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VIVA LA REVOLUCIÓN!

Galera, tá rolando no Bengala Legal - site muito bacana que traz assuntos e novidades sobre o universo dos quebradinhos - um Manifesto contra o Estatudo da Pessoa com Deficiência.

Dá uma lida na íntegra. Faz sentido e várias entidades já aderiram a causa. Vamos entrar nessa?

“Manifesto.
No projeto de lei que prevê a criação do Estatuto da Pessoa com Deficiência estão inseridos programas, serviços, atividades e benefícios, muitos deles ainda concebidos através de uma visão assistencialista e paternalista e por vezes até autoritária em relação às pessoas com deficiência.
Isto porque muitos ainda nos veem como objeto de caridade, como incapazes e sem direito de fazer nossas próprias escolhas, tomar decisões e assumir o controle de nossas vidas.
Este projeto de lei, resultado de consultas públicas ao longo de alguns anos, como dizem seus defensores, altera a legislação vigente nos eixos da educação, saúde, trabalho, transportes e outros, enfim, altera as leis que hoje cunham as políticas públicas em todas as esferas de governo: federal, estadual, municipal e distrital.
Sabemos que vários interesses conflitantes permeiam cada um dos temas tratados no Estatuto. São interesses políticos, econômicos e corporativos que não representam as atuais conquistas do movimento das pessoas com deficiência.
Dizer que o Estatuto é inevitável e por isso temos que colaborar para que o seu texto seja menos ruim, é negar anos de luta do Movimento das Pessoas com Deficiência que desde 1981 - Ano Internacional das Pessoas Deficientes - começou a exigir “participação plena e igualdade de oportunidades”. De lá para cá muitas ações reforçaram esta exigência. Nosso Movimento foi autor de alguns artigos da Constituição Federal de 1988 e conseguiu aprovar e barrar inúmeras leis.
O Estatuto é uma volta ao passado, quando os instrumentos legais e recomendações internacionais eram direcionados ao assistencialismo às pessoas com deficiência.
Nos tempos atuais um estatuto específico para nós é um contra-senso e um retrocesso, se coloca na contramão da evolução histórica, prejudicial ao reforçar a imagem de inválido e “coitadinho”, levando a sociedade a continuar tratando a pessoa com deficiência como um ser desprovido de capacidade. Desta forma, o Estatuto legitima a incapacidade e oficializa a discriminação contra a pessoa com deficiência ao separá-la das leis comuns.
O Estatuto é desnecessário, pois a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, maior conquista da história mundial dos direitos humanos, já faz parte do nosso arcabouço legal, ratificada através do Decreto Legislativo 186/2008, com status de emenda constitucional, e reafirmada pelo Decreto 6946/2009.
Basta agora ajustar nossa legislação à ela. Já existe um estudo, encomendado pela CORDE e patrocinado pela UNESCO, que faz um paralelo entre a Convenção e a Legislação existente e aponta as alterações necessárias.
Nossa luta urgente é pela criminalização da conduta discriminatória contra as pessoas com deficiência.
Estamos caminhando para que a sociedade perceba que a pessoa com deficiência faz parte da população e é titular de todos os direitos, obrigações e liberdades fundamentais. Deverá ficar claro que, nas leis comuns, a pessoa com deficiência está incluída com o mesmo direito aos serviços oferecidos à população e que serão previstas especificidades de usufruto somente quando as condições de uma determinada deficiência assim exigir.
Em tal contexto, não haverá lugar para um Estatuto separado sobre as pessoas com deficiência. Todas as eventuais vantagens de um instrumento como este não compensam a anulação do processo de amadurecimento, evolução e conquistas do movimento das pessoas com deficiência nos últimos 30 anos, no Brasil.”

Quem tá dentro? Viva la revolución!

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E SE…

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Ontem estava filosofando com minha irmã Lu enquanto tentávamos driblar o calor embaixo do ventilador.  Ela perguntou se eu conseguia imaginar como seria minha vida hoje se eu não tivesse tido a lesão na medula oito anos atrás.

