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2015

06 de janeiro de 2015 1

olhando o horizonte

Eh bem aquela coisa de publicitário, que ate pra fazer resoluções de ano novo quer que saia algo “bacana”… Então, dei uma pensada (no carro, no banheiro) e veio algo mais ou menos assim pra esses próximos 12 meses.

Eu visualizo 2015 um ano produtivo. Um ano de realizar projetos (publicações?!) e fazer novos planos. Um ano com mais proatividade e menos preguiça. Eu quero paciência e persistência pra alcançar poder, plenitude e paz (sai logo residência permanente!!!)

Eu desejo que 2015 seja um ano positivo. Um ano com menos pressa e mais presença. Que saia o pudor e venham prazer, paixão, piroca!!! Que 2015 nao esbarre no caminho com o preconceito, pobreza ou problemas, mas sim que venha de encontro a belas paisagens e prosperidade.

Pros meus amigos e familiares, eu desejo um 2015 perfeito. Que venha de presente a proximidade, a participação e a partilha. Que seja um ano pulsante, de plantar, perdoar e se permitir… Com mais pureza e menos possessividade.

Pra esse mundão de meus Deus, espero que venha nas paginas de 2015 menos prepotência e mais presteza, menos pose, presunção e mais personalidade.  Que se exploda os padrões. Que se dane o previsível, o que for provinciano e pedante. Please, um 2015 de menos prognósticos e pagodeiros e mais protestos e palavrões, porra!   Que 2015 seja um ano de possibilidades. E ponto.

Red bull te dá asas... e quem sabe uma medula nova!

23 de maio de 2014 0

Foi um evento sem precedentes. Uma mobilização mundial, por uma causa que pode mudar a vida de muitas, muitas, muitas pessoas. A cura da lesão medular ainda vai chegar. E dai o Marcinho que quebrou o pescoço na piscina, a Vitoria que foi atingida por uma bala perdida, a Sabrina que caiu do balanco na praia do Rosa, o Sid que um dia acordou e nunca mais andou, o Iguinho que entrou com o carro embaixo de uma carreta, o Tales que caiu de helicóptero, o Gary que quebrou o pescoço jogando rugby, a Ju que teve mielite transversa (ou foi macumba?) e tantas outras pessoas que pelas mais diversas causas tiveram uma lesão na medula ainda vão ter o prazer de voltar a andar e sentir o próprio corpo.

Auckland foi uma das 36 cidades que sediou o evento simultaneo

Auckland foi uma das 36 cidades que sediou o evento simultaneo

Dia 04 de maio de 2014 foi marcante. 36 cidades do mundo sediaram no exato mesmo momento a primeira corrida global da historia: Wings For Life World Run. Floripa no Brasil (largada foi as sete da matina!) e Auckland na Nova Zelândia (aqui a corrida foi as 10 da noite) estavam entre os locais que sediaram o evento. Claro que eu não iria perder essa.

No lounge antes da corrida

No lounge antes da corrida

Com 100% das inscrições revertidas para as pesquisas da cura da Lesão Medular, o evento trouxe esperança para um bando de quebrados. E a perspectiva de cura que hoje parece improvável – tenho muita expectativa – vai ser possível no futuro. Basta olhar pra traz pra perceber que a medicina funciona em saltos. Há 50 anos, quem um dia imaginaria que seria possível viver com o órgão de outra pessoa?!? Hoje transplantes de coração, rim, pulmão, são rotina nos grandes hospitais. O próximo grande salto eh a terapia celular.

Convenci meu irmão, minha cunhada e mais uma amiga a embarcar nessa corrida maluca.

O jogador de rugby Dan Carter foi um dos embaixadores do evento. Ui!

O jogador de rugby Dan Carter foi um dos embaixadores do evento. Ui!

Achei que só estaríamos nos por la, ja que a largada era tarde e num domingo (e todo mundo teria que trabalhar na segunda). Frio, escuro pra caramba, úmido, longe pra cacete… e cheio de gente!!! Aaaaaau!

Frio, noite e bombando de gente!

Frio, noite e bombando de gente!

Todo mundo com lanterninha na cabeca!

Todo mundo com lanterninha na cabeca!

