança na UTI, e meus manos deram todo apoio psicológico e físico que eu precisei. Na época da lesão, morávamos numa casa cheia de escadas. Era degrau pra tudo que era lado. Acabei morando temporariamente na sala, por três anos. Bem no começo, eu não mexia nada, só o pescoção, então, precisava de ajuda para tudo. Minha família me cuidou com carinho e paciência. E se eles tiverem hérnia de disco, pode ter certeza que a culpa foi minha! Engordei 20kg por causa do tratamento com corticoides.

Passado o pior momento, o de mais dependência, a família também é fundamental. Lembro que eles sempre me incentivavam a tentar fazer as coisas, por mais difíceis que fossem as tarefas. As vezes, um puxão de orelha vem bem, né? Lembro do dia que minha mana Lu largou um: `põe tu as meias`! E eu consegui!

Hoje, me viro razoavelmente bem sozinha. Ainda preciso de suporte em algumas coisas, e quando isso acontece, tenho com quem contar. Obrigada por tudo família! O lugar de vocês tá reservado no céu, hehehehe.

 

Postado por Juliana Carvalho

Sobre cansar

25 de setembro de 2009 0

foto do google images

Hoje quando fui dar uma espiada no `Sem Barreiras` (sim eu também leio!) até me assustei com o título do Milton: blog cansa. Talvez tenha ficado um pouco impressionada com a franqueza do homem. E não é que ele tá certo!? Blog cansa! Quem escreve sabe. Eu, faz já bastaaaaante tempo dou minhas blogadas pessoais. Escrevi bastante tempo no www.kissmehardlasttime.blogspot.com. Era um blog meio secreto, só divulgado para poucas amigas, onde eu narrava com toda franqueza (quase igual a do Milton) sobre a loucura da vida de recém cadeirante. Fechei o kissmehard, que faz parte da lenda do livro que se Deus quiser publico antes dos oitenta. Criei o comediasdavidaaleijada.blogpot.com, onde posto tudo que me dá na telha. É meu diário, meu `botá pra fora`, onde libero minhas ideias irônicas e descarrego todo humor negro que passa pela minha mente obscura, ui! E faz pouco, estou blogando por aqui. Mas, é diferente. É diferente de tu narrar despreocupadamente o que tu pensa no teu blog pessoal, do que escrever com cuidado para não melindrar ninguém ou não ser politicamente incorreto. Na real, acho que qualquer trabalho cansa. Acho que o dever, a obrigação, ou qualquer outro termo que se assemelhe, cansa. Pensa comigo, imagina alguma coisa que tu ama de paixão fazer. Conseguiu imaginar? Tá. Agora, imagina ter que fazer essa coisa que tu ama de paixão todos os dias, mesmo que tu não esteja com vontade. Agora imagina, se tu vai ter vontade de fazer essa coisa que tu acha que ama de paixão sendo que tu é obrigada a fazê-la todos os dias. Não funciona! Talvez, na maior parte do tempo tu fique bem realizado, afinal trabalhar com o que se gosta é um privilégio. Mas, com certeza, haverá dias que tu vai pensar, que merda ter que fazer essa `coisa que eu amo de paixão`. É fato, e sério mesmo, pode até ser sexo – aquilo que todo mundo adora fazer. Eu aposto que ator de filme pornô uma hora se enche o saco.

Postado por Juliana Carvalho

BLOG CANSA....

24 de setembro de 2009 0

 

Brasileiros e brasileiras!

 

BLOG cansa. Pode ser um canal para reclamar, sugerir, denunciar, convidar, divulgar e outros mil  “ar,er,ir,or,ur”.

Tania se preocupa, busca assuntos, atualiza, liga, vai atrás. Eu fico admirado pela sua dedicação e boa vontade.

BLOG, na realidade significa trabalhar de graça para outros (alguns blogs é claro), outros recebem muito bem para isso.

Descobriram um filão, tem um “monte” de pessoas sem a minima chance de buscar seu espaço, reivindicar direitos sem precisar recorrer a “LESMA” da justiça, aí surgiu o tal BLOG.

“Esperneiem, gritem, reclamem, divulguem, convidem, denunciem, salvem o mundo! Cada blog tem seu público, 1000 X 1000 = 1.000.000 e aí vai…!

Muito cômodo né!

 

Saudações

 

 

 

Postado por Milton

Cadeira Quebrada

23 de setembro de 2009 0

    Fomos à Gramado, o Milton não gosta de lá, mas fomos mesmo assim.

