Designer da Rede Globo mostra como as inovações em design podem valorizar a singularidade das organizações brasileiras
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Entre o deslizar suave de uma cobra e o salto abrupto de um sapo, Hans Donner, o designer alemão de alma brasileira que ajudou a TV Globo a se globalizar com suas vinhetas, prefere o primeiro para caracterizar o tempo em seu projeto mais ambicioso, o redesenho do tempo em um novo relógio que trabalha com o claro e o escuro e o fluir da natureza: o timension. Com a ambição de “ajudar o homem a viver em mais harmonia com o seu tempo”, o designer digital cria neste projeto uma nova concepção de mensurar as horas. Isso porque, na imagem do relógio de Donner, o círculo externo se refere aos minutos, o interno aos segundos e, entre ambos, ficam as horas. Diferente? Trata-se do “timension”, uma neologia que combina as palavras “tempo” e “dimensão” em inglês.
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A proposta do designer é trocar a tensão pela paz. Embora seja preciso se acostumar com esse mostrador 3.0, o objetivo principal do projeto é recuperar as referências naturais e ancestrais do homem, como o contraste entre luz e sombra (ou entre dia e noite) e o fluir contínuo, propondo um tempo belo e harmonioso. Mas este é apenas um dos trabalhos deste artista. Donner não se dedica apenas a desenhar o tempo. Conhecido como o designer que dá cara à Rede Globo de Televisão, empresa em que conduz cerca de 20 projetos, ele também divide seu tempo com vários trabalhos nas áreas de branding e multimídia para grandes corporações, como a recente marca/vinheta comemorativa dos 150 anos da Caixa.
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Um dos mais respeitados designers de nosso tempo, Hans Donner é um mestre na arte da inovação, por conseguir unir a seu reconhecido talento uma capacidade ímpar de levar equipes e colaboradores a exercitar o pensamento out of the box. E foi essa a característica marcante que o fez colecionar quebras de paradigma ao longo de sua prestigiosa carreira. Na qualidade de responsável pela identidade visual da emissora, Donner quebrou o paradigma bidimensional na mídia televisiva ao inaugurar, na década de 1980, a linguagem em 3D no vídeo – por ele batizada de videographics.
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De 1974 para cá, a logomarca da Rede Globo e as aberturas de seus programas e telenovelas tiveram influência determinante tanto na percepção externa do que é o design brasileiro como entre os designers nacionais. Uma estimativa conservadora é que 650 bilhões de pessoas, cem vezes a população mundial, tenham entrado em contato com o trabalho de Donner. Esse design reúne cinco características:
• Movimento - Fluir como se dança o samba e se dribla no futebol, como as ondas do mar e a correnteza dos rios, como o tempo.
• Curvas - Silhuetas suaves e harmoniosas como a das montanhas geologicamente antigas do País, a das mulheres brasileiras, formas arquitetônicas de Oscar Niemeyer, ídolo de Donner.
• Volume - Tudo com altura, largura e profundidade, como se vê na natureza e nas florestas do Brasil ou na obra de artistas plásticos como Vik Muniz, que já se admitiram influenciados por Donner. O designer pode ser considerado até um precursor do cinema 3-D.
• Cores - Contraste de claro e escuro, ou do sol e da sombra, novamente menção à natureza brasileira.
• Histórias - Tudo tem significado e mensagem, como em nossa mitologia.
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Para ele, a síntese das ideias é o grande instrumento e noção de que a concepção sintética que ocorre às pessoas, não resultam de horas de trabalho duro, como acontece, em outra etapa, com a execução de um projeto de design. Donner ousou também, não se deve esquecer, quando fez um design vivo no corpo de sua mulher, Valéria Valenssa, que se tornou a Globeleza, o símbolo do Carnaval brasileiro por muitos anos. Não são poucos os que atribuem a Donner grande parte do sucesso da internacionalização da TV Globo. O nível de qualidade mostrado por suas vinhetas impressiona tecnicamente o mundo inteiro. E também não são poucos os que atribuem parte do maior conhecimento (e do respeito) que se tem pelo Brasil no exterior à penetração da TV Globo lá fora.
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O desafio do tempo de Donner faz por merecer pelo menos duas reflexões das empresas:
1) a meta de crescer, em um mundo ameaçado pela mudança climática, não será trocada pela meta de durar?
2) poderá ser o Brasil a ensinar ao mundo como lidar com o tempo de uma nova maneira?
Donner já foi suficientemente coberto de glória. Além de sua audiência imbatível, suas criações – que somam móveis e objetos variados – mereceram exposição em algumas das maiores galerias do mundo e ele até já foi comparado a Pablo Picasso, pela ruptura que promoveu em sua arte. Sua ambição e seu sentido visionário não estão mais à procura de fama, reconhecimento ou fortuna. Além do redesenho do próprio tempo, que busca mudar a relação que o ser humano tem com ele, Donner quer, cada vez mais, desenhar o Brasil, imprimir a marca da brasilidade no design mundial, com os cinco elementos de seu estilo – algo a que as empresas devem prestar particular atenção.
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Fonte: “Brasilidade em Destaque”. Revista HSM Management. Mai/Jun 2010, Acontecendoaqui