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Voltando ao normal

10 de julho de 2010 5

Estádio Loftus Versfeld, em Pretória. Foto: Pedro Rockenbach

Por Pedro Rockenbach

Algumas adaptações começaram a retornar para os seus verdadeiros lugares na África do Sul. Um exemplo disso está em Pretória, a 50 quilômetros de Joanesburgo. A cidade foi uma das sedes da Copa do Mundo, recebendo seis jogos no Estádio Loftus Versfeld.

A última partida nesse campo ocorreu em 29 de junho. Nove dias depois, quase não havia mais sinais no estádio remetendo à maior competição esportiva do planeta. Voltou a ser o que sempre foi: a casa do Vodacom Blue Bulls, time de rúgbi da cidade.

Na noite do último dia 9, os Bulls receberam os Pulmas. Foto: Pedro Rockenbach

Para não dizer que não havia mais nada, as bandeirinhas da FIFA, já meio desbotadas, ainda estavam ornamentando as ruas ao redor do Loftus. Dentro, os mais atentos conseguem notar a antiga marcação dos limites do campo de futebol. E para por aí. Nada mais lembrava a Copa.

Marcações do que foi a área técnica e banco de reservas. Foto: Pedro Rockenbach

Os fãs da bola oval, que não são muito adeptos à redonda, também retornam depois de um mês em jejum.

– Podem dizer o que quiser, mas aqui na África do Sul, quem gosta mais de futebol são os negros. Os brancos preferem o rúgbi – Leon Rall, 51 anos.

Leon é só sorrisos após o fim da Copa do Mundo para Pretória. Foto: Pedro Rockenbach

Leon e mais uns amigos juntam mil rands por ano para alugar um espaço no estádio, onde guardam e bebem cervejas antes e depois dos jogos de rúgbi. O lugar parece uma mini-boate. Tem música, comida e vários tipos de bebida. Durante a Copa Mundo, abriram mão do lugar.

– Estavam cobrando 5 mil rands para alugar durante a competição. Muito dinheiro para um esporte que não gostamos – explica Leon.

O espaço para o esquenta fica embaixo da arquibancada. Foto: Pedro Rockenbach

Estrutura precária

A falta de melhorias no Loftus para receber os jogos do mundial é outro ponto que reforça a dúvida: foi aqui mesmo que jogaram África do Sul e Uruguai; Camarões e Dinamarca; Estados Unidos e Argélia; Chile e Espanha; Paraguai e Japão?

Os torcedores vindos de várias parte do planeta precisaram encarar parapeitos enferrujados e quebrados. As marcações no chão para indicar os lugares estavam desgastadas, não receberam nenhuma mão de tinta. Vários degraus das escadas de acesso estavam quebrados, os banheiros eram pequenos, etc.

Parapeito quebrado e enferrujado. Foto: Pedro Rockenbach

Sem exagero, o estádio se despediu da Copa do mesmo jeito que entrou. Não havia nenhuma reforma visível. Nenhuma cor tinha tonalidade de nova. Corrimões, arquibancadas, praça de alimentação, tudo com pinturas desgastadas pelos fãs de rúgbi.

Nem parece a Copa do Mundo que tem estádios como o Green Point, o Moses Mabhida e o Nelson Mandela Bay. Referências em tecnologia e engenharia.

Comentários (5)

  • Gabriel diz: 11 de julho de 2010

    infelizmente essa é uma verdade que ira acontecer no Brasil tambem e pior de tudo que o dinheiro para “reforma”sairá do nosso bolso

  • Joao Lucas Lima diz: 11 de julho de 2010

    Impressionante, cara! Sinceramente nao esperava por isso.

  • ladir diz: 11 de julho de 2010

    Muito bom texto Pedro/ lindas fotos Realmente a falta de atenção nas estruturas é preocupante.Que serve de lição para o Brasil. Que imagem o MUNDO leva disso?

  • Guisela.k diz: 12 de julho de 2010

    No Brasil n vai ser diferente. vão jogar a tinta e vai pegar onde acharem q deve pegar.
    Onde mais aparece fica bonitinho. néé?
    Aq o a mais me preocupa é a lei da mais vantagem em tudo.

    Valeu pelas informações!!!! bjs

  • MMMarcelo diz: 11 de setembro de 2010

    Já era fã de teus textos, Pedro ‘Mitchel’ Rockenbach, mas com o olhar atento e acurado que tens para fotografar situações, resta-me sugerir: volta para a faculdade, ‘caboclo’, agora como professor! Tenho dito.

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