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O eco da marcha

29 de junho de 2010 5

Foto: Pedro Rockenbach

Por Pedro Rockenbach

Um homem entra na capela que fica no subterrâneo da catedral de pedra São Jorge, no Centro da Cidade do Cabo, na África do Sul. Ele se ajoelha para rezar pela alma de 23 homens mortos na região de Weastern Cape no dia anterior, 6 de setembro de 1989. Eles foram vítimas da polícia, que era usada pelo governo para reprimir qualquer movimento contra o Apartheid.

Depois de orar pelos homens que tiveram as vidas ceifadas lutando por igualdade de direito ao voto, o arcebispo Desmond Tutu (prêmio Nobel da Paz em 1984) levanta-se e começa a arquitetar uma marcha pedindo a paz e o fim das mortes na região.

Enterro de uma das 23 pessoas mortas. Foto: Pedro Rockenbach

Seis dias depois, em 13 de setembro, cerca de 30 mil pessoas, lideradas por Tutu, tomaram as ruas do Cabo. Eram homens e mulheres, negros e brancos, pobres e ricos compatilhando de uma mesma causa: o fim da violência. O evento durou cerca de seis horas, as pessoas ocupavam cerca de 1,5 quilômetro e desencadeou uma série de marchas semelhantes em todo o país.

– As pessoas se olhavam nos olhos. Foi fantástico. O coração batia forte. Pense no Brasil ganhando a Copa do Mundo. Essa era a emoção – relembra Lynette Maart, que na época era ativista social.

Foto: Pedro Rockenbach

Lynette, 48 anos, é voluntária no Memorial e Centro de Testemunhas, da Catedral São Jorge. A capela citada no início do texto atualmente abriga o acervo fotográfico da marcha. Nos fins de semana, ela cuida do espaço, além de receber turistas e estudantes para explicar o 13 de setembro de 1989. Esse dia já era importante antes de começar. Pela primeira vez um protesto não teria repressão.

– Os representes da marcha negociaram com a polícia para não haver conflito. Mas os policias estavam lá, sem armas, camuflados na multidão – explica Sandy Roselendis, 52 anos, ex-ativista, que também trabalha no memorial.

Lynette (E) e Sandy. Foto: Pedro Rockenbach

A caminhada pela paz começou em frente à igreja e seguiu até a prefeitura, onde ocorreram discursos dos líderes envolvidos no movimento. O estacionamento do local abrigou a multidão. Este mês, milhares de pessoas foram ao mesmo local, mas para assistir aos jogos da copa. A Fan Fest criada pela FIFA está no mesmo estacionamento.

Mulher negra na mira de uma arma nos tempos do Apartheid. Foto: Pedro RockenbachO apelo pelo fim das mortes foi o primeiro de vários que aconteceram na África do Sul. Dias depois, Uitenhage reuniu 85 mil; Bloemfontein, 50 mil; East London, 20 mil; King William´s Town, 20 mil; Durban, 20 mil; Joanesburgo, 18 mil.

A partir desses gritos pelo fim da violência, as negociações pelo fim do Apartheid começaram a ganhar força.

– Iniciou-se uma abertura dos portões. Uma nova ordem. É como se fosse o Mar Vermelho se abrindo, e todo aquele medo de
se manifestar, já que muitos morrem por lutar por algo melhor, foi ficando para trás – destaca Lynette.

– E hoje, é o que você sonhou há 21 anos?

– O que eu sonhei tem três etapas: o passado, o presente e o futuro. Uma delas, o passado, não permite que os outros dois sejam o que eu sonhei. Ainda está tudo muito recente. Aos poucos algumas camadas da sociedade vão se desprendendo de antigos costumes. Devagar, mas está melhorando – desabafa.

Assista no vídeo um tour pelo museu:

Comentários (5)

  • Lurdes diz: 29 de junho de 2010

    Parabêns Pedro. Lindo trabahlo estou encantada

  • Lurdes diz: 29 de junho de 2010

    Parabêns Pedro. Lindo trabahlo estou encantada VCS são feras bjus

  • Jana diz: 29 de junho de 2010

    Pura aula de história….lindo passeio, além de educativo.
    Parabéns, mais uma vez!

  • Gabriel diz: 29 de junho de 2010

    Muito bom o post, parabens pelo trabalho de vocês

  • Anônimo diz: 29 de junho de 2010

    Oi Pedro
    Muito interessante esta entrevista do museu, adorei ficar informada sobre o que realmente aconteceu em 13 de Setembro de 1989.
    os per
    Continua sempre assim, com assuntos pertinentes.

    Bjus

    Rosângela R.Locatelli-Lajeado-RS

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