Refleti um pouco e imaginei que provavelmente eu estaria morando em São Paulo, trabalhando feito uma workaholic em alguma agência de publicidade. Refleti também que se eu não tivesse tido essa doença maluca que me deixou na cadeira de rodas, provavelmente hoje eu não estaria escrevendo sobre diversidade e inclusão num blog da ZH, não produziria e apresentaria um programa que também aborda esses temas. Provavelmente não teria feito o upgrade do macaco e aprendido tantas coisas que só a limitação física e a dor podem ensinar. Com certeza, se eu não tivesse tido a lesão, não estaria em breve lançando um livro chamado ‘Na minha cadeira ou na tua?’ contando toda essa loucura que mudou pra sempre minha vida.

A Lu se questionou também de como seria sua própria vida se há seis anos atrás não tivesse se matriculado no vestibular de Agronomia. Relembrando a situação, eu mesma fiz pela internet sua inscrição. A Lu estava em dúvida entre Biologia e Agronomia, num ímpeto de resolver logo o serviço botei uma pilha: ‘faz agronomia’. Hoje, a Lu ama a profissão que ‘escolheu’, conheceu o amor da sua vida durante o período das aulas, recém formada passou em primeiro lugar num concurso do CREA-SC e breve vai se mudar pra Santa Catarina com o namorido. O que teria acontecido se ela tivesse escolhido Biologia? Será que eu estaria mesmo em SP, trabalhando feito louca?

Engraçado, a vida é um mosaico de pequenas decisões e grandes acontecimentos. É um verdadeiro quebra-cabeça onde a pecinha “SE” não existe.

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SOBREVIVEREMOS À ONDA DE CALOR?

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Não sei se vocês sabem mas, os quebrados que tem lesão acima de T5 não apresentam sudorese suficiente para compensar o estresse térmico. Em português: não suam ou suam meia boca. No meu caso, lesão na cervical, fiquei com uma bela disfunção do sistema de regulação térmica. Não suo nem a pau. Não suo nem com esse calor desumano que tem feito nos últimos dias.

Num primeiro momento isso pode até parecer bom, quem não sua não tem asa… Mas, não é! Essa parada de não suar é um saco, além de perigosa. A principal razão porque suamos reside no ajuste da temperatura do corpo. De fato, o suor constitui o mecanismo de arrefecimento corporal, e inicia-se sempre que as condições ambientais ou que o esforço físico induzem um aumento da temperatura corporal. Como esse sistema de arrefececimento não funciona os quebrados podem sofrer desmaios e se não forem adotadas medidas que permitam a compensação térmica, a gente pode até empacotar por estresse térmico. É literalmente morrer de calor!

Sobreviveremos ao calor que assola nosso estado? Sobreviveremos à sensação térmica de 53º? Ontem foi o dia mais quente de Porto Alegre desde 1961! Segundo a Climatempo, a temperatura mínima - 27,9°C - foi a maior registrada desde o início das observações, em 1910. A máxima, 38,2°C, foi a mais elevada das medições realizadas desde 1961, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia.

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Manual de sobrevivência do tetra no inferno: compensação do estresse térmico com ingestão de água, permanência em lugares frescos (se não tem ar em casa, como é o meu caso, vai pro shopping depois do trabalho e dorme num motel barato que tenha split!) e uso contínuo de borrifador (tipo esse da foto).

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Com a palavra: Michel.

Michel, é nosso velho conhecido, lembram dele?

Sabem o que Michel quer? Ir pra faculdade, seria pedir muito?

A palavra agora é dele:

Caros amigo(as),

Escrevo este manifesto pois realmente está bem complicado para mim.


A gente corre batalha faz das tripas coração, mas parece que educação para “quebrados” neste país só fica no papel ou para alguns poucos privilegiados.


