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Posts de janeiro 2010

O causo do Anão

27 de janeiro de 2010 2

Essa é uma história real de um amigo meu que tem nanismo e é uma das pessoas mais debochadas que conheço. Para preservar as partes, omitirei nomes e trocarei lugares.

LADO A

Roberto tem menos de um metro e quarenta. Dos três irmãos, é o único com nanismo. Ele adora uma balada e dia desses foi ao boteco Bufunfa, curtir a noite, tomar uma cerveja e paquerar um pouco. Segundo Roberto, só tinha mulherão no lugar.

O pequeno homem estava recém na segunda long neck quando uma súbita vontade de ir ao banheiro lhe acometeu as entranhas. Lá foi Roberto ao banheiro, literalmente sujar a louça. Primeiro encontrou certa dificuldade para subir ao vaso. Feito o trabalho sujo, ele percebeu que não alcançava a cordinha da descarga. Roberto deu saltinhos em vão. E também em vão, novamente com dificuldade, subiu no vaso para tentar alcançar a bendita corda. Pensou em dar um duplo twist carpado, mas havia pouco espaço para pegar velocidade.

Quinze minutos depois de malabarismos sem sucesso, Roberto decide deixar o filhote de tubarão boiando mesmo. Ao abrir a porta, dá de cara com uma moça que aguardava agoniada para usar o toalete – que era unissex. Na maior cara de pau que pode haver na face da terra, Roberto diz para ela pegar ar antes de entrar e pede pra moça uma gentileza: “Puxa a cordinha pra mim?”

LADO B

Suzana adora ir ao Bufunfa. Dia desses estava ela no boteco com as amigas tomando uma cerveja, falando amenidades. Depois da quinta long neck (Suzana tem uma bexiga potente) teve que pedir licença para ir ao banheiro. Chegando ao toalete, tentou abrir a porta sem sucesso: estava ocupado. Aguardou cerca de quinze minutos, cruzando as pernas para não se mijar (a potência de sua bexiga tem limite).

Quando sua capacidade vesical estava quase no limite do suportável a porta se abre. Uma bufa devastadora quase a faz desmaiar e em meio a tamanho fedor ela vê saindo do banheiro um anão. Ainda tentando elaborar como cabiam tantos gazes num ser tão diminuto, Suzana é surpreendida com uma dica e um apelo: “Pega ar antes de entrar e por favor, puxa a cordinha pra mim?”

Quase tive uma síncope quando o Roberto me contou essa história. Piadas a parte, a altura da descarga também é questão de acessibilidade! Pô, o que custa colocar uma cordinha maior? Aposto que a Suzana também agradece.

Todo mundo espera alguma coisa de um sábado a noite

26 de janeiro de 2010 8

Sábado passado sai com minha irmã mais nova e uma amiga, também mais nova. Escova, maquiagem, acessórios, perfume e más intenções, lá fomos nós em busca de uma festa na capital gaúcha semideserta em época de veraneio. Para nossa surpresa, todo mundo que não estava na praia resolveu ir para a balada em Porto Alegre.

Sem destino definido, a gente deu uma banda de carro antes de decidir qual seria o boteco que teria a honra de nossas presenças. Ui! Enquanto eu estava ao volante, passando devagar pela João Alfredo e pela Lima e Silva, vários rapazes me encararam, flertando. As meninas inclusive brincaram que era para eu passar um pouco de mel para elas. Engraçado, depois que eu troquei de automóvel e encarei a night na minha cadeira de rodas os olhares sumiram. Porque será?

Falha Nossa

25 de janeiro de 2010 0

Tchurma, recebemos um simpático e-mail com correções sobre as informações contidas no post Direto do TCE e da chamada para a postagem no Caderno Vida:

“Apenas a título de esclarecimento, gostaria de corrigir a
informação postada no Caderno Vida, de 23.01.10, mais
precisamente no final da página 8, Blog do Vida, no SEM
BARREIRAS (último sábado):

- o cargo no TCE é Auditor Público Externo e não Auditor
da Receita Estadual: e

- parabenizando o Contador (cadeirante) Vladimir Costa
por sua brilhante conquista, informo que o TCE já contou,
em seus quadros, com outros deficientes (Sr. Nelson, já
aposentado) e Sr. Oneide (cedido ao FGTAS-RS).

