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Posts de novembro 2009

ÉTICA

30 de novembro de 2009 0

Senhores e senhoras.

 

Neste momento estou estudando sobre ética, e com tudo que tá acontecento por aí ( governador metendo a mão, roubo de sinal da Net/Sky, preços abusivos de produtos e serviços, mentiras, falcatruas abundantes ), não me contive  e tenho que citar o que diz  Meira;Oliveira (2006) p.87

 “A ética é o bem mais importante e o mais rentável de uma sociedade. Se um dia todos se tornassem éticos, sobrariam recursos no mundo”

Simples assim, sem definições confusas, palavras tortas, frases extensas.

Eu acho que não é tarde para começarmos!

abraços

 

Postado por Milton Speroni

A CALÇADA É NOSSA, AINDA...

30 de novembro de 2009 1

    Galera, a nossa campanha “A Calçada é Nossa” continua, agora com a participação muito especial de um leitor, o Danilo Dias da Cunha.

    Como diz o Danilo, os obstáculos vão além das buracalçadas, eles se espalham através de floreiras, barraquinhas de chaveiros, fruteiras improvisadas com seus caixotinhos e como as fotos mostram,caminhões, lixo e motos.

    Um detalhe importante é que essas fotos foram tiradas na Rua Costa, ao lado de um hospital e justamente onde mais deveria se respeitar as calçadas.

    O blog agradece a participação do Danilo.

   

   

    É comum, esquecerem que essa rampinha tem um significado, ela tá aí pra facilitar a vida dos pedestres.

 

    

    Em plena campanha:”Eu paro na faixa”, o caminhão resolveu inovar. 

  

   

    Fala sério!

   

    Motoboy folgado.

Postado por Tania Speroni

CAZON

28 de novembro de 2009 1

    É uma instituição bem diferente de todas as outras que tem aqui em Porto Alegre, a começar, pela forma como ela surgiu: Alguns pais se reuniram e em 1992 fundaram e criaram o CAZON.

    Havia uma carência em Porto Alegre, de um lugar pra receber os adultos com deficiência intelectual, porque até antes do CAZON, a galera completava 25 anos e tchau! Simplesmente, nenhum lugar os acolhiam.  Assim, com o terreno cedido pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, campanhas de arrecadação feita pelos pais e contando com o apoio do Governo Estadual, nasceu o CAZON.

     O Governo Estadual além de ter ajudado na construção, juntou-se à Secretaria da Educação, dando suporte técnico, que consistia no fornecimento de profissionais e organização dos atendimentos, hoje o CAZON é vinculado à FADERS (Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas pra Pessoas com Deficiência e Altas Habilidades do Rio Grande do Sul).

    O CAZON desenvolve um trabalho através de participações dos aprendizes( forma como os alunos são chamados), nas oficinas ocupacionais que contribuem para o desenvolvimento das potencialidades, estimular a autonomia e a auto-estima de cada um.

 

 

      A reciclagem e a culinária, fazem parte das oficinas ocupacionas.

  

    Conversamos com a Sabrina Sutério Pavani, uma das terapeutas ocupacionais, que atuam no CAZON.

  Sem Barreiras: Em primeiro lugar, explica melhor sua profissão, o que é exatamente terapia ocupacional, (T.O.)?

   Sabrina: A terapia ocupacional trabalha com a reabilitação, física ou psicológica, nela buscamos desenvolver habilidades e potencialidades dos sujeitos, diferente das outras áreas da saúde, que foca a principalmente a doença, nosso objetivo maior é destacar o lado saudável, estimulando a independência e autonomia do sujeito.

  

   Atividades ocupacionais

   Informática

  

   Sem Barreiras: Quem faz parte do CAZON?

   Sabrina: Ao todos somos 22 pessoas, diretora, T.O., supervisora escolar, instrutores, monitores, agentes administrativos, merendeiras, auxiliar de serviços gerais, psicóloga, estagiários, sem contar os 183 aprendizes.

 

   Um pedacinho da turma do CAZON em Gramado.

 

    Sem Barreiras: Como faz pra ser um aprendiz?

    Sabrina: O interessado deve agendar uma triagem, é exigido documento de identidade, parecer de outra instituição que o candidato tenha frequentado anteriormente e atestado médico constatando o CID do paciente. É uma instituição pública, por isso não paga-se nada por isso.