Sou
uma pessoa Paralisada Cerebral, minha vontade é retomar meus estudos, com muito custo consegui uma bolsa de estudos na Unilasalle em Canoas/RS. Acontece que preciso de transporte Adaptado -ou não- pois uso cadeira de rodas motorizada e como se sabe, o transporte público para um quebrado como eu é inviável. Porto Alegre é referência mas tem lacunas como transporte adaptado, taxistas mais humanos, -afinal eles tem uma concessão- preciso me deslocar de Viamão (cidade metropolitana de Porto Alegre) até Canoas a partir de Março de 2010.


Acontece que não encontro transporte que faça este trajeto ou o mesmo é economicamente inviável. Uma empresa me cobrou 180 reais por dia calculando uma base de 21 dias mês isto daria a soma de R$ 4000!

Sendo assim, conclamo alguém que possa colaborar, seja um taxista com um taxi wagon ou doblo ou patrocinador ou como for… Qualquer ajuda é bem-vinda !! Estou com a oportunidade nas mãos e não posso deixa-la escapar por um simples transporte!!
Autoridades de Porto Alegre e do RS. Tenho direito à acessibilidade. É meu direito de ir e vir, acima de tudo direito à Educação e cidadania!!!


Obrigado,

Michel Inacio Schlindwein

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O FORUM DA INCLUSÃO

Menina com Síndrome de Down participa de Seminário sobre Inclusão em São Leopoldo
Menina com Síndrome de Down participa de Seminário sobre Inclusão em São Leopoldo
A décima edição do Forum Social Mundial, que este ano rolou de forma descentralizada e teve diversas atividades na grande Porto Alegre foi pauta em inúmeros meios de comunicação do Brasil e do mundo. O Sem Barreiras não podia ficar de fora desta cobertura, né? Então, ‘matando dois coelhos com uma caixa d’água’ aproveitei que o Faça a Diferença cobriu alguns eventos e relato aqui o que rolou sobre inclusão.

Discutir direitos humanos e políticas públicas para as pessoas com deficiência foi o foco do encontro na Câmara de Vereadores de São Leopoldo. Angela Guedes, representante da diretoria municipal de Políticas para as Pessoas com Deficiência de São Leopoldo, afirmou que o comportamento das pessoas é a principal barreira para vencer a exclusão. Concordo com ela! Por isso, falar sobre este tema é tão importante. A mudança cultural necessária para termos atitudes inclusivas só vem com educação e informação.

Os serviços sociais que o estado deveria oferecer às pessoas com deficiência foram citados por Fábio Bernardo, secretário de Assistência, Cidadania e Inclusão Social de São Leopoldo. “Focando no CRES - que é o Centro de Referência Especializada e Assistência Social onde temos a questão da proteção à pessoa com deficiência”, diz.

A mesa redonda teve também a presença de José Rafael Miranda, subsecretário nacional de promoção dos direitos da pessoa com deficiência. José levantou a importância de trabalhar a inclusão no aspecto social e educacional. Segundo ele, a convivência é fundamental para saber lidar com a diversidade humana, em especial com as PcDs.

Sadi de Mello, da Associação Brasileira de Deficientes Visuais
Sadi de Mello, da Associação Brasileira de Deficientes Visuais
A troca de ideias entre governo, instituições e sociedade civil, foi pautada pela Convenção da ONU sobre os direitos da Pessoa com Deficiência, ratificada pelo Brasil em agosto de 2008. Dilceu dos Santos, representante do conselho estadual dos direitos da pessoa com deficiência, e Sadi de Mello, da Associação Brasileira de deficientes visuais, acreditam que o acordo internacional tem colaborado para mudar a maneira como a sociedade percebe e interaje com quem tem alguma deficiência.
Achei interessante que o público que participou do evento era formado em sua maioria por pessoas sem deficiência. Yeah, nós sabemos onde o nosso sapato aperta (mesmo sem sentir os pés), mas a turma que não é dos quebradinhos está demonstrando interesse pelo assunto. Já é um passo para essa mudança cultural que se faz tão necessária!