Meu irmao e minha cunhada

Meu irmao e minha cunhada

Fiquei tão feliz de ver uma cambada de malucos correndo por uma causa tao nobre. Eu era uma das únicas pessoas em cadeira de rodas por lá, então, quando tava no meio da galera não me aguentei e tive que sair agradecendo: “Thanks!” ou melhor “Muchas gracias” porque a maioria dos gringos acha que no Brasil se fala espanhol. Foi emocionante, e me senti realmente grata pelo esforço da multidão.

Valeu galera! Muchas gracias!

Valeu galera! Muchas gracias!

Irreverencia: essa familia veio toda de pijamas para a corrida

Mais irreverencia: sera uma cenoura? Parece, mas acho que eh uma centopeia mesmo…

Organizadores pura simpatia

   Saca so esse video com os melhores momentos da corrida: Highlights Wings for Life World Run 

Pedi para minha amiga Sabrina que quebrou o pescoco ao cair do balanco na praia do Rosa pra dar seu depoimento sobre a corrida no Brasil.

Ainda era noite e eu estava ansiosa para me juntar àquela que seria a corrida mais importante que eu participaria. A Wings For Life World Run tem a nobre missão de reverter 100% das suas inscrições em verbas para pesquisar a cura da lesão medular, mas também leva ao mundo inteiro, e isso representa muito mais do que as 35 cidades em diversos países que fizeram parte desta primeira edição, o compromisso de gerar fundos para pesquisadores. Exatamente as 7h foi dada a largada em Florianópolis e no resto do mundo, mesmo aonde ainda era madrugada. Essa estratégia foi genial ao criar o espírito de juntos no mesmo dia, na mesma hora, por uma causa. Foi uma honra imensurável fazer parte do evento e conseguir mobilizar 20 amigos que se deslocaram até Florianópolis para correr comigo. Gratidão eterna a eles e aos que contribuíram, mesmo sem poder ir.

Sabrina na Wings for Life World Run em Florianopolis

Sabrina na Wings for Life World Run em Florianopolis

O ser humano consegue se destacar dos outros animais quando usa a sua inteligência para fazer bem ao próximo. Foi essa sensação que tive ao correr com minha irmã e amigos: Levar esperança a tantos que se encontram numa situação semelhante a minha, poder falar a respeito disso na maior emissora de televisão do País, acreditar que a urgência por uma cura pode ser enxergada até por quem não esta em uma cadeira de rodas. Sucesso total ao conseguir ver o retorno de tudo isso em belas mensagens, formando uma grande corrente do bem. Ao fim foram 11km percorridos e a certeza de que em 3 de maio de 2015 estarei lá novamente, e assim até o dia em que a emoção de cruzar a linha de chegada seja substituída pela felicidade de ver os primeiros passos de quem que reaprende a andar.” 

Sabrina com amigos na corrida

O texto da Sabrina tambem foi publicado no blog curegirls.wordpress.com

Depois da maratona ela foi pro Econtro com Fatima Bernardes para falar sobre o tema. Vale a pena assistir ela cruzando a linha de chegada. Emocionante!

Sabrina e mais uma tchurma na Wings for Life World Run

Sabrina e mais uma tchurma na Wings for Life World Run

Clica aqui para assistir: Sabrina no Encontro com Fatima Bernardes

Sabrina no estudio com Fatima Bernardes

Sabrina no estudio com Fatima Bernardes

O vendedor de chocolates

16 de abril de 2014 2

Faz poucos dias, tive o prazer de conhecer um cara sensacional: Mark Grantham. Ele nasceu com paralisia cerebral e sentado na sua cadeira motorizada tem feito a diferença no mundo. O que começou como uma atividade escolar – levantar fundos vendendo chocolate – virou uma missão de vida e um exemplo a ser seguido.  Faz 20 anos que o rapaz trabalha – faca chuva ou faca sol – vendendo as barrinhas adocicadas e o lucro (ele já arrecadou mais de NZ$40 mil)  vai todo para as 5 crianças que ele apadrinhou na Índia e Africa através da organização World Vision .

 

mark 2

Mark trabalhando no seu “escritório”

Essa bela jornada virou o livro “The story of Mark Grantham – The chocolate seller on Broadway and his kids” (tradução livre: A estoria de Mark Grantham: o vendedor de chocolates na Broadway e suas crianças). Escrito pelo pai do Mark, o livro conta a dura trajetória da família em criar o garoto em uma sociedade excludente – vários desafios para inclui-lo na escola regular e por ai vai…

Capa do livro que conta a historia de Mark

Capa do livro “O vendedor de chocolate e suas historias”

Recentemente ele recebeu uma medalha da Coroa Britânica (Queen’s Service Medal) pelos serviços prestados para a comunidade.

