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Entre a direita democrática e a maluquete

29 de agosto de 2011 1

Duas dinâmicas paralelas vitimaram a direita brasileira. Refiro-me à direita democrática, reta, adepta de valores tradicionais. Sem mofo. Falo da mesma vertente ideológica que, pelo mundo, elegeu figuras como Angela Merkel, José Maria Aznar e o jovem David Cameron. No Brasil, ela também existe: diversos são os intelectuais e líderes sociais que comungam dos mesmos contornos doutrinários. No espectro político-partidário, porém, ela virou pó. Autodeclarados mesmo, só restaram alguns caricatos e excêntricos, quase sempre de duvidosa adesão humanista. Nada capaz de ganhar votos para além de seus fieis seguidores.

O primeiro processo a gerar esse ocaso foi a derrota de comunicação havida durante e, principalmente, depois do regime militar. Os protagonistas de então perderam a batalha da opinião pública. Seus feitos – até os bons – herdaram maledicências e críticas. Era resultado previsível para um regime que se excedeu no tempo e nos métodos, mesmo que tivesse razões justificáveis em seu princípio. Tudo o que é de direita, desde então, passou a receber uma carga por esses erros.

Ao lado disso, a esquerda assimilou a lição ensinada pelo intelectual italiano Antonio Gramsci, que propunha uma evolução nas estratégias de tomada de poder: em vez de armas, ocupação de espaços; em vez de imposição, construção de hegemonia. E essa estratégia foi de tal forma bem sucedida que mesmo instituições tradicionais, como a Igreja Católica, abriram vertente para o avanço das teses socialistas. Quase todos os vetores de formação do imaginário coletivo foram dominados, consciente ou inconscientemente, por uma concepção esquerdista de política e de mundo – donde surgiu, a propósito, o ditame do politicamente correto.

A maior prova de tais circunstâncias é que, nas últimas eleições presidenciais, só figuraram candidatos autodeclarados de esquerda – uma verdadeira disputa para ver quem era ideologicamente mais canhoto. Geraldo Alckmin, por exemplo, com todos os contornos de um líder conservador, fazia um esforço tremendo para esgueirar-se noutra direção em 2006. Confirma essa tendência a forma com que o próprio termo “conservador” virou, em si, sinônimo de pecado. Enquanto na ciência política é substantivo a denominar tão-somente uma categoria intelectual, na arena da opinião pública corresponde a um adjetivo pejorativo.

Ainda assim, é impressionante constatar que todas as pesquisas feitas nos últimos anos registraram a persistência de um silencioso eleitorado de viés direitista, inclusive entre os jovens. Ou seja: ocorre uma flagrante contradição entre os vetores de formação da opinião pública (que têm espaço e repercussão: artistas, líderes comunitários, políticos, padres, jornalistas, professores) e a opinião pública propriamente dita. Formou-se aí o que a teoria da comunicação chama de espiral do silêncio: a suposta minoria cala sob constrangimento da suposta maioria.

Não é por outro motivo que o novo PSD nasce com igual medo – ou erro estratégico – ao declarar-se de centro e, ao menos até agora, não assumir bandeiras ideológicas claras. É o mesmo que já fizeram PP e DEM, em passado recente, desprezando suas identidades ou deixando de renová-las através de linguagens modernas de comunicação. Ambos minguaram. E, desse modo, sem alternativa, eis que os votos da direita democrática permanecem órfãos, a espera de alguém que tenha coragem e inteligência para merecê-los. Enquanto isso, a mídia e o eleitorado continuarão olhando para a única direita visível: a maluquete. A esquerda agradece.

Comentários (1)

  • ariel albach diz: 16 de novembro de 2012

    PODERIA ME DAR MAIORES INFORMAÇÕES TEÓRICAS E PRATICAS SOBRE O TERMO “DIREITA DEMOCRATICA”.

    OBRIGADO

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