Dilceu dos Santos, Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Dilceu dos Santos, Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Depois do debate em São Leo, nossa equipe foi ao acampamento Intercontinental da Juventude, em Novo Hamburgo para conferir o Painel: Educação, Acessibilidade e diversidade. Rualdo Menegat, professor de geociências da UFRGS e um dos painelistas disse que a escola é uma das principais atividades da cultura e da vida humana. Ele acredita que não podemos confundir escola com treinamento e afirmou que o ambiente educacional é fundamental para entender a complexidade do mundo em que vivemos. “Nós temos que fazer com que a escola seja capaz de trabalhar as diferenças culturais, territoriais, étnicas, as diferentes opções religiosas que somos portadores”, ressalta.

Rualdo lembrou que não é possível falar em educação sem pensar em acessibilidade. Com certeza! O homem também explanou sobre relevância da questão ambiental no contexto educacional. “Nós temos algo em comum, que é o lugar em que nós vivemos. Se todos nós tivermos como referência o lugar em que vivemos poderemos desenvolver processos pedagógicos e técnicas de educação que incluam todos na construção do conhecimento desse lugar.”

Vice Cacique Kaingang José Vergueiro
Vice Cacique Kaingang José Vergueiro
Para o vice cacique da comunidade kaingang de São Leopoldo, José Vergueiro Nenten, o evento foi uma oportunidade de mostrar a cultura de seu povo, buscar mais espaço nas áreas urbanas e defender os direitos previstos na constituição de oitenta e oito.

Índio Pataxó que participou do Painel
Índio Pataxó que participou do Painel

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O causo do Anão

Essa é uma história real de um amigo meu que tem nanismo e é uma das pessoas mais debochadas que conheço. Para preservar as partes, omitirei nomes e trocarei lugares.

LADO A

Roberto tem menos de um metro e quarenta. Dos três irmãos, é o único com nanismo. Ele adora uma balada e dia desses foi ao boteco Bufunfa, curtir a noite, tomar uma cerveja e paquerar um pouco. Segundo Roberto, só tinha mulherão no lugar.

O pequeno homem estava recém na segunda long neck quando uma súbita vontade de ir ao banheiro lhe acometeu as entranhas. Lá foi Roberto ao banheiro, literalmente sujar a louça. Primeiro encontrou certa dificuldade para subir ao vaso. Feito o trabalho sujo, ele percebeu que não alcançava a cordinha da descarga. Roberto deu saltinhos em vão. E também em vão, novamente com dificuldade, subiu no vaso para tentar alcançar a bendita corda. Pensou em dar um duplo twist carpado, mas havia pouco espaço para pegar velocidade.

Quinze minutos depois de malabarismos sem sucesso, Roberto decide deixar o filhote de tubarão boiando mesmo. Ao abrir a porta, dá de cara com uma moça que aguardava agoniada para usar o toalete - que era unissex. Na maior cara de pau que pode haver na face da terra, Roberto diz para ela pegar ar antes de entrar e pede pra moça uma gentileza: “Puxa a cordinha pra mim?”

LADO B

Suzana adora ir ao Bufunfa. Dia desses estava ela no boteco com as amigas tomando uma cerveja, falando amenidades. Depois da quinta long neck (Suzana tem uma bexiga potente) teve que pedir licença para ir ao banheiro. Chegando ao toalete, tentou abrir a porta sem sucesso: estava ocupado. Aguardou cerca de quinze minutos, cruzando as pernas para não se mijar (a potência de sua bexiga tem limite).

Quando sua capacidade vesical estava quase no limite do suportável a porta se abre. Uma bufa devastadora quase a faz desmaiar e em meio a tamanho fedor ela vê saindo do banheiro um anão. Ainda tentando elaborar como cabiam tantos gazes num ser tão diminuto, Suzana é surpreendida com uma dica e um apelo: “Pega ar antes de entrar e por favor, puxa a cordinha pra mim?”