Medalha

Queen’s Medal Service

E fui no evento de celebração desse reconhecimento. Que teve direito ao pai do Mark vestido de Rainha! Que figura!!! Os dois (Mark e seu pai Chris) tem compartilhado a inspiradora historia de Mark em escolas, igrejas, seminários pela Nova Zelândia e mundo afora.

Chris vestido de rainha

“Rainha Elizabeth” e eu

Não bastasse ajudar financeiramente as crianças, Mark também decidiu visita-las! Imagina a missão, rodar com uma cadeira motorizada enorme em meio as vielas de favelas na Africa e Índia! A jornada foi documentada, e pode ser conferida no youtube: Mark Grantham goes to India e Mark in Africa.

Tietando com Mark Grantham

Foto com o vendedor de chocolates

Durante a celebração, Mark era só sorrisos. Ele disse que se sente muito orgulhoso de ter recebido essa medalha e que eh muito bom poder ajudar pessoas menos afortunadas que ele. E fez um pedido: apadrinhe você também, hoje, uma criança. Yep. Partiu parar de reclamar da vida e fazer o bem ao próximo, né?

Banner do livro "O vendedor de chocolate e suas crianças"

Banner do livro “O vendedor de chocolate e suas crianças”

 

 

Brasil: o bom filho a casa torna

16 de abril de 2014 2

Passei um mes na terrinha, e foi definitivamente muito bom voltar ao Brasil depois de um ano e seis meses na Nova Zelandia. Reencontrar minha irma mais velha e minhas sobrinhas – com quem falo por skype periodicamente e mando cartinhas pelo correio (a moda antiga eh mais gostoso) – foi maravilhoso.

Juliana sentada na cadeira abracando as sobrinhas

Montamos um quebra cabeca gigante do mapa da NZ.

Juliana e as sobrinhas montam quebra-cabeca com o mapa da Nova Zelandia

Brincamos muito, inclusive de mestre cuca! Sera que nasce ai uma candidata ao Masterchef?!

junior masterchef

Brasileiro eh muito debochado, e logo que cheguei vestindo meu chapeu Panama (original! Mami quem me deu) meus amigos nao perdoaram me deram um apelido: Santos Dumont (rolou ate um cyberbulling pelo facebook – veja a montagem).

santos dumond

E ate que eu tava mesmo no estilo pai da aviacao, porque foi voo de um lado pro outro! Bem movimentada essa viagem!!! Se liga no itinerario: AKL-Chile-SP-Rio-Porto Alegre-Nova Prata-Porto Alegre-Sao Paulo-Brasilia-Porto Alegre-Nova Prata- Porto Alegre-Sao Paulo-Chile-Akl. Tudo em apenas 28 dias! Eu so repetia pra mim mesma: deixa pra dormir quando morrer!

Foi muito bom reencontrar grandes amigos. Quatro dias no rio com Las Turbinadas, best friends da faculdade foi revigorante, cada uma morando numa cidade diferente mas conseguimos nos reunir.

best friends from college

Me senti muito VIP no Rio de Janeiro, 4 salva-vidas exclusivos para me carregar e dar aquele banho de mar revigorante, tchibum de cadeira de praia e tudo.

4 exclusive life guards

Em PoA Virei  noite adoidada com meu amigo Danilo. Longas conversas tentando resolver os problemas do mundo – sim, nos somos utopistas.

with best mate danilo

Comi churrasco com a familia, meu pai, irmazinha tios, tias, primos e tartarugas (true story). Fiz churrasco pros amigos cadeirantes paulistas no estilo gaucho tradicional em Sao Paulo – durante o carnaval. Joguei muito baralho e conversa fora com meus primos a tia em Brasilia e fiz o meu check up no centro de Reabilitacao (tudo certo!).

