O caso aconteceu em Santa Maria-RS, com o jovem Luís Felipe Ströher de apenas 21 anos, esse mesmo garoto, já foi matéria do Caderno Vida em dezembro passado.
O acontecido? Foi convidado a se retirar da pista de dança da Boate Corujão na BR-158 de Santa Maria.
O motivo? A cadeira dele tava atrapalhando.
Se você clicar aqui, pra ler toda a reportagem do Diário de Santa Maria.
A vereadora Sandra Rebelato, que também é mãe de um cadeirante, escreveu um artigo que eu acho mais do que justo publicar, independente de ser uma política, independente de ser vereadora, ela é mãe e como nós sentiu a dor do preconceito, ainda que seja numa pessoa que sequer conhecemos, mas quando uma coisa dessas acontece com um cadeirante, a gente só pensa: Isso poderia ter sido comigo!
"Recentemente lemos entristecidos a notícia de que um jovem que registrou ocorrência policial, alegando ter sofrido constrangimento por sua condição de cadeirante. Segundo relata o universitário, o episódio aconteceu em uma casa noturna de Santa Maria, local onde outros tantos jovens iguais a ele freqüentam para se divertir. É inadmissível que casos como esse ainda venha macular nossa cidadania, ferindo direitos garantidos pela Constituição. É difícil aceitar que um jovem universitário tenha sido ‘gentilmente’ convidado a se retirar da pista de dança, pois sua cadeira – objeto imprescindível para sua locomoção - estaria ‘atrapalhando’ os demais. E eu pergunto: onde está o respeito? Onde está o bom senso? Quem responde pela igualdade de direitos e a tolerância pelas diferenças?
Durante muito tempo os deficientes físicos foram considerados pessoas diferentes, incapacitadas, condenadas ao ostracismo e a uma vida sem atividades. Também foram discriminadas e colocadas à prova em suas habilidades. Atualmente, as dificuldades ainda existem, mas muitas pessoas têm trabalhado para reverter esta situação. Como exemplo disso, temos a Lei Federal 7853/1989, estipulando uma política nacional para integração das pessoas com deficiência. Temos também a Lei 11.133/2005, instituindo o 21 de setembro como o Dia Nacional da Luta da Pessoa Portadora de Deficiência.
Dentro da minha esfera legislativa, em agosto de 2009, protocolei uma proposição indicativa sugerindo ao Poder Legislativo de Santa Maria a criação do Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência. A medida visa indicar políticas públicas e ações de ordem legal e administrativas destinadas a facilitar as atividades das pessoas com deficência, melhorando assim, as condições de vida dessas pessoas.
Justificando minha intenção, além da experiência pessoal de ter um filhocadeirante, reconheço que em Santa Maria existe um grande número de pessoas com deficiência, no entanto, se engajam em diversas atividades. Estes cidadãos e estas cidadãs superam dificuldades, enfrentam obstáculos e mostram competência em atividades compatíveis com suas limitações.
Por isso, Santa Maria carece de um órgão que represente os(as) portadores(as) de deficiência e que sugira ações ao Poder Público, reivindicando medidas destinadas a minorar as dificuldades, melhorando a qualidade de vida desta parcela significativa da população. Nossa cidade precisa seguir o exemplo de municípios gaúchos como Santa Cruz, São Leopoldo, Rio Pardo, Rio Grande, Pelotas, Gravataí, Caxias, Carazinho, Canoas, Bento Gonçalves e Porto Alegre, que já possuem seus Conselhos.
É claro que há muito para ser feito. Os(as) portadores(as) de deficiência, como todas as pessoas, precisam ter acesso à saúde, oportunidade de trabalho/emprego, rampas, calçadas livres para transitar, elevadores, banheiros adaptados, escolas, lazer, esporte e, sobretudo exigem e merecem RESPEITO!
Sandra Rebelato, advogada e vereadora, Partido Progressista, Santa Maria, RS."
O Sem Barreiras, gostaria muito de enviar um e-mail aos proprietários da boate, pra que eles se explicassem (explicar o inexplicável), mas como sempre abrimos um espaço aos aqui citados, seria justo com eles também o direito a um espaço no nosso bloguinho.

