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Posts na categoria "Inclusão"

O vendedor de chocolates

16 de abril de 2014 2

Faz poucos dias, tive o prazer de conhecer um cara sensacional: Mark Grantham. Ele nasceu com paralisia cerebral e sentado na sua cadeira motorizada tem feito a diferença no mundo. O que começou como uma atividade escolar – levantar fundos vendendo chocolate – virou uma missão de vida e um exemplo a ser seguido.  Faz 20 anos que o rapaz trabalha – faca chuva ou faca sol – vendendo as barrinhas adocicadas e o lucro (ele já arrecadou mais de NZ$40 mil)  vai todo para as 5 crianças que ele apadrinhou na Índia e Africa através da organização World Vision .

 

mark 2

Mark trabalhando no seu “escritório”

Essa bela jornada virou o livro “The story of Mark Grantham – The chocolate seller on Broadway and his kids” (tradução livre: A estoria de Mark Grantham: o vendedor de chocolates na Broadway e suas crianças). Escrito pelo pai do Mark, o livro conta a dura trajetória da família em criar o garoto em uma sociedade excludente – vários desafios para inclui-lo na escola regular e por ai vai…

Capa do livro que conta a historia de Mark

Capa do livro “O vendedor de chocolate e suas historias”

Recentemente ele recebeu uma medalha da Coroa Britânica (Queen’s Service Medal) pelos serviços prestados para a comunidade.

Medalha

Queen’s Medal Service

E fui no evento de celebração desse reconhecimento. Que teve direito ao pai do Mark vestido de Rainha! Que figura!!! Os dois (Mark e seu pai Chris) tem compartilhado a inspiradora historia de Mark em escolas, igrejas, seminários pela Nova Zelândia e mundo afora.

Chris vestido de rainha

“Rainha Elizabeth” e eu

Não bastasse ajudar financeiramente as crianças, Mark também decidiu visita-las! Imagina a missão, rodar com uma cadeira motorizada enorme em meio as vielas de favelas na Africa e Índia! A jornada foi documentada, e pode ser conferida no youtube: Mark Grantham goes to India e Mark in Africa.

Tietando com Mark Grantham

Foto com o vendedor de chocolates

Durante a celebração, Mark era só sorrisos. Ele disse que se sente muito orgulhoso de ter recebido essa medalha e que eh muito bom poder ajudar pessoas menos afortunadas que ele. E fez um pedido: apadrinhe você também, hoje, uma criança. Yep. Partiu parar de reclamar da vida e fazer o bem ao próximo, né?

Banner do livro "O vendedor de chocolate e suas crianças"

Banner do livro “O vendedor de chocolate e suas crianças”

 

 

On the Wheels

12 de fevereiro de 2014 5

Faz um ano e 4 meses que decidi dar um tempo no meu trabalho estável de funcionária pública e resolvi arriscar o recomeço na Nova Zelândia. Fiquei bastante tempo afastada da “blogadição”, mas resolvi retomar a terapia: escrever. E divido a experiencia: eh incrivelmente fantástico vender tudo que se tem, se libertar das amarras das “coisas” e recomeçar. Ate o momento, não vivi sensação mais libertadora do que recomeçar (talvez voar de paraglider?). E recomeçar eu aprendi bem quando tive a lesão na medula lá nos idos 2001. 
Bueno, esse período que estou vivendo aqui na Nova Zelândia me traz algum conforto para escrever sobre como o pais trata as pessoas com deficiência e os contrastes com a pátria amada salve salve.

Juliana voando de paraglider na cidade de Queenstown - NZ

A primeira faz que vim pra cá, foi de férias, apenas três meses, tudo colorido. O calçamento impecável do centro da cidade foi estarrecedor pra quem estava acostumada as esburacadas calcadas de Porto Alegre. A acessibilidade dos pontos turísticos também me impressionou. Os banheiros adaptados em todos os pubs que fui também me comoveu (Auuu! Dava pra beber a vontade). Pensei com meus botões, vou mudar de mala e cuia pra essa Terra do Nunca de quebrados.