Obrigada por sua atenção e um abraço,

Dra. Alzira da Silva Aguiar,
Vice-Presidente da AFA- Associação dos Aposentados do
Tribunal de Contas do Estado.”

O Sr. Oneide por sinal é uma figuraça! Tive a oportunidade de entrevistá-lo no Faça a Diferença.

Beijo nas crianças!

DIRETO DO TCE

23 de janeiro de 2010 6


Ainda ano passado, recebi um e-mail, da  Priscila Pinto Oliveira, assessora de imprensa do Tribunal de Contas do Estado, informando ao blog, que o primeiro cadeirante auditor do TCE, Valdimir  Costa da Silva, acabara de tomar posse.

Achei importante trazer o Vladimir ao blog, porque sabemos que o índice de desistência escolar, após um problema de saúde, que deixa sequelas é bem grande e o Vladimir, assim como o Milton e a Ju, servem de exemplos a todos que nos lêem, é muito difícil segurar a onda, mas não é impossível.

Não quero ser clichê como o Faustão, que transforma todo mundo num “exemplo de vida”, mas acho que a força de vontade do Vladimir é digna de aplausos.

Segue um papinho básico com ele:

Sem Barreiras: Qua aconteceu com você, pra você tá na cadeira de rodas?

Bom, tenho degeneração no cordão posterior da medula. Causa provável: Mielite transversa. Tudo começou no final de 2001 (até aí eu caminhava normal). Começou com uma leve fraqueza nas pernas. No início de janeiro fui submetido a uma cirurgia para corrigir uma hérnia de disco na cervical. Até aquele momento achou-se que o problema era a hérnia, mas não era. Em 2004, passei, duas vezes, pelo tratamento de mielite transversa. Posteriormente, fui diagnosticado com os níveis de cobre abaixo do normal. Este fato pode ter ocasionado, ou contribuído, para a lesão. Resumindo, sou paraplégico desde 2004. Comecei a me locomover através de uma cadeira de rodas em março de 2004.

Sem Barreiras: Em algum momento da sua vida você parou ou desitiu de estudar?

Depois de passar por dois cursos universitários, que não completei, no segundo semestre de 2003 iniciei o curso de Ciências Contábeis na UFRGS. Com o problema de saúde, acabei perdendo todo o semestre. O ano de 2004 foi uma loucura! Tratamentos, adaptações, médicos, a necessidade de ajuda para fazer quase tudo (tomar banho, colocar a roupa, sair de casa, …) fiquei perdido!

Sem Barreiras: Como você conseguiu dar a volta por cima?

Mesmo com todas as dificuldades, não parei de estudar. Com o grande suporte recebido da família, no primeiro semestre de 2004 consegui fazer uma cadeira na faculdade. Meu pai me levava de carro, ficava esperando e depois me trazia de volta. Foi assim durante todo o ano. Foi muito penoso, mas tinha uma força dentro de mim que me mandava continuar.  O apoio da família é muito importante. A partir de 2005 consegui adaptar o carro e ia sozinho para a aula. Em 2004 morei com a família mas hoje moro sozinho novamente.

Sem Barreiras: Você é casado, filhos?

Sou separado e não tenho filhos.

Sem Barreiras: Você veio da UFRGS, também concursado por lá, você estuda só, faz cursinhos, cursinhos adaptados existem?

Comecei a estudar para concursos em 2005. Pela incrível falta de acesso proporcionada pelos cursos preparatórios, durante um bom tempo, estudei sozinho em casa. Comprei alguns livros e apostilas e mandei ver. Em 2008, depois de dar com a porta na cara em vários cursos preparatório, encontrei o CPC (Curso preparatório para Concursos que fica na Av. Farrapos). Este curso possui acesso às salas de aula e ao banheiro. Fico muito insatisfeito com o donos de alguns cursinhos que vem tentar justificar a falta de acesso com os famosos: “o prédio é antigo”, “é culpa de quem construiu o prédio”, “na próxima reforma a gente vê o que pode fazer”. É uma falta de inteligência desse pessoal. Além de não estarem cumprindo a Lei, eles deixam de fora um potencial grande de clientes. A reserva de vagas para pessoas com deficiência é garantida pela legislação.

Sem Barreiras: Fala da satisfação do resultado dos seus estudos, dá umas palavras de motivação, não podemos deixar os jovens que nos lêem deixar de estudar.