Foi feliz reencontrar os que amo. Foi triste de ver o quao baguncado esta Porto Alegre. Faltando menos de tres meses pra Copa, a cidade ainda parece um canteiro de obras. Me impressionou o aumento dos moradores de rua, da depredacao dos predios (fruto dos protestos contra a copa??), pobreza, desigualdade social e a violencia. Doi, porque amo o Brasil – um pais tao lindo e rico – que tem um povo caloroso e alegre. Fica dificil entender porque nao da certo. E mais dificil ainda encontrar um remedio para os males que assolam minha patria amada salve, salve. A Nova zelandaia ainda eh a Terra do Nunca da seguranca e percebi que quero realmente construtir uma vida aqui (agora so preciso convencer a imigracao…)

Quanto ao Brazil…O bom filho a casa torna, ja dizia o ditado, nem que seja so para visitar, eu complementaria.

Go Blues!

29 de março de 2014 0

Hoje fui pela primeira vez assistir uma partida de Rugby – o esporte nacional da Nova Zelândia. A convite da minha Maia,  parceira de rugby em cadeira de rodas, fomos pro Eden Park assistir Blues X Highlanders.

em frente ao Eden Park onde vai rolar a partida

Em frente ao Eden Park onde vai rolar a partida

Como da pra ver pela minha cara (na foto a seguir) eu ainda não tenho a menor ideia de quais são as regras do jogo. E o troco parece complexo, então pelo visto vou ter que ir ao estadio mais vezes.

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Cuma?

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Minha amiga Maia, Clayton e eu

Provavelmente antes do próximo jogo vou dar uma espiada na Wikipedia pra tentar começar a quem sabe um dia ter uma noção da paixão nacional dos kiwis – que em muitos momentos mais parece MMA. Serio, concussão cerebral a todo momento… Não e a toa que o esporte ta entre as três principais causas de lesão medular. Thank God, ninguém se machucou feio dessa vez. Foi só alegria. E embora eu não estivesse entendendo muito bem o que estava acontecendo toda vez que o Blues marcava ponto explodiam umas chamas gigantescas então eu sabia que era hora de balançar minha bandeirinha ;P

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E claro, comi as coisinhas tradicionais que estavam vendendo por la: cachorro quente, donuts, batata frita…

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Porpeta! Comendo uma baita cachorro quente :D

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O trio Ju, Clayton e Maia

Quanto a acessibilidade no estadio, tudo em cima. Vagas para estacionar bem próximas da entrada, elevador pra chegar ao nosso level, vagas destinadas para estacionar a silla de ruedas com uma cadeira ao lado para o acompanhante poder sentar, banheiros acessíveis… e o melhor: entrada franca tanto pro quebrado quanto pro seu acompanhante. Partiu! Se for pra seguir aquela máxima “de graça ate injeção na testa” vou acabar indo em todos o jogos!

On the Wheels

12 de fevereiro de 2014 5

Faz um ano e 4 meses que decidi dar um tempo no meu trabalho estável de funcionária pública e resolvi arriscar o recomeço na Nova Zelândia. Fiquei bastante tempo afastada da “blogadição”, mas resolvi retomar a terapia: escrever. E divido a experiencia: eh incrivelmente fantástico vender tudo que se tem, se libertar das amarras das “coisas” e recomeçar. Ate o momento, não vivi sensação mais libertadora do que recomeçar (talvez voar de paraglider?). E recomeçar eu aprendi bem quando tive a lesão na medula lá nos idos 2001. 
Bueno, esse período que estou vivendo aqui na Nova Zelândia me traz algum conforto para escrever sobre como o pais trata as pessoas com deficiência e os contrastes com a pátria amada salve salve.

Juliana voando de paraglider na cidade de Queenstown - NZ

A primeira faz que vim pra cá, foi de férias, apenas três meses, tudo colorido. O calçamento impecável do centro da cidade foi estarrecedor pra quem estava acostumada as esburacadas calcadas de Porto Alegre. A acessibilidade dos pontos turísticos também me impressionou. Os banheiros adaptados em todos os pubs que fui também me comoveu (Auuu! Dava pra beber a vontade). Pensei com meus botões, vou mudar de mala e cuia pra essa Terra do Nunca de quebrados.

