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O PT e seus sofismas retóricos

06 de setembro de 2011 5

Muito já foi dito, durante os últimos dias, sobre a proposta petista de supostamente democratizar a mídia.

Minha opinião, no mérito, é muito clara: as fontes em que parte do PT se abastece sobre esses temas, mesmo nos dias atuais, não são as mais recomendáveis para uma democratização. Apontam para seu exato inverso.

E me poupo de colar os inúmeros exemplos de adoração à velha ditadura cubana ou à nova ditadura venezuelana por parte de alguns de seus próceres. Tanto num quanto noutro caso, os regimes meteram a mão na liberdade não apenas das empresas de comunicação, senão que também na do próprio público. O Estado-partido acabou dirigindo o que pode e o que não pode, o que é bom e o que é ruim, quem fala e quem não fala.

Aqui, porém, quero tratar um pouco mais dos métodos de comunicação, dos subterfúgios de linguagem, dos sofismas retóricos utilizados nessas ocasiões.

Para começar: sempre que o PT quer tratar um tema que pode entrar enviesado na garganta da compreensão social, ele começa falando de “debater”. É como comer pelas beiradas: “precisamos debater”, “temos que ampliar o debate”…

Que nada! Quando o PT fala em debater, na verdade, quase sempre já está cheio de convicções e quer mesmo fazer valer suas próprias vontades. A invocação de debate, portanto, é mera estratégia para empurrar sub-repticiamente suas teses. É como a água que alivia o caminho do sonífero garganta abaixo.

Há casos concretos a demonstrar isso. Na iniciativa do famigerado PNDH-3, o PT dizia não defender o aborto. Queria apenas o quê? O debate sobre o tema! Ah, tá… Mas fazia evoluir o caminho da descriminalização da prática. Agora, não quer o controle da mídia. De novo, quer só debater. Ah tá… Mas aprova um documento que propõe regular o setor.

Podem não ser todos os petistas favoráveis ao aborto e ao controle da mídia, para ficarmos nesses dois exemplos, mas é inegável que os tais congressos petistas despertam os sentimentos mais ortodoxos – e retrógrados – de um PT que já foi rejeitado pela sociedade, e que o próprio Lula já tentou deixar para trás. E que Dilma também parece querer distância.

É comum que esquerdistas se imaginem detentores do monopólio das vontades populares, do bem e do justo. Os iluminados. No ímpeto pelo igualitarismo, algo impossível à natureza humana, alguns ainda imaginam um mundo segundo o qual tudo transcorre conforme sua cartilha de igualdade. Repito: muitos já evoluíram, e é exatamente nessas linhas divisórias que se separam a esquerda de viés totalitário daquela democrática, relevante à própria democracia.

Outra estratégia retórica: para impor teses desse tipo, o PT sempre reveste seus documentos de um falso ar de rigor acadêmico e histórico. São palavras garbosas, frases que vão e que vêm, derivações literárias interessantes, mas nada além de um enredo que apenas disfarça a tese polêmica – e normalmente antipática – a ser defendida. Não chamam as coisas pelo nome.

Vejam esta frase do documento do último congresso: “Para o PT e para os movimentos sociais, a democratização dos meios de comunicação é tema relevante e um objetivo comum com os esforços de elaboração do governo Lula e os resultados da I Conferência Nacional de Comunicação, que evidenciou os grandes embates entre agentes políticos, econômicos e sociais de grande peso na sociedade brasileira. É urgente abrir o debate no Congresso Nacional sobre o marco regulador da comunicação social – ordenamento jurídico que amplie as possibilidades de livre expressão de pensamento e assegure o amplo acesso da população a todos os meios”.

Tradução: o congresso do PT defendeu o controle da mídia. Simples assim.

Comentários (5)

  • João da Silva diz: 6 de setembro de 2011

    Toda a liberdade tem limite. O direito de um termina quando começa o do outro…

  • Fábio B. diz: 6 de setembro de 2011

    Sr., Cleber

    quando te referes a um documento aprovado pelo PT que visa regular o setor da comunicação social, qual seria esse documento? É de acesso público?

    Gostaria de acompanhar a evolução desse ‘debate’, também em função da minha tese de mestrado que gravita em torno do direito fundamental à liberdade de expressão.

    Por fim, ao amigo João da Silva, pergunto: quais os limites que podem ser, legitimamente, impostos aos meios de comunicação social além daqueles já previstos na própria Constituição da República?
    v., dentre outros, os incisos IV e V da CF/1988.

    Grato pela atenção.

  • Gustavo Anastazia diz: 6 de setembro de 2011

    Gostei, gostei Mais do que entrar no mérito é muito ver a opiniao de um cientista político sobre o que está por trás da notícia. Parabéns ZH e RBS PELO BLOG

  • Everton Cardoso diz: 6 de setembro de 2011

    É sempre assim, e com esse discurso metido a intelectual o PT impôe, pouco a pouco, a sua ditadura e o povão que adora palavras bonitas aceita.
    Como se não bastasse esse congresso do PT, um deputado federal deles há poucos dias defendeu o controle da mídia no próprio Congresso Nacional. Através da democracia, estamos impondo a ditadura.

  • Mário diz: 6 de setembro de 2011

    Parabéns pelo comentário, na verdade o PT é um organização totalitária e seu objetivo é transformar o Brasil numa Cuba, ou alguém já viu algum político petista dizer que Cuba é uma ditadura e as Farcs são terroristas. Infelizmente hoje no país são raros os jornalistas que tem coragem de criticar o PT, boa parte deles tem medo de desagradar as patrulhas petistas, eu por exemplo não ouço mais a rádio gaúcha entre 6:00 e 12:00 é o maior exemplo de jornalismo engajado, uns por medo outros por afinidades.

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