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Orgulho de ser brasileiro

26 de junho de 2010 5

Mike em frente ao Quilombo Brasil Foto: Pedro RockenbachPor Renan Koerich

Os ponteiros do relógio marcavam pouco mais de uma hora em uma ensolarada, porém fria, tarde no pacato bairro Observatório, na cidade do Cabo. Mais afastada do centro é uma região tranqüila onde concentra a realidade da classe média sul-africana. Ali em meio há algumas casas e prédios colados uns aos outros o restaurante Quilombo do Brasil. Que mesmo naquela hora estava fechado.

 A cortina então sobe e a porta é aberta uns vinte minutos depois. O sotaque não deixa enganar. Mike Knight não é brasileiro, seu coração que é. O sul-africano de nascença, natural de Durban, vive há 20 anos no Brasil. Ama o samba e uma rede para deitar após o almoço. Encontrou em São Paulo um time e uma escola de samba para admirar e torcer. As cores do tricolor paulista e da Águia de Ouro – onde toca todo ano na bateria – fascinaram o homem de sorriso fácil.

 - A música brasileira e o povo me conquistaram. Existe uma mistura que eu não vi em nenhum outro lugar do mundo. E a maneira como vocês convivem com isso é algo especial – analisa Mike que já viajou boa parte do Mundo. EUA, México, Canadá, África e Europa quase que completa já marcam o passaporte.

Foi justamente na Europa que parou no Brasil. Na capital inglesa, Londres, estudava e se apaixonou por lá. A brasileira Vera Laurentez, professora universitária mexeu com Mike, formado em contabilidade. Logo os dois estavam em um impasse. Ir para a África do Sul ou para o Brasil? O casal decidiu pela América do Sul com o pensamento de ficar pouco tempo por lá.

Foto: Pedro Rockenbach 

O ano era 1990 e então veio o Plano Collor que varreu as poupanças dos brasileiros. De uma hora para a outra o dinheiro que estava em sua conta não era mais seu. Já no Rio de Janeiro na cidade de Parati, Mike decidiu ficar até a economia brasileira estabilizar novamente e claro, ter o seu dinheiro de volta.

Passaram-se três anos e sul-africano foi ganhando sotaque e aperfeiçoando o português. Começava aí então a chamar os estrangeiros de gringos. Sentia-se em casa. A esta altura já não estava mais com Vera. Restou a amizade. Tanto que a atual esposa de Mike surgiu através da professora universitária. A paulistana Lucinéia Freitas e ele estão juntos há 4 anos.

O retorno para a cidade São Paulo, na Vila Mariana foi para ensinar inglês aos brasileiros. Ele e a esposa administram uma escola que também realiza intercâmbio para a África do Sul. O homem de 44 anos que adora falar e está com um sobrepeso visível, talvez seja o delicioso feijão que Lucinéia prepara, está há dois anos de volta para o país sede da copa. O motivo é exatamente o futebol. Abriu o restaurante no ano de 2008 para segundo ele, facilitar a vida dos brasileiros que vão para a África do Sul.

- O brasileiro é um povo difícil que quando está na sala de aula fala em inglês. Mas depois que sai só anda com outro brasileiro e não pratica. O restaurante tem justamente a ideia de fazer a aproximação entre os gringos e os brasileiros. – explica.

Na parede do restaurante a pintura liga Rio de Janeiro e a Cidade do Cabo Foto: Pedro Rockenbach

 O restaurante é pequeno, no entanto é suficiente para que quem venha do Brasil se sinta em casa. As paredes estão pintadas com cidades brasileiras. Parati, no sul do Rio de Janeiro, é uma que está por lá. Em outra o pão de açúcar e a Table Mountain (conheça mais da montanha aqui) ligados por um bondinho. Em meio as mesas as bandeiras verdes e amarelas, o berimbau e nas caixas de som só o ritmo brasileiro é ouvido. A rede também esta lá. Claro que os jogos da seleção brasileira são os preferidos por ali. Mike diz que os locais são presença certa. O samba e o forró fazem sucesso.

Em dia de jogo da seleção brasileira, Brasil x Portugal se enfrentariam logo mais em Durban, o pandeiro, o chocalho e o bumbo saem à rua. Junto com outros brasileiros, Mike e a mulher comandam o bloco que faz os negros do bairro pararem o trabalho para dançar ou tirar fotos.

O samba rola solto no bairro em dias de jogo do Brasil Foto: Pedro Rockenbach

Mike é daquelas figuras que mostram como o mundo pode ser único, sem diferenças. Nascido em um país onde há pouco mais de 15 anos negros e brancos (como ele) não conviviam juntos, foi parar no Brasil. Um país onde os problemas de desigualdades sociais colocam ricos e pobres há quilômetros de distância. E Ele com seu jeitão brasileiro e gringo ao mesmo tempo, consegue unir com sorrisos e brincadeiras pessoas que as vezes estão afastadas. Mike Knight é orgulho de ser brasileiro, de ser humano tanto para mim como para você.

Deixamos a nossa marca Foto: Pedro Rockenbach

Assista ao vídeo:


Comentários (5)

  • Guisela. k diz: 26 de junho de 2010

    Guris. começou corrida pra comprar Diário C de domingo.

    Que venham muuuuuiiitooooossss

    Parabéns.

  • GUISELA.K diz: 26 de junho de 2010

    VCS SE SENTIRAM EM CASA NÉ??? ATÉ EU ME EMOCIONEI VENDO VCS ESCUTANDO UM SAMBA,
    BANDEIRA DO BRASIL E COMIDA CASEIRA É BOM D+.

    FELIZ POR TEREM ACHADO ESTE LUGAR.

    VALEU! QUERIA VER O RENAN CANTANDO. RSRSRS

  • Hayde diz: 26 de junho de 2010

    De arrepiar…

  • Beth Sarges diz: 27 de junho de 2010

    Realmente, vocês arrasaram com essa beleza de reportagem, parabéns!!A verdade é que até eu, daqui de Floripa, queria estar aí com vocês, para conhecer este local e esta pessoa, que constrói pontes de amizade, sem preconceitos e desigualdades ous diferenças, construindo somente pontes de amor entre as pessoas!!!

  • sandra diz: 27 de junho de 2010

    Isso aí Ô Ô…é um pouquinho de Brasil ai ai…

    Como eu queria estar aí para comer essa feijoada à brasileira!
    bjao meninos!

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