Fiz o curso de graduação e de especialização na UFRGS. Voltei para graduação. Hoje, estou cursando Ciências Atuariais (UFRGS). O estudo é super importante. Com a, cada vez maior, conscientização da sociedade em realizar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, se faz necessário adquirir conhecimento, preparar-se para o mercado. 

Sem Barreiras: Você teve algum apoio financeiro duranta seus estudos, bolsa, cotas. Dá uma palavrinha sobre ela, se teve.

Antes da doença eu já trabalhava, portanto, fui amparado pelo auxílio doença do INSS. É importante ter o seguro social nessas horas. Sem ele, a preocupação seria bem maior. Os gastos com remédios, cadeiras de rodas, fisioterapia são muito altos.

Sem Barreiras: Qual é sua profissão. Durante a faculdade, os perrengues que passou, falta de ônibus, rolava paquera, preconceito…

Sou formado em Ciências Contábeis e recentemente assumi o cargo de Auditor em um Órgão Público. Durante a faculdade passei por diversos apertos. Lembro de pelo menos 3 ocasiões em que meus colegas tiveram que me carregar, de cadeira e tudo, pelas escadas da UFRGS. Os elevadores estavam estragados. Muitos prédios da Universidade não possuem banheiros adaptados. Quando dá vontade, te vira.  A falta de acesso é bem complicada. Tenho obrigação de apontar a boa vontade do departamento de Ciências Contábeis que me deram muita força no sentido de me colocar em salas com, no mínimo, um pouco de acessibilidade.

Sem Barreiras: Pra você, o que é um mundo sem barreiras?

Um mundo sem barreiras tem a ver com liberdade e inclusão. Liberdade para poder ir e vir, em todos os lugres e sem grandes dificuldades. Inclusão, no sentido de participar dos mais variados grupos e espaços; fazer parte.

Esse é o cara!

 

CADÊ OS ÔNIBUS?

22 de janeiro de 2010 2

Ontem, seis da tarde (hora do tradicional pega pra capar no trânsito).

Eu contei exatemente 15 ônibus enfileirados no corredor em frente ao Hospital Cristo Redentor, na Assis Brasil, sabe quantos eram adaptados?

NENHUM!

A GENTE NÃO ABRE A PORTA, ARROMBA

21 de janeiro de 2010 3

Google ImagesOntem pela manhã, troquei uma ideia com uma conhecida que é transexual. O assunto? Essas coisas da vida: preconceito, inclusão, direitos e deveres, intolerância. Ela, com uma sabedoria que só a experiência traz, largou uma tirada que achei excelente. Com uma metáfora, ela resumiu o esforço que segmentos discriminados, como a comunidade LGBT e de PcDs, tem de fazer para ter direitos básicos respeitados: “as pessoas em geral abrem portas, nós temos que arrombar”.

Nesse espirito de arrombamento, trago duas boas notícias. Primeira: finalmente estou dirigindo! Eeeee! Quem acredita, sempre alcança! Insistindo, insistindo e insistindo a gente ganha no cansaço! Tomem cuidado quando virem uma loura dirigindo um Passatão com selo de acessibilidade. Sabe como é, ainda sou um pouco maneta…

A segunda boa notícia é que tive a primeira reunião com meus advogados para processar o DETRAN-RS. Sugiro que quem passou por constrangimentos parecidos, discriminatórios, faça o mesmo, acione a justiça. A porta da inclusão é pesada, exige um esforço tremendo abri-la. Se todo mundo fizer força junto, a gente arromba o preconceito mais rápido!

Café COM BOBAGENS

20 de janeiro de 2010 1

Tô de casa cheia, normalmente ela é cheia, agora tá completa, com meu irmão e minha sobrinha de 11aninhos, viciada em BBB.

Quando lemos os comentários da Ju abordando a falta de uma pessoa com deficiência no programa e uma superlotação de representantes LGTB (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis), o café da manhã aqui em casa foi todo voltado pra comentar o vício da minha sobrinha nessa chatice de BBB e a ausência de um representante da nossa turma.

Eis que o Milton sugere que alguém faça inscrição como cadeirante-gay, ele acha que vai dar audiência, já que o lance é ser LGTB.

O nome artístico até já existe e ela autoriza a quem quiser se inscrever usar:

Di Cadeirantty.

Pros próximos BBB’s a sorte foi lançada, torcemos por você Di Cadeirantty!