    Sem Barreiras: Qual o perfil dos aprendizes?

    Sabrina: Todos os aprendizes têm CID de deficiência intelectual(leve, moderada ou grave), a grande maioria é de interditados judicialmente e por esse motivo não podem ingressar no mercado de trabalho, as idades variam dos 18 aos 64 anos.

    Sem Barreiras: O que é a APACAZON?

    Sabrina: Associação de Pais e Amigos do CAZON, são eles que contribuem na organização de eventos inclusivos e a FADERS, entra com os recursos humanos, despesas mensais, material de escritório.

    Sem Barreiras: Que tipo de atividades é praticada lá?

    SabrinaTemos as oficinas de alfabetização, culinária, arte e artesanato, produção, reciclagem de papel, recreação e lazer e a mais nova e pioneira do Estado que é a oficina de educação ambiental inclusiva, ( nelas, de acordo com a triagem vemos em quais delas o aprendiz melhor se encaixa). Temos também as atividades complemantares, onde todos os parendizes participam, composta de apoio pedagógico, laboratório de inclusão digital, educação física, terapia ocupacional, grupo de psicologia, e o jornalzinho CAZON Informa.

    Sem Barreiras: O que mais te emociona no trabalho?

   Sabrina: É ouvir dos próprios aprendizes oquanto o CAZON é importante pra suas vidas e perceber que todo o investimento, resulta em mudanças seja no comportamento em casa, na relação com os colegas e profissionais, na auto-estima e até mesmo na qualidade de vida.

     Se você gostou do lugar e da história e quiser fazer parte dela, pode ser um dos voluntários, quer saber mais?

    Liga pro : 0XX51 3348-1563

    Vai lá: Rua Joaquim Silveira 200

    Ou Clica aqui.

  

   

Postado por Milton Speroni

VIDA DE NOVELA

26 de novembro de 2009 3

     Nada de glamour, a vida de novela que me refiro no título deste post é sobre a situação da personagem Luciana, interpretada pela atriz Aline Moraes. Não sei se acontece o mesmo com vocês, mas cada cena é um mini flashback! Os testes neurológicos. A tentativa de mexer a mão e não ver nada acontecer. As visitas no hospital. O evento que é sair da UTI…

     Lá em 2001, quando tive a lesão e estava no hospital, eu pensava: meu Deus, isso parece um filme! É bem surreal esse lance de lesão medular. Ainda mais, no meu caso que tive uma doença bizarra, seis diagnósticos, só quarenta casos descritos na literatura médica… Bueno, ainda acho que essa minha história vira filme mesmo! Já comentei aqui que escrevi um livro contanto boa parte do que rolou, fazendo um contraponto com os tempos de andante e tal. A narrativa é semelhante a um diário. Divido com vocês, a primeira página deste meu livro aberto:

 

`Porto Alegre, 23 de Junho de 2001

           Chegar em casa depois de 37 dias no hospital foi muito estranho. Eu estava com uma expectativa gigante, com saudade do meu quarto, louca pra dormir na minha cama, pra ver meus bichinhos de estimação.

Um grande amigo da família, o Guto, foi junto com minha mãe para me resgatar. Era quase noite. O trajeto até casa foi tranqüilo. O cérebro rememora fácil certas coisas. Tinha esquecido como era andar de carro. Em segundos toda informação atrelada a esta ação foi acionada, e rodar de carro era normal.

O Guto me carregou no colo, do carro para a cadeira. Subiu-me pelos três degraus que levavam ao hall da minha casa. Paramos na sala de estar. No trajeto tínhamos passado num drive thru. Poucos amigos me esperavam em casa. Perdi a fome e minha primeira reação foi cair no pranto. Uma dor avassaladora preencheu meu coração. Derramei aquele choro sincero, onde brotam lágrimas e a sensação que se tem é de que nada, mas nada mesmo, pode mudar a realidade que te cerca. Eu tinha 19 anos, estava numa cadeira de rodas, não sentia nem mexia três quartos do meu corpo.`

Postado por Juliana Carvalho

JOGO DO CONTENTE

26 de novembro de 2009 0

    Não sei quem leu o livro, Polyana, provavelmente todas as balzaquianas, devem ter lido.