Quase um ano e meio depois, vem a realidade desafiadora: ainda há muito para se melhorar no pais dos esportes radicais. O que por um lado eh instigante, vou ter trabalho por aqui. Definitivamente, não da para comparar a qualidade de vida de uma pessoa que vive na cadeira de rodas aqui e no Brasil. Mas, a minha impressão eh que aqui a vida eh melhor para qualquer cidadão, com deficiência ou não. Então, quando comparamos a qualidade de vida de uma pessoa com deficiência e outra sem que vivem na NZ, percebo que sim, aqui também existe desigualdade e preconceito. Sim. Aqui também temos problemas de acessibilidade atitudinal, de gente que não respeita a vaga para cadeirantes (já flagrei ate carro da policia), aqui também falta transporte acessível, aqui também muitas pessoas veem deficiência como doença e uma pessoa com deficiência como um fardo para sociedade.

Juliana flagra carro da policia estacionado na vaga para cadeirantes

Um belo exemplo dessa visão distorcida da sobre deficiência eh a legislação sobre imigração do pais. Ah, não eh fácil imigrar, mas se o cara for chumbado fica ainda mais complicado. Embora a NZ assim como o Brasil tenha assinado a Convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência e uma das primeiras clausulas eh a nao discriminacao, me deparei com uma legislação sobre imigracao totalmente discriminante. Ah, mas eh porque a convenção não se aplica as leis da imigração. Ser paraplégico, ou tetraplégico da ao Immigration Officer o direito de negar a residência. Simples assim, quebrado não entra. Agora, eu vou ter que ter uma autorizacao medica e provar que vale muito a pena ter a loura por aqui. Só pra dar mais emoção. No worries, adoro um desafio.

Juliana curte a vista na montanha Ruapehu

Cotas: eis a questão!

04 de junho de 2013 0

Quando falamos em cotas, seja para pessoas com deficiência nas empresas, para fornecer bolsas de estudo a estudantes de escolas públicas, para negros em universidades, enfim, toda e qualquer cota que atinja uma determinada parcela de pessoas, logo vem o questionamento: por que cotas, se somos todos iguais e temos os mesmos direitos?
Se vivêssemos em um mundo ideal, em uma sociedade igualitária e justa, concordaria totalmente com essa ideia, porém, a realidade, infelizmente, faz com que sejam necessárias essas medidas, pois a sociedade não consegue se autorregular. É histórica a desigualdade, algumas gerações ainda hão de vir até que as coisas mudem. Alguém poderia perguntar: mas isso não tem apenas efeito paliativo? Pode ser, mas, enquanto não se resolverem essas questões sociais, teremos de conviver com isso. Se é ruim com cotas, com certeza, seria muito pior sem elas.

Ah, o preconceito...

30 de maio de 2013 0

Fico intrigada quando escuto aquela história de que as pessoas com deficiência têm preconceito em relação a elas mesmas. Isso se aplica também quando falamos em racismo, em homossexualidade, enfim, a todas aquelas pessoas que sofrem algum tipo de preconceito e/ou discriminação. Isso é desculpa de quem quer isentar a sociedade de qualquer responsabilidade e acreditar que está tudo bem. É justamente, em decorrência do preconceito da sociedade, que essas pessoas acabam agrupando-se, para ocuparem seu espaço e adquirirem uma identificação, pois, naturalmente, não têm as mesmas oportunidades que as outras pessoas. O preconceito existe, e não é fingindo que ele não existe, que as coisas vão mudar.

Viajando e bengalando por aí...

11 de novembro de 2012 4

Galera!

Tá difícil conseguir parar um tempo pra escrever aqui com maior frequência, mas vamos lá…

No mês de setembro estive em São Paulo, não conhecia lá, fiquei três dias, conheci muito pouco, mas gostei muito do que conheci, baita cidade que quero voltar logo, com mais tempo, para conhecer melhor.

