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19 de abril de 2010 0

Turma!

Esse texto eu “colei” do Mão na Roda.

Mudança de paradigma

Maria Paula Teperino – segunda-feira, 19 de abril de 2010 – 09:31

Vendo a matéria no Globo Repórter sobre células-tronco, entendo perfeitamente bem aquela moça que foi para China servir de cobaia para um experimento, que na melhor das hipóteses, não causa melhora alguma. Sim, porque como bem dito pela cientista da USP, Dra. Mayana Zatz, ainda não se tem a garantia de que as células colocadas na medula se transformarão em células nervosas. Corre-se o risco de virarem tecido ou osso. Já pensou que estrago ao paciente se começasse a nascer um osso em sua medula? Mas voltando ao porque ou não de pagar tanto dinheiro por algo sem nenhuma garantia, eu penso que o que leva a isso é uma coisa chamado desespero.

Pensem bem, antes de ficar deficiente, quantos cadeirantes você conhecia que trabalhavam, viajavam, surfavam, andavam de handbike, eram casados(as), tinham filhos? Enfim, tinham uma vida, ou a possibilidade de ter uma vida como a de qualquer outra pessoa sem deficiência?

O que ainda se ouve o tempo todo é que fulano sofreu um acidente e ficou “preso a uma cadeira de rodas”, que virou um “meio-homem” ou uma “meio-mulher”, por ter perdido a sensibilidade da cintura para baixo, ou que fulano apesar de não andar, ainda conserva uma alegria, que é um exemplo de vida. Enfim, o repertório é vasto e todos aqui sabem muito bem o que ouvimos todos os dias.

É claro que perder parte dos movimentos de uma hora para outra, não é de forma alguma o desejo de ninguém. É muito ruim não andar, mas também é ruim envelhecer, saber que a vida vai ter um fim. Mas nem por isso as pessoas deixam de envelhecer. A maior parte das pessoas sabe que, caso se cuidem, vão poder envelhecer com uma boa qualidade de vida, e continuar fazendo coisas prazerosas, mesmo que de uma outra forma. É exatamente isso que acontece com a deficiência. Ela não é a opção de ninguém, mas se as pessoas que deixam de andar tiverem outros paradigmas, que não sejam os que ainda estão vigendo, elas vão saber que a vida continua, que mudanças vão acontecer, mas que depois de certo tempo tudo vai estar completamente igual, os mesmos problemas de antes, as mesmas alegrias, as mesmas vontades, as mesmas preguiças, ou seja, muda a embalagem mas a essência é a mesma.
O que nós, pessoas com deficiência que estamos na vida, militando, escrevendo, passeando, trabalhando, amando, enfim, vivendo prazerosamente estamos possibilitando, é uma mudança de paradigma e com isso possibilitando a outros jovens que acabaram de ficar sem andar, a esperança de que a vida pode ser tão prazerosa como de outrora e que ser cobaia de um picareta de plantão não é o melhor que se tem a fazer.

O texto acima é da nossa leitora Maria Paula Teperino. Segundo ela, a idéia era publicá-lo como comentário no post do Nickolas – “Negócio da China com células-tronco”, mas o texto ficou muito grande e ela resolveu enviá-lo pra gente. Ficou bem bacana!

Aproveitamos para falar que ela vai participar do programa Sem Censura, hoje, que vai ao ar na TV Brasil das 16 às 17:30h. Fiquem ligados!
No programa, também estarão Juliana Carvalho,do livro Na Minha Cadeira ou na Tua, e Henrique Saraiva, da Adaptsurf.

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