Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Olá, Maputo

14 de julho de 2010 5


Última paisagem sul-africana antes da fronteira com Moçambique. Foto: Pedro Rockenbach

Por Renan Koerich

A saída de Joanesburgo, em Sandton, área rica da cidade, foi gelada. Na pele, os três graus do termômetro pareciam muito menos. Após a devolução do carro alugado e um táxi, a bagunça da rodoviária com direito a ônibus atrasado foi o desfecho de uma manhã agitada. O Sem Rumo estava de pé desde às 5h. Os 547km de estrada entre Joanesburgo e Maputo, capital de Moçambique, não deveria levar menos que oito horas.

Entre uma cidade e outra, cortamos Nelspruit, uma das sedes Copa. Pequena e pacata pouca coisa ali lembra o mundial. Os mais de 220 mil habitantes da região orgulham-se é do parque nacional Kruger. Leões, girafas e mais bichinhos soltos dão o título de capital selvagem do país ao local. É o principal motivo dos turistas aparecem por lá.

Tudo tranquilo, fora o espaçoso ao meu lado, no apertado ônibus da empresa Intercape. Aos poucos nos aproximávamos da primeira cidade entre Africa do Sul e Moçambique, Komatipoort. É ali que funciona a fronteira dos países chamada de Ressano Garcia (territorio já do país lusófilo).

Atravessar a fronteira de ônibus teria que ser rápido. A empresa não espera os turistas que não possuem o visto de entrada. Por isso, era contar com a sorte, pagar o documento e voltar rapidinho para o assento.

A chegada em Ressano Garcia foi surpreendente. Até então era pouco o que tínhamos visto da verdadeira realidade africana e ali, tudo estava escancarado. O cenário era uma mistura de pobreza com falta de organização e gente carregando trecos. O exército de cada nação rondava a área vistoriando as pessoas.

Após carimbar o passaporte e deixar o país de Nelson Mandela e passar rapidamente pela “terra de ninguém” – trecho que fica no meio dos postos de imigração – a esperança de pegar o ônibus foi por água abaixo ao chegar no posto moçambicano.

A primeira noticia ruim, no misto de filas mal organizadas e gente de todo o canto da áfrica indo e vindo, foi que o preço do visto – que pode ser adquirido na hora – havia subido mais de 300%. Passou de 170 Rands para 650, muito provavelmente por ser dia seguinte ao fim da Copa. E para variar apenas um guichê atendia os turistas. Era o caos fazendo a festa com a burocracia e a bagunça.

Assim o ônibus foi para seu destino, Maputo a capital. E claro, sem nós. Os que sobraram organizavam um jeito de ir até lá. Após muita tensão e um saco cheio de paciência o visto saiu com foto e tudo.

Na fila o jornalista brasileiro Chico Maia, de Minas Gerais, também irritado ofereceu uma carona em seu carro alugado. Chico também chegava de Joanesburgo e os 50 quilômetros entre a fronteira e a capital passaram rápido, com o divertido mineiro contando como terminara a sua sétima cobertura de Copa.

Rua de Maputo. Foto: Pedro Rockenbach

Para conhecer o trabalho de Chico Maia, clique aqui.

Visualizar Sem Rumo na Copa – Joanesburgo para Maputo em um mapa maior

Comentários (5)

  • Joao Lucas Lima diz: 16 de julho de 2010

    Voces conseguem ser as pessoas mais sortudas que conheci em toda a minha vida. Quem diria que encontrariam o Chico Maia para dar carona para voces? haha
    Sensacional o texto. Parabens.
    Abracao.

  • Elcio diz: 17 de julho de 2010

    É fim de feira rapaziada, agora tá na hora de voltar a vida normal. Valeu muito.

  • Anônimo diz: 17 de julho de 2010

    Tem certeza que vcs querem voltar? Depois dessa trajetória, eu acho que vcs conhecem mais a Africa do Sul que a própia cidade , e se apaixonarão não é? VCS são fenomenal.

  • Anônimo diz: 17 de julho de 2010

    Tem certeza que vcs queram voltar? depois dessa tragetória eu acho que vcs conhecem mais a Africa do Sul que a própia cidade. E SE Apaixonarão não é? VCS são fenomenal

  • Guisela. k diz: 18 de julho de 2010

    Q foto linda! valeu o texto Renan.

    Abraço, guris.

Envie seu Comentário