Quase um ano e meio depois, vem a realidade desafiadora: ainda há muito para se melhorar no pais dos esportes radicais. O que por um lado eh instigante, vou ter trabalho por aqui. Definitivamente, não da para comparar a qualidade de vida de uma pessoa que vive na cadeira de rodas aqui e no Brasil. Mas, a minha impressão eh que aqui a vida eh melhor para qualquer cidadão, com deficiência ou não. Então, quando comparamos a qualidade de vida de uma pessoa com deficiência e outra sem que vivem na NZ, percebo que sim, aqui também existe desigualdade e preconceito. Sim. Aqui também temos problemas de acessibilidade atitudinal, de gente que não respeita a vaga para cadeirantes (já flagrei ate carro da policia), aqui também falta transporte acessível, aqui também muitas pessoas veem deficiência como doença e uma pessoa com deficiência como um fardo para sociedade.

Juliana flagra carro da policia estacionado na vaga para cadeirantes

Um belo exemplo dessa visão distorcida da sobre deficiência eh a legislação sobre imigração do pais. Ah, não eh fácil imigrar, mas se o cara for chumbado fica ainda mais complicado. Embora a NZ assim como o Brasil tenha assinado a Convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência e uma das primeiras clausulas eh a nao discriminacao, me deparei com uma legislação sobre imigracao totalmente discriminante. Ah, mas eh porque a convenção não se aplica as leis da imigração. Ser paraplégico, ou tetraplégico da ao Immigration Officer o direito de negar a residência. Simples assim, quebrado não entra. Agora, eu vou ter que ter uma autorizacao medica e provar que vale muito a pena ter a loura por aqui. Só pra dar mais emoção. No worries, adoro um desafio.

Juliana curte a vista na montanha Ruapehu

Cotas: eis a questão!

04 de junho de 2013 0

Quando falamos em cotas, seja para pessoas com deficiência nas empresas, para fornecer bolsas de estudo a estudantes de escolas públicas, para negros em universidades, enfim, toda e qualquer cota que atinja uma determinada parcela de pessoas, logo vem o questionamento: por que cotas, se somos todos iguais e temos os mesmos direitos?
Se vivêssemos em um mundo ideal, em uma sociedade igualitária e justa, concordaria totalmente com essa ideia, porém, a realidade, infelizmente, faz com que sejam necessárias essas medidas, pois a sociedade não consegue se autorregular. É histórica a desigualdade, algumas gerações ainda hão de vir até que as coisas mudem. Alguém poderia perguntar: mas isso não tem apenas efeito paliativo? Pode ser, mas, enquanto não se resolverem essas questões sociais, teremos de conviver com isso. Se é ruim com cotas, com certeza, seria muito pior sem elas.

Ah, o preconceito...

30 de maio de 2013 0

Fico intrigada quando escuto aquela história de que as pessoas com deficiência têm preconceito em relação a elas mesmas. Isso se aplica também quando falamos em racismo, em homossexualidade, enfim, a todas aquelas pessoas que sofrem algum tipo de preconceito e/ou discriminação. Isso é desculpa de quem quer isentar a sociedade de qualquer responsabilidade e acreditar que está tudo bem. É justamente, em decorrência do preconceito da sociedade, que essas pessoas acabam agrupando-se, para ocuparem seu espaço e adquirirem uma identificação, pois, naturalmente, não têm as mesmas oportunidades que as outras pessoas. O preconceito existe, e não é fingindo que ele não existe, que as coisas vão mudar.

Viajando e bengalando por aí...

11 de novembro de 2012 4

Galera!

Tá difícil conseguir parar um tempo pra escrever aqui com maior frequência, mas vamos lá…

No mês de setembro estive em São Paulo, não conhecia lá, fiquei três dias, conheci muito pouco, mas gostei muito do que conheci, baita cidade que quero voltar logo, com mais tempo, para conhecer melhor.

A Francine não foi, fui eu e uma amiga, colega de faculdade, pois fomos especificamente para um evento. Desde que uso a bengala para me auxiliar no deslocamento, foi a primeira viagem que fiz sem alguém da família junto – logo São Paulo, nada menos do que a maior cidade do país – eu não sou muito certo mesmo :)

Então, tive várias experiências sociais indo e vindo pelas ruas de Sampa com a bengala, as pessoas naquela cidade estão sempre correndo, isso é claro, não é novidade para ninguém, mas a minha experiência é de uma pessoa com baixa visão conhecendo um lugar “mega” movimentado e populoso. Uma das coisas que mais me chamou a atenção no meio dessa correria, é que as pessoas se mostram muito individualistas, quase todos os espaços públicos recebem multidões para todos os lados e, se você está ali por algum motivo, cuide-se, siga a maioria ou será “atropelado”. Ainda bem que logo me dei conta disso e peguei o ritmo da cidade, deu tudo certo!

