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On the Wheels

12 de fevereiro de 2014 5

Faz um ano e 4 meses que decidi dar um tempo no meu trabalho estável de funcionária pública e resolvi arriscar o recomeço na Nova Zelândia. Fiquei bastante tempo afastada da “blogadição”, mas resolvi retomar a terapia: escrever. E divido a experiencia: eh incrivelmente fantástico vender tudo que se tem, se libertar das amarras das “coisas” e recomeçar. Ate o momento, não vivi sensação mais libertadora do que recomeçar (talvez voar de paraglider?). E recomeçar eu aprendi bem quando tive a lesão na medula lá nos idos 2001. 
Bueno, esse período que estou vivendo aqui na Nova Zelândia me traz algum conforto para escrever sobre como o pais trata as pessoas com deficiência e os contrastes com a pátria amada salve salve.

Juliana voando de paraglider na cidade de Queenstown - NZ

A primeira faz que vim pra cá, foi de férias, apenas três meses, tudo colorido. O calçamento impecável do centro da cidade foi estarrecedor pra quem estava acostumada as esburacadas calcadas de Porto Alegre. A acessibilidade dos pontos turísticos também me impressionou. Os banheiros adaptados em todos os pubs que fui também me comoveu (Auuu! Dava pra beber a vontade). Pensei com meus botões, vou mudar de mala e cuia pra essa Terra do Nunca de quebrados.

Quase um ano e meio depois, vem a realidade desafiadora: ainda há muito para se melhorar no pais dos esportes radicais. O que por um lado eh instigante, vou ter trabalho por aqui. Definitivamente, não da para comparar a qualidade de vida de uma pessoa que vive na cadeira de rodas aqui e no Brasil. Mas, a minha impressão eh que aqui a vida eh melhor para qualquer cidadão, com deficiência ou não. Então, quando comparamos a qualidade de vida de uma pessoa com deficiência e outra sem que vivem na NZ, percebo que sim, aqui também existe desigualdade e preconceito. Sim. Aqui também temos problemas de acessibilidade atitudinal, de gente que não respeita a vaga para cadeirantes (já flagrei ate carro da policia), aqui também falta transporte acessível, aqui também muitas pessoas veem deficiência como doença e uma pessoa com deficiência como um fardo para sociedade.

Juliana flagra carro da policia estacionado na vaga para cadeirantes

Um belo exemplo dessa visão distorcida da sobre deficiência eh a legislação sobre imigração do pais. Ah, não eh fácil imigrar, mas se o cara for chumbado fica ainda mais complicado. Embora a NZ assim como o Brasil tenha assinado a Convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência e uma das primeiras clausulas eh a nao discriminacao, me deparei com uma legislação sobre imigracao totalmente discriminante. Ah, mas eh porque a convenção não se aplica as leis da imigração. Ser paraplégico, ou tetraplégico da ao Immigration Officer o direito de negar a residência. Simples assim, quebrado não entra. Agora, eu vou ter que ter uma autorizacao medica e provar que vale muito a pena ter a loura por aqui. Só pra dar mais emoção. No worries, adoro um desafio.

Juliana curte a vista na montanha Ruapehu

Comentários (5)

  • maria leticia satt correa diz: 12 de fevereiro de 2014

    essa é a JUUUUU, sem medos de desafios!Força na peruca!!!Bjssss

  • Marina diz: 13 de fevereiro de 2014

    Sentimos saudades! Queremos ler mais o que “tu” escreve, pois escreves como poucos. Admirável.

  • Karine diz: 25 de março de 2014

    Meu nome é Karine tenho 34 anos e sou deficiente desde que nasci e caminho com a ajuda de muletas, li a sua matéria sobre a dificuldade de conseguir carro adaptado no Brasil para fazer a CNH. Vou te contar um pouco da minha caminhada com essa história para que você entenda:
    Estou fazendo minha CNH desde 2012 fiz o procedimento normal aulas teóricas na minha cidade que no interior Montenegro fica a 70 quilômetros de Porto Alegre até então tudo bem fiz a junta médica vi as adaptações que necessitava, beleza! Acabado os procedimentos “teóricos”, fui euzinha sem ajuda do CFC onde estava nem nada achar o carro para fazer as práticas, eureca achei o CFC Preferencial em Canoas, fui eu até lá custeando tudo aulas tudo resumindo bem caro.
    Então para continuar o meu instrutor achou que deveria usar manopla no volante( certo ele), coisas que os médicos que mal olham para nós não sabem avaliar, fui eu recorrer a junta médica mais dois meses de espera. Tudo certo então voltei pras aulas, eu confesso não sabia nada dirigir foi difícil pra minha pessoa, aprendi e comecei fazer as provas.
    Maldita baliza eu não consigo fazer fico muito nervosa e erro tudo na prova, eis que então fiz 4 provas e o período para eu tirar a permissão expirou, reabri e fiz tudo de novo, agora estou em um CFC em Porto Alegre e eles não tem adaptação conforme era o que fazia a manopla deles é eletrônica e estou acostumada com o simples que é diferente (você deve conhecer), e eu gastando meu rico dinheirinho de assalariada enquanto isso. Eu vi nesta matéria que li que você comprou o seu carro para fazer as aulas é isso, como você fez? Pode me ajudar? Você utilizou dos descontos do governo?
    Mandei por e-mail no sem barreiras
    Desde já agradeço sua atenção,
    Por favor me ajude!

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