A Francine não foi, fui eu e uma amiga, colega de faculdade, pois fomos especificamente para um evento. Desde que uso a bengala para me auxiliar no deslocamento, foi a primeira viagem que fiz sem alguém da família junto – logo São Paulo, nada menos do que a maior cidade do país – eu não sou muito certo mesmo :)

Então, tive várias experiências sociais indo e vindo pelas ruas de Sampa com a bengala, as pessoas naquela cidade estão sempre correndo, isso é claro, não é novidade para ninguém, mas a minha experiência é de uma pessoa com baixa visão conhecendo um lugar “mega” movimentado e populoso. Uma das coisas que mais me chamou a atenção no meio dessa correria, é que as pessoas se mostram muito individualistas, quase todos os espaços públicos recebem multidões para todos os lados e, se você está ali por algum motivo, cuide-se, siga a maioria ou será “atropelado”. Ainda bem que logo me dei conta disso e peguei o ritmo da cidade, deu tudo certo!

A minha referência de grande cidade era o Rio de Janeiro, mas SP é completamente diferente e maior, no Rio, o astral das pessoas é outro, elas param para te auxiliar em alguma coisa, para te perguntar se precisa de algo, etc. Não vi isso em SP, e isso não é uma crítica às pessoas de lá, de forma alguma, pois conheço pessoas maravilhosas que são de lá ou que moram lá, isso é só uma constatação mesmo…

No Rio, por exemplo, eu estou acostumado a chegar no metrô e, antes de qualquer coisa, já aparece algum funcionário chamando para liberar o acesso gratuito, para mim e para a acompanhante. Sempre achei isso legal, porque, sendo turista, não vou, obviamente, ter o cartão de passe livre local, certo!? Gosto desse bom senso, tipo, a isenção é para pessoas com deficiência e não somente para pessoas com deficiência com cartão ou apenas para pessoas com deficiência que sejam moradores do local.

Em SP, no primeiro dia, ao chegar no metrô, não “apareceram” funcionários para me atender, fui à bilheteria e perguntei se eu tinha de pagar a passagem ou se havia isenção para pessoas com deficiência, a resposta foi uma pergunta: “tem cartão de isenção?”, eu disse que não tinha, porque não era de SP, me responderam de maneira ríspida: “O que dá a isenção é o cartão!”. Ok! Isso eu sei, para quem mora lá, o que dá a isenção é o cartão, como eu não o tenho, fiz a pergunta, porque alguém com o cartão iria fazer essa pergunta não é mesmo??? Mas essa falta de qualidade no atendimento não é exclusividade de SP, semana passada tive de ir a Canoas e, como não uso habitualmente o metrô, fiz a mesma pergunta que fiz em SP, e a resposta… também foi a mesma! Ok! Só tenho o cartão de isenção nos ônibus aqui de Porto Alegre, mas do metrô não, mas perguntar não ofende e atender bem não custa nada…

Bem, falando mais um pouco sobre a viagem pra SP, o despreparo em aeroportos e aviões é enorme, a acessibilidade é escassa, mas se não ocuparmos esses espaços, as coisas não vão mudar! Lá em SP, mais especificamente no evento, a receptividade foi muito boa, as pessoas que trabalharam no evento estavam bem preparadas, havia banheiros adaptados, a acessibilidade chegou lá com bastante expressividade, ainda não é o ideal, mas as coisas estão acontecendo. Enfim, foi uma viagem muito boa, novos contatos e oportunidades, sempre prestando muita atenção em como as pessoas se relacionam com a deficiência e com a acessibilidade.

P.S.: O tamanho desse texto se explica, um pouco, pelo tempo que fico sem escrever aqui.

Um abraço a todos!

Futebol Paralímpico

09 de setembro de 2012 1

A cada edição das Paralimpíadas, novas modalidades esportivas vão sendo incluídas nos jogos. Desde 2004, em Atenas, o Futebol de Cinco vem sendo disputado. Trata-se de um tipo de futebol para deficientes visuais.

Clique aqui para ver a matéria e o vídeo feitos pela EBC.

(Créditos: Site EBC)

Criando o Espetáculo!