A minha referência de grande cidade era o Rio de Janeiro, mas SP é completamente diferente e maior, no Rio, o astral das pessoas é outro, elas param para te auxiliar em alguma coisa, para te perguntar se precisa de algo, etc. Não vi isso em SP, e isso não é uma crítica às pessoas de lá, de forma alguma, pois conheço pessoas maravilhosas que são de lá ou que moram lá, isso é só uma constatação mesmo…

No Rio, por exemplo, eu estou acostumado a chegar no metrô e, antes de qualquer coisa, já aparece algum funcionário chamando para liberar o acesso gratuito, para mim e para a acompanhante. Sempre achei isso legal, porque, sendo turista, não vou, obviamente, ter o cartão de passe livre local, certo!? Gosto desse bom senso, tipo, a isenção é para pessoas com deficiência e não somente para pessoas com deficiência com cartão ou apenas para pessoas com deficiência que sejam moradores do local.

Em SP, no primeiro dia, ao chegar no metrô, não “apareceram” funcionários para me atender, fui à bilheteria e perguntei se eu tinha de pagar a passagem ou se havia isenção para pessoas com deficiência, a resposta foi uma pergunta: “tem cartão de isenção?”, eu disse que não tinha, porque não era de SP, me responderam de maneira ríspida: “O que dá a isenção é o cartão!”. Ok! Isso eu sei, para quem mora lá, o que dá a isenção é o cartão, como eu não o tenho, fiz a pergunta, porque alguém com o cartão iria fazer essa pergunta não é mesmo??? Mas essa falta de qualidade no atendimento não é exclusividade de SP, semana passada tive de ir a Canoas e, como não uso habitualmente o metrô, fiz a mesma pergunta que fiz em SP, e a resposta… também foi a mesma! Ok! Só tenho o cartão de isenção nos ônibus aqui de Porto Alegre, mas do metrô não, mas perguntar não ofende e atender bem não custa nada…

Bem, falando mais um pouco sobre a viagem pra SP, o despreparo em aeroportos e aviões é enorme, a acessibilidade é escassa, mas se não ocuparmos esses espaços, as coisas não vão mudar! Lá em SP, mais especificamente no evento, a receptividade foi muito boa, as pessoas que trabalharam no evento estavam bem preparadas, havia banheiros adaptados, a acessibilidade chegou lá com bastante expressividade, ainda não é o ideal, mas as coisas estão acontecendo. Enfim, foi uma viagem muito boa, novos contatos e oportunidades, sempre prestando muita atenção em como as pessoas se relacionam com a deficiência e com a acessibilidade.

P.S.: O tamanho desse texto se explica, um pouco, pelo tempo que fico sem escrever aqui.

Um abraço a todos!

Futebol Paralímpico

09 de setembro de 2012 1

A cada edição das Paralimpíadas, novas modalidades esportivas vão sendo incluídas nos jogos. Desde 2004, em Atenas, o Futebol de Cinco vem sendo disputado. Trata-se de um tipo de futebol para deficientes visuais.

Clique aqui para ver a matéria e o vídeo feitos pela EBC.

(Créditos: Site EBC)

Criando o Espetáculo!

07 de setembro de 2012 2

“A cadeira de rodas é vista como um símbolo de aprisionamento, de medo, mas pra mim significa liberdade! É com ela que me movimento.”

Esta frase foi dita por Sue Austin, uma artista inglesa, tetraplégica, de 46 anos. Ela faz apresentações dançando enquanto mergulha com sua cadeira de rodas, adaptada precisamente para esta função.

A ideia de liberdade por ela defendida, propõe uma quebra de paradigmas, no que se refere à concepção de um suposto aprisionamento imposto por uma determinada deficiência. Esta percepção revelada por Sue, nos leva a repensar o universo de possibilidades que uma pessoa com deficiência tem em sua vida.

Foto de Sue Austin mergulhando com sua cadeira de rodas subaquática

Durante as paralimpíadas que estão sendo realizadas em Londres no momento, ela está fazendo apresentações embaixo dágua, dançando em sua cadeira. Câmeras subaquáticas captam as imagens que são transmitidas para um telão. Após o término das paralimpíadas, Sue irá se apresentar em outras regiões do Reino Unido, com apoio do governo inglês.

