A revista Auto Esporte entrevistou Peter Schreier, que há cinco anos assina os modelos da marca Kia. O blog Sem Censura e o blog Carros Joinville - diariamente escrito por meu amigo Gerson - comentam e fazem suas devidas análises com relação aos comentários de Peter. Confira:

Você com toda certeza já deve ter visto um Audi A3 com rodas imensas, teto solar e banco de couro desfilando por ai... esse carro ja foi o sonho de consumo de qualquer jovem endinheirado. Hoje em dia ele encontra-se bem mais acessível. O fato é que suas linhas agradáveis e robustas cativaram o público e ainda hoje impressionam!

Sabe o que todos estes carros tem em comum?
O seu criador, Peter Schreyer, ex-designer da Audi/Vw, foi responsável ou teve participação nestes e muitos outros modelos de grande sucesso das marcas. Desde 2006, Schreyer está na Kia. Ele é sem dúvida alguma o responsável por organizar toda aquela salada de estilos que compunha a linha Kia na ocasião. O trabalho tem sido árduo visto que antes de sua chegada a Kia enfrentava um sério problema de identidade. Sua linha não seguia um padrão, seu produto não tinha um foco. Desde sua entrada este problema vem sendo enfrentado.

Seu traço tem muita coerência e segue bem um estilo adotado pelos grandes europeus, talvez este seja um fator também que os leva ao sucesso. Linhas agressivas mas nem por isso menos harmonicas, alguns modelos adotam linha de cintura alta dando mais esportividade ao modelo, em outros ele consegue adotar características de vários modelos formando um crossover de sucesso como o Soul. Em todos os carros atuais foi adotada a nova frente "Nose Tiger" ou seja nariz de tigre, comenta-se por ai, que para fazer alusão à voracidade dos tigres asiáticos por uma maior fatia no mercado automobilístico mundial.
Dentre os muitos sucessos desenhados, ou remodelados por Schreyer estão o Borrego, Venga, Forte (nosso Cerato), Sorento, Sportage, Cadenza, Optima e Morning (nosso Picanto), Soul (famoso pelo marketing de carro design). A lista não é pequena e cabe destaque aos que rodam no Brasil como o Cerato e o Soul que vem recebendo premios e elogios pela mídia especializada!

Agora, segue na íntegra a entrevista:
O conceito KV7 tem um visual típico da Kia, mas não se parece muito com os outros modelos da linha. Isso é sinal da procura por novos caminhos?
Tentamos resgatar o visual clássico da van. Sempre que tentam fazer um projeto deste segmento, transformam em um fora-de-estrada, ou em um esportivo, tentam esconder o principal: o fato de que ela é uma caixa. Vans são quadradas e não há problema algum nisso. Então trabalhamos com essa característica na tentativa de ressaltar outros elementos associados à van, como a liberdade e a praticidade. Então mantivemos a linha Kia, mas quando se trabalha com um modelo como este, não podemos tratar como um sedã. É uma nova direção, mas não pode significar que é uma direção para todos os modelos.
Acha que é possível que o KV7 chegue às ruas próximo de seu visual atual?
Nossos últimos conceitos foram produzidos com linhas muito próximas das versões originais. Acredito que muitas das ideias colocadas no KV7 possam ir para um futuro modelo na linha do Carnival.
No último Salão de São Paulo, o estande da Kia foi um dos mais elogiados pelo visual dos modelos. O mesmo parece se repetir pela Europa e aqui nos Estados Unidos. Como você se sente com o que realizou até agora?
Fico muito feliz quando estou na China, na Coréia ou na África e vejo diferentes pessoas dirigindo um mesmo modelo, como o Soul, por exemplo. Elas estão sempre orgulhosas e satisfeitas da escolha que fizeram e das características que cada carro traz. Fico muito feliz que notem e apreciem os detalhes que temos tanto cuidado em criar.
E isso acontece em todo o mundo, os carros agradam em vários países, com culturas e gostos diferentes? É realmente possível criar um produto que agrade globalmente?
Veja só [tira um iPhone do bolso e mostra]. Está vendo? Isso já acontece.
Então a Kia está se tornando uma Apple dos carros? Qual você acha que é o principal motivo disso?
O principal foi criar uma identidade que unisse toda a linha e agradasse. Não pensamos apenas em um mercado, mas sim na marca. Isso acontece com a BMW. Uma BMW é uma BMW em qualquer lugar. No caso do KV7 nós precisávamos tratar as características específicas de um projeto para uma van, mas com a identidade Kia. E isso deveria ficar claro. Mesmo que sua versão de produção não seja vendida na Europa, por exemplo, as pessoas de lá podem vir para os EUA, ver uma unidade na rua e dizer, “olha, é um Kia”.
Você acredita que a primeira fase de renovação da Kia já terminou?
Não penso como o fim de uma fase e o começo de outra. É um trabalho contínuo, que tem que despertar interesse nas particularidades de cada projeto. Eu gosto de inovar um pouco a cada carro. É necessário. Então temos que andar passo a passo. É como no futebol, temos que olhar cada jogo, mas sem perder de vista o objetivo geral.
Fonte: Auto Esporte, Carros Joinville.