ATITUDE É TUDO

18 de janeiro de 2010 7

Depois de passar um final de semana maravilhoso em Nova Prata, brincando com minha sobrinha, hora de voltar pra Porto Alegre. Minha irmã me levou pra rodoviária e na hora de embarcar (normalmente uma pessoa me pega pelos joelhos e outra embaixo dos braços) o motorista do ônibus reclamou por ter que ajudar a me carregar. Não falei nada.

Dormi bastante durante a viagem e chegando à rodoviária precisava ir ao banheiro. Beleza, lá tem um acessível. Chegando ao toalete, a cabine com adaptação estava ocupada. Adivinha? Depois de dez minutos sai dali uma senhora muito cara de pau sem deficiência alguma. Não falei nada.

Encontro minha outra irmã, que veio me buscar na rodoviária e vamos conversando até chegar no meu carro que está no estacionamento para PcDs. São três vagas, todas ocupadas por veículos que não transportam quebrados. Um infeliz teve a capacidade de estacionar na frente da rampa. Estou ilhada. 

Romeu Kazumi Sassaki, especialista em inclusão, diz que a acessibilidade NÃO se restringe ao espaço físico, à dimensão arquitetônica. Segundo o homem, o conceito de acessibilidade é divido em seis dimensões: arquitetônica, comunicacional, metodológica, instrumental, programática e atitudinal.

De que adianta ter a preciosa acessibilidade nos lugares se as pessoas não respeitam nossa prioridade? Pô, tem sempre várias cabines comuns nos banheiros e apenas UMA acessível. Tem sempre um monte de vagas comuns e apenas duas ou três especiais. Acho que a principal acessibilidade que falta nesse Brasil de meu Deus é a atitudinal. Atitude é tudo. E essa mudança de comportamento só vem com educação.

Acesso na Lima & Silva

16 de janeiro de 2010 1


Quem é cadeirante bem sabe o perrengue que é se divertir.

1) Roupa que combine com a pessoa e a cadeira não faça o favor de desfigurar o modelito fashion.

2) Se tiver carro, achar uma vaga, se houver vaga reservada, torcer pra que ela esteja lá, te esperando.

3) Se não tiver carro, rezar pro taxista ir com sua cara e aceitar numa boa que a cadeira, entre no seu precioso carrinho.

4) Na balada, achar um lugar acessível.

5) Circular pelas calçadas

Buracos

Pra galera de POA, os barzinhos da Lima e Silva são uma ótima pedida no final de tarde, ainda mais com esse calorzão que tem feito, uma cervejinha geladinha, desce redondo.

Só Comes ( já fomos lá) e o Boteco do Pedrini, tem um bom acesso, rampinha bem suave, além do banheiro adaptado, o Pinguim tem uma rampa legal de subir também e embora o banheiro não tenha as barras de apoio as portas e o espaço interno do banheiro é bem amplo, dá pra fazer número 1 e 2 sem fazer malabaris.

No Olaria, um centrinho comercial( como os lojistas chamam), tem vários conceituados e premiados barzinhos, só que, pra cadeirante pra entrar, tem que ser no colo, porque todos têm degraus no seu interior.

Escadas no Olaria

Há opção de ficar na parte externa do Olaria.

Parte externa

Mas em todo centro não há banheiros adaptados e os que tem, são bem pequeninos, vai rolar malabarismo, com certeza.

Interessante é que eles chegaram a se preocupar com a vaga reservada no estacionamento( pago), mas o conforto gratuito que é bom.

Estacionamento

Pra parar o carro, as opções são:

Ao longo da Lima e Silva, mas é difícil de achar uma vaga por lá, porque todo mundo de POA, teve a mesma idéia que você: Um happy hour na Lima e Silva . Outra sugestão é parar nos estacionamentos pagos e caríssimos.

As próximas fotos são do Boteco do Pedrini.

A rampa da entrada

A entradinha do banheiro e o famoso troninho.

Em seguida vem O Pinguim, que embora tenha um acesso tranquilo com sua rampa, o banheiro não é 100% adaptado, mas tem um espaço invejável.

E por fim, o Só Comes, onde somos fregueses, a rampa de entrada e ele, O Troninho.



Fico devendo como é um happy hour na Padre Chagas. Não publiquei hoje pra fazer suspense

Novelinha Sem Noção.

15 de janeiro de 2010 2

Se eu contar que não vejo a novela, vocês provavelmente não acreditarão. Não vejo. Não dá!