Quase tive uma síncope quando o Roberto me contou essa história. Piadas a parte, a altura da descarga também é questão de acessibilidade! Pô, o que custa colocar uma cordinha maior? Aposto que a Suzana também agradece.

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Todo mundo espera alguma coisa de um sábado a noite

Sábado passado sai com minha irmã mais nova e uma amiga, também mais nova. Escova, maquiagem, acessórios, perfume e más intenções, lá fomos nós em busca de uma festa na capital gaúcha semideserta em época de veraneio. Para nossa surpresa, todo mundo que não estava na praia resolveu ir para a balada em Porto Alegre.

Sem destino definido, a gente deu uma banda de carro antes de decidir qual seria o boteco que teria a honra de nossas presenças. Ui! Enquanto eu estava ao volante, passando devagar pela João Alfredo e pela Lima e Silva, vários rapazes me encararam, flertando. As meninas inclusive brincaram que era para eu passar um pouco de mel para elas. Engraçado, depois que eu troquei de automóvel e encarei a night na minha cadeira de rodas os olhares sumiram. Porque será?

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Falha Nossa

Tchurma, recebemos um simpático e-mail com correções sobre as informações contidas no post Direto do TCE e da chamada para a postagem no Caderno Vida:

“Apenas a título de esclarecimento, gostaria de corrigir a
informação postada no Caderno Vida, de 23.01.10, mais
precisamente no final da página 8, Blog do Vida, no SEM
BARREIRAS (último sábado):

- o cargo no TCE é Auditor Público Externo e não Auditor
da Receita Estadual: e

- parabenizando o Contador (cadeirante) Vladimir Costa
por sua brilhante conquista, informo que o TCE já contou,
em seus quadros, com outros deficientes (Sr. Nelson, já
aposentado) e Sr. Oneide (cedido ao FGTAS-RS).

Obrigada por sua atenção e um abraço,

Dra. Alzira da Silva Aguiar,
Vice-Presidente da AFA- Associação dos Aposentados do
Tribunal de Contas do Estado.”

O Sr. Oneide por sinal é uma figuraça! Tive a oportunidade de entrevistá-lo no Faça a Diferença.

Beijo nas crianças!

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DIRETO DO TCE


Ainda ano passado, recebi um e-mail, da  Priscila Pinto Oliveira, assessora de imprensa do Tribunal de Contas do Estado, informando ao blog, que o primeiro cadeirante auditor do TCE, Valdimir  Costa da Silva, acabara de tomar posse.

Achei importante trazer o Vladimir ao blog, porque sabemos que o índice de desistência escolar, após um problema de saúde, que deixa sequelas é bem grande e o Vladimir, assim como o Milton e a Ju, servem de exemplos a todos que nos lêem, é muito difícil segurar a onda, mas não é impossível.

Não quero ser clichê como o Faustão, que transforma todo mundo num “exemplo de vida”, mas acho que a força de vontade do Vladimir é digna de aplausos.

Segue um papinho básico com ele:

Sem Barreiras: Qua aconteceu com você, pra você tá na cadeira de rodas?

Bom, tenho degeneração no cordão posterior da medula. Causa provável: Mielite transversa. Tudo começou no final de 2001 (até aí eu caminhava normal). Começou com uma leve fraqueza nas pernas. No início de janeiro fui submetido a uma cirurgia para corrigir uma hérnia de disco na cervical. Até aquele momento achou-se que o problema era a hérnia, mas não era. Em 2004, passei, duas vezes, pelo tratamento de mielite transversa. Posteriormente, fui diagnosticado com os níveis de cobre abaixo do normal. Este fato pode ter ocasionado, ou contribuído, para a lesão. Resumindo, sou paraplégico desde 2004. Comecei a me locomover através de uma cadeira de rodas em março de 2004.