    A Polyana é a adolescente que todo pai e mãe queriam ter em casa, tudo tava bom. Ela inventou o jogo do contente, não lembro de detalhes do livro, mas lembro que ela ficou órfã e foi morar com uma tia má, no joguinho, ela pensava:”Ela me maltrata, mas é minha tia, pior seria, se eu não tivesse tia.” E por aí vai o jogo da Polyana.

    Aprendi a praticar o jogo do contente no Sarah, achava que tinha um grande problema na minha vida, lá eu consegui enxerga que podia ser pior.

    Quando você olha pro lado e vê um(a) jovem com seus 13 anos tetraplégico e sem poder sair de casa porque moram no interior do interior, onde até a luz é difícil de chegar (imagine a sonhada acessibilidade), ou ainda uma mãe de família com 30 e poucos anos, com esclerose múltipla sendo carregada pelo marido porque não tem dinheiro pra uma cadeira de rodas.

     Caramba!É tanta gente com as mais variadas dificuldade,( sem grana pra cadeira, pra remédio, sem ter onde morar), que você vira uma formiguinha diante de tudo isso.

      E assim vivemos a vida com perrengue ou sem perrengue, o melhor é a gente encarar e seguir adiante, porque problemas todos temos, a forma de encará-los é que faz toda diferença, afinal de contas poderia ser em pior…

    

   

   

Postado por Tania Speroni

DETRAN - A NOVELA CONTINUA

25 de novembro de 2009 2

     Sabe quando tu acredita que a novela terminou com final feliz? Mas ela ainda não terminou… Pois, vamos aos últimos acontecimentos. Quinta-feira passada, depois de muita enrolação do DETRAN, finalmente marcaram minha nova prova prática. Confesso que desta vez eu não estava nada confiante, estava cagada mesmo. Bueno, marquei uma aula para as sete da matina e na sequência vinha o momento mais esperado dos últimos cinco anos.

     Errei horrores na hora da aula, fiz todas as barberagens que não tinha feito até então. Girei a direção pro lado errado na hora da baliza, dei ré em cima do meio fio. Só merda mesmo. Errei até não poder mais. Errei até acertar na última tentativa antes da prova.

     Chegado o derradeiro momento, eu estava bem nervosa. Mas, tinha um senhor que me superava… Ô homem fumou três cigarros, se alongou e se balançou enquanto esperava a hora chegar. Me chamaram. A Lu minha mana posicionou o carro em frente à baliza. O pessoal mediu o comprimento do veículo. Enquanto eles faziam as medições eu pulei do banco do passageiro para o sonhado posto de motorista.

      Não sei porque cargas d`água os caras ficaram quinze intermináveis minutos medindo e remensurando a porra da distância da baliza. E eu ali, nervosa, esperando. Finalmente o meu instrutor e o avaliador do Detran chegaram num acordo sobre o tamanho do meu carro. O examinador caminhou lentamente até onde eu estava e pediu os documentos do carro. Cacete! Os documentos do carro? Ufa, minha irã tinha pego. O cara olhou e olhou o papel esverdeado e disse que ele não tinha as informações sobre as adaptações do carro. Cacete, de novo!!! Ele disse que ia verificar se eu poderia fazer a prova mesmo assim.

      Mais uma vez fiquei esperando agoniada no carro. Te juro que se eu transpirasse -desde a lesão minhas glândulas sudoríparas pararam de funcionar - eu estaria suando frio. Enfim, o cara me liberou pra fazer a prova.

     Eu já tinha colocado o cinto e ajustado os espelhos. Girei a chave, botei no drive, soltei o freio de mão. Pisca para direita, leve torção da direção e fui a 20 por hora fazer a baliza. Terminei as manobras, botei no parking e puxei o freio de mão. O cara soltou um `pode fazer a garagem`. Dei um grito `obrigada, meu Deus!` juntando as mãos perto do rosto. Terminei de colocar a porra do carro na `garagem`. Parking e freio de mão. O homem disse para eu seguir. Dei outro grito `obrigada, meu Deus`, ignorando que eles poderiam pedir um novo exame psicotécnico.

 O examinador entrou no carro e eu ainda estava nervosa, com medo de fazer alguma cagada e rodar na bendita prova prática novamente. A técnica que encontrei pra me acalmar, foi falar. Contei toda a novela da carteira de motora pro cara enquanto ele ia dando as coordenadas. Não sei se não errei nada mesmo ou se o cara se comoveu com todo o enredo da minha bendita habilitação, mas EU PASSEI!!! Bah, sabe aquela alegria genuína. Na hora entrou uma trilha sonora `Aleluia` e eu passei o resto do dia com um sorriso enorme na cara. Tinha que ver a alegria da Lu, a mulher não deve aguentar mais ser minha motora, hehehe.