Mas toda vez que passo pela TV, essa tal Luciana é carregada no colo pra lá e pra cá.

Que coisa mais sem noção!!!!

Po&&*. Cadê a acessibilidade????? A garota é milionária e essa família de imprestáveis milionários, não colocou nenhum elevador na casa dela? Ninguém teve a feliz idéia de se mudar?

“Luciana, vamos morar num apê plano.”

A novela não seria uma promoção de inclusão, acessibilidade? E na própria casa a garota é carregada no colo?????

Ninguém percebe que isso é um absurdo? Só eu?

Que nojo!

QUEREMOS UM QUEBRADINHO NO BBB!

14 de janeiro de 2010 7

divulgação rede globoTerça, depois da novelinha, acompanhei o programa de estréia do Big Brother Brasil 10. Fiquei feliz por ver que a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis) está bem representada. Fiquei feliz porque a comunidade Negra tem um representante também, embora acho que apenas uma pessoa na casa não confira com a realidade brasileira, onde quase metade da população é afrodescendente. Fiquei feliz de ver que tem gente de vários estados desse nosso Brasil de meu Deus. Mas, confesso, que fiquei chateada por não me deparar com nenhuma participante que fosse do clubinho dos quebrados.

Pô, será que nenhum cadeirante, nenhum cego, nenhum amputado, nenhuma pessoa com deficiência (PcD) se inscreveu? Duvido. Será que nenhuma dessas pessoas com deficiência que mandou seu vídeo é interessante o suficiente para participar do reality? Duvido! Então, porque nós não estamos representados lá? Será que adaptar algumas atividades, como provas para liderança, para conseguir as estalecas e tal, seja muito trabalhoso pra produção? Ou o shape dos quebrados não é atrativo para os fins comerciais do programa?  Quero uma resposta para essa exclusão!

Imagina que divertido e educativo será ter uma PcD lá dentro, mostrando como nosso dia a dia não é tão diferente quanto a maioria das pessoas imagina. Mostrando que dá pra participar, para dividir as tarefas junto com os outros, que se é interessante e competitivo tanto quanto os outros concorrentes. Esse mascote do BBB aí na foto tem que abrir mais o olho! Queremos um quebrado no BBB 11!

ZILDA ARNS

14 de janeiro de 2010 0

UMA MORTE GLORIOSA!

Todo o Brasil  lamenta a morte de Zilda Arns, eu  penso que não poderia ser de maneira mais honrosa e digna.

Enquanto nós todos, ou quase todos, só temos olhos para o nosso próprio umbigo, egoístas, vemos raras  pessoas especiais doando-se, dedicando suas vidas em obras coletivas.

Para quem dedicou a vida inteira em prol dos necessitados, encontrava-se exatamente no lugar mais necessitado do mundo, trabalhando.

Todos morreremos, e morrer como vivemos, auxiliando o próximo, dando a vida pelo nosso irmão, convenhamos, não há nada de triste nisto.

Ao entrar no Céu, tenhamos certeza que Zilda Arns foi aplaudida de pé.

Abraços.

Milton Speroni

TEMOS ATÉ BARBIE CADEIRANTE

13 de janeiro de 2010 8

google imagesYeah, nós temos novela, nós temos amiga da Barbie cadeirante, nós temos blogs pelo Brasil falando sobre inclusão, nós estamos indo bem! Mas, tenta ir no banco, tenta.

Segunda feira tive que ir a dois bancos. No primeiro, espera chamar a segurança para abrir a porta 1, aguarda para abrir a porta 2. Aguarda para revistarem tua bolsa. Sim! Revistaram a minha bolsa! E se eu tivesse levado meu vibrador pro trabalho hoje? Brincadeirinha. Mas, fala sério, dá vontade de colocar um pinto de borracha na bolsa e ir no banco só pra ver a cara do guarda…

Buenas, depois de muito espera daqui espera dali, revista acolá, fui em outro banco. Adivinha? Espera pegarem a chave do elevador, espera chamar sei lá eu quem tem a chave da porta 1… Será que eles acham que cadeirante não tem mais nada pra fazer? Quebrado também pode estar com pressa!

Bah, a vontade que me dá é puxar da bolsa (antes da revista) uma uma pistola d’água e sair ameaçando o gerente do banco: acelera aí com essa porcaria de chave senão vai levar um jato! Sim, estou revoltada, mas me diz se não é pra ficar!?

