Sabadão, nada pra fazer... Que tal pegar um final de semana na Serra? Férias à vista? Quem sabe uma viagem inesquecível? Daí o cadeirante pára e pensa na última vez que tentou achar hotel com quarto acessível, da mão de obra que é enfrentar escadaria de avião no Robocop ou então encarar o Ambulift (quem acompanhou a saga do Jairo?). Chega a dar um desânimo, né?
Mas, calma! O Sem Barreiras hoje apresenta a solução! Ou melhor, uma agência de turismo que vai atrás da solução pra gente: a Accessible Tour!
Maria de Fatima Estephan, que comanda esse barco, conta como surgiu a ideia de criar uma agência de turismo voltada para pessoas com deficiência. “Tive uma consulta de uma escola especial para uma viagem em grupo. Quando fui até a escola o diretor me participou de que tratava-se um grupo especial, ele ficou muito a vontade e começou a relatar a necessidade de cada um dos viajantes. Eram todos alunos com alguma deficiência e na sua maioria motora e intelectual. Todos jovens. Na hora sugeri cruzeiro marítimo e eles toparam. Foi um dos trabalhos mais prazerosos, pois o retorno foi de 100% de satisfação. Foram necessárias algumas ações diferenciadas, como atender os pais na escola para facilitar. Aí pude perceber que não existiam agências que priorizavam a inclusão. Existia um receio por parte dos profissionais e que na verdade era falta de informação e preparo. Comecei a pesquisar sobre o assunto, decidi que os produtos da minha agência focariam a inclusão e comecei a trabalhar para tanto.”
O Sem Barreiras bateu um papo com a Fátima.
SB: Quais os serviços e comodidades que a empresa oferece aos turistas com deficiência?
FÁTIMA: Viagens com acomodações, transporte e passeios adaptados a necessidade de cada cliente, bem como a contratação de acompanhantes treinados quando for o caso. Temos viagens acessíveis no mundo todo e para todos os gostos incluindo as Muralhas da China, Pirâmides do Egito e Safári na África (Que medo!).
SB: Qual a importância do lazer, como o turismo, para as PcDs?
FÁTIMA: A mesma da pessoa sem deficiência. Integração, socialização e prazer. (Era isso que eu queria ouvir!)
SB: Quais os destinos e estilo de viagem mais procurados pelas PcDs?
FÁTIMA: Depende da faixa etária e condição de mobilidade. A procura maior é pelos roteiros de contato coma a natureza porém a preocupação com a infraestrutura e comodidades ainda prevalecem e neste caso o campeão é o Cruzeiro Marítimo. (Luuuuxo, eu quero!)
SB: Tu considera que o Brasil tem uma infraestrutura (acessibilidade arquitetônica, cardápio e outras informações em braile, intérprete de libras em hotel...) que atende com dignidade as PcDs?
FÁTIMA: Apesar de existir uma lei que protege e obriga a acessibilidade para a inclusão, na prática não é uma coisa fácil e acho que ainda vai demorar um pouco. A medida que a PcD buscar o serviço ele vai aparecer e crescer. Se todos fizerem a sua parte vamos chegar lá. Eu procuro a medida que faço as minhas pesquisas conscientizar o fornecedor de que ele esta perdendo mercado e que vai ficar para trás. Tem funcionado. Existe a desinformação, mas por outro lado existe a boa vontade.
SB: Quais as principais dificuldades que a agência encontra para proporcionar turismo acessível?
FÁTIMA: Quantidade e qualidade. A falta de adaptação nos hotéis tanto em numero de apartamentos como nas áreas úteis. Transporte adaptado para fazer os deslocamentos. Pessoal treinado.
SB: Tu percebe interesse por parte do estado e também de toda engrenagem do turismo em receber o turista com deficiência?
FÁTIMA: Sim, existe o interesse social e econômico, mas falta informação e a união dos mesmos.
SB: Já passaram por alguma saia justa em função da especificidade de publico que vocês atendem? Tipo, reservar quarto num hotel que se diz acessível e o turista chega na hora e vê que não era bem assim?
FÁTIMA: Já e por isso estamos cada vez mais criteriosos ao vender o produto. Existe um site de hotéis accessíveis que usamos para começar a nossa pesquisa e para nossa surpresa a maioria deles só tinha 1 apartamento adaptado e as áreas comuns não eram accessíveis e pasme, um dos hotéis não sabia nem o que era apto adaptado, ou seja, não tinha nenhum.
SB: Vocês vendem pacotes para fora do país, encontram as mesmas dificuldades que aqui no Brasil?
FÁTIMA: No nosso site temos uma área que se chama Turismo Acessível com varias opções de pacotes para Europa, África e Ásia. Nos Eua a maioria dos pacotes já são "inclusivos", pois a principais cidades não tem nenhum problema com acessibilidade. Tudo é acessivel. Tenho um cliente que foi recentemete a New York e percorreu Manhatan em sua cadeira sem a menor dificuldade. Na América do Sul a maioria dos pacotes já são inclusivos e não temos nenhuma dificuldade em montar roteiros de acordo com a necessidade do cliente. Temos roteiros maravilhosos incluindo Patagônia e Ushuaia.
SB: Dicas para férias inesquecíveis e acessíveis?
FÁTIMA: Como já citei anteriormente, os cruzeiros marítimos são uma ótima pedida, pois alem de contar com toda a infraestrutura você ainda aporta em varias cidades sem ter que abrir e fechar mala aproveitando 100% da sua estada. Sem falar que tem cruzeiro o ano todo em algum lugar do planeta para todos os gostos e bolsos. Outro destino bem legal é a Costa do Sauípe que esta totalmente reformulada e accessível. A dica é: ligue para nós!
Accessible Tour
Rua da consolação, 293 cj 32
tel- 55-11-3138-3477/78
cel-9943-7933 /7885-7601
nextel-55*9*17696
www.accessibletour.com.br
fatima@accessibletour.com.br
Crédito: As fotos foram cedidas pela Accessible Portugal