      De volta ao começo do post, sabe quando tu acredita que a novela terminou com final feliz? Mas ela ainda não terminou… Pois então, achei que ontem ou hoje já estaria passeando por ai com meu passatão. Mas, esqueci que os peritos da junta médica colocaram o prazo incompatível com o da permissão para dirigir. Ou seja, terei que voltar na junta. O detalhe é que eles levam uma eternidade para agendar o troço e estou saindo de férias terça-feira. Vou dar uma banda em SP, bagunçar com a galera do Superação, ver os amigos e tal. Pretendia pegar o carro dos amigos que também são cadeirantes… Só volto no Natal, então a bosta da consulta na junta provalvemente só sai ano que vem!!! Diz, se eu mereço isso?!? Na boa, só porque eu sou uma pentelha insistente, uma chata que não desiste de nada, que eu ainda estou nessa função. São cinco anos!!! Força na peruca e quem sabe ano que vem posso dar carona pros amigos.

Postado por Juliana Carvalho

A TÉCNICA E A MONSTRA

24 de novembro de 2009 2

    Vocês devem ter lido nos últimos dias, uma técnica de enfermagem que dopava recém-nascidos, a única explicação pra isso é a insanidade da Fulana, mas vou aliviar um pouco a barra dela, que não é culpada sozinha.

    Tudo começa na formação dos técnicos de enfermagem, qualquer pessoa que tenha pouco mais de R$ 100,00 por mês e segundo grau, faz o curso que dura dois anos, paga uma anuidade ao COREN e pronto: A pessoa está apta ao mercado de trabalho, a lidar com todos os tipos de pacientes e suas enfermidades. 

   Analisem comigo:

   Muito trabalho, salário baixo = mão-de-obra desqualificada. Essa moça não foi a primeira incapaz e não será a última a brincar com a vida de um ser humano, pois enquanto:

   1) O MEC não fiscalizar com afinco a quantidade enorme de escolas técnicas espalhadas e, as que surgem a cada dia, no Brasil afora.

   2) O COREN, não visar somente a arrecadação anual, fiscalizar as escolas, professores, hospitais e cooperativas que contratam os técnicos e principalmente avaliar os formados.

   3) Os hospitais perceberem que a presença de técnicos qualificados exige o pagamento de um bom salário, não adianta termos médicos “top de linha” ganhando salários exorbitantes, se quem vai fazer o trabalho pesado ganha um salário mínimo. Seria como se um técnico de futebol ganhasse R$ 200.000,00 e o jogador R$ 200,00.

    O AVC da minha mãe, permitiu-me conhecer mais a fundo a profissão, já que tive que abrir minha casa e conviver 24 horas com uma equipe de técnicas de enfermagem. A maioria dos técnicos saem completamente despreparadas pra tratar um doente, despreparadas inclusive nos que diz respeito aos hábitos de higiene pessoal e lida com os pacientes. Cito sempre dois episódios que exemplificam bem, a falta de qualificação profissional dessa galera.

    Uma técnica que chegou à minha  casa, pra cuidar da minha mãe, com sinais de embriaguez e perguntando onde poderia fumar um cigarrinho.

   O próprio Milton, também já foi vítima do despreparo, no auge da escara, onde a cada dez minutos ele desmaiava e mal conseguia falar, um técnico disse que “se segurou pra não enfiar a mão na cara do Milton”.

    Quando a instituições acima citadas, perceberem que os técnicos são profissionais da saúde tão importante quanto outros, quem sabe o número de pessoas despreparadas diminua. Caso contrário continuaremos criando monstros.

    Ah! Beijos e agradecimentos a Cristiane, Verônica, Janete, Sandra além da querida Ivanir, que honram a profissão que escolheram.

   

Postado por Tania Speroni

Seleção Sergipana de Basquete em Cadeira de Rodas

23 de novembro de 2009 1

    Galerinha! A nada High Tech, aqui tá tendo muita dificuldade em postar vídeos.

   Vou tentar mais uma vez fazê-lo, como não queria repetir nenhum vídeo e há muito tempo tava querendo divulgar minha Terrinha, vou aproveitar e matar dois “coelhos numa caixa d`água só”.