DE VOLTA PRA CASA

12 de janeiro de 2010 0

Gente, perdão, o ’tilte’ que deu foi intelectual. Sexta foi um dia muito corrido: entrega de programa que foi ao ar hoje, formatura, noivado, compra dos presentes de última hora e a cabeçuda aqui esqueceu de escrever. Herrar é umano, né? Foi mal mesmo! De qualquer maneira, vai o texto abaixo, que era para ter sido postado sabadão.

“Quem da turma dos quebrados que está acompanhando Viver a Vida não teve já vários flashbacks? Eu, a cada capítulo da novela tenho um! O primeiro banho de chuveiro, cada pequeno movimento conquistado uma grande vitória, o retorno pra casa depois de inúmeros dias de internação… Aliás, esse dia é marcante, né? A bendita volta pra casa, repleta de expectativas. E quando, finalmente, a gente deixa o hospital e põe os pés no lar, se dá conta que eles se tornaram rodas. Não sei como foi pra vocês, mas pra mim, a volta pra casa foi uma avalanche de emoções e de lágrimas. Chorei até babar.

Secando as babas, me encarnei em fazer fisioterapia com a meta de voltar a andar em três meses: misto de otimismo, ingenuidade e falta de informação. Em nenhum momento, eu e meus familiares percebemos que mesmo que eu voltasse a saltitar em pouco tempo, no período que eu ficasse sentada, precisaria de conforto, ou seja, adaptações, acessibilidade. Morei ‘temporariamente’ na sala por três anos. Três anos sem acesso à banheiro, sem privacidade, sem qualidade de vida. Foi um período muito difícil. Falta de acessibilidade é sinônimo de dependência. Depender é complicado.

Ainda no afã de voltar a andar, fiquei um bom tempo concentrada nesse único objetivo e esqueci que precisava aprender várias coisas para viver bem enquanto estivesse sentada. Eu protelava planos… Ah, quando voltar a andar faço isso, quando voltar a caminhar faço aquilo. Só que o tempo, malvadão, não espera ninguém. Ele passa e se a gente não vive o agora, já foi. As fichas foram caindo devagar. Três anos de sala, nos mudamos para uma casa térrea, com banheiro adaptado, cozinha com uma pia adequada à minha altura e com uma abertura onde encaixo minha cadeira pra pegar no batente. Quatro anos de lesão, enfim, resolvi encarar a vida sentada e fui pro Sarah aprender coisas elementares para qualidade de vida: como me vestir sozinha, como manejar a cadeira, como ter autonomia.

Google Images

 

Não precisa levar tanto tempo, nem passar tanto aperto, gente! Por isso, fica a dica. Conhece alguém que sofreu lesão medular recentemente? Explica a importância de ter um espaço adequado. Não importa se for pra ficar na cadeira alguns meses. Se tiver condições (por que ser quebrado no Brasil sai caro) faz as adaptações necessárias. Encara os treinamentos que vão te trazer independência, em Porto Alegre temos o Centro de Reabilitação da PUCRS e a AACD. Enfim, hoje tenho em casa condições para ir, vir e lavar louça!”

Sequela não é doença!

11 de janeiro de 2010 1

Minha mãe tem doze irmãos, uns mais presentes, outros mais ausentes e assim vivemos.

Final de ano é sempre a mesma coisa, a família que tá espalhada pelo mundo, aproveita o momento” amar ao próximo” , liga pra saber como ela tá.

A pergunta é a mesma: Sua mãe tá melhor ?

Hum! (Minha mãe teve um AVC pancadão, completamente sequelada. Mas apesar de tudo a saúde dela é invejável, acreditem se quiser. Afinal de contas, graças ao plano de saúde, ela tem um home-care 24 horas, visita de médicos e enfermeiros constantemente).

Melhor de quê? Da sequela?

Conversando com o Milton, chegamos a seguinte conclusão. Se minha mãe precisasse morar na casa de algum desses irmãos, ela com certeza seria bem recebida, mas eles provavelmente deixariam de adaptar muita coisa que melhorasse a qualidade de vida da minha mãe, achando que ela melhoraria.

Nada contra a esperança das pessoas, mas ela pode atrapalhar. Como o caso daquele moleque que não toma banho sozinho, porque os pais não tiraram o box do banheiro.

Minha mãe não é doente, ela teve um AVC  tem uma sequela, se vai ficar boa da sequela? Só Deus sabe, mas a saúde dela é ótima.