O implante coclear, IC, é um dispositivo que estimula eletronicamente as fibras dos nervos auditivos.

Ele tem duas partes, uma externa (parte que tá o microfone, um processador de fala e uma antena transmissora) e outra, (o receptor estimulador) que é colocada cirurgicamente no ouvido interno.
Quer saber mais do IC?
Clica aqui.
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AMADA
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Associação Brasileira de Otorrinolaringologia
Em julho, divulguei no blog, uma consulta pública que tava rolando no Brasil a respeito do IC.
E assim, conheci a Geraldine, mãe lutadora do Maurício esse lindo bebezão, que foi submetido ao IC e com Seis meses de implante, já falava mamã, papa e entende tudo que fala com ele. Olha que emoção!

Trocamos muitos e muitos e-mails até chegar este post, perguntei muita coisa à Geraldine e ela com toda paciência do mundo, me explicava e orientava.
Vou fazer uma comparação meio grosseira, com o que a ANS fez:
Imagine-se sem duas pernas, imagine que seu plano cobre próteses pras duas pernas, acompanhamento médico e não restringe idade pra colocação das próteses. Agora, imagine que a ANS, resolve que os planos só têm obrigação de "pagar" por uma prótese e que se você tiver entre 6 e 18 anos não terá sequer, direito a ter as duas próteses.
É exatamente essa idéia bizarra que a ANS trouxe com relação aos IC's, ou seja desobrigar os planos de saúde e restringir um determinado número de pessoas candidatas ao implante. Por isso surgiu a consulta pública e assim conheci a Geraldine.
Da descoberta da surdez bilateral profunda do Maurício e sua cirurgia, passou mais de um ano entre avaliações, exames, consultas, testes e tudo mais, finalmente autorizado clinicamente e burocraticamente, a família foi informada que o aparelho modelo "baby" do Maurício custaria R$950,00 e as pilhas também custariam esse valor, sendo que a validade delas é de cerca de um ano, além disso manutenção só na Austrália, mas mesmo assim eles mergulharam de cabeça no projeto e valeu a pena.
A luta da Geraldine agora é tentar uma nova cirurgia no Maurício e junto com pais e implantados de todo Brasil, derrubar essa portaria da ANS.
Ainda no sábado publiquei um comentário da Geraldine, clica aqui. O comentário era o retrato da indignação dela, minha e de todo mundo que tá nas mãos dos planos de saúde , ANS e tudo que envolve qualidade de vida e burocracia.
Um trecho de um de vários e-mails trocados
Se o Maurícyo ficar sem fazer este implante o nervo auditivo do lado
esquerdo atrofiará e passará a ter somente um ouvido. Outra deve ser feito
o segundo implante no interregno de um ano entre um e outro implante, para
que surtam os efeitos almejados, isto é, 100% da audição, localização
sonora, complementação da audição direita com a esquerda, além de
benefícios tipo se um dos aparelhos estragar ele pode se beneficiar do
outro enquanto espera o conserto sem deixar de ouvir, pois em geral demora
30 dias para vir do exterior, o que geraria no estágio que ele se encontra
um retrocesso muito grande ficar sem ouvir por tão longo período. Não há
conserto no País. Envia-se a Politec e eles mandam para fora do País.
Hoje, o Maurícyo com o IC no ouvido direito está aproveitando 100% do IC e
todos os recursos que ele possui – os 22 eletrodos estão ligados, isto
quer dizer que está na potência total dele e os resultados são fabulosos e
não se diz que é uma criança surda ele entende tudo e esta semana passou a
falar: ‘meau’ – para gato e ‘sai’, como disse a professora. Cada semana é
uma comemoração e um vitória contra o mundo do ‘silêncio’.
Anteriormente a Resolução da ANS, publicada mês passado, o IC bilateral
era permitido e os planos de saúde cobriam. O SUS não cobre o bilateral.
Juridicamente falando, tanto esta resolução da ANS como a política do SUS
violam o direito à saúde prelecionado na Carta Magna e o princípio da
dignidade da pessoa humana; além do Estatuto da Criança e do Adolescente,
pois este estatuto diz que a criança tem direito a saúde e um
desenvolvimento harmonioso deve ser garantido pelo Estado ‘lato sensu’.
Mas para se conseguir o implante bilateral, acaso haja indicação, tem-se
que entrar na Justiça tanto se o mesmo é feito pelo SUS como pelo plano de
saúde e aqui no Sul, pelo menos, os Juízes estão acolhendo tais
pretensões, ainda mais que diz respeito a saúde de crianças surdas!
Caros leitores!
Tudo isso é tão grave e tão triste, uma solução real sendo tirada porque quem devia nos proteger.
A Geraldine nos autorizou a publicação do seu e-mail, mas quem quiser saber de detalhes a respeito da consulta pública e outras formas de lutar contra a ANS, escreve pro zhsembarreiras@gmail.com que a gente terá o maior prazer em divulgar repassar o e-mail dela.
Amanhã tem mais depoimentos, não percam a segunda perte do IC.