Sem Barreiras: Em algum momento da sua vida você parou ou desitiu de estudar?

Depois de passar por dois cursos universitários, que não completei, no segundo semestre de 2003 iniciei o curso de Ciências Contábeis na UFRGS. Com o problema de saúde, acabei perdendo todo o semestre. O ano de 2004 foi uma loucura! Tratamentos, adaptações, médicos, a necessidade de ajuda para fazer quase tudo (tomar banho, colocar a roupa, sair de casa, …) fiquei perdido!

Sem Barreiras: Como você conseguiu dar a volta por cima?

Mesmo com todas as dificuldades, não parei de estudar. Com o grande suporte recebido da família, no primeiro semestre de 2004 consegui fazer uma cadeira na faculdade. Meu pai me levava de carro, ficava esperando e depois me trazia de volta. Foi assim durante todo o ano. Foi muito penoso, mas tinha uma força dentro de mim que me mandava continuar.  O apoio da família é muito importante. A partir de 2005 consegui adaptar o carro e ia sozinho para a aula. Em 2004 morei com a família mas hoje moro sozinho novamente.

Sem Barreiras: Você é casado, filhos?

Sou separado e não tenho filhos.

Sem Barreiras: Você veio da UFRGS, também concursado por lá, você estuda só, faz cursinhos, cursinhos adaptados existem?

Comecei a estudar para concursos em 2005. Pela incrível falta de acesso proporcionada pelos cursos preparatórios, durante um bom tempo, estudei sozinho em casa. Comprei alguns livros e apostilas e mandei ver. Em 2008, depois de dar com a porta na cara em vários cursos preparatório, encontrei o CPC (Curso preparatório para Concursos que fica na Av. Farrapos). Este curso possui acesso às salas de aula e ao banheiro. Fico muito insatisfeito com o donos de alguns cursinhos que vem tentar justificar a falta de acesso com os famosos: “o prédio é antigo”, “é culpa de quem construiu o prédio”, “na próxima reforma a gente vê o que pode fazer”. É uma falta de inteligência desse pessoal. Além de não estarem cumprindo a Lei, eles deixam de fora um potencial grande de clientes. A reserva de vagas para pessoas com deficiência é garantida pela legislação.

Sem Barreiras: Fala da satisfação do resultado dos seus estudos, dá umas palavras de motivação, não podemos deixar os jovens que nos lêem deixar de estudar.

Fiz o curso de graduação e de especialização na UFRGS. Voltei para graduação. Hoje, estou cursando Ciências Atuariais (UFRGS). O estudo é super importante. Com a, cada vez maior, conscientização da sociedade em realizar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, se faz necessário adquirir conhecimento, preparar-se para o mercado. 

Sem Barreiras: Você teve algum apoio financeiro duranta seus estudos, bolsa, cotas. Dá uma palavrinha sobre ela, se teve.

Antes da doença eu já trabalhava, portanto, fui amparado pelo auxílio doença do INSS. É importante ter o seguro social nessas horas. Sem ele, a preocupação seria bem maior. Os gastos com remédios, cadeiras de rodas, fisioterapia são muito altos.

Sem Barreiras: Qual é sua profissão. Durante a faculdade, os perrengues que passou, falta de ônibus, rolava paquera, preconceito…

Sou formado em Ciências Contábeis e recentemente assumi o cargo de Auditor em um Órgão Público. Durante a faculdade passei por diversos apertos. Lembro de pelo menos 3 ocasiões em que meus colegas tiveram que me carregar, de cadeira e tudo, pelas escadas da UFRGS. Os elevadores estavam estragados. Muitos prédios da Universidade não possuem banheiros adaptados. Quando dá vontade, te vira.  A falta de acesso é bem complicada. Tenho obrigação de apontar a boa vontade do departamento de Ciências Contábeis que me deram muita força no sentido de me colocar em salas com, no mínimo, um pouco de acessibilidade.