    Achamos um restaurante com uma rampa “meia-boca”, lá todas são assim e enquanto eu estacionava o carro, o Milton desceu e um garçom muito simpático e prestativo veio ajudá-lo a escalar a rampa.

    Só que como todo mundo, ele achou que bastava só empurrrar a cadeira rampa acima, o Milton quase dá com a cara no chão e o pezinho da cadeira simplesmente quebrou. 

 

     

   

    Por mais que a gente se previne, numa viagem levando o kit pneu( sugestão do Mão na Roda), ainda corremos o risco de outras intercorrências mais complicadas.

Postado por Tania Speroni

Mobilizações

22 de setembro de 2009 1

    Hoje, é o dia mundial sem carros, uma grande mobilização.

    Não vamos aderir. Impossível a uma pessoa com deficência fazê-lo aqui no Brasil.

    Ontem foi o dia nacional de luta das pessoas com deficiência, propositadamente não fiz nenhuma menção ao dia.

    Tenho um conceito pra essas datas: Coisas pra inglês ver.

     Lembram da música da ex-Baby Consuelo?” Todo dia, era dia do índio, mas agora ele só tem o dia 19 de abril…”

    Todo dia é uma luta, todo dia a Natureza luta contra a poluição, então por que se lembrar dessa luta num dia só? As necessidades são mais reais, um dia só não me serve.

   

Postado por Tania Speroni

20 de Setembro.

21 de setembro de 2009 0

               Hino do Estado do Rio Grande do Sul

    Composição:

    Franciso Pinto da Fontoura

    Joaquim José de Medanha

 

   

       Como a aurora precursora
       Do farol da divindade
       Foi o 20 de Setembro
       O precursor da liberdade

       Mostremos valor constância
       Nesta ímpia e injusta guerra
       Sirvam nossas façanhas
       De modelo a toda Terra

       De modelo a toda Terra
       Sirvam nossas façanhas
       De modelo a toda Terra

       Mas não basta pra ser livre
       Ser forte, aguerrido e bravo
       Povo que não tem virtude
       Acaba por ser escravo

       Mostremos valor constância
       Nesta ímpia e injusta guerra
       Sirvam nossas façanhas
       De modelo a toda Terra

       De modelo a toda Terra
       Sirvam nossas façanhas
       De modelo a toda Terra

   

Hino

Postado por Milton Speroni

Células-troncos

19 de setembro de 2009 3

    As células-troncos, são hoje a grande esperança da medicina pra muita coisa, inclusive nas lesões neurológicas.

    No Brasil, mais precisamente na USP, há 5 anos, houve um “experimento” envolvendo 30 pacientes brasileiros com lesão medular. Essa experiência foi coordenada pelo Dr. Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho, professor doutor da USP.

    O Sem Barreiras, conhece uma gaúcha que fez parte dessa pesquisa, confiram agora um bate-papo que rolou entre a gente. Vale lembrar que a gente tá à caça de alguém que foi pra China e que queira relatar um pouco do tratamento por lá.

    Sem Barreiras: Seu nome ? 

    Adriane Tessmann Amaral, Addy.

    Sem Barreiras: Qual a altura da sua lesão, tempo e tipo de lesão?

    Addy: Sofri um acidente de carro em 1999, com 30 anos, tava de carona com um “amigo” que em alta velocidade perdeu o controle da direção, saímos da estrada, caímos num acostamento e quando voltamos à pista, batemos num paredão, aliás, o lado onde eu estava é que bateu no paredão, na hora já não senti mais as pernas, havia lesionado a T5.

    Sem Barreiras: Como você chegou até à pesquisa?

    Addy: Pesquisando na internet, encontrei um amigo que me falou do Dr. Tarcísio em São Paulo, descobri o telefone, liguei e marquei uma consulta particular, fui lá e ele me falou da pesquisa, disse que não havia garantias, eu me enquadrava no perfil das pessoas que eles buscavam (a seleção da equipe era baseada nisso), tempo e tipo de lesão, atrofias, etc.

    Sem Barreiras: Qual o método de aplicação?

    Addy: Tomei uma medicação caríssima, que faz com que as células-troncos, passem pra corrente sanguínea, depois fiquei numa máquina tipo de hemodiálise, onde fez-se uma filtração do meu sangue pra separar as células-troncos, elas então foram injetadas em mim, até mais ou menos a altura da minha lesão( numa única aplicação), através de um catéter na virilha.

    O medicamento, 5 anos atrás custou em torno de R$3.000,00.

    Sem Barreiras: Você pagou pelo tratamento?

    Addy: O procedimento foi coberto pelo SUS, mas tive que pagar as consultas, viagens ate SP e o medicamento que separava as células-troncos do sangue.

