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A encruzilhada petista em Porto Alegre

25 de agosto de 2011 5

Os petistas porto-alegrenses vivem uma encruzilhada. Carolina Bahia, em sua coluna de hoje na Zero Hora, dá conta de que os presidentes nacionais do PDT e do PT estiveram reunidos para projetar uma aliança municipal em torno do nome do atual prefeito, o pedetista José Fortunati.

Também do Palácio Piratini há sinais de que, senão explícitos, surgirão esforços de bastidores para que o PT componha em favor de Manuela D’Ávila (PC do B), que por sua vez já fechou acordo com o PSB de Beto Albuquerque. Tudo o que Tarso Genro não precisa – e não quer – é desentendimento com dois dos seus principais aliados históricos.

Convém recordar: PC do B e PSB ensaiaram liderar, na antevéspera da última eleição estadual, uma chapa alternativa que ainda teria PP e PTB. Não deu certo, especialmente porque os progressistas refluíram em favor de Yeda Crusius. Mesmo assim, restou claro que comunistas e socialistas buscavam vida própria no Rio Grande do Sul, para além do PT. 

Mais: quem conhece minimamente os bastidores sabe que uma tensão perambula em torno das relações entre Beto e o PT. Manuela também reclama à boca pequena. E aquele antigo sonho da terceira via estadual, mesmo que ideologicamente incompreensível – envolvendo comunistas, socialistas e conservadores –, ainda acelera corações de muitos dirigentes partidários quando pensam em 2012/14: Manuela prefeita, Ana Amélia governadora e Beto senador. Muito cedo para tanta elucubração? Sim, se não estivéssemos falando de política – e de políticos. Eles sempre pensam na próxima eleição.

Adiante. Além desses sinais do Planalto e do Piratini, que não querem briga, há um problema local. As primeiras projeções mais confiáveis dão conta de que o PT não tem um candidato francamente favorito ao Paço Municipal, diferente do que acontecia historicamente. Na oposição de Fortunati, o principal nome atende por Manuela D’Ávila.

Mas essa encruzilhada tem um outro lado, que alcança motivos razoáveis para uma candidatura própria. Se apoiar Manuela, o PT se choca com o PDT de Fortunati – partido com o qual Tarso tenta manter relações políticas diferentes daquelas malsucedidas do governo Olívio. Se apoiar Fortunati, se choca com Manuela e Beto, que deixaram a terceira via e avalizaram apoio decisivo em favor de Tarso na última eleição.

Portanto, ao optar pelo caminho próprio, o PT poderia ainda assim desagradar PDT ou PC do B/PDT, mas menos do que se estivesse de corpo e alma apenas com um ou outro. Um adendo: esse dilema, de qualquer maneira, pode transferir-se para o segundo turno.

Ainda em favor da candidatura própria, surgiu um fato novo recentemente: os candidatos petistas potencialmente mais fortes romperam o silêncio. Maria do Rosário avizinhou-se. Raul Pont saltou do conforto e mostrou disposição. E Adeli Sell postula seu nome ostensivamente como nova alternativa, e o faz com a legitimidade de ser uma figura identificada com a cidade.

No jogo em curso, também incide um quê de autoestima e saudosismo partidário do PT. Depois de tantos anos à frente da Prefeitura, muitos militantes não aceitam papel de coadjuvante na eleição. Poderia soar como humilhação, motivo de caçoada. E aqui no estado a história prova que o PT realmente não tem vocação para apoiar, senão que tão-somente para ser apoiado. Que o digam os próprios PDT, PC do B e PSB. Mas vários líderes petistas, vide o próprio Paulo Ferreira, já lutam para mudar essa sanha pela hegemonia, sob a inspiração do governo Lula.

Ainda há que se constatar que os interlocutores do encontro entre os presidentes nacionais do PT e do PDT têm influência apenas relativa na província. Esse último, a propósito, há tempos mostra maior trânsito em Brasília do que em sua terra natal.

Enfim, são inúmeras as variáveis a compor o cenário petista da capital. Só uma certeza: desta vez, definitivamente, não há “caminho natural”. Há, isto sim, uma grande encruzilhada. E como disse Carolina Bahia ao noticiar o encontro de primeira mão, “essa partida está recém no começo”.

Comentários (5)

  • Telmo Alex Ferreira diz: 25 de agosto de 2011

    Cleber, seus comentários são sempre muito pertinentes a respeito das questões políticas. Finalmente vejo alma nova com conceito e conteúdo. Parabéns.

  • Marvin Vidal diz: 25 de agosto de 2011

    Petista de carona?! Duvido!

    Manuela que dê mais atenção ao seu “Plano B”. A Bela comunista que respeite mais os partidos de “direita”….pois sua eleição passará obrigatóriamente por este caminho. Manoela dormindo no ninho tucano, ou no reduto progressista, é muito mais provavável do que uma lua de mel na cama da “PTzada”.

  • Rovandro Bogoni diz: 25 de agosto de 2011

    Muito bom o texto… parabéns…. não vejo a hora de ver a sua opinião sobre o outro lado – os partidos de direita. Grande abraço meu grande amigo.

  • Cássio Moreira diz: 25 de agosto de 2011

    Ola Cleber, muito bom sua análise. Quero compartilhar com vocês a análise que eu fiz tb sobre as eleições de 2012. Postei aqui: http://cassiomoreira.blogspot.com/

  • Lisi Silveira diz: 26 de agosto de 2011

    Muito boa esta tua abardogem Cleber, apresenta-se aí uma “sinuca” … é esperar para ver os próximos capítulos, abçs

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