Sem Barreiras: Pra você, o que é um mundo sem barreiras?

Um mundo sem barreiras tem a ver com liberdade e inclusão. Liberdade para poder ir e vir, em todos os lugres e sem grandes dificuldades. Inclusão, no sentido de participar dos mais variados grupos e espaços; fazer parte.

Esse é o cara!

 

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CADÊ OS ÔNIBUS?

Ontem, seis da tarde (hora do tradicional pega pra capar no trânsito).

Eu contei exatemente 15 ônibus enfileirados no corredor em frente ao Hospital Cristo Redentor, na Assis Brasil, sabe quantos eram adaptados?

NENHUM!

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A GENTE NÃO ABRE A PORTA, ARROMBA

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Ontem pela manhã, troquei uma ideia com uma conhecida que é transexual. O assunto? Essas coisas da vida: preconceito, inclusão, direitos e deveres, intolerância. Ela, com uma sabedoria que só a experiência traz, largou uma tirada que achei excelente. Com uma metáfora, ela resumiu o esforço que segmentos discriminados, como a comunidade LGBT e de PcDs, tem de fazer para ter direitos básicos respeitados: “as pessoas em geral abrem portas, nós temos que arrombar”.

Nesse espirito de arrombamento, trago duas boas notícias. Primeira: finalmente estou dirigindo! Eeeee! Quem acredita, sempre alcança! Insistindo, insistindo e insistindo a gente ganha no cansaço! Tomem cuidado quando virem uma loura dirigindo um Passatão com selo de acessibilidade. Sabe como é, ainda sou um pouco maneta…

A segunda boa notícia é que tive a primeira reunião com meus advogados para processar o DETRAN-RS. Sugiro que quem passou por constrangimentos parecidos, discriminatórios, faça o mesmo, acione a justiça. A porta da inclusão é pesada, exige um esforço tremendo abri-la. Se todo mundo fizer força junto, a gente arromba o preconceito mais rápido!

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Café COM BOBAGENS

Tô de casa cheia, normalmente ela é cheia, agora tá completa, com meu irmão e minha sobrinha de 11aninhos, viciada em BBB.

Quando lemos os comentários da Ju abordando a falta de uma pessoa com deficiência no programa e uma superlotação de representantes LGTB (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis), o café da manhã aqui em casa foi todo voltado pra comentar o vício da minha sobrinha nessa chatice de BBB e a ausência de um representante da nossa turma.

Eis que o Milton sugere que alguém faça inscrição como cadeirante-gay, ele acha que vai dar audiência, já que o lance é ser LGTB.

O nome artístico até já existe e ela autoriza a quem quiser se inscrever usar:

Di Cadeirantty.

Pros próximos BBB’s a sorte foi lançada, torcemos por você Di Cadeirantty!

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ATITUDE É TUDO

Depois de passar um final de semana maravilhoso em Nova Prata, brincando com minha sobrinha, hora de voltar pra Porto Alegre. Minha irmã me levou pra rodoviária e na hora de embarcar (normalmente uma pessoa me pega pelos joelhos e outra embaixo dos braços) o motorista do ônibus reclamou por ter que ajudar a me carregar. Não falei nada.

Dormi bastante durante a viagem e chegando à rodoviária precisava ir ao banheiro. Beleza, lá tem um acessível. Chegando ao toalete, a cabine com adaptação estava ocupada. Adivinha? Depois de dez minutos sai dali uma senhora muito cara de pau sem deficiência alguma. Não falei nada.

Encontro minha outra irmã, que veio me buscar na rodoviária e vamos conversando até chegar no meu carro que está no estacionamento para PcDs. São três vagas, todas ocupadas por veículos que não transportam quebrados. Um infeliz teve a capacidade de estacionar na frente da rampa. Estou ilhada. 