   Sem Barreiras: Há um acompanhamento desta equipe depois do procedimento?

   Addy: Sim, a equipe dele sempre mantém contato e sou chamada a cada seis meses pra fazer novos exames, testes de sensibilidade. Sei que estão esperando também, o término do prazo dos cinco anos de aplicação pra chamar o 30 pacintes novamente e fazerem uma reavaliação com todos.

    Sem Barreiras: Notou algum progresso?

    Addy: Logo nos seis primeiros meses, minha sensibilidade melhorou muito, mas depois estacionou.

    Sem Barreiras: Como é essa sensibilidade que você sente?

    Addy: A bexiga e os intestinos quando cheios, eu já sinto, se há infecção urinária eu sinto ardência, na quesito sexual também houve melhoras significativas e importantes, nas pernas e principalmente na altura dos joelhos, a sensação de frio, calor, dor é maior também.

    Sem Barreiras: Dos 30 voluntários, você tem contato com algum e sabe dizer se houve gente que repondeu melhor que você?

    Addy: Com pouca gente, mas sei que todos tiveram respostas mais ou menos equivalentes às minhas.

    O Sem Barreiras agradece muito a atenção da Addy, desejando muito sucesso pra ela.

    A Addy, mora em Erechim-RS, é pós-graduada em contabilidade, vasto conhecimento em informática e acreditem: Não consegue trabalhar em Erechim.

    Erechim não sabe a grande profissional que tá perdendo, uma pena.

 

   

    A Addy e seu filho Edinho.

   

Postado por Tania Speroni

Preferências na fila.

18 de setembro de 2009 2

    Ontem aconteceu uma coisa engraçada, aliás, não é a primeira vez que isso acontece. Estávamos no supermercado, nem estava tão cheio assim e, coincidiu que saímos de um corredor que era justamente em frente ao caixa preferencial. Ficamos ali mesmo, a mocinha do caixa, chamou a atenção do Milton: “Senhor, esse caixa é preferencial”, ele na cadeira e eu ao lado dele, nosso carrinho lotado, fingimos que não tínhamos ouvido e ela insistou e olhou pra mim dizendo que o caixa era preferencial.

     Fiquei pensando: O que ela queria que eu fizesse? Separássemos as coisas? A costela, café, iogurte de morango só o Milton gosta, pode passar. Hum! O absorvente e o xampu pra cabelos secos, são pra mim, não passa. E o Ice Tea, que os dois bebem?

     Numa loja de um shopping, eu quase apanhei,(não estou exagerando), um cara ameaçou me bater, pra eu “tomar vergonha na cara”, o Milton tava na fila comprando alguma coisa pra ele e eu ao lado, quando o sujeito viu, ficou p$#@ e começou a berrar dizendo que eu tava furando fila, que o Milton tinha que ir pra fila como todo mundo, porque eu tava junto. Ele começou o barraco, não tive culpa, aí tive que botar pilha também né? O Milton, já nem tava na fila, já tava na saída do shopping, enquanto o babacão ameaçava meter a mão na minha cara e eu barraqueando junto, convidando-o a ousar encostar um dedo em mim, foi um belo barraco, assumo, e o protagonista lá fora, me esperando, rindo e me chamando de barraqueira.

     A fila é preferencial, mas se a pessoa estiver acompanhada ela perde o direito à fila?

     Será que essa galera pensa que eu só saio com o Milton, pra não enfrentar fila longa? Êba! Vou furar fila, o Milton vai!

     Nós até evitamos muvuca, justamente por isso, se sabemos que tal dia é mais cheio, nem vamos, mas mesmo assim, pode acontecer dele precisar usar a fila, e aí, arrisco minha vida?

       Que absurdo! A fila é preferencial e, se a pessoa tiver acompanhada de 30 filhos, ela continua tendo direito à fila. É um direito adquirido, com acompanhante ou não. É nossa velha amiga Acessibilidade entrando em ação.

Postado por Tania Speroni

A SAGA DA CARTEIRA CONTINUA...

18 de setembro de 2009 3

Depois de muita insistência, finalmente lá estava eu no meu carro de frente pra baliza sob os olhos do examinador do DETRAN. Eu fui extremamente confiante. Estava tranquila. Fui pra passar. E estava feliz e aliviada. Finalmente! Depois de cinco anos, teria a bendita carteira! No rádio, tocava aleluia! 

