São Paulo, 03 de janeiro de 2010
Buenas !!!
É bom se confrontar com a divulgação do cotidiano de cadeirantes portoalegrenses nas páginas do jornal Zero Hora. Moro em São Paulo, mas a família é de origem gaúcha. Acompanho o dia-a-dia do Rio Grande do Sul pelo portal ClicRBS (vídeos, jornais, noticiário on line), devido a essa afinidade emotiva e cultural. Mas uma outra afinidade me faz escrever este e-mail a vocês: - meu pai, gaúcho de Vacaria, é um cadeirante. Como filho, o acompanho em seus diversos compromissos (consultas, exames) pela cidade de São Paulo. Bom, sou testemunha da infraestrutura oferecida pela cidade; as piores barreiras encontro nas condições do passeio público (poucas calçadas com a qualidade do novo calçamento da Av. Paulista, com guias rebaixadas, sinalização e amplo espaço) e, ainda, com a existência de uma postura pouco educada de parte da população (dificultando a passagem e o trânsito nas vias e calçadas, bloqueando o acesso a guias rebaixadas e vagas específicas, etc). Circulo com ele utilizando-se de ônibus e metrô e posso dizer que, de maneira geral, o transporte público paulista está cada vez mais preparado para o deficiente (o metrô é um exemplo excelente). De vez em quando, encontro "má vontade" (são exceções à regra) por parte de motoristas e/ou cobradores dos ônibus coletivos. Aqui, boa parte da frota já está adaptada. As repartições públicas de São Paulo, incluindo o Sistema de Saúde, via de regra também levam em consideração o deficiente, privilegiando seu acesso e seu atendimento.
Diante dessa situação encontrada na maior cidade do país, constatei em uma temporada de 3 meses a qual passei em Porto Alegre em 2008, que a situação é bem mais complicada pelos cadeirantes que moram na capital gaúcha. Poderia citar a topologia da cidade como um complicador a mais, mas São Paulo não é uma extensão plana, é uma cidade gigante com diferentes relevos, destacando o planalto. Aí, vi que a região central, aonde fiquei hospedado, tem calçadas estreitas e bastante declives. Achei o calçamento público da cidade, de maneira geral, mal conservado, com muitos buracos e acidentes de percurso. Quanto aos monumentos e prédios públicos de interesse cultural, ou arquitetônico, faltam rampas, ou elevadores para facilitar o acesso em muitos deles. Exemplo 1: A Catedral Metropolitana não tinha nenhuma rampa, só degraus (não sei se continua assim). Exemplo 2: No Museu do Exército, se for cadeirante, vai ter dificuldade para circular entre as atrações, e não poderá acessar o 2º pavimento. De muita coisa que vi, procurei reclamar, escrevendo para os órgãos competentes, até mesmo o Ministério Público do RS. Reclamei dessa rampa com a Cúria Metropolitana, contatei a Prefeitura de Porto Alegre e alguns vereadores, sob as condições de acessibilidade do passeio público e dos meios de transporte da cidade, das condições dos pontos de ônibus, etc, etc.
Acredito que deva ser desejo comum a todas as pessoas que amam o Rio Grande do Sul, e particularmente a cidade de Porto Alegre, vê-la cada vez mais bela, mais alegre, mais bem cuidada e, também, mais acessível a todos os viventes !!!
Meu apoio à vossa luta por um mundo sem fronteiras !
Cordiais abraços !
Atenciosamente
Wander Dantas