    Peguem suas pipocas!

 

  

  

Postado por Tania Speroni

INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE

23 de novembro de 2009 0

    Esse será o tema do debate, que ocorrerá dia 25 de novembro na FEEVALE.

    Local: CAMPUS II, auditório do prédio branco, da FEEVALE – Novo Hamburgo.

    Horário: Das 9h até as 17 horas.

    Informações e inscrições: 3586-8822

    “Di grátis” em?

Postado por Tania Speroni

ELE SE COMUNICA COM OS PÉS!

21 de novembro de 2009 7

      Conheci o Michel de uma maneira, digamos, esquisita. Fui conferir no blog do Faça a Diferença se havia algum comentário sobre o programa que abordava inclusão no mercado de trabalho, mostrando um seminário organizado pela superintendência regional do trabalho e tal… Para minha surpresa havia uma manifestação de uma pessoa indignada: o Michel!

       `Assisti o programa até o fim. Bueno, visando uma crítica contrutiva, deixo aqui que não apenas mostrem “cadeirantes”, cegos, surdos, downs…
Fui ovacionado durante 5 minutos de aplausos em pé neste seminário (…)
mal me vi nesta matéria! Será porque sou um Paralisado Cerebral, que não fala corretamente? Tenho uma deficência mais aparente? Vamos ser mais abertos para as outras deficiências; não apenas aquilo que é menos aparente! Como disse nas minhas palavras no seminário:”Minha deficiência não é menor do que a sua, apenas mais aparente”, pensem nisso!`

Michel e ao lado seu amigo surdocego Alex

       Na hora que li as palavras do hômi, fiquei muito surpresa e também chateada… Longe de mim e da equipe do programa selecionar `deficiências menos aparentes` para usar na matéria!!! Expliquei pro Michel que houve na verdade problemas técnicos: perdemos o material gravado pela manhã (onde ele aparecia) e tivemos que voltar no seminário à tarde… Mal entendido resolvido, ficamos amigos e me encantei com a sua história. Ele tem paralisia cerebral que afetou bastante sua fala e o movimento das mãos, por isso, usa um notebook que opera com os pés para se comunicar. Para quem não sabe, normalmente a paralisia cerebral compromete a parte motora e não a cognitiva. Com vocês, Michel:

        `Bem, gostaria antes de qualquer coisa, agradecer ao convite da Juliana para escrever no Sem barreiras. Para quem não me conhece, meu nome é Michel, Paralisado Cerebral, desde 1974, em  decorrência de erro médico.

       Não é minha intenção aqui falar da minha trajetória, acho que fazer isto é subestimar a capacidade da pessoa com deficiência. Considero que posso não só trazer minha experiência de vida como também experiência de pensamento. Todavia, penso que será interessante destacar um pouco da minha trajetória para que possam perceber alguns pontos falhos desta matéria chamada: inclusão.

       Estou escrevendo este artigo com meu notebook, mas fazer isto usando o pé é algo nada comum como podem ver na foto. Sempre fui muito realista sobre minha deficiência, nunca fui neurótico, revoltado, mal resolvido, etc. Ter uma deficiência não é, nem nunca será sinônimo de incapacidade. 

Michel, escrevendo no seu notebook
      Na maioria das vezes, partem do pressuposto de que aquele indíviduo que esta ali na cadeira de rodas, que tem expressões no rosto, movimentos involuntários e não consegue se expressar com fluência verbal, não pensa. Tendem a rotular o paralisado cerebral como deficiente intelectual. Esta era – e ainda é – uma constante na minha vida. Mas o grande diferencial é a capacidade de comunicação que possuo. Se encontro alguma predisposição, consigo contornar rapidamente (se tiver chance). Ser paralisado cerebral não é fácil, venho do movimento de exclusão absoluta dos anos 80 e metade da década passada. Muitos conhecidos, ainda hoje se encontram na exclusão.

       Vejamos minhas limitações: Falo com dificuldade; Ando da mesma forma; Dependo de terceiros; Uso cadeira de rodas; Ou seja: um verdadeiro “manco torto”!

É assim que ele digita!