Subi o banco, ajeitei os espelhos, coloquei o cinto. O examinador deu o okay. Liguei o carro, botei no drive, soltei o freio de mão. Pisca para esquerda, acelero o carro, e abro para a esquerda desviando da baliza à minha frente. Pisca para a direita, posiciono o carro para entrar de ré na `vaga`. Giro a direção toda para direita, ponho na ré, e vou lentamente encaixando o passatão no espaço entre as hastes de ferro.

Desviro tudo para esquerda e estaciono. Parking e freio de mão. O examinador aparece na janela do carro: – okay, pode seguir.

Respiro fundo. Ponho no drive, dou uma rézinha. Desviro tudo para esquerda, pisca. Começo a sair da baliza. Pisca para a direita, percebo que estou um pouco perto da baliza, mas confiante tiro um fininho. Estou virando o carro para direita e escuto um `pain`! Um barulho de metal batendo nos paralelepípedos. O examinador pede para eu parar o carro. Com os olhos baixos ele diz que derrubei a baliza. EU DERRUBEI A BALIZA! Excesso de confiança? Nervosismo? Azar mesmo?

Misericórdia! Sabe quando tu tá há meses de olho naquela gostosa ou naquele cara super gato que tu tá louca pra dar faz anos, dai quando tu tá na cama do motel, tudo perfeito, tudo pronto pro grande momento… e tu brocha. EU BROCHEI! Só que neste caso, nem viagra daria jeito. Quem sabe um wisquey pro instrutor?

Agora, tenho que esperar mais 22 dias para refazer o teste. Pagar de novo a taxa. E fazer umas duas aulas para garantir que não vou cagar de novo na hora `H`.  Força na peruca! Não é fácil a vida do quebrado!

 

 

Postado por Juliana Carvalho

PELO AMOR DE DEUS, CHEGA DE DESCASO!

16 de setembro de 2009 5

Olha, desde que toda essa loucura de lesão medular entrou na minha vida, tive alguns momentos difíceis. Agora está rolando mais um. Lembra daquela postagem sobre o Independence Day? Pois, é… Era para eu ter feito minha prova teórica quinta feira passada, mas os ilustres componentes da junta médica do DETRAN, me pregaram uma peça. É tão surreal o que está acontecendo que até chorar no trabalho eu chorei. Realiza comigo essa palhaçada absurda. Qualquer pessoa com deficiência é obrigada a passar pela junta médica do DETRAN para começar o processo de habilitação, ou seja, dar o start nas aulas teóricas. Tu vai lá, os caras mal te olham, e carimbam quais serão as restrições que o quebrado tem para dirigir. Eles definem um prazo de validade para este exame. No meu, colocaram de um ano.

Fiz as aulas teóricas, as benditas práticas, que diga-se de passagem exigiram muita boa vontade do meu cunhado, porque ele é quem trazia meu carro para Assembleia onde o instrutor iria me encontrar. Aliás, outro absurdo é a pessoa com deficiência ter que COMPRAR um carro para ter o direito de dirigir. Isso mesmo! É muita inversão! Qualquer pessoa sem deficiência pode tirar carteira sem ter carro, agora nós somos obrigados a comprar um!

Bueno, quarta passada liguei para o CFC para confirmar a prova na quinta e a secretária do local me aviso que havia dado um problema. O prazo de validade do meu exame da junta médica não batia com a da permissão para dirigir. Nossa, essa notícia de adiar minha sonhada carteira foi bem chata. Fiquei chateada, mas como sou otimista, pensei: ah, deve ser por uma boa causa, há malas que vem de trem, semana que vem eu faço. Liguei hoje para o DETRAN para saber porque havia acontecido esse erro, achando que o que havia acontecido era um engano. Não foi engano, é pior. É descaso com falta de bom senso. Os Ilustres da junta deram mesmo um ano de licença. E assim que eu fizer a prova tenho que voltar lá para uma nova avaliação, que deixará a permissão com a validade do exame. Mas, pelo amor de Deus, é óbvio que tu leva no mínimo um mês para fazer todas as aulas, e pode demorar um pouco mais, como foi o meu caso. Então porque não colocar já uma janela de tempo. Porque, obrigar o infeliz a ir duas vezes passar pelo circo que é a junta do DETRAN. Meu tempo vale tanto quando o deles, e minha paciência foi pro espaço. Continuo gastando uma fortuna em táxi, quando era para já estar dirigindo meu carrito. Quantas pessoas mais vão passar por esses constrangimentos? Será que essa joça de DETRAN só serve para desviar dinheiro público? Estou tão cansada dessa negligência. Tudo que eu queria era sair para dar uma volta no meu carro, arejar a cabeça, mas não dá. Ainda não tenho carteira.

 

Postado por Juliana Carvalho