07 de setembro de 2012 2

“A cadeira de rodas é vista como um símbolo de aprisionamento, de medo, mas pra mim significa liberdade! É com ela que me movimento.”

Esta frase foi dita por Sue Austin, uma artista inglesa, tetraplégica, de 46 anos. Ela faz apresentações dançando enquanto mergulha com sua cadeira de rodas, adaptada precisamente para esta função.

A ideia de liberdade por ela defendida, propõe uma quebra de paradigmas, no que se refere à concepção de um suposto aprisionamento imposto por uma determinada deficiência. Esta percepção revelada por Sue, nos leva a repensar o universo de possibilidades que uma pessoa com deficiência tem em sua vida.

Foto de Sue Austin mergulhando com sua cadeira de rodas subaquática

Durante as paralimpíadas que estão sendo realizadas em Londres no momento, ela está fazendo apresentações embaixo dágua, dançando em sua cadeira. Câmeras subaquáticas captam as imagens que são transmitidas para um telão. Após o término das paralimpíadas, Sue irá se apresentar em outras regiões do Reino Unido, com apoio do governo inglês.

Foto de Sue Austin mergulhando com sua cadeira de rodas subaquática

Espero que este tipo de iniciativa, que envolve arte e superação, possa incentivar pessoas com deficiência no mundo todo a buscarem a libertação dos seus “supostos aprisionamentos”.

Foto de Sue Austin mergulhando com sua cadeira de rodas subaquática

Clique aqui para assistir ao vídeo com entrevista e imagens das apresentações de Sue Austin. É realmente um belo e impressionante espetáculo!

(Fotos: wearefreewheeling.org.uk)

Síndrome de Down No Cinema

26 de agosto de 2012 0

O filme brasileiro “Colegas” apresenta três pessoas com síndrome de down nos papéis principais da trama. Trata-se de uma comédia que exibe com muita leveza e descontração a vida dos três personagens, com suas aventuras, sonhos e desejos. É muito bom ter o cinema a serviço da equidade.

A estreia em nível nacional será em novembro deste ano. No entanto, o longa já ganhou premiações, no Festival de Paulínia (SP) e no Festival de Gramado (RS).

Clique aqui para assistir ao trailler com áudio-descrição. Confira aqui a matéria sobre a premiação no Festival de Gramado feita pela Folha de São Paulo.

E em novembro, vamos ao cinema prestigiar o filme!!!

Há quanto tempo hein!?

26 de agosto de 2012 1

Olá!!!!

Depois de muuuuuuuuito tempo sem escrever… Aqui estou de volta, tentando retomar o blog, com vontade de escrever com mais frequência para vocês. Este ano está sendo muito corrido, trabalho, faculdade, filho pequeno, etc. Agora estou me organizando para publicar aqui com alguma regularidade. Este blog é um espaço muito importante e devemos aproveitar, pois há muito o que fazer e falar no que se refere às pessoas com deficiência. Enfim, é muito bom estar de volta!!!

Abraços!!!

A influência da mídia sobre o culto exagerado à aparência e à beleza

11 de novembro de 2011 2

A influência da mídia sobre o culto exagerado à aparência e à beleza

Um dia desses fiquei refletindo sobre esse assunto e resolvi escrever um pouco:

Sabendo da influência que os meios de comunicação exercem sobre as pessoas em geral, em
diversos aspectos de suas vidas, desde os temas mais amenos aos mais sérios, não é de causar
estranheza que a mídia, ao criar o protótipo da beleza e ao ficar exaltando-o, muitas vezes de forma
subliminar, vem transformando uma massa de escravos numa busca desenfreada e incessante pelo corpo
belo, perfeito e eternamente jovem. É uma legião de seres desnorteados que acreditam que algum
cosmético, alguma academia da moda, roupa ou qualquer outra novidade, outro aparato que surge
diariamente vai operar um verdadeiro milagre em sua aparência. Diante dessa situação, não nos cabe
julgar, porém tentar entender as causas que levam boa parte da população a esse tipo de comportamento.
Ao começarmos a explanar as possíveis causas que levam a atitudes intrigantes e patéticas nesta
ânsia de perfeição, um dos que considero mais graves é que crianças, principalmente meninas, estão cada
vez mais cedo sendo introduzidas ao mundo da moda, explorando, forçando uma sensualidade, totalmente
artificial, impossível de se ter aos cinco, seis, sete anos de idade. Outro aspecto que podemos analisar são
as capas das revistas, os comerciais de televisão, os outdoors. Boa parte desses anúncios tem homens e
mulheres, exaltando beleza e juventude, tendo normalmente um biotipo europeu. Não vamos entrar numa
discussão sobre racismo, inclusão e tal, mas, dificilmente vemos estampados negros, asiáticos, alguém de
alguma outra etnia ou uma pessoa com deficiência. Onde estão as pessoas comuns, sem maquiagem ou
fotoshop? E porque não falarmos também da proliferação absurda das clínicas de estética e cirurgia
plástica, onde muitas pessoas deixam suas economias e pagam quantias elevadas que muitas vezes nem
podem gastar em tratamentos de beleza e rejuvenescimento.
Porém, a análise não deve ficar somente nestes aspectos, faz-se necessária uma reflexão mais
profunda e criteriosa, a responsabilidade não é apenas dos fatores externos a nós, pois a mídia mostra e a
indústria da beleza produz, justamente aquilo que queremos que se torne realidade, desde coisas mais
elaboradas como uma técnica cirúrgica inovadora ou um cosmético de última geração até um soutien que
promete elevar ou aumentar o tamanho dos seios. Torna-se um círculo vicioso, os valores do ser
contemporâneo e seus anseios refletem-se na mídia e na indústria da beleza e estas, por sua vez, acabam
retornando em forma de influência para a sociedade. Vale lembrar também, que os nossos modelos de
beleza, bem como todo ser humano tem suas inseguranças e podem estar tentando atingir o ápice, a
beleza máxima, afinal, também são agentes na sociedade, não somente figuras estáticas mostrando sua
beleza para quem quiser ver. Um dia, se a sociedade se tornar mais espiritualizada e mais voltada ao seu
interior, quem sabe a mídia pode refletir outras coisas, como por exemplo, a tão falada frase que ser é
mais importante que ter, e que a solidariedade, o amor a si e ao próximo, a paz no mundo e também a de
espírito são muito mais importantes e perenes, coisas que, por mais que tentemos na busca utópica pela
perfeição do corpo, jamais serão atingidas.

Um ótimo final de semana!!!

Será Hora de Acabar Com o Braille???

28 de outubro de 2011 0

Chegou a hora de acabar com o Braille?
por Fredric K. Schroeder

Muita tecnologia surgiu para ajudar os cegos. E para questionar o uso de um sistema que até hoje reinava sozinho?

A tecnologia dedicada a ajudar deficientes visuais tem evoluído muito. Novas ferramentas vêm ampliando o acesso de cegos à informação escrita: audiolivros, softwares que leem em voz alta o e-mail que acabou de chegar, serviços telefônicos que leem o jornal pela manhã. Sem dúvida, uma mão na roda, que dá mais opções aos cegos.

Essas novidades conquistaram espaço. E, confiando nelas, os cegos estão deixando de ler. Estão apenas ouvindo. Há deficientes visuais que já aderiram completamente à tecnologia. Alguns professores de escolas para cegos também não veem mais espaço para o braile. Tanto que quase 90% das crianças cegas americanas estão crescendo sem aprender a ler e escrever. Isso é um sinal de progresso? Devemos celebrar o declínio do braile?

É verdade, a tecnologia permite a absorção rápida de muita informação. O problema é que essas novas ferramentas oferecem um tipo passivo de leitura. Ao contrário do braile, que permite uma leitura ativa. Com ele, o cérebro recebe as informações de forma diferente: além do conteúdo, absorve também as letras, a pontuação, a estrutura do texto.

