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Posts de setembro 2011

21 DE SETEMBRO - DIA DE LUTA

26 de setembro de 2011 1

Quarta feira passada foi 21 de setembro – o dia nacional de luta da pessoa com deficiência.  Eu voltava de São Paulo pela TAM quando o óbvio aconteceu. Mofei novamente em uma aeronave aguardando buscarem minha cadeira de rodas. Enquanto esperava impaciente, saquei meu celular e comecei a filmar a cena: o avião vazio, o pessoal da limpeza trabalhando e minha cara de tacho aguardando. A comissária de bordo pouco depois perguntou: “você estava filmando?” Respondi que sim e o mais absurdo aconteceu. Ela falou: “Vamos ter que apagar.” Juro que se eu caminhasse nessa hora saía na voadeira! Indignada, disse que ela estaria sonhando que iria mexer no meu celular. Segui documentando o dano moral, pedi alguém da Infraero. Veio outro comissário que perguntou como eu gostaria de ser carregada, com ou sem cadeira. O despreparo é geral. Informei que não gostaria de ser carregada de nenhum dos jeitos, afinal acessibilidade é lei e o certo seria desembarcar de forma segura e sem constrangimentos.

Momentos de tensão e mais uma vez a lei não foi cumprida. De novo, pela enésima vez fui carregada num aeroporto. E a ironia, bem no dia de luta da pessoa com deficiência. É tão chato isso, é tão recorrente, é tão óbvio esbarrar com falta de preparo de prestadores de serviço e falta de acessibilidade que eu começo a acreditar que é a Constituição Brasileira que está errada. Só pode ser isso, porque todos os dias, pelo simples fato de usar uma cadeira de rodas, eu tenho algum direito constitucional violado. Geralmente o de ir e vir com autonomia e segurança. Lá vou eu processar mais uma vez uma grande companhia aérea que poderia muito bem dispor de um equipamento de acessibilidade simples: uma cadeira escaladora de escadas. O produto custa cerca de R$ 8.000,00. Isso não é nada perto do lucro que essas empresas faturam. O produto seria útil para milhares de cadeirantes, pessoas idosas e também azarados que quebraram a perna no jogo de futebol. Até quando vou ter que perder meu tempo indo em audiências de conciliação para ouvir ofertas ridículas de indenização?