       Aceitar e fazer humor com minha condição modéstia parte é um diferencial muito importante no meu processo inclusivo. Foi partindo desta premissa que construí minha identidade como pessoa com deficiência. Ainda assim, é extremamente difícil conquistar espaço, quebrar paradigmas e preconceitos.
Lembro-me quando conclui meu ensino médio, técnico em informática, passei no vestibular a exatos oito nove atrás e fui um dos primeiros. Porém, ao chegar à faculdade a mesma não possuía acessibilidade e conhecimento do que vem a ser um paralisado cerebral.

       Entendemos por acessibilidade toda e qualquer instituição de ensino que forneça não apenas acessibilidade arquitetônica. No caso dos paralisados cerebrais, requerem desde preparo dos docentes à adaptações de conteúdo para ambientes computacionais dentre outras.

       Recentemente tivemos o caso do Guilherme Finotti, outro paralisado cerebral que praticamente foi impedido de fazer a prova do ENEM em um simples computador, felizmente o caso ganhou visibilidade da mídia e o MEC foi forçado a recuar.

       Esta questão da inclusão ainda esta muito confusa, o MEC prega a inclusão das pessoas com deficiência em classes regulares como esta na LDB porem, na outra ponta praticamente barra o estudante de fazer uso de um simples computador como meio alegando possibilidade de fraude?! Fala sério! Este é o “Brasil de todos” ?!

      Vejo também, um aumento do estigma quando vejo outros paralisados cerebrais do nosso estado se formando em jornalismo e ao mesmo tempo sendo infeliz  “pedindo” namorada em rede nacional!! Desculpe mas isto foi o fim, me senti ofendido como PC e como Homem também. Nada contra o feito dele mas, acho este episodio muito ridículo. Enfim, cada um, com seu cada um!

      Hoje, depois de ter participado do Seminário Aprendizagem e Qualificação das Pessoas com Deficiência do Ministério do Trabalho e Emprego – em 28/04/2009 com um projeto de inclusão elaborado em conjunto com meu amigo Alex Garcia apresentado no lançamento do comitê pro-inclusão - venho tentando inclusão no mercado.  Recebo muitas promessas mas nenhuma efetivamente concreta.
A lei de cotas contempla poucos e concentra basicamente em cadeirantes e sensoriais. Não contempla todos, alias considero ela – a lei – uma espécie de “tapa buraco” para corrigir a falta dos meios, educação de qualidade, inclusão.

Alex e Michel na feira do livro

      Faço parte do comitê até hoje, sempre me convidam para palestrar e participo sempre que sou convidado. A impressão que tenho é de que o “poder” continua sempre com as mesmas pessoas há décadas, e estas nunca foram comprometidas de fato com a inclusão da pessoa com deficiência. Esta questão somente mudará quando nós, digo nós pessoas com deficiência, tivermos o controle das decisões, não apenas concentrado na mão de meia dúzia.

       Esta semana recebi vários convites sobre a Reasul, e 1ª Semana Gaúcha da Pesssoa com Deficiência, me remeteu a um pensamento: “poxa que legal, finalmente vamos valorizar as pessoas da nossa terra” e tudo mais…. Porém, ao ver o set list de palestrantes TODOS vem de fora do estado. Não é uma questão de ser “bairrista”, mas sim, de valorizar nossos talentos, nossos exemplos de sucesso como Alex Garcia, Michel, Guilherme e tantos outros que poderia enumerar. Como disse: nada contra uma empresa de fora do estado organizar esta feira, mas daí não ter nenhum palestrante gaúcho é um pouco surreal!

      Encerro este meu artigo com um agradecimento à Ana Maria Machado da Costa do MTE que tem aberto novamente as portas para mim e também à Cilene Tams Rossato da Gestão de pessoas por abrir as portas da Unilasalle para mim. Em 2010 estarei estudando de fato com acessibilidade. Ah claro, mais uma vez a esta Loira sexy pelo convite !!!

Michel Inacio Schlindwein`

Loira sexy? Ô Michel, tô achando que tua PC afetou a visão!!!

 

Postado por Juliana Carvalho

Dia 20 de novembro

20 de novembro de 2009 1

    Dia da Consciência Negra.

    Já disse e repito, um dia não serve pra nada.

    Devemos lembrar, que todo dia é dia de respeitar ao próximo, como a nós mesmos.

    Viva todos os dias.