A falta desse conhecimento pode prejudicar a formação de alguém. Aconteceu comigo. Perdi parte da visão aos 7 anos de idade. Aos 16, fiquei completamente cego. Não fui alfabetizado em braile quando criança, e tive de aprender a ler e escrever sozinho depois de cego. O aprendizado tardio prejudicou minha educação e minha confiança. Quando entrei na universidade, não podia soletrar. Sabia pouco sobre pontuação e regras gramaticais. Fiz um doutorado em administração da educação, mas a alfabetização limitada foi sempre uma barreira.

Hoje uso muita tecnologia de áudio. Com ela, posso ler o texto no computador em um ritmo de 250 palavras por minuto. Com o braile, leio 50 palavras por minuto. Mas a tecnologia é complicada para reuniões ou palestras. Se preciso ler um discurso que escrevi, buscar notas no meio de uma apresentação, consultar tabelas, só o braile evita que eu desvie a atenção do conteúdo principal.

É como para as pessoas que têm visão: rádio e TV são métodos úteis de conseguir informação, mas não substituem a leitura. Não quero dizer que a tecnologia de áudio não é importante na vida dos cegos. Ela é. Mas deficientes visuais necessitam de uma maneira eficiente de ler e escrever, como todo mundo. Isso significa que precisamos garantir o acesso a todo tipo de tecnologia que apareça e seja capaz de auxiliar. Sem esquecer também de trabalhar para manter o braile vivo.

Fredric K. Schroeder é vice-presidente da Federação Nacional dos Cegos dos EUA. Ele perdeu a visão em decorrência da síndrome de Stevens-Johnson.

Crédito:
BLOG TURISMO ADAPTADO
by Ricardo Shimosakai

Giselle Hubbe - Miss Brasil Deficiente Visual

24 de agosto de 2011 0

A gaúcha Giselle Hubbe, vencedora do concurso Miss Brasil Deficiente Visual, foi a convidada do programa Pedro Ernesto Entrevista na TVCOM em 23/8/2011. Clique aqui para assistir à entrevista.

Movimento SuperAção 2011 em Porto Alegre

22 de agosto de 2011 0

E aí, galera!!!

Foi muito legal a passeata do Movimento SuperAção ontem aqui em Porto Alegre, o tempo colaborou, um sol bacana, o dia estava frio, mas o bom é que não choveu.

Na minha opinião, o evento deste ano foi melhor do que o do ano passado e, espero que a cada ano fique melhor ainda, reunindo mais pessoas com e sem deficiência, movimentando e articulando mais e mais…

Lembro que na primeira edição, em 2010, com deficiência visual, estávamos praticamente só eu e meu irmão lá. Já neste ano, vi vários, fiz vários contatos, foi possível trocar muita ideia, fazer novas amizades, enfim, várias portas são abertas a partir destes encontros.

Conhecemos lá o Daniel, de São Paulo, que nos contou que participa do SuperAção lá há 6 anos, ele estava com seu cão-guia, que também vestiu a camiseta do Movimento SuperAção (foto abaixo).

Eu e Francine conhecemos e ficamos amigos da Giselle Hubbe, que é Miss Brasil Deficiente Visual, abaixo estão as nossas fotos com ela, que é gente fina pra caramba (ela vai participar do desfile de moda inclusiva na Assembleia Legislativa na próxima sexta-feira, 26/8/2011, conforme está detalhado no post anterior da Ju).

(Foto: Giselle e Rafael)

(Foto: Giselle e Francine)

Conversei muito também com a professora Marilena que trabalha com pessoas com deficiência visual na União dos Cegos.

Também participando do evento reencontrei uma ex-colega do meu serviço anterior, a Denise, trabalhei com ela até 2006 e nubca mais a tinha visto, estava com a família, uma filhinha linda de 5 anos e o marido que é cadeirante há mais ou menos dois anos, fiquei muito feliz também por este reencontro, já estamos nos falando pelo Facebook.

Ontem na Redenção, também vi que havia pessoas distribuindo folder com contatos para o envio de curriculum, ou seja, empresas em busca de pessoas com deficiência para suprir vagas no mercado de trabalho, isto é muito bom, é o Movimento SuperAção ganhando visibilidade.