Foto de Sue Austin mergulhando com sua cadeira de rodas subaquática

Espero que este tipo de iniciativa, que envolve arte e superação, possa incentivar pessoas com deficiência no mundo todo a buscarem a libertação dos seus “supostos aprisionamentos”.

Foto de Sue Austin mergulhando com sua cadeira de rodas subaquática

Clique aqui para assistir ao vídeo com entrevista e imagens das apresentações de Sue Austin. É realmente um belo e impressionante espetáculo!

(Fotos: wearefreewheeling.org.uk)

Síndrome de Down No Cinema

26 de agosto de 2012 0

O filme brasileiro “Colegas” apresenta três pessoas com síndrome de down nos papéis principais da trama. Trata-se de uma comédia que exibe com muita leveza e descontração a vida dos três personagens, com suas aventuras, sonhos e desejos. É muito bom ter o cinema a serviço da equidade.

A estreia em nível nacional será em novembro deste ano. No entanto, o longa já ganhou premiações, no Festival de Paulínia (SP) e no Festival de Gramado (RS).

Clique aqui para assistir ao trailler com áudio-descrição. Confira aqui a matéria sobre a premiação no Festival de Gramado feita pela Folha de São Paulo.

E em novembro, vamos ao cinema prestigiar o filme!!!

Há quanto tempo hein!?

26 de agosto de 2012 1

Olá!!!!

Depois de muuuuuuuuito tempo sem escrever… Aqui estou de volta, tentando retomar o blog, com vontade de escrever com mais frequência para vocês. Este ano está sendo muito corrido, trabalho, faculdade, filho pequeno, etc. Agora estou me organizando para publicar aqui com alguma regularidade. Este blog é um espaço muito importante e devemos aproveitar, pois há muito o que fazer e falar no que se refere às pessoas com deficiência. Enfim, é muito bom estar de volta!!!

Abraços!!!

A influência da mídia sobre o culto exagerado à aparência e à beleza

11 de novembro de 2011 2

A influência da mídia sobre o culto exagerado à aparência e à beleza

Um dia desses fiquei refletindo sobre esse assunto e resolvi escrever um pouco:

Sabendo da influência que os meios de comunicação exercem sobre as pessoas em geral, em
diversos aspectos de suas vidas, desde os temas mais amenos aos mais sérios, não é de causar
estranheza que a mídia, ao criar o protótipo da beleza e ao ficar exaltando-o, muitas vezes de forma
subliminar, vem transformando uma massa de escravos numa busca desenfreada e incessante pelo corpo
belo, perfeito e eternamente jovem. É uma legião de seres desnorteados que acreditam que algum
cosmético, alguma academia da moda, roupa ou qualquer outra novidade, outro aparato que surge
diariamente vai operar um verdadeiro milagre em sua aparência. Diante dessa situação, não nos cabe
julgar, porém tentar entender as causas que levam boa parte da população a esse tipo de comportamento.
Ao começarmos a explanar as possíveis causas que levam a atitudes intrigantes e patéticas nesta
ânsia de perfeição, um dos que considero mais graves é que crianças, principalmente meninas, estão cada
vez mais cedo sendo introduzidas ao mundo da moda, explorando, forçando uma sensualidade, totalmente
artificial, impossível de se ter aos cinco, seis, sete anos de idade. Outro aspecto que podemos analisar são
as capas das revistas, os comerciais de televisão, os outdoors. Boa parte desses anúncios tem homens e
mulheres, exaltando beleza e juventude, tendo normalmente um biotipo europeu. Não vamos entrar numa
discussão sobre racismo, inclusão e tal, mas, dificilmente vemos estampados negros, asiáticos, alguém de
alguma outra etnia ou uma pessoa com deficiência. Onde estão as pessoas comuns, sem maquiagem ou
fotoshop? E porque não falarmos também da proliferação absurda das clínicas de estética e cirurgia
plástica, onde muitas pessoas deixam suas economias e pagam quantias elevadas que muitas vezes nem
podem gastar em tratamentos de beleza e rejuvenescimento.
Porém, a análise não deve ficar somente nestes aspectos, faz-se necessária uma reflexão mais
profunda e criteriosa, a responsabilidade não é apenas dos fatores externos a nós, pois a mídia mostra e a
indústria da beleza produz, justamente aquilo que queremos que se torne realidade, desde coisas mais
elaboradas como uma técnica cirúrgica inovadora ou um cosmético de última geração até um soutien que
promete elevar ou aumentar o tamanho dos seios. Torna-se um círculo vicioso, os valores do ser
contemporâneo e seus anseios refletem-se na mídia e na indústria da beleza e estas, por sua vez, acabam
retornando em forma de influência para a sociedade. Vale lembrar também, que os nossos modelos de
beleza, bem como todo ser humano tem suas inseguranças e podem estar tentando atingir o ápice, a
beleza máxima, afinal, também são agentes na sociedade, não somente figuras estáticas mostrando sua
beleza para quem quiser ver. Um dia, se a sociedade se tornar mais espiritualizada e mais voltada ao seu
interior, quem sabe a mídia pode refletir outras coisas, como por exemplo, a tão falada frase que ser é
mais importante que ter, e que a solidariedade, o amor a si e ao próximo, a paz no mundo e também a de
espírito são muito mais importantes e perenes, coisas que, por mais que tentemos na busca utópica pela
perfeição do corpo, jamais serão atingidas.