Postado por Tania Speroni

630 Janelas

19 de novembro de 2009 3

    É a quantidade de janelas no meu prédio, espalhadas pelos 15 andares, 630 janelas incluindo as 7 do nosso apê, 630 janelas incluindo a única do meu quarto.

    Deve ter pelo menos um homem andante em cada apartamento, no entanto, essa madrugada uma barata nojenta entrou justamente na minha janela, justamente no quarto da pessoa que mais tem nojo, ódio, pavor, asco de barata, no mundo! Yo.

    Mais uma prova clara que existe a Lei de Murphy.

    Como diz um sábio provérbio Julianês: “Em terra de aleijado, quem anda é escravo”. Tive eu que caçar, lutar contra e matar a nojentona.

    No outro lado da cama, estava o Milton, olhando e rindo. Eu mereço…

   

Postado por Tania Speroni

Virada

19 de novembro de 2009 2

    Alguém pode, por favor, pedir pra mudarem a Alinne Moraes de decúbito.

    O ideal, é fazer mudança a cada duas horas, desde o dia do acidente, a coitada tá de barriga pra cima, fala sério!

Postado por Milton Speroni

A Calçada É Nossa

18 de novembro de 2009 5

     Essas fotos foram tiradas, numa lojinha aqui perto de casa.

    Meu vizinho Sem Noção, espalhou Papai Noel por tudo. Este ano ele ainda teve um pouco de juízo e não colocou um tal carrossel, esse sim, era punk, não tinha como escapar, ou melhor, por onde passar, tínhamos que ir pela rua, porque o bendito carrossel, ocupava toda a calçada.

    Não sou o Grinch, que odeia Natal, mas não dá pra surtar e sair colocando Papai Noel por tudo, o enfeite transforma-se literalmente, num grande obstáculo. Não sobrou 80 cm de espaço pra passar uma cadeira, um deficiente visual, não vai escapar, vai levar bordoada do Papai Noel.

     A partir de agora, tá lançada a campanha: A Calçada É Nossa! Apareceu um sujeito achando que é o dono da calçada? Fotografa e manda pra cá.

     Com vocês: Bom Velhinho - O Rei da Calçada.

   

   

 

 

  

 

 

  

 

 

  

 

 

  

Postado por Tania Speroni

FAZ MERDINHA DA ESTRELA

17 de novembro de 2009 3

       Que atire a primeira pedra, o lesado que nunca se cagou! Sim, é uma verdade inconveniente, mas o controle dos esfíncteres fica alterado depois que se quebra a coluna. Ainda mais em início de lesão. E, se pra uma pessoa que caminha e tem total domínio das pregas, as vezes é difícil correr para o banheiro… Imagine pra quem está sentado!

        Até me lembro de um episódio dos tempos de andantes, onde fui surpreendida, no ônibus a caminho do shopping, por uma cólica absurda seguida de arrepios nos pelinhos do braço. Desci do T1 na azenha e desesperada bati de loja em loja em busca de um banheiro. Graças a Deus, o Mc da Azenha ainda estava com as portas abertas. Destruí o fast-food.

       Bueno, como gosto de fazer sempre do limão uma caipiroska, vou narrar meu último episódio escatológico. Acho que a banalização de certas dores as suaviza, entende? Tipo, claro que é uma merda (literalmente) encher as calças no trabalho. Mas tu pode ficar chorando desta tragédia ou dar gargalhadas desta comédia.

        Eis que estou editando o Faça a Diferença, quando subitamente começo a ter espasticidade nas pernas. Como muitos lesados, não sinto mais `vontade` de ir no banheiro, mas tenho um sinal: meus glúteos se contraem. Achei estranho, porque recém tinha feito pipi. O sinal se intensificou. Sinais olfativos também se manifestaram. Merda! Liguei pra minha irmã, que trabalha na sala ao lado, e pedi o resgate 911.

        Veio ela e mais uma colega, santas na terra, que me ajudaram a transferir pra privada. Os meus glúteos contraem tanto que me impossibilitam de fazer transferência sozinha. As gurias me deixaram lá: derrotada pelos movimentos peristálticos. Depois de uma hora agonizando no banheiro (ok, estou exagerando). Depois de uma hora mofando no banheiro, ainda com malditas cólicas intestinais, decidi que era melhor ir pra casa e trabalhar lá. Chá quente e a tranquilidade do lar.

        Agora me diz, é pra rir ou pra chorar?

Postado por juliana_carvalho