Romeu Kazumi Sassaki, especialista em inclusão, diz que a acessibilidade NÃO se restringe ao espaço físico, à dimensão arquitetônica. Segundo o homem, o conceito de acessibilidade é divido em seis dimensões: arquitetônica, comunicacional, metodológica, instrumental, programática e atitudinal.

De que adianta ter a preciosa acessibilidade nos lugares se as pessoas não respeitam nossa prioridade? Pô, tem sempre várias cabines comuns nos banheiros e apenas UMA acessível. Tem sempre um monte de vagas comuns e apenas duas ou três especiais. Acho que a principal acessibilidade que falta nesse Brasil de meu Deus é a atitudinal. Atitude é tudo. E essa mudança de comportamento só vem com educação.

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Acesso na Lima & Silva


Quem é cadeirante bem sabe o perrengue que é se divertir.

1) Roupa que combine com a pessoa e a cadeira não faça o favor de desfigurar o modelito fashion.

2) Se tiver carro, achar uma vaga, se houver vaga reservada, torcer pra que ela esteja lá, te esperando.

3) Se não tiver carro, rezar pro taxista ir com sua cara e aceitar numa boa que a cadeira, entre no seu precioso carrinho.

4) Na balada, achar um lugar acessível.

5) Circular pelas calçadas

Buracos
Buracos

Pra galera de POA, os barzinhos da Lima e Silva são uma ótima pedida no final de tarde, ainda mais com esse calorzão que tem feito, uma cervejinha geladinha, desce redondo.

Só Comes ( já fomos lá) e o Boteco do Pedrini, tem um bom acesso, rampinha bem suave, além do banheiro adaptado, o Pinguim tem uma rampa legal de subir também e embora o banheiro não tenha as barras de apoio as portas e o espaço interno do banheiro é bem amplo, dá pra fazer número 1 e 2 sem fazer malabaris.

No Olaria, um centrinho comercial( como os lojistas chamam), tem vários conceituados e premiados barzinhos, só que, pra cadeirante pra entrar, tem que ser no colo, porque todos têm degraus no seu interior.

Escadas no Olaria
Escadas no Olaria

Há opção de ficar na parte externa do Olaria.

Parte externa
Parte externa

Mas em todo centro não há banheiros adaptados e os que tem, são bem pequeninos, vai rolar malabarismo, com certeza.

Interessante é que eles chegaram a se preocupar com a vaga reservada no estacionamento( pago), mas o conforto gratuito que é bom.

Estacionamento
Estacionamento

Pra parar o carro, as opções são:

Ao longo da Lima e Silva, mas é difícil de achar uma vaga por lá, porque todo mundo de POA, teve a mesma idéia que você: Um happy hour na Lima e Silva . Outra sugestão é parar nos estacionamentos pagos e caríssimos.

As próximas fotos são do Boteco do Pedrini.

A rampa da entrada

A entradinha do banheiro e o famoso troninho.

Em seguida vem O Pinguim, que embora tenha um acesso tranquilo com sua rampa, o banheiro não é 100% adaptado, mas tem um espaço invejável.

E por fim, o Só Comes, onde somos fregueses, a rampa de entrada e ele, O Troninho.



Fico devendo como é um happy hour na Padre Chagas. Não publiquei hoje pra fazer suspense

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Novelinha Sem Noção.

Se eu contar que não vejo a novela, vocês provavelmente não acreditarão. Não vejo. Não dá!

Mas toda vez que passo pela TV, essa tal Luciana é carregada no colo pra lá e pra cá.

Que coisa mais sem noção!!!!

Po&&*. Cadê a acessibilidade????? A garota é milionária e essa família de imprestáveis milionários, não colocou nenhum elevador na casa dela? Ninguém teve a feliz idéia de se mudar?

“Luciana, vamos morar num apê plano.”

A novela não seria uma promoção de inclusão, acessibilidade? E na própria casa a garota é carregada no colo?????

Ninguém percebe que isso é um absurdo? Só eu?

Que nojo!

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