Um ótimo final de semana!!!

Será Hora de Acabar Com o Braille???

28 de outubro de 2011 0

Chegou a hora de acabar com o Braille?
por Fredric K. Schroeder

Muita tecnologia surgiu para ajudar os cegos. E para questionar o uso de um sistema que até hoje reinava sozinho?

A tecnologia dedicada a ajudar deficientes visuais tem evoluído muito. Novas ferramentas vêm ampliando o acesso de cegos à informação escrita: audiolivros, softwares que leem em voz alta o e-mail que acabou de chegar, serviços telefônicos que leem o jornal pela manhã. Sem dúvida, uma mão na roda, que dá mais opções aos cegos.

Essas novidades conquistaram espaço. E, confiando nelas, os cegos estão deixando de ler. Estão apenas ouvindo. Há deficientes visuais que já aderiram completamente à tecnologia. Alguns professores de escolas para cegos também não veem mais espaço para o braile. Tanto que quase 90% das crianças cegas americanas estão crescendo sem aprender a ler e escrever. Isso é um sinal de progresso? Devemos celebrar o declínio do braile?

É verdade, a tecnologia permite a absorção rápida de muita informação. O problema é que essas novas ferramentas oferecem um tipo passivo de leitura. Ao contrário do braile, que permite uma leitura ativa. Com ele, o cérebro recebe as informações de forma diferente: além do conteúdo, absorve também as letras, a pontuação, a estrutura do texto.

A falta desse conhecimento pode prejudicar a formação de alguém. Aconteceu comigo. Perdi parte da visão aos 7 anos de idade. Aos 16, fiquei completamente cego. Não fui alfabetizado em braile quando criança, e tive de aprender a ler e escrever sozinho depois de cego. O aprendizado tardio prejudicou minha educação e minha confiança. Quando entrei na universidade, não podia soletrar. Sabia pouco sobre pontuação e regras gramaticais. Fiz um doutorado em administração da educação, mas a alfabetização limitada foi sempre uma barreira.

Hoje uso muita tecnologia de áudio. Com ela, posso ler o texto no computador em um ritmo de 250 palavras por minuto. Com o braile, leio 50 palavras por minuto. Mas a tecnologia é complicada para reuniões ou palestras. Se preciso ler um discurso que escrevi, buscar notas no meio de uma apresentação, consultar tabelas, só o braile evita que eu desvie a atenção do conteúdo principal.

É como para as pessoas que têm visão: rádio e TV são métodos úteis de conseguir informação, mas não substituem a leitura. Não quero dizer que a tecnologia de áudio não é importante na vida dos cegos. Ela é. Mas deficientes visuais necessitam de uma maneira eficiente de ler e escrever, como todo mundo. Isso significa que precisamos garantir o acesso a todo tipo de tecnologia que apareça e seja capaz de auxiliar. Sem esquecer também de trabalhar para manter o braile vivo.

Fredric K. Schroeder é vice-presidente da Federação Nacional dos Cegos dos EUA. Ele perdeu a visão em decorrência da síndrome de Stevens-Johnson.

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by Ricardo Shimosakai