Eu e Francine conhecemos pessoalmente também a Aline Massoni, de Viamão, cadeirante que eu conhecia de um depoimento no “Tocando a Vida” do programa da Ju na AL e também amiga de Orkut há algum tempo, muito legal também.

Como eu já falei, espero que a cada ano fique melhor o SuperAção, eu curti muito, fizemos nosso barulho em busca do nosso espaço, da inclusão, exigindo acessibilidade já! Mostramos a nossa cara para a cidade, todos juntos, um só objetivo, uma só voz, assim que tem que ser, o caminho é longo e nada fácil, mas quando nos juntamos, nos reunimos, unimos também nossa força. É muito bom conhecer pessoas, fazer amizades e projetar coisas para o futuro!

Viva o Movimento SuperAção!!!
Acessibilidade e inclusão já!!!

Amor de mãe.

29 de julho de 2011 0

Cinco anos se passaram desde o diagnóstico de meu filho. Há cinco anos atrás eu
me desesperava e sentia um buraco abrir-se dentro de mim, uma dor única que sou
incapaz de traduzir, só sei que aquele sentimento era um misto de medo e tristeza
profunda. A revolta deu lugar à luta e após outros períodos angustiantes na evolução
da doença, que exigiram paciência e persistência no tratamento eleito, hoje, saboreio
momentos mais felizes. A felicidade, este sentimento que parecia ter me abandonado
no momento do diagnóstico do autismo, voltou a acalentar meu coração. Sinto-me
feliz ao ver meu filho feliz quando nos acompanha nos passeios de final de semana, na
rotina do dia a dia, nas viagens de avião, nos banhos de mar e de piscina, na chegada
e saída da escola, na prática da atividade física e no convívio com os demais. Sinto-me
feliz de poder cuidar de mim, de freqüentar a academia, de ir ao salão de beleza, de
ler, de olhar televisão, sair para jantar, tomar uma cerveja e viajar com meu marido.
Sinto-me feliz por ter este marido companheiro que é um pai extraordinário, que leva
e busca o filho da escola, que vai a todas as consultas pediátricas e estuda a noite
inteira o que é up date na literatura médica sobre o autismo. Só não gosta de ir à
parques e tomar sol, mas daí já seria pedir demais…

Se eu consegui resgatar a alegria de viver e o prazer de pequenos momentos, acho
que já sou vitoriosa. Hoje posso dizer que a vida vale a pena mesmo com traçados tão
estranhos a nossos olhos e repertórios tão distintos de nossos sonhos infantis.

Portanto, sofra somente quando for inevitável e reserve um lugar no seu coração para
a alegria reencontrar a sua morada e te devolver a paz.

Silvia Sperling.

Nossas calçadas!

28 de julho de 2011 0

Amigos!

Peço desculpas pela demora nas postagens, mas vamos que vamos…

Toda tarde tenho saído com nossa pequenina pra passeios de carrinho, ela adora.

Já tinha noção das porcarias que são nossas calçadas, por conta disso, eu e Milton saimos muito pouco a pé, mas com Ana Sofia não tem jeito, ela precisa desses passeios, aí o bicho pega.

Uma rodinha do carrinho já empenou graças aos buracos, hoje mais uma vez saimos e como sempre faço, cada passeio é por um lugar diferente.

Olha só a loucura que descobrimos hoje:


Essa calçada fica na Avenida Cristóvão Colombo, pertence ao Hospital Militar.

É uma calçada estreita, deve ter no máximo uns 90 cm de largura, não bastasse isso, algum gênio resolveu colocar uma placa de sinalização que impede qualquer pessoa andante, cadeirante, com carrinho de bebê, passar pela calçada.

Cada vez mais tá mais difícil sentir orgulho do meu País!

Aproveito o post pra dar nosso apoio à queria Vitória e total repúdio ao Cinemark, são com atitudes como essas, que acontecem o que aconteceu recentemente num cinema da região